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Análise dos Times

Motivo: O time aparece em duas listas (abomináveis e deleitáveis), indicando uma relação complexa e não totalmente positiva ou negativa com o time.

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Palavras-Chave

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Só para assinantes Assine UOL Opinião Coisas abomináveis e coisas deleitáveis Juca Kfouri Colunista do UOL 17/01/2026 00h48 Deixe seu comentário Carregando player de áudio Ler resumo da notícia POR RONALDO GUIMARÃES* Com a devida vênia ao Paulo Mendes Campos e já me desculpando pelo plágio, faço aqui a minha lista de coisas abomináveis e deleitáveis. E que façam a listinha de vocês também. Ainda bem que as deleitáveis vencem com folga. Portanto, penso que sou um sujeito quase feliz. Vamos a elas: Dora Kramer Michelle muda o rumo da prosa com o Supremo Milly Lacombe De alguém que sobreviveu a Boa Vista e Fluminense Sakamoto Trump expõe contradições do Nobel da Paz Vinicius Torres Freire Toffoli e o novo sistema de corrupção institucional Coisas abomináveis: (morte de pessoa querida não vale). Acordar muito cedo, sobretudo de ressaca. Batizado, sobretudo quando dura três longas horas. Chope aguado e sem colarinho. Furar-lhe o pneu, sobretudo quando não há sobressalente. Pirraça de menino; menino catarrento. Continua após a publicidade Perder todos os documentos. Mulher emburrada. Morder a língua. Barata. Barata esmagada. Barata tonta. Latido insistente de cachorro, sobretudo ao amanhecer. Dor de dente. Há mais de 50 anos que não tenho, mas não esqueço. Continua após a publicidade Não achar um banheiro limpo na estrada, quando está muito apertado. Pisar em bosta, sobretudo com sapato novo e indo pra festa. Ser pé duro e não saber dançar bolero, tango e nem um mísero twist. Deixar palavra cruzada pela metade, por pura ignorância da língua pátria. Farpa de madeira que entranha no seu dedo. Mão suada, sobretudo de pessoas que insistem em apertar a sua toda hora. Continua após a publicidade Esperar por um telefonema de pessoa querida, correr pra atender e deparar-se com uma voz metálica de telemarketing. Perder campeonato nacional roubado. Perder campeonatos nacionais por puro azar. Torcer pelo Clube Atlético Mineiro. Suspiro de amor não correspondido. Saudade que aperta e dilacera. Nunca ser lido pelo seu pai, sua mãe e irmão querido, pela indelicadeza deles de partirem antes de eu colocar uma palavrinha na frente da outra. Continua após a publicidade Piada sem graça de amigo chato. Música brega, em certas horas. Ficar sem eira nem beira. Coisas deleitáveis: Um aahhh depois de um chope, com direito a um bigode branco de espuma e depois de uma caminhada de seis quilômetros. Gols do Reinaldo em Mineirão lotado. Continua após a publicidade Torcer pelo Clube Atlético Mineiro. Suspiro (o doce, feito de clara de ovo e açúcar- desmancha na boca). Fazer um lançamento de 40 jardas perfeito, a la Gerson. Não tenho a mínima ideia quantos metros tem uma jarda. Fazer gol de letra em pelada de família, sobretudo quando passou dos sessenta anos. Farpa de madeira que desistiu de residir em você. Por um encanto, ela salta fora e o dedão deixa de latejar. Neto que fala "vovô" antes de papai e mamãe. Continua após a publicidade Ouvir frases antigas: "pra você também e todos os seus", "folgo em saber", "passar bem". Casos antigos de tio velho. De tia velha. Apontar um lápis, com esmero. Ficar orgulhoso do grafite imponente. Coral de crianças afinado. Pimenta malagueta, nem tão louca, nem tão suave. No ponto. Cheiro de abacaxi. Continua após a publicidade Frango com quiabo e angu, sobretudo preparado pela Benedita. Palmito em qualquer hora. Doce de figo, sobretudo quando a calda