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Lucas Lima explica por que não é mais amigo de Gabigol São mais de 2,5 milhões de seguidores em uma rede social e nenhuma postagem. As mensagens provocadoras contra rivais fazem parte do passado. A nova versão de Lucas Lima é o resultado de tudo o que o meia de 35 anos vivenciou nas passagens por Internacional , Santos , Palmeiras e seleção brasileira. O modo discreto de viver a vida foi uma das lições aprendidas por Lucas Lima. A repercussão e o assédio, segundo ele, são desproporcionais no sucesso e fracasso ao longo da carreira de um jogador de futebol. Por isso, a decisão de se afastar dos holofotes. – Com o passar do tempo, eu me afastei da mídia. Fiquei um pouco mais reservado, mais na minha. Aconteciam coisas boas, coisas ruins e muitas vezes eu preferia me calar. Acredito que é o meu jeito mesmo, acho que de ficar mais na minha, mais tranquilo. – A exposição é muito boa quando você está bem. Só que quando você está mal, ela vem até dobrada, bem pesada. Acredito que foi um pouco disso. Eu falei, cara, acho que está no momento de procurar me reservar mais, independentemente do que falam, não vai me definir. – Não adianta ficar emocionado com muitos elogios. E não adianta ficar triste e abalado com muitas críticas. Procurei me reservar mais, meu tempo é precioso, ficar com a minha família curtindo a vida um pouquinho fora desse mundo do futebol – explica. Lucas Lima chegou discreto à sala de imprensa do Goiás . Poucas palavras, olhar tímido e a apreensão de um jogador que raramente concede entrevistas longas. Aos poucos, foi se soltando. Durante pouco mais de uma hora de papo com o Abre Aspas , do ge , o meia brincou sobre os vários procedimentos estéticos que realizou nos últimos anos, como aplicação de botox no rosto, lente nos dentes, cirurgia plástica nas orelhas, além de harmonização facial que virou zoeira até hoje com os seus amigos em um aplicativo de mensagens. Lucas Lima diz que é vaidoso e brinca sobre harmonização facial – Tem o vídeo e a montagem [da harmonização]. Já fiz a orelha e a harmonização, mas há muito tempo. Agora a barba cresceu, e a barba é a harmonização do homem. Eu levo bem, a galera é maldosa, fazem as figurinhas no WhatsApp, mas lido bem. Faço o básico: creme e perfume. – O perfume é titular, o cheiro tem que chegar primeiro e ficar marcante. Agora estou com o cabelo grande e tentando cuidar porque ele arma muito, então peço ajuda para minha mãe para saber o que é bom para o cabelo ficar melhor. – Eu me considero estiloso. Não fico inventando muito, uso aquele "pretinho básico" e um tênis diferente para não errar. No início eu gostava mais de inventar, queria deixar o cabelo estilo Beckham e fazer tatuagem como ele. Eu era criança e tinha o sonho de parecer com ele. Agora gosto de me vestir bem, ter um tênis e uma jaqueta legal. Ficha Técnica Nome: Lucas Rafael Araújo Lima Apelido: Lucas Lima Idade: 35 anos (09/07/1990) Posição: meia Clubes: América-SP, José Bonifácio-SP, Inter de Limeira , Internacional, Santos, Palmeiras, Fortaleza , Sport e Goiás. Seleção: 14 jogos | 2 gols Títulos: Campeonato Paulista (2015, 2016 e 2020), Campeonato Pernambucano (2024 e 2025), Campeonato Goiano (2026), Campeonato Cearense (2022), Campeonato Gaúcho (2013), Copa do Nordeste (2022), Brasileirão (2018), Copa do Brasil (2020) e Conmebol Libertadores (2020). 1 de 14
