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Arão diz nunca ter pedido para sair do Santos, mas admite frustração com lesão O ano de 2026 significa o início de uma trajetória otimista para Willian Arão. Depois de superar um período difícil de lesões e se firmar no Santos, o volante começou a temporada como capitão do time, com uma liderança do tamanho de quem pode dar dicas ao astro Neymar no dia a dia. + Siga o canal ge Santos no WhatsApp! Arão fez uma pré-temporada sem dores e atuou os 90 minutos na vitória por 2 a 1 sobre o Novorizontino, no sábado passado. A primeira vitória, contudo, veio ainda na pré-temporada, com o fim das dores na região próxima ao tendão de Aquiles, responsáveis por atrasar a evolução no Santos. – Estava falando para um amigo: fazer a pré-temporada sem dor, os exercícios sem limitação. Não podia dar um salto, era uma lesão complicada. Você não se poupar, faz com que você se sinta feliz, é uma vitória particularmente – afirmou o jogador, em entrevista concedida ao ge . – Quando volta de um problema que te incomodou durante tanto tempo, agora não penso mais nisso, não sinto mais dor. Lesão faz parte e somos expostos todo tempo. É uma grande vitória – comentou. 1 de 7
Willian Arão diz estar zerado das dores e comemora o bom momento no Santos — Foto: José Edgar de Matos Willian Arão diz estar zerado das dores e comemora o bom momento no Santos — Foto: José Edgar de Matos A vitória particular citada por Arão concretiza o bom momento iniciado ainda na reta final de 2025. Com ele, o Santos cresceu de desempenho, se livrou do rebaixamento e obteve uma vaga na Copa Sul-Americana. O volante se tornou referência na equipe de Juan Pablo Vojvoda, com liberdade e peso para ajustar o time dentro de campo. Nem Neymar passou ileso às dicas do jogador de 33 anos. – Disse para o Ney que ele não precisava descer tanto que eu ia conseguir tocar a bola para ele lá (na frente). Falava: “vou fazer chegar a bola e se não chegar você me cobra, porque meu papel é esse”. Meu papel é defender primeiro, roubar a bola, mas eu tenho que fazer a bola chegar com qualidade. – Isso faz com que ele fique mais próximo do gol e que o time renda mais, cada um fazendo a sua parte bem-feita. Ninguém é herói. Eu não sou herói. Mas cada um fazendo a sua parte bem-feita fez com que o time jogasse cada vez melhor também – relembra. 2 de 7
Arão concedeu entrevista exclusiva no CT do Santos — Foto: Ana Canhedo Arão concedeu entrevista exclusiva no CT do Santos — Foto: Ana Canhedo + Clique aqui e saiba tudo sobre o Santos A liberdade com Neymar veio do dia a dia. Arão se mostrou surpreso ao conviver com o craque de quem só tinha notícias por intermédio de redes sociais e reportagens. – Eu me surpreendi positivamente com a questão comportamental. Esperava um rebelde como a mídia fala, mas ele não faltou, não chegou atrasado, deu a vida em todos os treinos – reforça. “Ele é gênio e nem todo mundo acompanha”, diz Arão sobre jogar com Neymar no Santos – Todo mundo fala e você imagina algo, mas futebolisticamente é um gênio a todo momento. Temos bobinho pré-jogo, a bola passou por trás dele e ele fez algo, e perguntamos. Ele ficou rindo, é normal – relembra. A impressão positiva ganhou ainda mais força no momento mais delicado da temporada: quando o craque teve diagnosticada uma lesão no menisco do joelho esquerdo e atuou a reta final do Brasileirão no sacrifício. – Ele sempre falou que incomodava, mas que estava confiante para o jogo. Ele até mudava a rotina de pré-jogo, mas continuou indo para cima. Via um Neymar normal para nós, não parecia que tinha uma lesão no joelho dele. Foi surpreendente ver o que fez com a lesão que tinha. Mesmo assim é um gênio – elogiou. Ainda como líder do grupo, Arão opinou sobre a pressão em relação à utilização de Robinho Jr. O capitão aposta em um grande ano para o jovem jogador santista, mas pede calma, especialmente ao torcedor. 3 de 7
