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Só para assinantes Assine UOL Opinião Esporte Ataque da seleção funciona e Ancelotti deve seguir por esse caminho Walter Casagrande Jr. Colunista do UOL 15/11/2025 15h09 Deixe seu comentário 0:00 / 0:00 Carregando player de áudio Ler resumo da notícia Independentemente do resultado do jogo, eu acho que o ataque da seleção brasileira deve seguir o caminho que Carlo Ancelotti montou contra Senegal: colocando o Estevão aberto na direita, Vinicius Jr pela esquerda e Rodrygo como um 10. Contudo, a característica de centroavante que melhor se encaixa na dinâmica e na intensidade desses três jogadores é a de Vitor Roque e João Pedro. São todos jogadores de velocidade, agressivos, que partem para cima com muita movimentação. O Matheus Cunha, apesar de ser um ótimo jogador, tem uma passada de outro ritmo. No futebol atual, os melhores times e seleções são organizados com base na dinâmica de cada jogador. Essa formação de ataque teria muita mobilidade e a mesma intensidade entre eles. É uma tortura marcar um ataque desse tipo. A marcação pressão que Ancelotti pede lembra muito o Milan de Arrigo Sacchi, do qual ele próprio fazia parte do meio-campo e participava diretamente desse pressing. Além disso, a chegada dos volantes, principalmente do Bruno Guimarães, que tem um ótimo passe, se infiltra bem pelo meio e também pelos lados, sem contar que possui uma leitura rápida de como o jogo se desenha. A Hora A confiança institucional no Brasil cresceu Cris Guterres Por que somos fascinados pelo crime? Letícia Casado Operação sobre INSS tumultua disputa por MG Julián Fuks Não mostre, não conte: em vez disso pondere e reflita Gostei também da competitividade que a seleção está adquirindo nesse pouco tempo de trabalho. Sem dúvida alguma, a seleção está bem melhor e mais organizada do que estava antes. Também vale destacar que o comportamento dos jogadores mudou muito em todos os sentidos com a chegada de Carlo Ancelotti. Quando a seleção treinou no CT Joaquim Grava do Corinthians, fui até lá e conversei um pouco com o Ancelotti, que me disse que estava gostando muito do grupo. Uma das coisas que ele destacou foi o fato de os jogadores não ficarem com o celular o tempo todo, principalmente durante e após as refeições. Isso foi destaque em várias matérias durante a semana no hotel em Londres onde a seleção está hospedada. Isso é fundamental para que eles fiquem mais focados nos treinos e jogos. Claro que não é proibido, nem censurado, mas é uma consciência coletiva dos próprios jogadores. Não existe um "manual de bom comportamento", mas há um consenso entre eles para se concentrarem na Copa do Mundo, na possibilidade de voltar a ser campeões do mundo. Claro que não esqueci da excelente formação defensiva, formada pela experiência e postura do Ederson no gol, que ganhou tudo com o Manchester City e agora está no Fenerbahçe. No momento de pressão da seleção de Senegal, ele apareceu muito bem, assim como toda a defesa. Nas laterais, os favoritos do treinador são Militão e Alexsandro, para darem mais consistência na marcação, pois esse time é bem ofensivo e rápido. Com eles, tanto Estevão quanto Vinicius Jr ficaram prontos para atacar e contra-atacar com velocidade e habilidade. A dupla de zaga é segura, formada por Marquinhos e Gabriel Magalhães. Sem contar que estamos vendo jogadas ensaiadas de bolas paradas sendo realizadas com perfeição, como foi o segundo gol do Brasil com o Casemiro. Já que falei do segundo, quero destacar também o belíssimo primeiro gol do Estevão, que deu uma chapada forte do jeito que ele gosta. O primeiro tempo da seleção foi incrível; fazia muito tempo que não via a equipe ser tão dominante e apresentando um belo futebol. Foi impressionante a intensidade com que os jogadores chegavam para dividir cada bola, como se já fosse jogo de Copa do Mundo. A marcação pressão na saída de bola de Senegal durou o tempo todo, o que mostra o entrosamento e a força na parte física também. Aliás, o jogo parecia valer classificação para uma final, de tanta disputa e competitividade entre os dois times. O segundo tempo começou alucinante também para as duas seleções, que foram para cima sempre em busca do gol. Um detalhe muito importante é que o Brasil finaliza muito mais do que antes, principalmente acertando o alvo muitas vezes. Ou seja, a seleção termina a jogada, e isso evita contra-ataques, pois a troca de bola é rápida e os jogadores buscam clarear a jogada para finalizar ao gol. Continua após a publicidade Outra coisa importante é que os passes são verticais e quase a bola não volta para trás. Com isso, a seleção chega mais rápido ao ataque, levando a defesa adversária a ficar mal posicionada. Quanto mais um time fica tocando a bola, mais chances dá para a defesa do outro time se recompor. Quando entrou o João Pedro, a dinâmica do ataque melhorou, pois aumentou a movimentação e os espaços apareceram ainda mais. Nesse jogo, funcionaram muito bem Estevão, Rodrygo e Vinicius Jr, que, para mim, foram os melhores do jogo, junto com Eder Militão, que foi brilhante na lateral e também na zaga. Mas deixo claro que todos da seleção brasileira fizeram uma grande partida. A vitória foi importante, mas o que mais importou foi a ótima partida que o time fez contra um adversário muito bom. Jogou contra uma ótima seleção africana, que já está na Copa de 2026, que possui muita força física, ótimo toque de bola e um ataque muito rápido pelos lados, sem contar com a presença de um ídolo máximo do povo senegalês, não só no futebol, mas também socialmente, que é Sadio Mané. Para aqueles que ainda acham que futebol e política não se misturam, procurem ler a história de Sadio Mané e também a do liberiano George Weah, que foi presidente da Libéria de 2018 até 2024, só para falar de dois personagens. Da metade do segundo tempo em diante, o jogo caiu muito em seu ritmo, mas como Senegal mudou muitos de seus jogadores, eles estavam mais descansados e dominaram um pouco a partida. Foi a melhor partida da seleção brasileira nas mãos de Carlo Ancelotti, que pegou uma terra arrasada, sem perspectiva, e está conseguindo criar um time e recuperar a identificação da seleção com o torcedor brasileiro raiz, que é o torcedor que importa. Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. 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