Lucas Lima em entrevista ao Abre Aspas — Foto: Emilio Botta Lucas Lima em entrevista ao Abre Aspas — Foto: Emilio Botta A vida de Lucas Lima ganhou repercussão fora de campo pelo bom desempenho dentro dele. As boas atuações no Santos o levaram até a seleção brasileira e a ser cotado para atuar no Barcelona. O anúncio do acerto com o clube espanhol teria sido feito por ele próprio em uma roda de pôquer que tinha a presença de Neymar. Fato é que Lucas Lima nunca jogou no Barcelona e o tal anúncio entrou para a galeria de histórias mal contadas do futebol. Mas ele garante que um dia irá provar que realmente esteve perto de jogar ao lado de Neymar, Messi, Suárez em um time que marcou época no futebol mundial. Lucas Lima explica quase ida ao Barcelona: “Um dia vou contar” – Isso foi um boato que deu barulho e saiu em todos os lugares. Acho que foi no final da minha passagem pelo Santos. O Neymar brincou: "Vou te levar para o Barcelona". O pessoal viu que eu estava nessa fase de renovar ou não renovar e, no outro dia, eu já era mercenário por ir para o Barcelona. Não posso entrar muito nos fatos sobre se era verdade ou não, mas um dia vou contar, vou soltar e mostrar a foto para a pessoa acreditar. – Ele [Neymar] falou brincando. Tinha muita gente ao redor e eu falei: "Espera aí, calma, para de me iludir". E aí ficou como se o negócio estivesse certo. Não lembro exatamente como a galera falou, mas na época já diziam que eu ia para o Barcelona. Como ia anunciar isso? Eu jamais falaria isso. Mesmo não tendo jogado com Neymar no Barcelona, de quem o convite teria partido, Lucas Lima garante que a amizade entre eles segue forte. O mesmo não acontece com Gabigol, com quem formou dupla no Santos e que agora é chamado de ex-colega de trabalho. – A gente não se fala mais não, há muito tempo. Quando acabou o contrato [com o Santos], ele saiu e não nos falamos mais. Não teve mais amizade, basicamente acabou nisso. Só não tem essa amizade que tínhamos quando jogávamos juntos. Basicamente é isso. É o jeito dele de ser, de falar e de dar entrevista, mas não é por isso não [sobre a marra de Gabigol]. Principal nome do Goiás na Série B do Brasileiro, Lucas Lima ainda relembrou o dia em que foi flagrado por torcedores organizados do Palmeiras em um evento durante a pandemia. O caso praticamente selou o fim da passagem dele pelo Verdão. – Eu errei ali, só que tem muito contexto. Não era uma balada, era um restaurante, não foram quatro da manhã quando eles postaram o vídeo, era onze e meia. Só que acho que foi meio armado para mim, no meu ponto de vista. Analisando, acredito que no momento poderia me posicionar, falar a minha a minha versão, sei que errando ou não. Poderia falar, mas escutei o clube e o clube falou: não fala nada. – Deveria ter dado a minha versão dos fatos, porque ficou muito "ah, o Lucas estava na balada quatro e meia da manhã". Uma pessoa te grava às onze e meia, mas por que eles soltaram o vídeo só quatro e meia da manhã? Fiquei a noite toda agoniado, poderia ter avisado a galera do Palmeiras, só que aí eles foram demorando, eu falei, ué, não soltaram nada. Aí três e meia, quatro, solta no Twitter, ali já senti a maldade e como não estava jogando muito, acho que o clube preferiu não me defender. Como eu estava errado, só aceitei, não vou falar sobre isso – disse Lucas Lima. Lucas Lima detalha confusão com torcedores e saída do Palmeiras Abre Aspas: Lucas Lima Você é um cara mais discreto na sua vida quando está fora da bola? Não costuma dar grandes entrevistas? É mais reservado? – Cara, no começo da minha carreira, acredito que eu dava mais entrevistas, participava mais. E acho que, com o passar do tempo, eu me afastei um pouco da mídia, parei de procurar tanto. Acabei ficando mais reservado, mais na minha. Aconteciam coisas boas, coisas ruins e, muitas vezes, eu preferia me calar. Então, acredito que é o meu jeito mesmo, de ficar mais na minha, mais tranquilo. O que você acha que provocou essa mudança? – A exposição é muito boa quando você está bem. Só que, quando você está mal, ela vem até dobrada, vem bem pesada. Então, acredito que foi um pouco isso. Eu pensei: acho que é o momento de me resguardar mais, independentemente do que falam. Isso não vai me definir. Não adianta eu me empolgar com muitos elogios, nem ficar triste ou abalado com muitas críticas. Então, procurei me preservar mais. Meu tempo é precioso, prefiro ficar com a minha família, curtindo um pouco a vida fora do futebol. 2 de 14