Willian Arão pediu para Neymar não voltar tanto para buscar a bola nos jogos do Santos — Foto: Ana Canhedo Willian Arão pediu para Neymar não voltar tanto para buscar a bola nos jogos do Santos — Foto: Ana Canhedo – Ele precisa crescer um pouco. Amadurecer em alguns aspectos, conhecer mais o jogo, momento. Você vê que ele é um menino que tem muita qualidade, um menino que ouve. Mas ele é um menino, também, que tem tomado algumas decisões erradas no decorrer do jogo. Ele acelera quando é para voltar, volta quando é para acelerar. É ter esse timing, esse feeling – analisa. – Tenho conversado muito com ele. Falei para ele: "a gente não pode tirar aquilo que você tem de melhor e que o futebol brasileiro pede de ir para cima, do mano a mano. Só que a gente fez duas transições. A gente atacou, voltou, atacou, voltou: a bola chega em você e você quer atacar de novo, nós não vamos aguentar, meu amigo. É você ter esse feeling, essa sensação – afirma Arão, antes de exemplificar. – Se você perdeu duas bolas seguidas, tem que ter o feeling. No treino é uma coisa, mas no jogo outra. Talvez em casa a torcida até tem paciência porque ele é um menino da base e tudo. Mas, nós, jogadores, tocamos a bola para ele e ele perde uma, duas, três. A gente pensa: “caramba, vamos, velho”. O bicho está pegando para todo mundo – disse. Os "toques", porém, são para ajudar em uma evolução, que é a aposta de Arão em relação ao camisa 7 santista. – É ele ter esse feeling de errou duas, a terceira não pode errar. Controlar mais o jogo. Mas ele tem total capacidade de entrosar com Neymar e Gabi, e gerar grandes coisas. Acredito que esse ano será muito bom para ele por como ele tem se dedicado nos treinos. É escutar a gente, o Neymar e o Gabi, principalmente. Acredito que ele vai fazer um grande ano – completa. “Ainda precisa crescer e amadurecer”, diz Arão sobre Robinho Jr. No Santos Confira a entrevista completa com Willian Arão: ge: como você analisa os seus primeiros meses de Santos? – Tive minha primeira lesão na carreira, que foi algo que atrapalhou bastante. Principalmente no início que eu perdi as primeiras partidas em um momento decisivo do clube. Depois eu pude voltar, ajudar de várias formas. Acho que é um saldo positivo. Tenho certeza de que esse ano vou ser um jogador muito melhor do que fui ano passado. O que foi mais difícil nos primeiros meses de clube com essa lesão? – Passam várias coisas na cabeça. Como eu disse, foi minha primeira lesão. Foi a primeira vez que eu fiquei parado tanto tempo. Fato de, às vezes, colocar alguns objetivos e eu não atingir esses objetivos: "ah, semana que vem pela programação a gente vai para o campo para saber se você está reagindo bem à dor". Eu ia para o campo e sentia a dor de novo. Isso me frustrava muito, sabe? – Chegava em casa, conversava com a minha esposa: "não sei o que está acontecendo. Eu reajo bem. Às vezes estava até sem dor, fazendo as coisas que não eram no campo, óbvio, na academia e tudo. Eu ia me expor no campo e sentia dor. – Esses altos e baixos, essa frustração de chegar lá e não ir, eram difíceis. Se você fala para uma pessoa de que ela vai ficar dois meses sem jogar, mas que depois disso ela vai voltar a jogar, você se prepara mentalmente para isso. O problema é que, em duas semanas eu ia tentar de novo, e sentia dor. Tivemos que fazer alguns ajustes em várias coisas para que eu pudesse melhorar. Pensou em pedir para sair do Santos? – Sair para onde? Do clube? Não! Em momento nenhum. Eu não sou um cara que vai desistir, que vai abandonar. Em momento nenhum, pedi para sair; em momento nenhum, pensei em abandonar carreira. Isso nunca passou pela minha cabeça. O que passava era o que posso fazer para poder resolver essa situação. Só isso que eu queria. 4 de 7
Willian Arão terminou em alta a temporada passada — Foto: Raul Baretta/Santos FC Willian Arão terminou em alta a temporada passada — Foto: Raul Baretta/Santos FC Qual era o incômodo? Onde era a dor? E o que motivou para seguir? – Tive uma lesão perto do tendão de Aquiles. Uma lesão tendínea, próxima do sóleo. É uma lesão que, como fica bem na junção, é até difícil de explicar. São três músculos e eu tive a lesão em um dos tendões que se insere nesses músculos e tendões. É um músculo que você usa para caminhar. – Então, sempre que você faz o movimento de andar e faz assim com a ponta do pé, você utiliza. E eu não conseguia utilizar, porque tinha dor quando fazia esse