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Só para assinantes Assine UOL Opinião Cavalo, o livro de um ex-jogador uruguaio e craque nas letras Juca Kfouri Colunista do UOL 08/04/2026 15h14 Deixe seu comentário Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Livro Cavalo, de Agustin Lucas Imagem: Divulgação POR ROBERTO JARDIM* Dentro das canchas, AGUSTÍN LUCAS nunca chegou perto de craques como Tostão ou Jorge Valdano. Até porque, sempre jogou em cuadros chicos , como dizem no seu Uruguai natal. Nas letras, porém, faz parte do mesmo time que o eterno camisa 9 do tri brasileiro e do 11 do bi argentino. Talvez vá até mais além do que os dois. É daqueles que tratam as letras como tratavam a bola nos tempos em que corriam atrás dela pelas canchas. O ex-zagueiro é, sem dúvida, um craque da literatura futeboleira latino-americana. Quiçá, da literatura latino-americana. Casagrande Santos e torcida sofrem da Síndrome de Estocolmo Alicia Klein Santos conhece sua realidade em Cuenca Josias de Souza Moraes derrete como picolé exposto ao sol do meio-dia Narrativas em Disputa Recuo de Trump é um presente eleitoral para Lula Afinal, não desfila seu talento apenas nas crônicas esportivas, como os dois citados. Como se fosse um 10 clássico, daqueles que colocam o pé sobre a bola para cadenciar o jogo e pensar melhor o que fazer, Agustín distribui palavras pelos parágrafos como se fizesse assistências e gols. E que gols! E pensando dessa forma, Agustín é um artilheiro nato. Seja na poesia ou no conto, estilos com os quais já trabalhava na época em que ainda corria pelos gramados. Seja na reportagem, como jornalista que se tornou após pendurar as chuteiras em 2017. Ou, agora, na sua estreia como novelista, nesse Cavalo , que a editora Cambalache carinhosamente traz para o Brasil. Antes de falar do livro, vale falar um pouco mais de Agustín ao caro leitor. Quando jogador, levava seus versos para declamar aos colegas antes das partidas. Depois, virou um agitador cultural. Organizando e participando de cursos, oficinas e saraus. Ainda tem um duo de música eletrônica, o Hey Mujic. Trabalha no jornal La Diaria, em Montevidéu. E não para de lançar obras. Sorte nossa que essa inquietude chegou por aqui, com a bela tradução de Luis Reyes Gil. Assim, podemos conhecer um pouco da vida desse ex-zagueiro, nessa autoficção com tons de road movie intimista. Uma espécie de egotrip melancólica, carregada de lembranças de locais, principalmente da Guatemala, e das pessoas com as quais conviveu nessa aventura. Ainda sobre Agustín, posso dizer que tenho prazer de conhecê-lo. Primeiro virtualmente, em 2017, quando o entrevistei, durante a produção da série de perfis do projeto Democracia Fútbol Club - ele é o camisa 2 da equipe fictícia de jogadores politicamente engajados. Depois, pessoalmente, um par de anos mais tarde. Continua após a publicidade Numa noite de janeiro, entre panchos e copos de Patrícia gelada, conversamos em um restaurante da calle Juan Benito Blanco, em Pocitos. Falamos sobre futebol, livros, Uruguai, Brasil... Tudo um pouco. Posso dizer que, desde aquele dia, tenho um amigo montivedeano, admirador e agitador da cultura de barrio . Por isso e pela qualidade da obra, apresentei Caballo há alguns meses à "falecida" Dolores Editora, que aceitou o desafio de trazer Agustín para o Brasil. Como fechou, essa tarefa coube à Cambalache. Ainda bem. * Roberto Jardim é jornalista e escritor. Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash Receba novos posts de Juca Kfouri por email Informe seu email Quero receber As mais lidas agora Mirassol desencanta após 2 meses e bate o Lanús em estreia na Libertadores Lotomania sorteia prêmio acumulado de R$ 14 milhões; confira dezenas Ex-bailarina do Faustão reflete sobre recomeço um ano após deixar a prisão Jovem grávida de 18 anos morre após procurar hospital por quatro vezes SP: Homem que matou e colocou moedas na boca de empresária morre na prisão