Lucas Lima em entrevista ao Abre Aspas — Foto: Emilio Botta Lucas Lima em entrevista ao Abre Aspas — Foto: Emilio Botta O seu Instagram mesmo não tem um post sequer... – Eu gostava muito de Instagram antes, mas depois fui perdendo um pouco o interesse. Acho que fui ficando mais velho e pensei: cara... Sou meio de fases, às vezes posto bastante, às vezes não posto nada. Mas, quando vejo que a rede social está me consumindo muito, que estou mexendo demais, perdendo muito tempo, eu paro. Excluo o aplicativo e fico um tempo sem. Hoje em dia é difícil, mas eu tento fazer isso. Você consome muitas notícias, pesquisa o que estão falando sobre você? – Já consumi muito. No começo, gostava de acompanhar comentários, ver o que estavam falando. Mas, com o tempo, fui me distanciando. Como falei, quando você está bem, é legal ver um comentário positivo. Às vezes você nem joga tão bem, mas faz um gol e é elogiado. – Acho que, muitas vezes, a internet analisa o jogo de forma diferente. Eu, particularmente, procuro me cobrar, fazer minha própria análise. Às vezes, você pode se perder até nos comentários positivos, perder a autocrítica. Hoje, basicamente, não vejo mais. Lucas Lima explica por que adotou perfil discreto nas redes sociais E como é isso para a sua família? Eles acompanham? Como isso chega até você? – Eu sei que eles acompanham, mas tentam me blindar ao máximo. Nos momentos bons, não ficam me elogiando demais. Nos momentos ruins, cobram, mas vejo que gostam de assistir programas esportivos e acompanham tudo. Percebo que ficam tristes quando a crítica é forte, mas também procuram me proteger, evitando trazer isso para mim. Teve algum momento em que você achou que isso estava afetando sua vida no futebol? – Não diria que era um vício, mas teve uma época em que eu passava muito tempo no Instagram. Aí vinha aquele relatório semanal mostrando nove horas no celular, e eu pensava: cara, não produzi nada. Treinei três, quatro horas, e o resto do dia fiquei na rede social. Hoje tento me policiar mais. Às vezes estou ali sem ver nada que realmente acrescente. Acho que esse é um dos piores vícios atualmente. 3 de 14
Lucas Lima em entrevista ao Abre Aspas — Foto: Emilio Botta Lucas Lima em entrevista ao Abre Aspas — Foto: Emilio Botta E que tipo de conteúdo você gosta de ver nas redes sociais? Futebol ou coisas aleatórias? – Vejo de tudo. A rede social é meio louca. Ultimamente, tenho visto bastante vídeo motivacional. Gosto também de ver lances de futebol e acompanhar notícias. Basicamente, fico nesses três tipos de conteúdo. Você acompanha bastante o que acontece no mundo do futebol? – Já acompanhei mais. Mas gosto de assistir jogos desde sempre. Vejo bastante futebol. Às vezes não assisto a um jogo e, no dia seguinte, vejo os melhores momentos, os gols. É algo de que gosto. 4 de 14