movimento. E, depois, quando não tinha dor para andar, para caminhar, saltar, era exposto quando ficava cansado, porque estava parado e era um músculo que não tinha força suficiente para a carga que eu colocaria em campo. – Determinadas vezes ia para o campo, treinava 15 a 20 minutos bem e, na hora que ia dar arrancada, sentia de novo. Não com a intensidade do que foi, porque, na verdade, nunca tive uma lesão grande, estourou o músculo. Foi um incômodo que foi aumentando e chega uma hora que não dá. – Eu sou um cara que tenho uma resiliência alta. Minha carreira fala por si só. Cobrado em muitos lugares, julgado. Sou um cara que me adapto bem à pressão, ao nível de stress alto. Eu tive motivação alta. Fiz tudo que estava ao meu alcance para poder melhorar. Por isso que sempre tive minha cabeça em paz. Como foi trabalhar a questão mental nesse período? – Seja com Cleber (Xavier, ex-treinador do Santos) ou com o Vojvoda, eu falei que queria ajudar de alguma forma. Quando o Santos me contratou, o (Alexandre) Mattos foi bem claro, disse que estava me trazendo porque seria uma peça importante. – Como não estava podendo ajudar dentro de campo, que é o principal lugar que eu devo ajudar, eu sempre conversei com eles sobre a forma que eu poderia ajudar: falando, viajando com o time; eu me dispus a viajar. Da forma que quiserem, eu vou. Eu vou para o banco, mesmo que tire o lugar de outra pessoa. Se achar que eu posso ajudar no banco dando informação, fazendo qualquer coisa, estou disposto. – Mentalmente foi mais tranquilo nesse quesito. Só a parte dos altos e baixos que foi bem difícil. Como lidou com as especulações durante o período lesionado? – Não acompanho muito rede social. Quem posta muitas fotos das minhas redes sociais é minha esposa. Eu não acompanho muito, mas você acaba sabendo indiretamente. O feedback que eu tive foi muito positivo. Torcedor pedindo para eu voltar porque sabia que eu poderia ajudar, resolver problemas. – Na parte da torcida, no mano a mano, sempre tive um feedback muito positivo. Eu também entendo a parte do torcedor pensar: chega um cara que foi contratado, machucou e não joga. Eu entendo a frustração deles, porque eu também estava frustrado. – Esse negócio da diretoria (sobre dispensa) nunca chegou até mim. O Mattos, pelo contrário, quando começou o burburinho que nem eu sabia, ele me chamou e disse: "está acontecendo um negócio aí na imprensa, queria falar com você que não existe nada disso". Chegou o Marcelinho (Teixeira), porque o presidente estava viajando, junto com o Mattos, e disse que não tinha nada disso. Me deixaram bem tranquilo em relação a isso. Como que a dor passou? – Tempo. Depois de muito tratamento, as coisas que fizemos, a dor passou e eu pude voltar a jogar. Convivi algum tempo com fibrose. Com a parada nas férias o corpo para, descansa. Agora, graças a Deus, estou 100%. Como você se insere dentro da evolução da equipe a partir da reta final da temporada? – A minha participação, talvez, seja mesmo nível dos outros jogadores. Talvez, eu traga uma visão diferente. Cada um tem a sua visão. Claro que dentro do campo temos que resolver algumas questões que o treinador não consegue passar para nós. Por eu já ter passado por diferentes situações, talvez consiga dar um olhar diferente para os companheiros naquela hora. – Acho que ajudei, obviamente, de várias formas. Acho que o time encaixou também. A gente entendeu muitas coisas. Pude conversar com vários atletas para entender a ajudar também. Questão de movimento, de atitude também de alguns jogadores, que a gente precisava naquela altura. E as coisas começaram a dar certo. – Fomos começando a jogar bem, a ganhar jogos. Perdemos jogos que não deveríamos na minha opinião, mas faz parte do futebol. No final, conseguimos essa vaga na Sul-Americana que é muito importante para nós jogadores e para o clube também. Acho que é um passo importante. E por que deu tão certo até agora sua dupla com o João Schmidt? – Com o João, conversei para entender como ele gosta de jogar. Acho que passa muito por isso, de entender as características do jogador que você está jogando próximo. A gente tinha muito jogador de passe, a gente tinha