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Fifa, COI e COB não vão à COP30, e esporte chega com agenda esvaziada a Belém O Instituto Ecosurf, organização que une a cultura do surfe à conservação ambiental, irá até a COP30, em Belém, apresentar um manifesto com a visão dos surfistas brasileiros sobre as mudanças do clima e a poluição do mar. A ação é o ponto alto da campanha "#SurfNaCOP30". + Fifa, COI e COB não vão à COP30, e esporte chega com agenda esvaziada a Belém 1 de 3
Surfistas brasileiros levarão manifesto à COP, em Belém, em defesa dos oceanos — Foto: Divulgação / Instituto Ecosurf Surfistas brasileiros levarão manifesto à COP, em Belém, em defesa dos oceanos — Foto: Divulgação / Instituto Ecosurf + Kelly Slater dá conselho sobre encontrar um tubarão: "Olhe nos olhos dele" O Instituto Ecosurf também apresentará na COP os resultados da sua pesquisa nacional "Raio-X Ecosurf". O levantamento, que se encerra nesta sexta-feira, buscou entender como os surfistas percebem as mudanças climáticas, a poluição de plásticos no mar e os impactos ambientais que afetam a prática do esporte, em todo o litoral brasileiro. Mais de 90% dos surfistas ouvidos na pesquisa acreditam que os oceanos e as condições da prática do esporte estão sendo afetados pelas mudanças climáticas. Do total, 79% percebem o aquecimento da água, e 63% a erosão e estreitamento das praias. — A ideia do manifesto nasce do entendimento de que o surf é mais do que um esporte — é uma forma de escuta do Oceano. Quem está na água todos os dias sente, antes de qualquer relatório científico, as mudanças que estão acontecendo. A COP30 será um marco global para o clima, e acreditamos que a comunidade do surf tem muito a dizer nesse debate — contou João Malavolta, cofundador do Instituto Ecosurf. Surfistas se mobilizam para entregar manifesto durante a COP30 A pesquisa do Ecosurf reuniu respostas de surfistas de 19 estados do Brasil, de mais de 90 municípios. A Conferência das Partes (COP) da ONU vai reunir neste ano no Pará representantes de mais de 130 países para discutir e tomar decisões para o combate ao aquecimento global . O Brasil é uma liderança mundial na questão ambiental, o que aumentou as expectativas para o evento. + Poluição e temperatura da água em Singapura impactam provas da maratona aquática no Mundial 2 de 3
Instituto Ecosurf levará à COP30 resultado de pesquisa sobre mudanças do clima com surfistas — Foto: Divulgação / Instituto Ecosurf Instituto Ecosurf levará à COP30 resultado de pesquisa sobre mudanças do clima com surfistas — Foto: Divulgação / Instituto Ecosurf 1º ponto de "não retorno" é ultrapassado A Terra ultrapassou o primeiro grande ponto de "não retorno" da crise do clima : o colapso generalizado dos recifes de corais de águas quentes. É o que aponta o relatório Global Tipping Points 2025, coordenado por pesquisadores da Universidade de Exeter. O aquecimento global, que eleva a temperatura dos oceanos, está matando os corais tropicais em escala "sem precedentes". Eles perdem as algas microscópicas que vivem em seu interior e, sem elas, perdem a cor. Ficam sem energia e podem morrer. Por isso o termo branqueamento . + O que é o branqueamento de corais — e por que ele é tão grave? 3 de 3
Branqueamento dos corais foi o primeiro ponto de "não retorno" atingido pela Humanidade — Foto: Getty Images Branqueamento dos corais foi o primeiro ponto de "não retorno" atingido pela Humanidade — Foto: Getty Images — As algas são benéficas para os corais, mas quando há muita luz e calor, essas microalgas são expulsas. Os corais servem de abrigos para uma série de outros seres vivos, servem de alimentos. Têm papel fundamental em regiões costeiras. É como árvores de uma floresta. Temos que tentar reverter o processo de aquecimento global, diminuir as emissões dos gases de efeito estufa — explicou o professor Ronaldo Francini Filho, do Centro de Biologia Marinha da Universidade de São Paulo (USP). Além da redução das emissões dos gases, principalmente o carbônico (CO₂), cientistas reforçam que precisamos capturar o carbono que já foi lançado na atmosfera, através de programas de reflorestamento e recuperação de áreas degradadas (na terra ou no mar) . Importante também diminuir o nível de poluição dos mares e a pesca excessiva. — Melhorar a qualidade ambiental é de extrema importância pois dá mais chance aos recifes de se adaptarem. Não existe saúde humana separada da saúde ambiental. Não só a temperatura ficou acima da média em muitas regiões, mas persistiu alta por muito tempo, o que causou morte dos corais. Tivemos temperaturas oceânicas recordes, e triplicou o número anterior de ondas de calor marinhas em todo o mundo — comentou Beatrice Padovani, pesquisadora e professora em Oceanografia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Dá pra salvar os recifes de coral do branqueamento? Quais soluções estão em teste? Foi a primeira vez que cientistas declararam que o planeta atingiu um chamado "ponto de não retorno", que pode provocar mudanças permanentes na natureza. Os ecossistemas de corais são essenciais para a alimentação e o sustento de cerca de um bilhão de pessoas. O mergulho é o esporte mais impactado com essa mudança irreversível nos recifes de corais. O surfe pode ser praticado sobre bancadas de corais, mas estes não costumam ser tão exuberantes nessa situação por causa do estresse físico provocado pelas ondas. De qualquer forma, o esporte pode contribuir muito para combater esse desafio climático. — A indústria do turismo e dos esportes que ocorrem em áreas ou locais associados aos recifes de corais podem apoiar ações que visem reduzir a emissão de gases estufa para tentar retardar as consequências das mudanças climáticas sobre os corais. É importante ainda ações no sentido de reduzir ao máximo outros estresses sobre estes ecossistemas, que já estão sob forte pressão das mudanças climáticas — comentou Martin Dias, diretor científico da Oceana, maior organização sem fins lucrativos dedicada exclusivamente à conservação dos oceanos. * A reportagem faz parte do quadro "Clima em Jogo", do Redação sportv.