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Há muitas formas de contar a história do agitado empate por 3x3 entre Cruzeiro e Vasco na noite deste domingo, no Mineirão, mas a ótica de Cauan Barros é certamente a mais sedutora. O volante esteve inicialmente perdido na marcação, mas melhorou e fez os gols que dariam a vitória de virada aos cruzmaltinos. Cinco minutos depois, porém, foi expulso de forma infantil e o triunfo escapou. Apesar disso, o Vasco foi muito resiliente. Superou um cenário assustador nos primeiros 20 minutos. Transformou totalmente a partida. Ainda esbanjou valentia para marcar mais um gol e segurar o empate com um homem a menos. O instável Cruzeiro batalhou! Viu peças que saíram do banco serem determinantes para o resultado, mas segue na zona de rebaixamento e muito pressionado. Escalações Tite seguiu sem poder contar com Romero e Kaio Jorge, mas contou com o retorno de William. Fágner foi para o banco. Matheus Henrique foi mantido no meio. Chico da Costa entrou no ataque e Neyser iniciou entre os suplentes. Já Renato Gaúcho barrou Lucas Piton e escalou Cuiabano. Manteve o esquema com três volantes, apesar do desfalque de Thiago Mendes. Cauan Barros o substituiu. 2 de 5
Como Cruzeiro e Vasco iniciaram o duelo válido pela 6ª rodada do Brasileirão 2026 — Foto: Rodrigo Coutinho Como Cruzeiro e Vasco iniciaram o duelo válido pela 6ª rodada do Brasileirão 2026 — Foto: Rodrigo Coutinho O jogo Necessitando dar uma resposta ao seu torcedor, o Cruzeiro começou a partida com o comportamento ideal para se impor diante do Vasco. Agressivo com a bola, ocupando as imediações da área e promovendo rápidas combinações para tentar finalizar os ataques. Não demorou quase nada para abrir o placar, mais precisamente sete minutos. Christian concluiu a grande jogada de Matheus Pereira. O camisa 10 recuou para fugir da zona de influência dos volantes do Vasco e lançou para Kaiki de forma primorosa. Paulo Henrique estava vigiando Gérson por dentro e Nuno Moreira não teve pique para acompanhar o lateral cruzeirense, que escorou de cabeça para Christian balançar a rede. Robert Renan demorou a ocupar o espaço e Cuiabano também chegou atrasado. Sair do campo de defesa foi um martírio para o Cruzmaltino por cerca de 20 minutos. Neste período a equipe carioca se viu pressionada e sem alternativas para avançar sem rifar a bola, algo que não funcionava. Fabricio Bruno e Villalba controlavam a posse e iniciavam um novo ataque da Raposa. Além do recital de Matheus Pereira, Christian era muito agudo entre Cuiabano e Robert Renan. Matheus Henrique também se destacava com mobilidade na faixa central. Distribuía passes, mas não deixava de se aproximar da área. Foi dele uma finalização perigosa por cima da meta de Léo Jardim. O goleiro vascaíno ainda parou um chute cruzado de Christian. Poucos arremates, porém, para o volume ofensivo que o Cruzeiro apresentava, algo que mudaria na sequência. 3 de 5
Cruzeiro x Vasco — Foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro Cruzeiro x Vasco — Foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro O Vasco pôde encaixar períodos de posse de bola mais duradouros na segunda metade do 1º tempo. O ritmo cruzeirense caiu e permitiu avanços aos visitantes. O primeiro sinal foi a bola na trave de Andrés Gómez, finalizando um bom passe de Tchê Tchê por elevação. O repertório do Vasco era limitado, mas a agressividade do ponta colombiano era o suficiente para incomodar a Raposa. Aos poucos ele foi ganhando parcerias como Paulo Henrique e Tchê Tchê. Foi trocado de lado com Nuno Moreira, que sofria para acompanhar Kaiki, e inibiu os avanços do ótimo lateral mineiro. Cuiabano começou também a aparecer ofensivamente. Cauan Barros, Saldívia e Hugo Moura venceram alguns duelos para deixar o Gigante da Colina mais competitivo. Tanto que, se não fosse o lateral William, a vantagem anfitriã ruiria nos acréscimos. Ele meteu o corpo na bola e evitou que a bomba de Tchê Tchê estufasse a rede de Matheus Cunha, o substituto do lesionado Cássio. Paulo Henrique fez ótima jogada de linha de fundo pela direita. As oscilações cruzeirenses voltavam a aparecer, e o Vasco ganhava esperança com o cenário final do 1º tempo. 4 de 5
Cruzeiro x Vasco — Foto: Fernando Moreno/AGIF Cruzeiro x Vasco — Foto: Fernando Moreno/AGIF A mudança da partida se confirmou assim que começou a 2ª etapa. Mais agressivo e confiante, o Cruzmaltino precisou de oito minutos para virar o placar. Cauan Barros marcou duas vezes de cabeça. Primeiro finalizando o cruzamento de Cuiabano da esquerda, após cobrança curta de escanteio. E depois pegando o rebote do arremate do próprio Cuiabano, em jogada de Paulo Henrique. Matheus Cunha falhou no gol de empate. Mas chamou a atenção também o erro de comunicação entre Matheus Pereira e William na origem do lance, assim como a passividade da defesa no tento da virada carioca. Deu pane geral no time celeste! Nitidamente inseguro com a transformação do jogo. A tendência de reviravoltas, no entanto, permaneceria sendo a tônica do duelo. Cauan Barros pisou no tornozelo de Matheus Pereira e foi corretamente expulso. Foi do céu ao inferno em cinco minutos. Renato tirou Andrés Gómez, David e Nuno Moreira para pôr Lucas Piton, Puma Rodriguez e Brenner. Tite sacou Lucas Silva e Christian. Arroyo e Neyser Villareal entraram. Gérson passou a jogar de volante. 5 de 5
Como as equipes ficaram após a expulsão e as primeiras mexidas dos treinadores — Foto: Rodrigo Coutinho Como as equipes ficaram após a expulsão e as primeiras mexidas dos treinadores — Foto: Rodrigo Coutinho Os donos da casa ganharam novos argumentos ofensivos com Gérson mais recuado e dois homens agudos pelos flancos, sem contar a superioridade numérica em campo. Mesmo com Puma Rodriguez incomodando em alguns contragolpes, a pressão cruzeirense se tornou muito forte. E o empate foi alcançado ainda aos 24 minutos. Chico da Costa cabeceou o escanteio cobrado pela direita, a bola desviou em Neyser Villareal e entrou no canto esquerdo. Arroyo, Gérson e William assustaram em chutes da entrada da área. Renato tentou reforçar fisicamente o setor com a entrada de JP na vaga de Hugo Moura na reta final do duelo. Veria mais uma de suas mexidas funcionar pouco depois. O jovem meio-campista iniciou o ataque que terminou em tabela de Puma Rodriguez e Brenner antes da finalização do atacante. A bola ainda desviou em William e ''matou'' Matheus Pereira. Quando parecia que heróica vitória viria, os dez minutos de acréscimo reforçaram as esperanças celestes. A esta altura o time já tinha Kauã Moraes e Japa em campo, que entraram nas vagas de William e Matheus Henrique. Foi justamente através de uma combinação entre os jovens que a Raposa chegou ao empate. O lateral recebeu pela direita e botou na cabeça do meio-campista, que deu números finais ao emocionante duelo.