muito jogador de um contra um. – Para o Souza, eu falei que, às vezes, ele tinha que pegar a bola e ir pro um contra um mesmo na parte defensiva, porque ele era um dos únicos jogadores do time com essa capacidade do um contra um. O Igor Vinícius é outro. O Guilherme era outro. Em certos jogos, não jogava o Igor, jogava o Mayke, e o Souza era o único com essa característica. No Brasil tem acontecido muitos times marcando mano a mano, e um jogador que você tira da frente, faz toda a diferença. Independente se for na defesa. – Então, eu falava, mesmo que você receba a bola na parte defensiva, você tem força, habilidade, capacidade e inteligência para isso. Escolhe o momento certo e em uma, duas bolas, arrisca. Muitas vezes, ele fez isso e abriu o campo para nós, o adversário já pensa que não pode ir de primeira nele, gera mais espaço. Isso desencadeia um monte de coisas. 5 de 7
Willian Arão foi capitão contra o Novorizontino — Foto: Mauricio De Souza/AGIF Willian Arão foi capitão contra o Novorizontino — Foto: Mauricio De Souza/AGIF – Não só isso. Ouvir do João como ele gosta de receber. Se eu for cá, você fecha aqui. Gosto mais de atacar esse espaço, joga por esse ou por aquele lado. Vamos nos ajustando e conhecendo os companheiros. Foi o mesmo com o Rollheiser e com o Neymar. E como é jogar com Neymar? – Maravilhoso. Jogar com um dos dois ou três mais talentosos da minha geração é maravilhoso. Você ver o que ele o que faz com a bola, como ele pensa, aquilo que ele pensa. Entender, também, ele. Esses jogadores são especiais. Eles têm algumas coisas. Não estou colocando no mesmo nível, não vou criar polêmica, mas eu digo você ver o Hazard, o Arrascaeta, o Everton Ribeiro...são jogadores que precisam ter a bola. O próprio Gabigol. Eles precisam tocar na bola. O Neymar é um deles. Ele precisa tocar na bola. – Se ele passar 30, 40 segundos sem tocar na bola, ele começa a ficar desesperado. E você tem que entender isso. O cara marcado, eu vou tocar a bola para ele e problema dele. Ele tem que resolver, porque ele é o Neymar. E se ele perder a bola, está tudo bem. Como eu disse, ele é um dos dois ou três mais talentosos da minha geração e a chance de ele fazer alguma coisa é muito maior do que qualquer outro. Isso é fato. É municiar ele, tocar a bola para ele, entender como ele gosta de receber, de qual forma. Se quer a bola mais no espaço ou não. – É falar para ele também entender o time. Ele é gênio e, às vezes, nem todo mundo acompanha. A gente não sabe o que ele vai fazer, como ele vai tocar a bola. Ele acha o espaço e a gente pensa que a bola não vai chegar, mas ela chega e você não sabe como. Falar para ele também se ajustar um pouco a nós no quesito de deixar a gente alerta. Esses ajustes que você conversando, no treino também vai ajustando e cada vez mais gerando mais situações positivas dentro do campo. Gerando situações de chance de gol e jogando cada vez melhor. Vai correr mais por Gabigol e Neymar? – Primeiro que correr nunca foi um problema (risos). Vou ter prazer em correr para esses dois. De verdade, porque sabemos que são dois caras excepcionais. Mas, falando sinceramente, o Gabi é um número 9 e ele, primeiro, não pode roubar bola mais que o número 5. O trabalho dele é fazer gol e meu trabalho é roubar bola. Eu tenho que correr e ele tem que fazer gol. – Ele vai ajudar como sempre ajudou. Em cinco anos com ele, ele sempre ajudou. Às vezes mais, às vezes menos. A gente entende, porque, às vezes, ele precisa guardar energia. Assim como o Neymar, precisa guardar energia para poder atacar, porque não adianta ele querer marcar todo mundo e, quando receber a bola não tem força para poder atacar. – Então, às vezes, eu quero que ele também guarde energia e a gente tem que se virar lá atrás. Nós, volantes e zagueiros, dar um jeito de defender. Sabemos que, quando tivermos contra-ataque, como foi no jogo contra o Mirassol, quando o Neymar não baixou para marcar escanteio, e nem quero que ele faça isso. Fica lá na frente. A gente resolve aqui porque sabemos que quando a bola chegar lá, ele vai fazer o gol, resolver. 6 de 7
