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As estatísticas avançadas mudaram o esporte. Todos os esportes. Não há modalidade de alto nível que seja disputada sem que todos os números, relativos a todos os aspectos do jogo, sejam levantados e analisados para descobrir onde dá para melhorar. Esse processo teve grande impulso no beisebol, sobretudo com o livro – depois transformado em filme – “Moneyball”. Mas, dentro do próprio beisebol, o Moneyball carregava um estigma: “ajuda a ganhar temporada regular, mas não ganha títulos”.0
Então pode apagar o clichê de seu dicionário de expressões. Em 2026, o moneyball vai ser campeão.
A World Series deste ano reunirá Milwaukee Brewers e Tampa Bay Rays. Duas equipes que têm como principal marca o uso de inteligência e estatísticas avançadas. Apesar de o moneyball ganhar fama com os Athletics, é com Cervejeiros e Arraias que os conceitos são aplicados com mais brilhantismo nos últimos 15 anos. Em 2026, tiveram as melhores campanhas de Liga Nacional e Americana e passaram por todas as fases dos playoffs. No caminho, passaram os concorrentes mais milionários - e com elencos mais estrelados – que tinham no caminho. E com varrida, nos dois casos.
E qual é o segredo do moneyball dos finalistas? Acredite, é jogar bonito.
Na década de 2000, quando as estatísticas avançadas se tornaram populares, a ideia era questionar o peso de bases roubadas e aproveitamento no bastão – até então muito valorizadas no mercado – e explorar walks. A partir daí, se evoluiu para questionar a relativizar a importância de um grande defensor que rebate mal e de esticar a partida dos abridores em troca de explorar mais os relievers. Durante anos, o moneyball criou equipes eficientes que… jogavam um beisebol pouco empolgante.
O moneyball, porém, não é um conjunto de verdades fixas, escritas na pedra. O princípio é dirigir o olhar para onde ninguém está olhando, e achar jogadores produtivos que estão com baixo valor de mercado porque não atendem às características da moda. E, na medida em que todas as franquias começaram a buscar reforços que atendam às necessidades do parágrafo acima, talentos que praticam o jogo no estilo antigo se tornaram baratos.
Assim, Brewers e Rays investem em bases roubadas, rebatidas simples, toques (bunt), sacrifício e defesas afiadas. Muita estratégia e técnica para avançar os corredores base a base, sabendo que nem sempre vai aparecer aquele home run que resolve tudo de uma vez só. E, no montinho, essas duas franquias dão inveja a todas às outras 28 na capacidade de desenvolver arremessadores para todas as funções que um time precisa.
Desse modo, a World Series que consagrará o moneyball deve ter jogos empolgantes e estratégicos, mas com placares baixos e apertados. Há uma grande chance que detalhes, jogadas pontuais, definam cada um dos confrontos.
Que assim seja.
TAMPA BAY RAYS (98 vitórias - 64 derrotas) x MILWAUKEE BREWERS (103-59)
Na temporada regular: Brewers 2 a 1 Palpite: Brewers 4 a 2
Ataque: Vamos falar de equilíbrio entre as equipes? Na temporada regular, ambas empataram como líder da MLB em aproveitamento no bastão (25,8%), foram top 5 em bases roubadas (164 a 162 para o Tampa) e entre as dez piores em home runs (169 a 154 também para os Rays). Apesar de números ligeiramente – muito ligeiramente – piores, o Milwaukee produziu mais corridas, 832 a 736.
As características ofensivas são muito parecidas. Ambas têm jogadores que chegam muito em base (Liam Hicks, Junior Caminero, Chandler Simpson e Yandy Díaz nos Rays, Jake Bauers, Bryce Turang, Garrett Mitchell e Jackson Chourio nos Brewers). Ambas têm poucos rebatedores de potência para trazer um home run (Caminero, Díaz e Jonathan Aranda no Tampa, Bauers, Chourio e William Contreras no Milwaukee). Roubo de base? Pense em Simpson e Taylor Walls x David Hamilton e Cooper Pratt.
Por isso, vai levar vantagem o time que tiver os jogadores em semana mais inspirada. Uma sequência positiva pode fazer a diferença. E, considerando as duas fases anteriores dos playoffs, os Brewers mostraram mais consistência que os Rays. Mas o Tampa pode se beneficiar de ter feito uma série longa na final da Liga Americana, enquanto que o Milwaukee terá de ficar uma semana sem jogar, o que muitas vezes prejudica o ritmo de jogo de rebatedores.
