Conteúdo Original
Torcedor supera tumor, oito cirurgias e realiza sonho de conhecer o estádio do Palmeiras A trajetória de Rafael José Logerfo de Almeida, de 12 anos, é marcada por uma sequência intensa de desafios, e por momentos de emoção que hoje simbolizam superação. Torcedor do Palmeiras , o garoto saiu de uma longa internação na UTI para viver o sonho de estar no gramado do Allianz Parque ao lado dos jogadores, na vitória sobre o Athletico Paranaense, no último domingo. Os primeiros sinais da doença apareceram em agosto de 2024. Foi o que contou a mãe dele, Daniela Rodrigues Logerfo, em entrevista ao ge. — O Rafael José começou em agosto de 2024 com alguns sintomas, o vômito. Daí em outubro começou o vômito, dor de cabeça, e depois começou a visão dupla, chiado no ouvido, e isso a gente foi passando em médicos durante quatro meses até ter o diagnóstico. – E teve o diagnóstico no dia 28 de dezembro. No caso, fomos encaminhados para Santa Casa, onde ele fez uma tomografia de urgência e foi onde teve o diagnóstico. Nós fomos transferidos para Marília e foi onde a gente começou o tratamento — disse a mãe. 1 de 5
Rafinha, torcedor do Palmeiras, com o goleiro Carlos Miguel — Foto: Reprodução/Instagram Rafinha, torcedor do Palmeiras, com o goleiro Carlos Miguel — Foto: Reprodução/Instagram O diagnóstico do menino de Santa Cruz do Rio Pardo foi de meduloblastoma grau 4. Depois, ele teve meningite bacteriana. A partir daí, começou uma rotina intensa de procedimentos e internações. — Ele já passou por oito cirurgias, fez rádio, deu oito cirurgias no total na cabeça. Logo depois da cirurgia de remoção do tumor, ele pegou meningite bacteriana. E daí, ficou um pouquinho mais complicado, mas graças a Deus passou. Ele fez rádio, 30 sessões de rádio, e então começou as quimios. – Tivemos alta há um mês das quimios. Segunda-feira (20) ele fez o exame de ressonância, deu tudo bem, graças a Deus. Ainda tem um caminho a percorrer, porque faz o acompanhamento, mas a gente crê que o pior já passou e que agora é só alegrias – relatou Daniela. Durante o período mais crítico, Rafael ficou 38 dias na UTI e enfrentou limitações severas. — Quando ele estava assim, porque ficou com as sequelas pós-cirúrgicas, ele não conseguia fazer algumas coisas. Agora ele tá tendo evolução, dia após dia, mas ele não conseguia digitar. Daí ele falava assim: “Mãe, escreve aí pra mim, vê a escalação do Palmeiras, vê que dia que tem jogo, vê se o Palmeiras ganhou, põe aí no jogo”. – Eu ficava do lado dele, porque ele ficou 38 dias na UTI, eu ficava colocando o celularzinho para ele, antes ele nem sabia quem que ia jogar e dependia de mim ali, e depois estava dentro do campo com os jogadores — completou a mãe. 2 de 5
Rafael José e sua mãe Daniela Rodrigues, na última sessão de quimio — Foto: Reprodução/Instagram Rafael José e sua mãe Daniela Rodrigues, na última sessão de quimio — Foto: Reprodução/Instagram A paixão pelo Palmeiras foi combustível durante o tratamento, e também parte da recuperação emocional. O grande sonho do Rafinha era conhecer os jogadores. — No caso, era um desejo, um grande sonho. Porque antes, quando eu estava indo no hospital, eu nem conseguia pegar o celular, digitar as palavras. Era um sonho para mim, mas eu achava que era quase impossível assistir um jogo assim, presencialmente — contou o jovem palmeirense. A primeira oportunidade surgiu com a torcida organizada Babu’z, que fez uma surpresa no aniversário do garoto e proporcionou a ida a capital para assistir um jogo contra o River Plate e fazer o tour pelo estádio, em setembro de 2025. — Os Babu’s fizeram uma surpresa no aniversário do Rafa, com bateria, isso