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O campeão olímpico Lucas Pinheiro Braathen acredita que a liberdade de moldar a própria carreira o ajudou a redescobrir por que se tornou esquiador, depois que as pressões da competição de elite o levaram a se aposentar aos 23 anos. Braathen, que deixou o esporte em 2023 após uma disputa com a Federação Norueguesa de Esqui , voltou representando o Brasil e conquistou o ouro no slalom gigante nos Jogos de Milão-Cortina , tornando-se o primeiro campeão olímpico de inverno do país. Às vésperas da abertura da Copa do Mundo de esqui alpino masculino, em Sölden, na Áustria, neste fim de semana, o atleta de 26 anos disse que a criação de uma equipe independente lhe deu maior controle sobre suas decisões esportivas e comerciais. “Coloquei todos os ovos na cesta de me tornar o melhor esquiador de competição do mundo”, disse Braathen à Reuters, em entrevista por vídeo de Gurgl. “Mas o porquê se perdeu nessa busca.” Braathen conquistou o título da Copa do Mundo de slalom em 2023 , mas anunciou a aposentadoria no fim daquele ano, após um desentendimento com a federação norueguesa. Segundo ele, a escolha era entre continuar em um sistema que já não refletia suas ambições e abandonar as pistas para viver conforme seus próprios termos. “Eu podia continuar esquiando, mas deixando de lado meus próprios objetivos e sonhos e conseguindo satisfazer as expectativas de todos ao meu redor, ou podia perseguir meu verdadeiro sonho, mas deixando o esqui de competição de lado”, afirmou. Filho de mãe brasileira e pai norueguês , Braathen anunciou sua volta em março de 2024 e passou a competir pelo Brasil na temporada seguinte. A vitória olímpica, em fevereiro, o transformou no primeiro atleta do Brasil ou de qualquer país da América do Sul a conquistar uma medalha nos Jogos de Inverno. Na última temporada, ele ainda levou o título do slalom gigante da Copa do Mundo e terminou em segundo na classificação geral. Braathen disse que o controle proporcionado pela própria equipe também lhe permite tratar acordos comerciais como parcerias criativas, e não como patrocínios convencionais. “Eu não encaro nenhuma das minhas parcerias como patrocínios. Eu as vejo como colaborações”, afirmou. A Atomic anunciou nesta semana a extensão de seu contrato com Braathen até 2030. Ele afirmou que seu papel inclui ajudar a desenvolver equipamentos, em vez de simplesmente endossar os produtos da empresa. “Para mim, o esqui é um estilo de vida”, disse. “É uma forma de permitir que as pessoas se encontrem e interajam com a natureza.” Braathen afirmou que representar o Brasil também deu à sua carreira um propósito além dos resultados, embora tenha reconhecido que o esqui continua fora do alcance de muitas pessoas no país. Ele espera que seu sucesso olímpico incentive os brasileiros a perseguir ambições que, à primeira vista, podem parecer irrealistas, e disse trabalhar em iniciativas esportivas voltadas a criar oportunidades para jovens. “Espero que o fato de uma bandeira brasileira ter subido ao topo do pódio olímpico coberto de neve... inspire e mostre que os brasileiros são realmente capazes de alcançar tudo aquilo a que dedicarem coração e mente”, disse. “A dura realidade no Brasil é que muitos não têm a possibilidade de participar.”