Agora no Santos, Willian Arão e Gabigol nutrem amizade desde os tempos de Flamengo — Foto: Raul Baretta/Santos FC Agora no Santos, Willian Arão e Gabigol nutrem amizade desde os tempos de Flamengo — Foto: Raul Baretta/Santos FC – O Neymar neste ano e o Gabriel em todos os anos que tive com ele, eles sempre ajudaram. Não foram jogadores que não querem marcar, fazer isso ou aquilo. Como eu disse, às vezes mais, às vezes menos. Às vezes acabam de fazer uma jogada e ele não voltou, paa torcida e acaba saindo um corte (de vídeo): “olha lá, o Neymar não voltou, ficou lá frente”. Sim, ele acabou de dar um pique de 70 metros e fez uma jogada. E o time tem que se adaptar a isso. – Temos que estar preparado para essas situações e se defender com seis ou sete, porque perdemos jogadores porque tomou um drible, porque tomou uma pancada e o juiz não parou o jogo. Enfim, são coisas que acontecem, porque o jogador fez uma jogada e é um contra-ataque. Temos que nos adaptar como equipe para resolver essas situações. E, depois, se eles estiverem bem condicionados, a gente jogando a bola, eles vão fazer a diferença lá na frente. Ansioso para ver jogando os dois juntos? – Eu estou. Vai ser bonito de ver. Espero que eles se entendam e possam jogar no mais alto nível, porque vai ser bem legal. É bom para o futebol brasileiro também. O Brasil ganha muito com isso como um todo: o telespectador, o torcedor, jogadores que veem Neymar jogadas geniais, Gabi fazendo muitos gols que é o que ele está acostumado. Todo mundo ganha com isso. 7 de 7
Willian Arão abraça Gabigol depois da vitória do Santos sobre o Novorizontino — Foto: Raul Baretta/Santos FC Willian Arão abraça Gabigol depois da vitória do Santos sobre o Novorizontino — Foto: Raul Baretta/Santos FC Robinho Jr. vai se encaixar nesse time agora? – Tenho conversado muito com ele. Falei para ele: "a gente não pode tirar aquilo que você tem de melhor e que o futebol brasileiro pede de ir para cima, do mano a mano. Só que a gente fez duas transições. A gente atacou, voltou, atacou, voltou: a bola chega em você e você quer atacar de novo, nós não vamos aguentar, meu amigo. – Você ter esse feeling, essa sensação. Se você perdeu duas bolas seguidas, tem que ter o feeling. No treino é uma coisa, mas no jogo outra. Talvez em casa a torcida até tem paciência porque ele é um menino da base e tudo. Mas, nós, jogadores, tocamos a bola para ele e ele perde uma, duas, três. A gente pensa: “caramba, vamos, velho”. O bicho está pegando para todo mundo. – É ele ter esse feeling de errou duas, a terceira não pode errar. Controlar mais o jogo. Mas ele tem total capacidade de entrosar com Neymar e Gabi, e gerar grandes coisas. Acredito que esse ano será muito bom para ele por como ele tem se dedicado nos treinos. É escutar a gente, o Neymar e o Gabi, principalmente. Acredito que ele vai fazer um grande ano. Com Gabriel, Neymar e Robinho, por exemplo, é o time mais talentoso que você jogou desde o Flamengo de 2019? – De talento com a bola? Ah, não. Eu joguei em outros times. Teve o Flamengo de 21 e de 20, que fomos campeões jogando praticamente sem zagueiro. Mas esse time é muito talentoso. Um time muito amigo. E acho que ele tem condição de ser tornar uma equipe muito forte. Hoje somos um time muito forte. Individualmente nós somos bons jogadores. Mas ainda precisamos provar que somos uma equipe muito forte. – Uma equipe se prova com o decorrer do ano, com as situações que vão aparecer, com os problemas que vão aparecer. Aí você vai se fortalecendo, criando casca e entendendo como cada um reage. Isso vai fazendo uma equipe forte. Uma equipe forte pode conquistar grandes coisas. Acho que estamos no caminho para ter essa equipe forte. Estamos criando. – Temos ganhar jogos. A gente joga mal? Ganha o jogo. A gente joga bem? Traduz isso em vitória. A gente não pode jogar bem e empatar, jogar bem e perder. E quando a gente estiver mal, temos que ganhar mesmo assim. Ou quando estivermos muito mal, a gente não pode perder o jogo. – Às vezes acontece. A gente teve um primeiro tempo lá no Inter que foi assim um colapso. O Inter teve cinco ou seis chances de gol. A gente segurou do jeito que deu, Brazão fazendo milagre daquele jeito. E depois, no segundo tempo, as coisas se ajeitaram e a gente