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Luisa Stefani fala da retomada da dupla com Gabi Dabrowski Luisa Stefani na decisão do Finals. Luisa Stefani na final de Wimbledon. Luisa Stefani campeã no Brasil e pelo mundo. Luisa Stefani em todo lugar. O ano de 2025 foi um dos melhores da carreira da tenista brasileira de 28 anos. Quatro títulos, finais importantes e a consolidação como uma das melhores duplistas do mundo ao lado da húngara Tímea Babos. Sucesso que fez até fãs de TV Ted Lasso --como ela própria já revelou ser -- criarem uma versão do cântico que a torcida da sprie de TV fizeram para o jogador Roy Kent: "He’s here! He’s there! He’s every-f***ing-where!" Na quadra de tênis, Luisa é quem está ocupando todos os espaços, principalmente quando sobe à rede. + Leia mais sobre tênis + Luisa Stefani retoma parceria com Gabriela Dabrowski para 2026 1 de 10
Luisa Stefani e Time Babos celebram vitória no WTA Finals — Foto: Getty Images Luisa Stefani e Time Babos celebram vitória no WTA Finals — Foto: Getty Images O voleio, a agilidade e o domínio do jogo de duplas fez com quem Luisa fechasse 2025 como a 14ª colocada do ranking mundial, a melhor posição de um brasileiro ou brasileira, em simples ou duplas, no circuito. Para a próxima temporada, porém, Luisa quer mais. Em entrevista exclusiva ao ge , diretamente da pré-temporada nos Estados Unidos, ela fala de Bia Haddad, João Fonseca, conta que está livre das preocupações com lesões, confiante no retorno da parceria com a canadense Gabriela Dabrowski, com foco nos títulos de Grand Slams e no topo do ranking mundial. Mas Luisa Stefani também está de olho em outra meta: conhecer os atores Jason Sudeikis, Brett Goldstein e demais astros de Ted Lasso em algum torneio pelo mundo. Luisa Stefani brinca com meta para 2026: “Encontrar equipe de Ted Lasso” - Esse é o objetivo. Por isso que eu estou treinando bastante agora, para estar ainda mais em todos os lugares (risos). Eu amei essa brincadeira, porque eu sou muito fã de Ted Lasso e Roy Kent. Então, tipo, foi muito irada. Fiquei muito feliz. Vamos fazer "Stefani is everywhere" chegar até eles - afirma Luisa Stefani. 2 de 10
Poster da série Ted Lasso — Foto: Divulgação Poster da série Ted Lasso — Foto: Divulgação ge: Como está a pré-temporada para 2026? Luisa Stefani: É isso, 2026 para tenista já começou. Eu estou no início da segunda semana de pré-temporada, vim aqui para Boston porque meu preparador físico (Bryan Doo) é daqui. Desde o final do ano passado eu comecei a trabalhar com ele. O início da pré é um momento que a gente tem mais tempo e foco no físico, na base mesmo, nos fundamentos, principalmente depois de um ano longo, puxado, e que eu comecei de certa forma com o pós-operatório no início do ano passado. Então, essa pré-temporada é muito importante para eu realmente tomar o tempo de voltar nos ajustes técnicos e físicos que a gente não tem tanto tempo ou tanta especificidade durante a temporada jogando e treinando. Optei por vir para cá, começar essa pré com ele e depois eu vou para a Flórida e termino a parte de tênis, físico, enfim, tudo por lá também, até por conta da parceria nova, para estar um pouco mais próximo dela e já começar alguns treinamentos juntas, de ajuste, para se preparar bem para começar firme na Austrália. O sonho continua, tem que ser as nossas metas: final de Grand Slam, ser número um do mundo. 3 de 10
Luisa Stefani e Time Babos são campeãs do WTA de Tóquio — Foto: REUTERS/Manami Yamada Luisa Stefani e Time Babos são campeãs do WTA de Tóquio — Foto: REUTERS/Manami Yamada O seu ano de 2025 começa com recuperação de um problema físico. O corpo é um ponto de preocupação ainda para a temporada nova? No começo do ano, o foco era total no físico, na reabilitação, em começar com calma. Não foi um procedimento tão grande no joelho quanto foi (a cirurgia) do LCA em 2021, obviamente, mas querendo ou não, sendo uma operação, é um pouco invasivo. A gente teve muito cuidado para começar devagar e fazer bem, progressivamente. Focadíssima nessa reabilitação nos primeiros três meses para voltar bem e reorganizar os padrões físicos que eu fui, talvez inconscientemente, criando e me adaptando durante o pós-lesão. O primeiro semestre inteiro foi muito focado nisso, nessa parte física de progressão, de ir com calma. Focar muito no processo, esquecer praticamente totalmente resultados. Foi um desafio que o Gui [Pachane, técnico] tentou implementar. E isso rendeu muita confiança no meu corpo, que é algo que eu não tinha há muito tempo. Wimbledon foi o torneio divisor de águas no sentido de finalmente conseguir me sentir bem e sentir: "Pô, estou feliz com o meu nível, estou satisfeita como estou me mexendo na grama". A ótima campanha em Wimbledon (final em duplas mistas com o britânico Joe Salisbury) também ajudou na confiança, foi gerando resultados ao longo do tempo. No segundo semestre o nosso objetivo era: podemos cobrar um pouco mais de resultados porque agora estamos nos sentindo bem, o nível está lá. Já era outra realidade, já tinha uma parceira fixa, a gente estava buscando o Finals, buscando Grand Slams. 4 de 10
