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Mais um ano em que é difícil decifrar o mistério New Orleans Pelicans na NBA . Em 2025/26, com o elenco razoavelmente saudável, tiveram um início muito ruim, mas uma melhora após a troca de técnico. Agora, com Jamahl Mosley no comando, desenvolvimento de Jeremiah Fears e Derik Queen, que vão para o segundo ano como profissionais, e a chegada de Bennedict Mathurin para fortalecer o elenco, existe a expectativa do time se tornar mais estável, principalmente na defesa.
Mas vai ser o suficiente para fazer valer o potencial que o plantel deixou apenas no papel nas últimas temporadas? Ou veremos mais uma campanha melancólica? Afinal, muitos jogadores dos Pelicans são cobiçados por outras equipes, podendo render peças interessantes em uma possível reconstrução, que pode acontecer, inclusive, longe de New Orleans, uma vez que as conversas sobre uma hipotética realocação nunca deixaram de acontecer.
Campanha: 26 vitórias e 56 derrotas
Classificação: 12° lugar na Conferência Oeste
O que aconteceu: os Pelicans tiveram um início de temporada desastroso, sendo a última equipe da Conferência Oeste a vencer o primeiro jogo na competição, o que só aconteceu em meados de novembro. Não tardou para a franquia demitir o treinador Willie Green, deixando o comando do time a cargo de James Borrego, interinamente. Mas até o fim de janeiro, amargou a lanterna da tabela, até que teve uma melhora interessante em fevereiro, quando todo o elenco estava saudável e teve 60% de aproveitamento no mês. Em março, a equipe chegou até a 11ª posição na Conferência, mas ainda longe das vitórias necessárias para chegar ao play-in.
Escolhas de Draft: Jaron Pierre Jr.(armador, 58ª escolha)
Quem mais chegou: Bennedict Mathurin (ala - Los Angeles Clippers), Trendon Watford (ala - Philadelphia 76ers), Caleb Houstan (ala - sem time), Christian Koloko (pivô - sem time), Kobe Bufkin (ala-armador - sem time) e Malik Dia (ala - sem time)
Quem foi embora: Kevon Looney (pivô - Los Angeles Lakers), Jordan Hawkins (ala-armador - Memphis Grizzlies), Michael Peavy (ala-armador - Memphis Grizzlies), Trey Alexander (ala-armador - Utah Jazz) e Hunter Dickinson (pivô - sem time)
Provável time titular: Dejounte Murray, Trey Murphy, Saddiq Bey, Herb Jones e Zion Williamson
Reservas: Jordan Poole, Jeremiah Fears, Jaron Pierre Jr.(armadores), Bryce McGowens, Kobe Bufkin (alas-armadores), Bennedict Mathurin, Trendon Watford, Caleb Houstan, Malik Dia (alas), Karlo Matkovic (ala-pivô), Derik Queen, Yves Missi, DeAndre Jordan e Christian Koloko (pivôs)
Técnico: Jamahl Mosley
Os Pelicans pouco se movimentaram depois que a corrida na temporada passada acabou. Uma mudança importante foi no cargo de treinador. Joe Dumars, executivo da franquia, resolveu buscar o técnico Jamahl Mosley, demitido do Orlando Magic depois dos playoffs de 2025. A ideia era buscar alguém que teve êxito em montar boa defesa para começar a promover uma mudança na cultura da equipe.
O grupo que Mosley vai encontrar para trabalhar será basicamente o mesmo que já estava lá. O experiente pivô Kevon Looney saiu, é verdade, mas trata-se de baixa que nem será um problema tão sentida assim diante das outras opções que há para a posição. Quem chegou foi o ala Bennedict Mathurin, que terminou a última temporada no Los Angeles Clippers e surgiu como uma oportunidade de mercado, mas não parece claro ainda como será a participação dele na rotação.
Com um elenco pouco mudado e um técnico novo, parece claro qual é o plano: dar uma nova oportunidade para as peças mostrarem trabalho sob a avaliação de um novo comandante, que terá a missão de encontrar os melhores encaixes e distribuir os minutos de maneira adequada para que o time mostre alguma evolução. Mas se as coisas não caminharem de forma muito animadora, pode ser que o passo seguinte deste trabalho seja o de movimentar o mercado de trocas durante o campeonato.
“Ele ainda não chegou nem perto de mostrar tudo o que é capaz de fazer. Eu realmente acredito nisso. E acho que podemos chegar mais perto disso abrindo mais a quadra para ele, fazendo-o atacar mais, e também o usando em posições diferentes, porque ele é muito inteligente para ler e criar jogadas, e a partir disso ele pode tornar os caras ao redor melhores, sabendo quando fazer as jogadas e os passes certos a se fazer.”
Foi isso o que falou Jamahl Mosley, novo técnico dos Pelicans e quinto treinador que Zion Williamson terá desde que chegou à NBA, ao ser perguntado sobre a expectativa de poder comandá-lo.
É verdade que o casamento do técnico Jamahl Mosley com o Orlando Magic não acabou bem depois da eliminação nos playoffs, mas também é verdade que ele chega a Nova Orleans com a reputação de ser um treinador exigente e bastante competente para construir sólidos sistemas defensivos.
O elenco dos Pelicans pode não ser exatamente igual ao que Mosley encontrou em Orlando, onde de fato construiu isso. Mas alguma melhora já dá para esperar que ocorra, e isso seria mais do que bem vindo para este time, que teve a sexta pior eficiência defensiva da temporada passada.
Em Orlando, Mosley conseguiu ter sucesso nesse sentido usando peças altas e versáteis, o que ajuda bastante qualquer um, mas também aprimorando a comunicação, a leitura e as ações coletivas dos jogadores, conseguindo tanto colocar pressão na bola no perímetro como proteger o garrafão.