saiu de lá com um ponto que no final nós vimos que foi um ponto muito importante. Isso vai fazendo uma equipe mais forte, vai dando casca para a equipe. Como tem sido a adaptação a Vojvoda e qual sua análise do trabalho? – É um treinador que tinha ouvido falar que era bom e muito boa pessoa. Foi muito fácil se adaptar. É um treinador muito simples, com indicações diretas. Fala o que quer, e ele quer um time que lute, que brigue até o fim, que não desista se a gente estiver perdendo. – Contra o Atlético-MG com um a menos, fora de casa, empatamos. Ele mostra isso. Você está perdendo um joguinho no treinamento? Está 3 ou 4 a 0, não desiste. Faz um gol, faz outro. Contra o Flamengo foi isso, estávamos perdendo de 3 a 0, fizemos um, dois e se tivéssemos dois minutos a mais poderíamos empatar. – É claro. Fácil trabalhar com ele. É um cara muito bom, aberto a diálogo. Claro que a decisão final é dele, que é o treinador e deixa isso claro, que fala que é pago para tomar decisões, mas está sempre aberto a diálogo. Quem joga somos nós, e a gente passa por situações que às vezes ele não entende por estar fora. Qual grande objetivo do Santos? Dá para brigar por títulos? – Para jogar no Santos, a gente tem que sempre pensar em títulos, não podemos fugir isso. Estamos com os pés no chão e entendendo o momento do clube, dos jogadores. Não podemos chegar e falar que vamos brigar pelo título do Brasileirão, são 38 rodadas, muita coisa para rolar. A Sul-Americana? Nem começou a competição. Temos que pensar jogo a jogo. Fazer um bom treino e ganhar sábado. Isso vai credenciando a gente a chegar nos títulos. – Não ganhamos títulos na final. Ganhamos hoje, correndo hoje, não desistindo hoje, ganhando sábado. Flamengo foi campeão da Libertadores, e na semifinal e nas quartas quase não passaram. Não adianta pensar em ser campeão sendo que tem jogo agora. Temos elenco forte e capacidade para conquistar. O que vai definir é o início de temporada, o Paulista é diferente, com poucos jogos, depois vamos nos fortalecendo como equipe. Devem chegar alguns jogadores podem sair outros, mas depois temos que nos fortalecer muito com boa equipe. Acredito que temos boas chances de fazer grandes coisas. Qual competição entra nas pretensões de título do Santos, na atual realidade? Falando de Paulistão, Brasileirão, Sul-Americana e Copa do Brasil – Fizemos uma contratação até agora, mas a base se manteve. Quase ninguém saiu, só o Guilherme. Temos a base e o mesmo treinador, estamos aprimorando o que vínhamos fazendo. Temos time forte, a situação é diferente de jogar para não cair do que começar o campeonato do zero. Elevamos o nível com o Gabigol, que é diferente, a volta do Neymar muda o patamar. – Conhecendo mais ainda, temos tudo para fazer um grande ano. Com muita humildade, temos chance de ser campeão em todos se a gente jogar no mais alto nível e nada acontecer. Mas é futebol. O Neymar machuca, outro vai embora. Enfim, acontece um monte de coisa. Temos time para brigar por todas as competições. Há times mais avançados do que nós em muitos quesitos, mas vamos jogar em qualquer lugar e encarar de igual para igual. O Flamengo será favorito contra todo mundo no Maracanã, mas temos chance de ganhar o jogo. Isso em qualquer estádio. Isso vai fazer a gente se tornar uma equipe muito forte. Qual o objetivo do Arão para 2026? E o primeiro gol? – Vai sair com certeza. Particularmente, quero ser um jogador muito melhor do que no ano passado, me cuidar mais ainda, não ter lesão, que sabemos que acontece. É tentar fazer tudo para não ter lesão e jogar o máximo de jogos que puder. É jogar bem e ter impacto positivo no time. É fazer tudo bem-feito, esse é meu maior foco. Fazer um golzinho também, não sou de ferro (risos). Temos que fazer um ótimo Paulista e ótimo início de Campeonato Brasileiro. E já sabe quanto tempo vai jogar mais? – Nunca parei para pensar. Quer me aposentar (risos). Estou bem, estou muito feliz, sinto muita energia. Sou um cara que não se lesiona. Podem acontecer alguns problemas, mas me vejo jogando bastante tempo, tenho muito a entregar como jogador. Posso jogar ainda bons anos em alto nível. 🎧 Ouça o podcast ge Santos🎧 50 vídeos