Stefani disputa a final das duplas mistas em Wimbledon — Foto: Getty Images Stefani disputa a final das duplas mistas em Wimbledon — Foto: Getty Images Quais metas para 2026? O foco total é me preparar da melhor forma para aguentar uma temporada inteira, que é bem intensa emocionalmente e fisicamente. É conseguir navegar entre essas oscilações ao longo do ano. Essa é a parte bonita do esporte, do tênis: você nunca está bem o suficiente. Você pode estar feliz como você está jogando, mas sempre tem algo para melhorar. E acho que isso que leva a gente a atingir um nível ainda maior e motiva diariamente para a gente focar nas coisas que a gente pode controlar, porque as expectativas externas de resultado, de ranking, acabam tirando a consequência do nosso trabalho. Ela (Gabi) comunicou com o Gui primeiro. Eu estava na gira da Ásia, tentando qualificar para o Finals. Quando ela comentou com o Gui, a gente eventualmente entrou nesse tópico de parcerias do ano que vem e aí, pô, não teve nem muito o que pensar. Ela era uma das minhas melhores opções. 5 de 10
Luisa Stefani em ação no WTA Finals — Foto: Getty Images Luisa Stefani em ação no WTA Finals — Foto: Getty Images E você retoma a parceria com a Gabi Dabrowski. Essa retomada foi de certa forma natural. Acho que o timing ajudou muito nesse ano. Muita gente talvez não sabia que a Tímea (Babos) fosse parar ou não fosse jogar uma temporada inteira no ano que vem, mas isso ficou claro desde o começo. Ela era uma jogadora e uma pessoa super transparente. Eu sabia que, eventualmente, ia ter que procurar uma nova parceira. Encaixou bem com o momento da Gabi, que parou a parceria com a Erin (Routliffe), que estavam indo tão bem assim. Ela (Gabi) comunicou com o Gui primeiro. Eu estava na gira da Ásia, tentando qualificar para o Finals. Quando ela comentou com o Gui, a gente eventualmente entrou nesse tópico de parcerias do ano que vem e aí, pô, não teve nem muito o que pensar. Ela era uma das minhas melhores opções. Geralmente eu faço a minha lista de prioridades em parceiras e o Gui tem a dele. Encaixou com o momento das duas. A gente conversou, alinhou tudo, teve uma boa reunião em equipe. Acaba sendo um papo mais profissional, e pessoalmente também a gente se dando super bem. Passamos por vários momentos difíceis dentro e fora da quadra nos últimos anos, individualmente, acho que foram alguns anos de muito crescimento e maturidade, o que anima bastante para essa volta ser diferente de como foi antes. Eu vejo como um novo momento para a gente recriar essa parceria de uma maneira nova, com a nossa nova versão. 6 de 10
Luisa Stefani e Gabriela Dabrowski tênis WTA Montreal — Foto: Minas Panagiotakis/Getty Images Luisa Stefani e Gabriela Dabrowski tênis WTA Montreal — Foto: Minas Panagiotakis/Getty Images As questões pessoais estão resolvidas? Não vou entrar muito nos detalhes, mas, na primeira vez que a gente jogou junto, em 2021, foi de muito sucesso rápido, até a minha lesão. Depois da minha lesão, a gente tentou retomar, enfim, as coisas não aconteceram como a gente gostaria. Depois disso a gente conversou mais ainda, se resolveu, obviamente. Teve várias conversas francas e diretas também para a gente estar onde a gente está hoje. Vocês conversaram sobre metas nessas reuniões? Sem dúvida. Os objetivos claros que a gente está almejando, baseado também no histórico de cada uma... Ela também tem medalha olímpica, já ganhou dois Grand Slams, já ganhou mista, muitas finais. E eu também, cada vez aumentando esse histórico. Então, nossa realidade agora é buscar os maiores títulos. O sonho continua, tem que ser as nossas metas: final de Grand Slam, ser número um do mundo. Mas a gente entende também que nossas expectativas são altas. Aceitar essa responsabilidade, mas levar as coisas da maneira que a gente leva mesmo, que é focar no processo. O maior ensinamento desse ano de 2025 para mim foi que focando no processo, menos do que no resultado, o sucesso eu tive. Então agora é começar do quase zero e fazer as coisas acontecerem. 7 de 10
