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Análise dos Times

Botafogo

Principal

Motivo: O artigo foca na carreira de Bruninho no Botafogo, detalhando seu desenvolvimento, apoio do clube e vislumbrando seu futuro na equipe. O clube é apresentado como um ambiente propício para seu crescimento.

Viés da Menção (Score: 0.7)

Motivo: A passagem pelo Athletico-PR é descrita como uma etapa importante de formação, mas com menos detalhes emocionais e foco em relação ao Botafogo, onde o jogador está atualmente.

Viés da Menção (Score: 0.2)

Palavras-Chave

Entidades Principais

Vasco Flamengo Botafogo Seleção Brasileira Athletico-PR Mycael Eliza Samudio Bruninho Samudio Sonia Moura Ex-goleiro Bruno Geraldo Harada Léo Coelho

Conteúdo Original

Só para assinantes Bruninho Samudio: o goleiro diante de um passado usado para atacá-lo Livia Camillo e Igor Siqueira Do UOL, no Rio e em São Paulo 30/12/2025 05h30 Atualizada em 30/12/2025 05h30 Deixe seu comentário 0:00 / 0:00 Carregando player de áudio Botafogo e Vasco jogavam pelo Carioca Sub-15, em maio, no campo anexo do Nilton Santos. O time visitante vencia por 2 a 1. Era reta final da partida quando começou uma confusão além das quatro linhas. Um dos parentes de jogadores do Vasco queria provocar o goleiro do Botafogo e apelou. A quem estava em campo, soltou: "Fala para o goleiro que o pai dele matou a mãe". O goleiro era Bruninho Samudio, um garoto de 15 anos, 1,91 m de altura e que carrega no nome e no sobrenome a bagagem de uma história de quando era bebê. Quem passava perto e não aceitou calada foi Sonia, mãe de Eliza Samudio e avó de Bruninho. A discussão subiu de tom e gerou um alvoroço. Até hoje, os pais dos jogadores comentam o episódio. Fico chateada que certas coisas acontecem dentro do futebol, e não é nem por parte dos meninos, mas por parte dos pais. Eu bati nas costas da pessoa e falei: 'Ó, você é um filho da p?, você é um m?'. Falei: se você não é pai de atleta, é isso que você ensina para o seu filho? Não tem necessidade nenhuma de você falar que o pai matou a mãe, porque ele sabe. Sonia Moura avó do goleiro Bruninho Samudio Bruninho não estava perto e tampouco se envolveu no caos. Mas a vida dele, de certo modo, tem sido essa: ignorar os provocadores e superar o lado negativo da própria história. Mas como ele mesmo se blinda do que vem de fora? "Quem escuta provocação de arquibancada está na profissão errada, está no esporte errado", disse o rapaz ao UOL , sobre provocações em geral e não sobre o episódio, em si. No papo, a perna chacoalhou bastante pelo nervosismo inerente à idade. A condição foi falar apenas sobre a parte boleira da jornada ainda curta dentro dos gramados. Mas o silêncio público e intencional sobre a mãe e, principalmente, sobre o pai, o ex-goleiro Bruno , condenado pelo assassinato dela , em 2010, são eloquentes. À época do crime, Bruno era titular do Flamengo e tinha perspectivas de jogar pela seleção brasileira profissional. Bruninho tem idade e cabeça suficientes para conhecer a própria história. O fato de já estar ali, treinando e jogando, é o recado de um sobrevivente. Para Bruninho, o ano de 2025 teve título com a seleção sub-15, pegando pênalti na final contra a Argentina, e a estreia no sub-17 do Botafogo , pela Copa Rio. "Quero ser conhecido como um goleiro que falha pouco, é decisivo, que garante títulos para o Botafogo e para a seleção", disse ele ao UOL . Nada disso seria possível sem a avó, Sonia Moura, a quem o jovem chama de mãe. Ela é a referência feminina e de cuidado, sobretudo depois que ficou viúva, em 2022. Isso é demonstrado por situações cotidianas ou extremas, como naquele episódio no Nilton Santos. Bruninho há tempos faz terapia para ajudar a lidar com traumas e manter o foco em campo. Segundo a avó, ele "tem uma cabeça muito tranquila". E mesmo depois de tanto tempo, o jovem goleiro ainda faz algumas descobertas sobre Eliza. Uma recente teve a ver com a profissão escolhida. A avó conta que várias fotos estavam em cima da cama. Bruninho pegou uma delas. Era um time feminino. "Quem é minha mãe aqui?", perguntou ele a Sonia. "A sua mãe é a goleira", respondeu ela. O rapaz