Em Nova Orleans, Mosley poderá contar com gente como Trey Murphy e Dejounte Murray, que são altos e versáteis para trocar a marcação no perímetro. Yves Missi é um jovem pivô que tem mostrado animador rendimento protegendo o aro. E tem, claro, Herb Jones, o melhor de todos os defensores do elenco, um canivete suíço para qualquer esquema tático e um terror para as linhas de passe dos adversários.
Claro que ainda há desafios pela frente para Mosley em termos de encontrar os melhores encaixes para distribuir os minutos na formação das rotações. Não há nenhuma garantia de que o trabalho em Orlando será replicado exatamente do mesmo jeito em Nova Orleans. Mas diante do que ele já mostrou que é capaz de fazer e de algumas opções que terá no elenco, é plausível esperar uma boa evolução desta defesa. Algo que automaticamente tornaria os Pelicans muito melhores.
Zion Williamson disputou 62 jogos na última temporada. Comparado ao histórico dele, está ótimo. Pode-se dizer que foi um ano saudável. O problema é que a produtividade ficou abaixo do que se esperava para alguém que já foi All-Star.
Foi um acaso ou sinal de tendência? Porque se nem mesmo em um ano saudável Williamson conseguiu fazer a diferença e liderar uma campanha um pouco mais ambiciosa, com o que os Pelicans poderão contar para isso?
Claro que há muitas peças neste elenco que qualquer outro time da NBA gostaria de contar — desde que, claro, consigam se manter saudáveis. Mas é fundamental que o jogador que ocupa o espaço de uma estrela na folha salarial aja como tal, correspondendo ao chamado de tirar o time do buraco em situações difíceis e de facilitar as coisas para os demais no ataque.
Entra ano, sai ano, e os Pelicans seguem com Zion Williamson como o principal jogador da equipe. Também, pudera. Um dos nomes mais celebrados do século antes de chegar à NBA, a primeira escolha do Draft de 2019 parecia ser o pilar de uma nova era em Nova Orleans.
Mas o potencial nunca se concretizou, muito por conta dos problemas físicos, que tiraram Zion de muitos jogos e limitaram sua explosão e domínio a partir do biotipo único na liga. Ainda assim, quando esteve em quadra, o time correspondeu, como em 2023/24, quando chegaram a 49 vitórias na temporada regular. Foi o ano em que o ala-pivô mais entrou em quadra: 70 jogos.
No ano seguinte, jogou apenas 30 vezes. Mas na temporada passada, a presença foi maior: 62 jogos. O que dá uma grande esperança ao torcedor dos Pelicans, uma vez que Zion começará o ano saudável e poderá ter uma temporada com maior assiduidade dentro das quatro linhas.
A temporada passada mostrou um Zion muito mais parecido com o de 2023/24, concentrando os arremessos próximos à cesta, às vezes jogando como o pivô principal do time e conseguindo fazer boas associações com os armadores do elenco. Foram 21 pontos, 5,7 rebotes e 3,2 assistências de média para o astro, que pode ser o líder de um time que busca voltar aos holofotes com maior regularidade.
Apesar das campanhas ruins, os Pelicans tem muitos nomes interessantes no elenco. Trey Murphy III é o principal deles. Mas como essa categoria é para jogadores que podem estar abaixo do radar, e Murphy, principalmente na ausência de Zion, foi o líder da equipe, o destaque irá para outros dois nomes.
Dejounte Murray está há duas temporadas em Nova Orleans, mas disputou apenas 45 jogos. Uma grave lesão no tendão de Aquiles o tirou de combate por mais de um ano, mas agora ele está de volta desde o primeiro jogo.
Ao longo da carreira, passou a maior parte do tempo como armador principal, mas sempre teve um desempenho muito bom quando jogou como organizador secundário, tomando a posse na reta final dos 24 segundos, a partir de infiltrações com e sem a bola, visando a finalização ou passe para algum companheiro melhor colocado. Deverá ser titular no início da temporada, enquanto o jovem Jeremiah Fears começa no banco, como uma sombra incômoda para o já veterano de 30 anos de idade.
Outro nome interessante para a temporada é o de Bennedict Mathurin. O ala, após três temporadas em Indiana, foi trocado para os Clippers no último ano de contrato. A franquia de Los Angeles, porém, não renovou o acordo, e agora Mathurin desembarcou em Nova Orleans.
Muito agressivo em direção à cesta, sempre foi aquela fagulha com potencial para mudar os jogos vindo do banco. Como reserva, tem média de 16 pontos na carreira, além de 4,1 rebotes e 1,8 assistência. Curiosamente, não tem um bom aproveitamento do perímetro quando começa entre os suplentes (31%, contra 36% quando é titular), mas tende a ser o líder da segunda unidade do time ao lado de Jeremiah Fears e Derik Queen. Contudo, sua versatilidade nos dois lados da quadra devem fazer com que também divida a quadra com os titulares em diversos momentos ao longo da temporada.
1,5 (mínimo para baixo) – Há um ou dois times ainda menos interessantes que os Pelicans, mas não muito mais do que isso. Mas se Zion Williamson conseguir se manter saudável, e o time engrenar, a nota pode ser maior na reta final da temporada.
No cenário mais otimista: os principais jogadores do elenco passam imunes a grandes lesões, Jamahl Mosley consegue construir uma identidade defensiva forte com essas peças, e os Pelicans chegam perto da casa das 40 vitórias na temporada, o que pode até render uma vaga no play-in e, com sorte, uma primeira rodada nos playoffs.
No cenário mais pessimista: a mesma apatia dos últimos anos, o que significa mais uma campanha desinteressante, ainda mais derrotas do que na temporada passada e uma clara sensação de que não vai ter como impedir a implosão do elenco.
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