Laura Pigossi e Luisa Stefani conquistam primeira medalha olímpica do tênis em Tóquio 2020 — Foto: Reprodução/Instagram Laura Pigossi e Luisa Stefani conquistam primeira medalha olímpica do tênis em Tóquio 2020 — Foto: Reprodução/Instagram Sei que ela (Bia Haddad) está muito bem amparada. Tenho total confiança de que ela tem um time incrível na volta dela. O tênis dela, tenho certeza que está dentro dela, isso não vai sumir. Às vezes é importante se escutar e entender o que você precisa. Estou feliz que ela tomou esse tempo para se cuidar e voltar melhor e feliz. Você citou Olimpíadas. Você pensa em Los Angeles 2028? Totalmente. Sempre penso em Olimpíadas. É lei, está nos planos, sem dúvida. Tem uma gavetinha para Olimpíadas que mexe comigo de uma maneira diferente. Com a Laura [Pigossi], sempre que a gente joga a Billie Jean King Cup a gente relembra Tóquio. Obviamente o João Fonseca e a Bia Haddad também, estando no topo, animam bastante para nós. E tendo a experiência de Tóquio e depois de Paris, me motiva muito para voltar em mais uma Olimpíada. Eu vou tentar até eu não conseguir mais, porque realmente é a experiência mais gratificante. Eu já morei lá perto também de Los Angeles, estudei na faculdade em Malibu. 8 de 10
Bia Haddad Luisa Stefani Paris 2024 — Foto: REUTERS Bia Haddad Luisa Stefani Paris 2024 — Foto: REUTERS Em qualquer entrevista na ATP alguém pergunta: "E o João Fonseca?". Com vocês, na WTA, rolou muito isso? Bastante. A gente brinca que teve algumas vezes, esse ano, que a gente estava no mesmo torneio e falava: "Ah, vamos lá assistir o João". E teve vezes que a gente não conseguiu lugar na quadra, já estava lotado, e aí a gente assistia da TV. É muito merecido. É muito especial poder torcer para ele, ter ele representando o Brasil, ter essa proximidade também. Ele e o time são muito queridos. Quando você só assiste, você fica encantado pelo jogo. Pô, impressionante a maneira que ele bate na bola. A gente tenta até analisar para ver se ele me ajuda a bater assim no futuro também. Não tem muito o que falar, ele traz uma emoção diferente para o nosso tênis e para o mundial agora também. Luisa Stefani comenta importância de João Fonseca no circuito de tênis O crescimento do tênis em geral faz com que todo mundo — feminino, masculino, duplas — tenha crescido em popularidade esse ano? Ah, sem dúvidas. O ecossistema cresce, todo mundo agrega. A gente está num momento super bom em vários sentidos: tênis de cadeira de rodas, a "Vitorinha" arrasando; no tênis feminino, quatro meninas no top 100 de duplas, a Bia no top 100 de simples; masculino com grandes exemplos, o Thiago (Monteiro) há tanto tempo aí representando. Acho que a gente está com referências muito boas e uma união que eu acho super bonita também. Mais investidores, mais patrocinadores entrando no esporte também ajuda muito no crescimento no geral. O histórico do Brasil nas duplas é muito forte, a gente teve grandes exemplos. Isso serve de inspiração para a nova geração saber que as duplas são uma opção de carreira também. Foi tão especial em São Paulo, jogando em casa o SP Open e ver a festa de todo mundo que fez o torneio acontecer. 9 de 10
Timea Babos e Luisa Stefani comemoram título de duplas do SP Open — Foto: Fotojump Timea Babos e Luisa Stefani comemoram título de duplas do SP Open — Foto: Fotojump Você conversou com a Bia nas últimas semanas? Estou animada para encontrar ela na Austrália. Falei com ela um pouco antes, quando ela estava parando. Fiquei feliz que ela tomou esse tempo para se cuidar, de fazer outras coisas, viver um pouco além do tour. Encontrei o Rafa (Paciaroni), o (Rodrigo) Urso, a equipe dela lá na Billie Jean King. Sei que ela está muito bem amparada. Fico muito na torcida para que ela se reencontre na quadra. Tenho total confiança de que ela tem um time incrível na volta dela. O tênis dela, tenho certeza que está dentro dela, isso não vai sumir. Às vezes é importante se escutar e entender o que você precisa. Estou feliz que ela tomou esse tempo para se cuidar e voltar melhor e feliz. Luisa Stefani fala sobre Bia Haddad e a volta às quadras em 2026 Para fechar, neste fim de ano, você soube do da brincadeira "Luisa Stefani is everywhere"? Tem algum lugar da rede que você não consegue estar? Esse é o objetivo. Por isso que eu estou treinando bastante agora, para estar ainda mais em todos os lugares. Eu amei essa brincadeira, porque eu sou muito fã de Ted Lasso e Roy Kent. Então, tipo, foi muito irada. Fiquei muito feliz. Meta para 2026. Vamos fazer "Stefani is everywhere" chegar até eles. 10 de 10
Luisa Stefani posa para fotos antes de Finals — Foto: Reprodução Luisa Stefani posa para fotos antes de Finals — Foto: Reprodução Termômetro: Marcel Merguizo traz notícias de João Fonseca, Luisa Stefani e Ana Sátila