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Opinião Futebol Argentina vai à Copa com amistosos de 'quinta', todos aprovados por Scaloni Sebastián Fest * Colaboração para o UOL, em Buenos Aires 27/03/2026 12h59 Deixe seu comentário Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Lionel Messi, da Argentina, em ação em amistoso contra a Angola Imagem: Reprodução/Instagram@afaseleccion Há pouco mais de um ano, Lionel Messi recebeu o pedido de autógrafo mais surpreendente de sua carreira: Marco Antonio Ortiz Nava, árbitro da partida em que o Inter de Miami acabara de vencer o Kansas City. Ele também pediu a camisa do argentino. O mexicano, um árbitro FIFA, foi punido, mas ninguém tirará dele a etiqueta de "juiz de baixa qualidade" que ganhou ao sul do Brasil. É o mesmo que acontece com a série de partidas com as quais a Argentina se preparou para defender o título da Copa do Mundo: só amistosos de quinta categoria. Pelo nível de alguns dos jogadores adversários, Messi deve ter dado muitos autógrafos nos túneis de acesso ao vestiário. O que está acontecendo, então, com a seleção campeã do mundo? Como é possível que o Brasil enfrente França e Croácia, Uruguai encare a Inglaterra e Argélia e a Argentina receba na La Bombonera Mauritânia e Zâmbia? Amanda Klein Mendonça perde no STF, mas ganha popularidade José Fucs 'Arrego' de Trump no Irã é peça de ficção anti-EUA Mauro Cezar Brasil não tem a mesma fartura da França Marco Antonio Sabino O vazamento que pode acabar com o caso Master É possível sentir satisfação esportiva com um balanço de 15 amistosos, 15 vitórias, 49 gols a favor e dois contra esses adversários? Estônia (5 a 0) Honduras (3 a 0) Jamaica (3 a 0) Emirados Árabes (5 a 0) Panamá (2 a 0) Curaçao (7-0) Austrália (2-0) Indonésia (2-0) El Salvador (3-0) Costa Rica (3-1) Equador (1-0) Guatemala (4-1) Venezuela (1-0) Porto Rico (6-0) Angola (2-0) Na Argentina, a resposta é clara: a federação local escolheu os milhões, não o futebol. "Amistosos servem para faturar e fazer negócio. Depois, o resto", criticou o "Página/12", crítica com a qual o "Clarín" concordou: "É uma exigência muito baixa para uma seleção tão importante". O motivo? "A AFA (Associação Argentina de Futebol) optou por usar a terceira estrela com fins lucrativos. Preferiu cobrar cachês altíssimos por levar Messi e seu balé a cenários exóticos do que usar as datas da FIFA para aprimorar a renovação dos campeões do Catar 2022". A AFA, organização hoje suspeita de corrupção, está blindada graças ao título no Catar 2022. A baixa qualidade dos jogos de Messi chamou a atenção, inclusive, do "L'Equipe", o melhor jornal esportivo do mundo. Os franceses pegaram a lista de jogos e mostraram alguns detalhes surpreendentes. Continua após a publicidade Desde que conquistou a Copa do Mundo de 2022, a Argentina nunca uma equipe classificada entre as 20 melhores da FIFA em um amistoso. Os adversários de Lionel Messi e seus companheiros em amistosos ocupam, em média, a 85ª posição no ranking da FIFA. "É o pior resultado do continente, muito atrás do Brasil, que enfrenta, em média, a seleção número 20". O interessante é que, em meio às críticas, jogadores da seleção não estão preocupados e o técnico Lionel Scaloni gostou: o desejo expresso era NÃO enfrentar grandes potências. Scaloni fazia parte da comissão técnica de Jorge Sampaoli em 2018 e vivenciou em primeira mão o abalo de uma derrota por 6 a 1 para a Espanha, que afetou a confiança do grupo durante a turbulenta Copa do Mundo na Rússia. A cancelada Finalissima contra a Espanha não era, na visão de Scaloni, uma boa ideia, mas ele havia aceitado disputá-la porque o Qatar pagava muito bem para ter a Argentina no estádio Lusail. O futebol é terreno fértil para superstições, e na Argentina, ainda mais. Antes daquela derrota estrondosa para a Espanha, a Argentina havia derrotado a Itália, uma seleção de alto nível. A preparação para a África do Sul 2010, com Diego Maradona no comando, é para muitos argentinos a prova de que é melhor evitar o confronto direto com os melhores quando se está perto da Copa do Mundo. Naquelas semanas, a Argentina derrotou a Alemanha por 1 a 0 em Munique, mas foi goleada por 4 a 0 pelo mesmo adversário no torneio, que tirou Messi da África do Sul no momento mais brilhante de sua carreira. Maradona não teve melhor comentário a fazer do que dizer que aos alemães "não tinham dado nenhuma ideia", gíria argentina para ilustrar que o adversário venceu sem fazer muito. Continua após a publicidade O que teria acontecido se a Alemanha tivesse realmente jogado com ideias? Um 7 a 1, como o de Belo Horizonte? É verdade, também, que a Argentina enfrentou adversários sul-americanos de alto nível na Copa América de 2024 e nas eliminatórias para a Copa do Mundo. O que Scaloni quer contra a Mauritânia e a Zâmbia é testar jogadores e, acima de tudo, garantir que suas estrelas não se lesionem. Esses jogadores entendem a aposta do técnico. "Muitas vezes acontece que, quando se tem amistosos desse nível, sem menosprezar ninguém, no fim das contas sabe-se que se treina mais intensamente no dia a dia com os companheiros do que no próprio amistoso. Então, acho que a chave está aí, em que os treinos sejam muito intensos, e acho que foi isso que nos levou a sermos campeões do mundo", disse à AFP o lateral Nicolás Tagliafico. Alexis Mac Allister resumiu com simplicidade: "O importante é estar com o grupo e focados em nós mesmos". Afinal, a seleção argentina conta com jogadores de altíssimo nível que, todas as semanas, enfrentam outros de igual valor em suas ligas e nos torneios europeus. Continua após a publicidade Por que, então, Brasil e Uruguai apostam em jogar com seleções de tradição e alto nível? A resposta é que futebol não é matemática e a ideia de amistosos "low cost" funcionou para Scaloni há quatro anos. Alguém tem a resposta certa? A resposta, o mais tardar em 19 de julho, em Nova Jersey. * Sebastian Fest é jornalista e escritor. Publicou "Ni Rey Ni Dios" e "Messiánico", biografias de Lionel Messi, além de "Sin red", relato de uma década acompanhando Roger Federer e Rafael Nadal, e de "Gracias", biografia de Nadal. Foi editor de Esportes da agência de notícias alemã DPA e do jornal argentino "La Nación". Ele também cobriu todas as Copas do Mundo desde 1998 e todos os Jogos Olímpicos desde 1996. Atualmente é correspondente do jornal espanhol "El Mundo" para a Argentina, Brasil, Chile, Uruguai e Paraguai, com sede em Buenos Aires. É fundador do portal especializado em tênis "CLAY". Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash As mais lidas agora Quem é Vitor Reis, zagueiro convocado por Ancelotti para a seleção Como pais de jovem espanhola reagiram à escolha da filha pela eutanásia Lee Sang-bo, famoso ator de dramas coreanos, morre aos 44 anos Tenente-coronel traz nova versão para justificar banho: 'Pressão alta' Na França, Vieira e Rubio conversaram sobre comércio e crime organizado