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Só para assinantes Assine UOL Opinião Esporte Vini paga com os destroços de si mesmo pelo legado de luta que construiu Milly Lacombe Colunista do UOL 06/11/2025 15h51 Deixe seu comentário Vini Jr em ação durante Liverpool x Real Madrid, duelo da Champions League Imagem: Paul ELLIS / AFP Carregando player de áudio Ler resumo da notícia Vini é chato. Só reclama. É metido. É arrogante. É petulante. Devia calar e apenas jogar. O que uma sociedade colonial espera das pessoas negras é cabeça baixa e trabalho. Qualquer coisa além disso imprime empáfia e pessoas negras, convenhamos, não podem comunicar atrevimento. Os que tiveram a chance da ascensão social num país que escravizou seus ancestrais por quatro séculos, bem, serão aceitos desde que mantenham-se no seu lugar. Agradeçam a chance, sorriam, sejam simpáticos, misturem-se, assimilem os códigos da branquitude e poderão seguir com uma certa paz desde que não liguem para os olhares que seguirão recebendo sempre que entrarem em um ambiente dentro do qual não deveriam estar. Wálter Maierovitch Querer juntar narco com terror pode ser perigoso Sérgio Rodrigues Extrema direita tem ação similar à da pornografia Josias de Souza COP30 enfrenta o mesmo drama das 29 anteriores Sakamoto Lula erra, pois a hora da verdade do clima já passou Vini se recusou a aceitar essa dança e, corajosamente, decidiu lutar. O país em que reside não o amarou, o clube que defende não o amparou, sua classe profissional não o amparou. Pelo contrário: assistiram a fama de chato-metido ser construída sem nada dizer. Os que disseram, reforçaram o coro: petulante, atrevido! Era uma questão de tempo para Vini se complicar esportivamente. Emocionalmente, a cabeça também despirocou. A fama de arrogante é maior do que a de batalhador e herói das causas sociais. Os que o aplaudem e incentivam não estão no poder - e quem está no poder constrói a narrativa mais conveniente. Se tivesse ficado quieto estaria em paz. Esse é o recado. Aquietem-se. Negros que vocalizam a luta: pensem bem porque o preço é alto. Mulheres que colocam seus corpos e espíritos em nome da causa anti-machista: pensem duas vezes porque, bem, podemos puni-las quando bem entendermos. Gays, lésbicas e trans: vale à pena lutar diante dos riscos de serem expurgados? Não é melhor simplesmente calar depois que o sistema os aceita em um contexto de poder? Tudo isso está dito na força com que a estrutura racista agiu sobre a luta de Vini. Agora, não foi indicado pela FIFA para o prêmio The Best. Muitos dirão que não tem nada a ver com o racismo e que paremos de culpar o racismo por tudo. Falharão em ligar todos os pontos dessa trama e, claro, ficarão apenas com a circunstância da não-indicação para fazer suas análises. No mais dirão que Vini está extremamente raivoso e não joga mais tão bem sem se dar conta - ou sem se importar com o - do racismo contido no argumento do "negro raivoso". Esse não é um texto para defender a indicação de Vini ao The Best (que nome ridículo, aliás). O futebol de Vini, obviamente, foi afetado pelo custo emocional do abandono que sofre desde que decidiu lutar. Seria apenas nosso dever contar essa história com tudo o que ela tem de horror. Vini vai ser negociado, vai tentar carreira em outro clube. Que tenha o apoio necessário para ficar bem e em paz. A luta não é sua responsabilidade, mas sim de uma sociedade colonial que teima em seguir assassinando simbolicamente quem ousa se opor aos valores da Casa Grande. Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash Receba novos posts de Milly Lacombe por email Informe seu email Quero receber As mais lidas agora Enquete UOL A Fazenda: Parcial atualizada mostra quem sairia agora na roça Quem é a viúva de Leandro que está em 'Poderosas do Cerrado'? Mega-Sena: Quanto R$ 48 milhões rendem todo mês na poupança e no Tesouro Vini Jr. fora e Raphinha finalista: veja os indicados ao The Best Pai arrependido? Joaquim expulsa filha, mas crime muda tudo em Três Graças