Lucas Lima em entrevista ao Abre Aspas — Foto: Emilio Botta Lucas Lima em entrevista ao Abre Aspas — Foto: Emilio Botta Acompanha notícias sociais e políticas no Brasil? – Nas redes sociais, você acaba vendo de tudo. Notícias boas e ruins. O algoritmo vai te mostrando conteúdos, então, quando começo a ver, acabo acompanhando de tudo um pouco. Como é o Lucas Lima fora do futebol? – No dia a dia, sou tranquilo. Gosto de jogar um CS (Counter-Strike) , de ficar com a minha família — meus pais e meu irmão estão comigo, então passo bastante tempo com eles. Às vezes vou à academia, às vezes fico descansando, sem fazer nada. Nos últimos anos, minha rotina tem sido basicamente essa. De vez em quando saio para jantar, mas é bem tranquilo. É o Lucas Lima mais maduro, aos 35 anos? – Estou ficando velho mesmo (risos). Acho que muita coisa mudou, principalmente com as redes sociais. No meu ponto de vista, elas podem te enganar, te iludir e tirar um pouco do seu centro. Hoje é muita informação, muitos elogios e muitas críticas. Antigamente era diferente. Acho que isso pode afetar bastante, e nem todo mundo está preparado para lidar com isso. É preciso estar mentalmente preparado, e não sei se a galera mais nova tem essa experiência. 5 de 14
Lucas Lima em entrevista ao Abre Aspas — Foto: Emilio Botta Lucas Lima em entrevista ao Abre Aspas — Foto: Emilio Botta Quando você percebeu que era um jogador profissional? – Sempre sonhei com isso, mas o momento em que realmente senti foi no meu primeiro jogo pelo Inter no Brasileiro, contra o Santos. No túnel, olhando os jogadores ao redor, pensei: agora sou de verdade. Já tinha jogado outras divisões, mas ali foi diferente. Foi um sentimento muito bom. O que você lembra de ter passado até realizar esse sonho? – Lembro que saí de Marília para fazer teste. Um amigo apareceu e me levou para Chapecó, para a Chapecoense. Fiquei quase um ano lá, depois fui dispensado e voltei para casa. Pensei no que faria da vida. Na época, era difícil ter contatos. Mas Deus abriu portas, colocou pessoas no meu caminho. Fiz testes em vários clubes, joguei no América-SP e depois na Inter de Limeira, onde fiquei quatro anos. – Disputei a quarta divisão do Paulista, a chamada "Bezinha". É um futebol muito difícil, pouca gente conhece essa realidade. Foram anos de luta, mas também de muitas amizades. Depois de um tempo, pensei que precisava dar um passo a mais. Fiz testes no Santos e no Palmeiras, não fiquei por idade, mas depois acabei sendo contratado pelos dois. Foram cerca de seis anos de luta até chegar lá. Lucas Lima relembra início da carreira na última divisão de São Paulo E como foi a chegada ao Internacional? – Cheguei para o time B e pensei: preciso jogar. Era meu sonho. Fui sozinho, longe de casa, mas estava focado. No começo, nem pensava em salário, era só o sonho de jogar, de chegar à Seleção, vestir uma camisa grande. As coisas aconteceram rápido. Em cerca de um mês, já estava estreando no profissional. A partir daí, fui ganhando espaço e as coisas começaram a fluir. 6 de 14
Lucas Lima em entrevista ao Abre Aspas — Foto: Emilio Botta Lucas Lima em entrevista ao Abre Aspas — Foto: Emilio Botta Alguém foi determinante nessa virada? – Minha família sempre foi fundamental. No Inter, o D’Alessandro me ajudou muito. Ele me orientava, dava conselhos e me marcou bastante no início. Já pensou em outra profissão? – Não. Sempre foi só futebol. Nunca tive plano B. Mesmo se não tivesse chegado, acho que continuaria tentando até hoje. E o pós-carreira? – Estou começando a pensar agora. Quero aproveitar ao máximo enquanto jogo. Algum sonho para depois que parar? – Quero viajar, curtir mais a família, conhecer lugares com calma. Pensa em continuar no futebol? – Ainda não planejei nada. 7 de 14