em setembro. Proporcionaram a gente estar indo ao estádio, eles deram para nós a ida. Eu acompanhei ele, o tour ele fez também, no outro dia após o jogo. E foi bem, bem legal. Conhecemos a história, conhecemos o estádio melhor, olhamos os troféus, tem muito troféu. – Continuamos em contato com eles. Depois o Sérgio ouviu a reportagem, ele é de São Paulo, viu a reportagem, entrou em contato com o Babu’z e ele perguntou se tinha alguma possibilidade dele ir ao estádio. Pegamos com os médicos a liberação e ele foi, só que daí eu não pude acompanhar, ele foi com o padrinho dele — descreveu Daniela. Santa Cruz do Rio Pardo fica a 340 quilômetros do Allianz Parque, na capital paulista. O percurso é de aproximadamente quatro horas de viagem. No último fim de semana, veio o momento mais marcante: Rafael entrou em campo com os jogadores, antes da partida contra o Athletico Paranaense. — É muito louco, como eu vou explicar? Não tem como explicar como é a emoção de estar lá vendo um jogo do seu time do peito. É difícil de explicar. É muito divertido, é de coração. Não é brincadeira — disse Rafinha. 3 de 5
Rafinha com o goleiro Carlos Miguel, do Palmeiras — Foto: Reprodução/ Instagram Rafinha com o goleiro Carlos Miguel, do Palmeiras — Foto: Reprodução/ Instagram Dentro de campo, ele teve um contato rápido com o goleiro Carlos Miguel, que empurrou sua cadeira de rodas até o meio do gramado, para a execução do hino nacional. Rafinha também ganhou uma lembrança especial do goleiro Marcelo Lomba. — Eu não lembro nada. Eu só lembro de ter dito para ele: “Boa sorte e bom jogo”. Só isso eu lembro. O homem dá uns cinco de mim quase, ele é muito grande, muito grande. — A luva do Marcelo Lomba, rapaz, parece uma raquete. A mão dele parece uma raquete de ping pong, de tênis, rapaz do céu — brincou Rafinha. 4 de 5
Rafinha com a luva que ganhou do Marcelo Lomba — Foto: Arquivo pessoal Rafinha com a luva que ganhou do Marcelo Lomba — Foto: Arquivo pessoal A experiência no Allianz Parque trouxe mais do que alegria: foi também um momento de reflexão sobre tudo o que a família viveu nos últimos anos. Rafinha, demonstrou muita gratidão e esperança durante toda a conversa. — Foi um momento que não é nostalgia, é muito legal estar lá e viver o momento, é muito, vamos dizer, divertido. Eu estava na cama até ontem, e hoje eu estou dentro do campo do Palmeiras. Passou um filme na cabeça, todo o sofrimento. Passa uma reflexão: ontem você estava lá hospitalizado e hoje você está aqui cantando o hino. Não dá para explicar — contou o pequeno. Mesmo após realizar um grande sonho, Rafinha contou que ainda tem desejos com o elenco do Verdão. O garoto é muito fã de Flaco Lopéz, atacante do time alviverde. — Eu queria muito, muito mesmo, no estádio, que o Flaco me desse uma camisa. O Flaco López, ele é muito legal. O Flaco, o Vitor Roque também, todos são gente boa. 5 de 5
Rafinha imitando a comemoração do Flaco Lopéz e torcida do Babu´s — Foto: Reprodução/Instagram Rafinha imitando a comemoração do Flaco Lopéz e torcida do Babu´s — Foto: Reprodução/Instagram — Eu queria ir mais no Allianz Parque, mas tipo assim, não foi fácil entrar no jogo, entrar no jogo e falar com eles, conversar. Eu tenho vontade de conversar com eles. Foi tudo muito rápido. Ó, eu falei com Carlos Miguel, não deu nem um minuto, nem um minutinho. Ele estava na concentração, ansioso pro jogo — finalizou o pequeno Rafinha. Entre batalhas, sonhos e gols do Palmeiras, o jovem palmeirense ainda tem muito para desfrutar da vida. Muitas realizações ainda serão conquistadas por quem tem tanta alegria de viver. *Gabriéla Bandeiras colaborou sob supervisão de Arcílio Neto