Rotação: Aqui os Cervejeiros podem encher o peito para mencionar Jacob Misiorowski. O garoto de 24 anos está em sua segunda temporada e já é favoritíssimo a ganhar o Prêmio Cy Young da Liga Nacional. No entanto, ele mostrou mais vulnerabilidade nas duas partidas que fez nessa pós-temporada e deve duelar com Drew Rasmussen, ás das Arraias que também vem de temporada espetacular (e com atuações até melhores nos playoffs).
O número dois dos Brewers também é ótimo, Logan Henderson (ERA de 2,47). Ele deve emparelhar com Freddy Peralta, ex-Brewers e ERA abaixo de 1 nos últimos dez jogos. É muito equilíbrio.
No terceiro nome da rotação, os Rays levam vantagem: Nick Martínez (2,47 de ERA na temporada regular) x Robert Gasser (3,87). No jogo 4, teoricamente único sem o top 3 de cada rotação, seriam jogo de bullpens para os dois lados, com Griffin Jax (Tampa) e Shane Drohan e Dustin May (combinados) tentando garantir quatro entradas.
Bullpen: Os dois bullpens contam com ótimas opções de relievers. Os Rays podem usar Jax e Ian Seymour para ganhar várias entradas no meio dos jogos. Os Brewers usaram Aaron Ashby nessa função, com ótimos resultados. No papel, há muito equilíbrio entre as equipes. No entanto, o Milwaukee tem uma vantagem: jogou menos.
Como tiveram de fazer seis jogos para bater o Cleveland Guardians na decisão da Liga Americana, o Tampa chega à World Series com um bullpen mais desgastado e que expôs mais seu arsenal. Os Brewers até sofreram contra o San Diego Padres na série de divisão, mas varreram o Los Angeles Dodgers na final da Liga Nacional e puderam descansar seus braços. Não à toa, o ERA do bullpen dos Cervejeiros (1,33) é consideravelmente melhor que o das Arraias (3,6) nesses playoffs.
O Semana MLB é um post em forma de newsletter sobre os principais temas (e a programação de TV) da MLB. Toda sexta (vez ou outra atrasa para o sábado) uma nova edição
TRÊS STRIKES
1) A MLB Cup, torneio infantil filiado à Little League, está em disputa desde a última segunda (dia 19) em San Luis Potosí, no México. O Brasil está na disputa, representado pelo time do Anhanguera Nikkey Clube, de Santana do Parnaíba (Grande São Paulo). Todas as partidas do torneio têm transmissão do Disney+.
2) A Japan Series também está definida. No próximo sábado (dia 24), Yokohama DeNA BayStars e Fukuoka Softbank Hawks começam a disputa da final da NPB (liga japonesa). Como a Liga Central teria a vantagem do mando de campo da final neste ano, os BayStars decidirão em casa se a série for a sete jogos. Ainda assim, o favoritismo destacado é dos Hawks. O time de Fukuoka conquistou o título em oito dos últimos 15 anos e teve – com sobras – a melhor campanha na temporada regular. O Yokohama foi uma grande surpresa do mata-mata, se classificando com a última vaga da Liga Central, mas depois superando Yomiuri Giants (Tóquio) e Hanshin Tigers (Grande Osaka), os dois times mais populares do Japão.
3) A KBO (liga sul-coreana) também está na sua reta final. Samsung Lions (Daegu) e Kia Tigers (Gwangju) fazem a semifinal em melhor de cinco partidas, com vantagem de mando para os Lions. O vencedor da série vai para a Korean Series, onde encontrará o KT Wiz (Suwon), classificado por antecipação à final por ter a melhor campanha na temporada regular.
PROGRAMAÇÃO #MLBnaESPN
Sexta, 23/out
20h30 - Tampa Bay Rays x Milwaukee Brewers, jogo 1 (ESPN 2 e Disney+)
Sábado, 24/out
21h - Tampa Bay Rays x Milwaukee Brewers, jogo 2 (ESPN 3 e Disney+)
Segunda, 26/out
20h30 - Milwaukee Brewers x Tampa Bay Rays, jogo 3 (ESPN 4 e Disney+)
Terça, 27/out
21h - Milwaukee Brewers x Tampa Bay Rays, jogo 4 (ESPN 4 e Disney+)
Quarta, 28/set
21h - Milwaukee Brewers x Tampa Bay Rays, jogo 5 (ESPN 4 e Disney+)
Sexta, 30/out
21h - Tampa Bay Rays x Milwaukee Brewers, jogo 6 (ESPN 2 e Disney+)
Sábado, 31/out
21h - Tampa Bay Rays x Milwaukee Brewers, jogo 7 (ESPN 4 e Disney+)
Obs: Horários de Brasília. Grade sujeita a alteração, sobretudo se alguma série terminar antes do jogo 7