Lucas Lima na passagem pelo Santos — Foto: Marcello Zambrana/AGIF Lucas Lima na passagem pelo Santos — Foto: Marcello Zambrana/AGIF O Santos foi o seu auge? – No Santos vivi meu melhor momento. Foi onde mais me destaquei. Era um time muito bom, e o jogo passava muito por mim, o que favorecia meu futebol. Nos outros clubes tive bons momentos, mas não com o mesmo brilho. Chegar ao Santos foi um grande desafio. Tive que conquistar meu espaço entre grandes jogadores. Isso me fez evoluir muito, principalmente em velocidade de pensamento. Fiz amizades que levo até hoje. E a cobrança em cima do seu desempenho, em algum momento, te fez mal? Te cansou? – Acho que não cansa. Mas eu sempre fiz muita autoanálise. Sei que nunca fui um jogador de fazer muitos gols, então nunca coloquei esse peso em mim. As pessoas falam: "tem que fazer gol, tem que chutar mais", mas isso nunca me afetou nem me fez mudar. O que me incomodava eram algumas críticas, porque muitas vezes a análise não considerava o que eu fazia em campo. Jogar em time grande é difícil, você não joga só pelo nome, precisa render. Mas existem diferentes formas de render. – Acredito que adaptei um pouco o meu jogo para continuar atuando. No Santos, eu tinha um futebol mais vistoso: a bola passava muito por mim, eu tocava na bola muitas vezes por jogo, e isso favorecia minhas características. Com o Dorival, jogávamos com pontas abertos e isso também ajudava. Em outros clubes foi diferente. Joguei com grandes jogadores, mas com características distintas, muitos preferiam receber a bola no pé e fazer o jogo fluir por eles. Então precisei me adaptar. – Muitas vezes joguei mais aberto, em outras funções. Se você olhar meus números, atuei bastante em todos os clubes, tive muitos jogos e poucas lesões. Eu poderia, em alguns momentos, insistir em jogar do meu jeito, mas optei por me adaptar — e nem sempre funcionava como no Santos. 8 de 14
Lucas Lima em entrevista ao Abre Aspas — Foto: Emilio Botta Lucas Lima em entrevista ao Abre Aspas — Foto: Emilio Botta Você sente que esse peso te atrapalhou de alguma forma? – Quando cheguei ao Palmeiras, entendi como funcionava. Foi um período muito vitorioso. Eu sabia que muitas vezes não seria o protagonista, mas queria fazer parte daquilo. Foi um desafio. No Santos, a bola passava por mim o tempo todo. Já no Palmeiras, foi onde mais aprendi. Joguei com muitos craques, em um nível de exigência e competitividade muito alto. – Na minha posição, às vezes havia três opções. Você jogava bem em um jogo e, no outro, já podia sair do time. Isso incomodava, claro, mas com o tempo você amadurece. Aprende com os erros, apanha, levanta e segue. Minha trajetória sempre foi assim. Acho que amadureci como homem e como jogador. Lucas Lima explica saída do Santos para o Palmeiras: “Loucura, né?” Você se arrepende de ter ido para o Palmeiras? – Minha carreira teve essas voltas. Fui reprovado no Santos e no Palmeiras, e depois acabei sendo contratado pelos dois. Lembro que, quando assinei contrato, pensei: "caraca, já fui reprovado aqui". Na época, eu usava muito rede social. Sabia que havia esse peso, algo difícil de apagar. – Na primeira oportunidade ruim, toda aquela zoação voltaria contra mim em dobro. Foi aí que percebi que precisava tomar mais cuidado. Parei um pouco com brincadeiras e zoações. Esse tipo de coisa, que você faz com amigos no futebol, pode ser interpretado de forma negativa fora desse contexto. 9 de 14
