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Análise dos Times

Flamengo

Principal

Motivo: Coluna critica duramente o Flamengo: 'tragédia anunciada', 'preguiça tática', falta de ousadia e ausência de chances claras em 180 minutos.

Viés da Menção (Score: -0.7)

Motivo: Time elogiado por fazer o simples com precisão, proteger a área e executar bem o plano tático do técnico Alexander Medina.

Viés da Menção (Score: 0.5)

Palavras-Chave

Entidades Principais

libertadores flamengo maracana bruno henrique estudiantes brasileirao jorginho arrascaeta leonardo jardim muslera paqueta

Conteúdo Original

O Flamengo foi eliminado da Libertadores do jeito que a semifinal inteira anunciou: sem gols, sem ousadia e sem repertório. O 0 a 0 no Maracanã, diante de 72.492 torcedores (aliás, belíssima festa da torcida rubro-negra), repetiu o placar de La Plata e levou a decisão para os pênaltis, onde o veterano Muslera virou o homem da noite ao defender as cobranças de Jorginho, Paquetá e Bruno Henrique. O 3 a 2 nas penalidades conta a história do desfecho, mas a tragédia começou muito antes da marca da cal. ➡️ Análise tática do Guffo: leia todas as colunas O primeiro sinal veio na Argentina, onde o Flamengo passou os 90 minutos da ida sem acertar uma finalização sequer na direção do gol. Repare no mecanismo, porque ele se repetiu no Rio. O time de Leonardo Jardim circulava a bola no campo de ataque, mas sempre pelo entorno da área, sempre em cruzamentos contra a linha de cinco armada por Alexander Medina. O corredor interno, aquele espaço entre lateral e zagueiro que separa times grandes de times medianos, ficou intocado. No Maracanã, o cenário ficou ainda mais constrangedor. O Estudiantes tomou a iniciativa nos primeiros minutos, venceu as segundas bolas e quase abriu o placar com Rojo, enquanto o Flamengo errava passes em sequência e ia para o intervalo, mais uma vez, sem chutar na direção do gol. Com um jogador a mais durante todo o segundo tempo, depois da expulsão de Baltasar Rodríguez, o time teve 45 minutos para resolver sua vida. Produziu uma finalização de Paquetá na trave e uma cabeçada de Plata em cima de Muslera. A escassez de finalizações funciona como sintoma de um mal coletivo. Quando a bola chegava na área, não havia ocupação correta para aproveitar os cruzamentos. Quando o jogo pedia profundidade, não havia combinação para entrar por baixo. Arrascaeta entrou, Bruno Henrique entrou, Ayrton Lucas entrou, e a estrutura permaneceu a mesma: bola na faixa, bloqueio argentino na meia-lua, nada de infiltração. O Estudiantes, com menos talento individual, fez o simples com precisão e protegeu a área, bloqueou os chutes e esperou o erro rubro-negro. Eis o contraste que dói no torcedor, pois um time com Pedro, Carrascal, Jorginho, Paquetá e Arrascaeta não construiu, em 180 minutos, uma chance limpa de gol contra um adversário que se fechou. A preguiça tática, essa falta de ousadia para atacar o espaço, virou o retrato de uma semifinal tratada como formalidade. Parecia que os jogadores acreditavam que em qualquer momento a providência divina iria resolver por eles. A tragédia anunciada do Flamengo esteve nos 180 minutos em que o time se recusou a arriscar, muito mais do que nas cobranças desperdiçadas. O Flamengo segue vivo na ponta da tabela, mas a pergunta que fica é se esse time sustenta a busca pelo título com o mesmo padrão. A resposta passa por uma mudança de chave, já que Leonardo Jardim precisa devolver ao time o jogo pelo corredor interno, a infiltração de quem não teme o erro e a finalização tratada como prioridade, e não como consequência. O elenco é o mais caro do país, a torcida lota o Maracanã e a pressão por resposta cresce a cada rodada. Sem essa virada, o mesmo mecanismo que eliminou o Flamengo na Libertadores vai cobrar caro nas rodadas decisivas do campeonato nacional. E o risco é claro: não dá pro Flamengo repetir contra adversários fechados no Brasileirão o que fez contra o Estudiantes, e ver o título escapar por falta de ousadia, com um elenco que tem qualidade de sobra pra isso. A expectativa é de reação, porque o calendário ainda oferece a chance de salvar a temporada. Mas o torcedor rubro-negro já aprendeu a desconfiar e sabe que uma tragédia anunciada só se evita com atitude, e atitude, nessa semifinal, foi exatamente o que faltou. Se o time voltar a se esconder e jogar com preguiça, a temporada virará um ano perdido.