é abundantemente doce. Abobrinha verde picadinha; couve rasgada. Maçã verde, mulher madura. Risoto, arroz de carreteiro, arroz de forno, arroz com bacalhau, arroz com pequi, arroz branco e arroz doce, sobretudo preparado pela dona Cotinha. Continua após a publicidade Doce de leite de Viçosa. Pé de moleque. Pé descalço de moleque que trata a bola com carinho. Cachaça de rolha. Chope tirado na pressão, com dois dedos de colarinho, acompanhado de bolinho de bacalhau, sobretudo em boteco no centro do Rio de Janeiro. Perambular sem pressa pelo Mercado Central de BH. Fígado acebolado do mesmo mercado. Continua após a publicidade Encontrar todos os documentos perdidos. Banca de revista de manhãzinha. Um amanhecer. Um anoitecer. "Sol desvirginando a madrugada". Silêncio de bibliotecas; algazarra de estádios. Continua após a publicidade Achar um banheiro limpo na estrada quando está muito apertado. LP antigo do Chico. Livraria pequena na Savassi. Jabuticaba de Sabará. Ler crônicas de Rubem Braga, sobretudo em noites chuvosas em fazendas centenárias de Minas. Filme cheio de cores de Almodóvar e de sensibilidade de Claude Lelouch. Continua após a publicidade Parque Municipal. Chicabon; eskibon. Uma boa inspiração para um conto. Escrever um conto. Cheiro de terra molhada depois de tempestade. Jogo de botão, sobretudo quando o atacante é uma tampa de relógio das antigas. Mulher sorridente. Continua após a publicidade Vislumbrar casal que dança bem, sobretudo o tango. Caneta de quatro cores. Estourar plástico bolha. Fronha perfumada. Caldo de cana e pastéis (de carne e queijo) em lanchonete no centro de BH. Cachorrinho aninhar-se em nossas pernas em quarenta e cinco graus. Continua após a publicidade Músicos de Filarmônica afinando seus instrumentos, antes do concerto. Seriedade e concentração de criança, quando brinca. Jogar buraco e pif paf com irmão mais velho. Ler Borges e Neruda numa noite de insônia (noite de insônia é abominável). Cheiro de igreja de Tiradentes e Ouro Preto. Fechar palavras cruzadas num piscar de olhos. Continua após a publicidade Ouvir do seu cardiologista que você está bem melhor do que ele. Reencontrar amigo do antigo Ginásio e ele dizer que você não mudou nada (mentira pura, café com gordura). Conviver com amigos com mais de cinquenta anos de amizade, poder ainda abraçá-los e amá-los como nunca. Piada boa de amigo engraçado. Subir na balança e ver que você perdeu três quilos, sem fazer regime. "Mexidão" do "Bolão" às quatro da matina. Continua após a publicidade Música brega, em certas horas. Raspar a panela, sobretudo se for de pé de moleque feito por dona Cotinha. Lareira acompanhada de tinto seco, lendo Mario Quintana, o poeta de coisas simples: "será que nunca deixo de lembrar que te esqueci"? Vento forte; brisa. Ipês amarelos nos agostos de Belo Horizonte; cheiro de "dama da noite". Lua cheia na roça; céu estrelado na roça. Continua após a publicidade Dar água na boca, sobretudo por aromas. Viagem de trem no antigo "Vera Cruz"- BH- Rio, sobretudo no carro-restaurante, tomando cerveja e vislumbrando paisagens. Apenas na imaginação, nunca viajei. Segredo revelado. Sonhar acordado. Achar que tudo valeu a pena. * Ronaldo Guimarães é escritor, professor e pedagogo. Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash Receba novos posts de Juca Kfouri por email Informe seu email Quero receber As mais lidas agora MP-SP investiga prefeito por veto a Milly Lacombe em feira literária Onde vai passar Volta Redonda x Flamengo pelo Carioca? Como assistir ao vivo Kaio Jorge faz o 1º no ano e Cruzeiro goleia Uberlândia no Mineiro Homem é expulso de voo pela PF após recusa em colocar celular em modo avião Médico que matou outros 2 colegas em SP já foi preso por agressão e racismo