Lucas Lima na passagem pelo Palmeiras — Foto: Marcos Ribolli Lucas Lima na passagem pelo Palmeiras — Foto: Marcos Ribolli E por que você zoava o Palmeiras (o meia costumava provocar quanto estava no Santos)? – Era a rivalidade do momento. Assim como eles zoavam a gente, a gente zoava eles. Era algo entre Santos e Palmeiras naquela época. Não tinha nada pessoal, era coisa de rivalidade. Teve algum bastidor interessante na sua saída do Santos para o Palmeiras? – Foi um pouco turbulento. Eu não queria sair do Santos, porque já estava lá havia quatro anos. Mas, conversando com meus empresários, percebi que meu contrato estava acabando. Na minha cabeça, eu tinha mais tempo. O clube não me procurava para renovar, e isso me fez pensar. – Eu já tinha recusado várias propostas financeiras melhores. Quando surgiu o Palmeiras, vi como um desafio importante. Acho que fiz uma boa escolha. Foram anos intensos, em um ambiente e pressão diferentes. No início foi difícil, mas foi uma experiência muito válida. O Santos te procurou para renovar? – Procurou, mas de uma forma diferente. Fizeram uma proposta boa financeiramente, até melhor do que outras, mas com a intenção de me vender no ano seguinte. Parecia que não havia um plano esportivo para mim. Nos outros clubes, havia um projeto para minha permanência. Meu objetivo nunca foi sair. Eu queria ser valorizado onde estava. Era mais confortável permanecer em um lugar onde já tinha espaço e reconhecimento. 10 de 14
Lucas Lima em entrevista ao Abre Aspas — Foto: Emilio Botta Lucas Lima em entrevista ao Abre Aspas — Foto: Emilio Botta Essa postura do Santos te machucou? – Não muito. Futebol é assim. Eu também tinha o direito de ouvir outras propostas, até porque deixaram meu contrato se aproximar do fim. Houve alguma negociação que quase aconteceu? – Não. Havia interesse de fora do país. Meu pai queria que eu fosse para o exterior, mas, analisando tudo, a proposta do Palmeiras era melhor para minha carreira. Desde o início, o clube demonstrou muito interesse, e isso pesou na decisão. A relação com o Neymar segue viva? – Segue. É um cara sensacional, sempre me deu muitos conselhos. Nem falo como jogador, mas como ser humano — dispensa comentários. Ele e toda a família são pessoas especiais. Você levaria o Neymar para a Copa? – Tem que ser levado, não brinquem com o nosso sentimento. Não é possível que ele não vá. A gente conversa bastante. Quando ele estava voltando ao Santos, eu falava que o futebol brasileiro está muito difícil. Ele vai conseguir jogar bem, mas precisa de um time que favoreça isso. – Hoje, para competir com outros times e para ele brilhar, é preciso ter um time muito forte ao redor. No meu ponto de vista, isso ainda falta um pouco, não é crítica, é uma leitura. Mas ele é um cara genial, sensacional, que ama a Seleção. Os números dele falam por si. – Ele tem peso, assume responsabilidade e pode dividir essa carga de representar a Seleção. Eu já tive essa experiência e sei que não é fácil. Mas ele tem esse dom. É um jogador que, na Seleção, resolve — e sabemos disso. Por isso eu o levaria. 11 de 14
Lucas Lima em ação pela Seleção no amistoso contra os Estados Unidos — Foto: Rafael Ribeiro / CBF Lucas Lima em ação pela Seleção no amistoso contra os Estados Unidos — Foto: Rafael Ribeiro / CBF Como foi a experiência na Seleção? – Foi incrível, um sonho realizado. Ali eu zerei o game. Um momento marcante é quando você chega, senta à mesa e vê todos os jogadores reunidos. Tem o trote, em que você precisa falar, e é quando você percebe que está entre os grandes. Fiz gol, mas estar ali é diferente. –Quando seu nome sai na convocação, a ficha não cai na hora. Vai caindo aos poucos — na viagem, no hotel, ao ver suas coisas com seu nome, o símbolo da Seleção, os patrocinadores. Quando você veste o uniforme, percebe que cada momento é especial. Você guarda recordações da carreira, como camisas? – Guardo, tenho camisas bem legais. Não vou falar quais são, senão vão pedir (risos). Tenho do Forlán, da época do Inter, do Kaká, do Neymar e de vários jogadores. No começo da carreira, trocava com todo mundo para fazer coleção. Consegui camisas de muitos jogadores no Brasil. Tem alguma que você não daria para ninguém? – A do Kaká eu não dou para ninguém, tem a assinatura dele. A do Neymar também. Essas não vendo nem dou. E como foi o trote na Seleção? – É muita zoeira. Você tem que falar, cantar... Eu lembro que falei várias vezes durante a convocação. Ainda bem que não era só eu, tinha mais uns cinco passando pela mesma situação. Você canta o hino, escolhe uma música... se errar, todo mundo zoa. Dá nervoso, você se enrola, mas foi um dos momentos mais legais. Escolhi um louvor, achei que alguém fosse cantar comigo (risos). Nem lembro qual era, mas foi divertido. 12 de 14
Lucas Lima e Neymar nas férias — Foto: Reprodução/Instagram Lucas Lima e Neymar nas férias — Foto: Reprodução/Instagram Sobre o momento: o que te atraiu no Goiás? – O desafio. O clube vinha de anos difíceis, e eu vi a oportunidade de fazer história. Conversei com o treinador Daniel, com quem já tinha trabalhado, e isso facilitou muito. Ele e o Michel demonstraram que queriam contar comigo, e isso pesou bastante. Não foi a melhor proposta financeira, mas o desafio de construir algo importante aqui me motivou. Se der certo, fica marcado. O que você mais gosta em Goiânia? – Ainda conheço pouco, mas senti um clima de interior, e isso me agrada, porque sou do interior. Parece uma cidade tranquila. Fui muito bem recebido. Cheguei em um feriado, estava tudo mais vazio, e isso me marcou. Quero conhecer mais. Você consegue ter uma vida social comum? – O futebol acabou um pouco com isso. Saio pouco, mais para jantar ou almoçar. Muitas vezes ficamos concentrados e resolvemos tudo ali mesmo. Não tenho uma rotina muito ativa fora de casa. E quando você sai, falam de futebol? – Às vezes nem falam, mas como a rotina é intensa, prefiro aproveitar o tempo livre em casa, fazendo o que gosto. Como é lidar com torcidas rivais em Goiânia? – Tem aquele "carinho" negativo (risos). Já joguei aqui contra e sei como é. As torcidas pegam no pé, tentam te desestabilizar. Quando você tem um nome mais conhecido, isso aumenta. Mas faz parte, já estou acostumado. E fica melhor quando você vence. 13 de 14
Lucas Lima na passagem pelo Sport — Foto: Rafael Vieira/AGIF Lucas Lima na passagem pelo Sport — Foto: Rafael Vieira/AGIF O rebaixamento com o Sport foi fora da curva? – Foi. Havia muita expectativa após o acesso, que foi difícil. Mas o time mudou muito de um ano para o outro e não encaixou. Quando precisava vencer, não venceu. Troca de treinador também atrapalha. Foi um ano complicado, atípico na minha carreira. Aos 35 anos, o que você planeja para o futuro? – Quero vencer esses desafios. Deus me abençoou além do que eu imaginava, inclusive financeiramente, então hoje posso escolher melhor. Quero estar mais perto da família. Sei que estou na reta final, então quero aproveitar ao máximo, porque é o que eu amo fazer. Muitos dizem que não sentem falta depois que param, mas eu duvido. Quem ama o futebol sente. Então quero aproveitar enquanto posso e seguir rendendo. Qual a importância do seu irmão na sua vida? – Minha família é tudo. Se cheguei até aqui, foi por eles. Meu irmão é especial, é um amor incondicional. Vivemos em função dele, ele é a base da nossa casa. Estar perto deles hoje é muito importante para mim. 14 de 14
Lucas Lima em entrevista ao Abre Aspas — Foto: Emilio Botta Lucas Lima em entrevista ao Abre Aspas — Foto: Emilio Botta Que lição ele te deu? – O amor. Um amor diferente, com cuidado, com atenção. Vejo muito isso nos meus pais. Eles são exemplo para nós. E o preconceito, já te afetou? – Não diretamente, porque sempre tentei preservar minha família. Mas ele existe, às vezes em atitudes ou olhares. Dentro de casa, sempre lidamos com isso com muito amor e naturalidade.