sabia que a mãe tinha jogado futebol, inclusive na mesma posição que ele. Mas foi a primeira vez que ele ligou a informação à imagem. Bruninho Samudio, goleiro da base do Botafogo Imagem: Paulo Henrique Lima/UOL DNA de goleiro Bruninho começou como goleiro quando ainda não conhecia toda sua história. Os primeiros contatos com a bola foram aos 5, 6 anos de idade. Aos poucos, a brincadeira ficou séria. Bruninho é visto na base do Botafogo como uma promessa em desenvolvimento. Em fevereiro, quando completa 16 anos, pode assinar o primeiro contrato profissional. "Ele é um atleta como outro qualquer, não vai ser privilegiado. Mas deixamos à disposição todo o estafe para que ele se sinta confortável. Foi um caso muito emblemático, que chamou muita atenção. Isso pode se tornar negativo no processo de maturação. Nós estamos muito felizes com o Bruninho aqui, com o progresso dele. A gente vislumbra um potencial, que segue evoluindo", disse Léo Coelho, diretor de futebol do Botafogo. Bruninho ouviu pela primeira vez que tinha futuro quando ainda morava em Campo Grande (MS). Ele era treinado por Geraldo Harada, seu mentor. Foi o primeiro que falou que eu conseguiria ir longe, que abraçou a ideia e me colocou no time. Eu jogava na linha, quando era pequeninho. Mas é aquilo: não era muito bom, era atacante. Fui voltando para trás. Quando vi, estava na zaga e depois no gol. Descobri minha verdadeira paixão pela posição Bruninho Samudio, goleiro do sub 15 do Botafogo e da seleção Segundo a avó, Bruninho tinha flexibilidade desde cedo. Fazia karatê e parou na faixa laranja. Quando foi fazer o teste com Harada, já tinha sido questionado por Sonia sobre o que preferia fazer. A bola venceu. A iniciação foi no futsal. Para Harada, a surpresa não foi necessariamente se deparar com um garoto de talento. Mas, sim, quando ligou o nome e a história à pessoa. Eu me assustei quando a Sonia me ligou primeiramente. Aí ela falou: 'Sonia Samudio'. Esse sobrenome ficou muito marcante. Aí eu falei assim: 'Caramba, o filho do... Então, o neto dela é o daquela história e tá aqui em Campo Grande, e ela tá me ligando para o menino fazer um treino de experimental' Geraldo Harada técnico e mentor de Bruninho Aos 9 anos, Bruninho começou na reserva no time da escolinha. Mas passou a se destacar e a crescer —literalmente. Segundo Sonia, aos 12 anos ele já tinha 1,77 m de altura. Foi nessa fase que, além de virar titular na escolinha, passou a ser convidado para jogar por times da cidade e fazer a transição para o campo. "A cada treino que passava, cada semana que passava, a gente percebia uma evolução", disse Harada. Bruninho Samudio, goleiro da base do Botafogo Imagem: Arthur Barreto/Botafogo Do Athletico ao Botafogo O passo seguinte foi fechar com um empresário, que depois o levou a Curitiba para jogar pelo Athletico-PR. No Furacão, assinou o primeiro contrato de formação, com 14 anos, no início de 2024. No frio de Curitiba, passava alguns perrengues. Certa vez, a solução foi inusitada. "Não estava sentindo o dedo. Aí, taquei café e fui para o 'choque'. Quente mesmo. Aí fui para o gol. Goleiro tem que ser um pouco maluco", lembra o rapaz, sorrindo. No Athletico, percebeu que o futebol estava virando coisa séria e conheceu o goleiro que é sua maior referência: Mycael, hoje com 21 anos e na reserva do Athletico profissional. "Desde novo, subiu para o profissional e pegou seleção. Tem 48 convocações na seleção (de base). Ele me ensinou que eu deveria ser humilde com todo mundo, a ter postura no clube, essas coisas", contou Bruninho. Por questões internas, o Athletico estava prestes a dispensar o goleiro, o que gerou movimentação no mercado. Àquela altura, Léo Coelho, coordenador da base no Furacão na chegada de Bruninho, já estava no Botafogo. Aí, a ponte para o Rio ficou mais fácil. A proposta do Botafogo não era a mais vantajosa financeiramente. Mas a afinidade com o dirigente facilitou: Bruninho chegou ao alvinegro em julho de 2024, ainda com 14 anos. "Desde o Athletico e aqui no Botafogo, o tratamento foi excelente. Sempre me deixaram bastante confortável. Eu sempre me senti muito feliz. Eles me apresentam ao clube, me colocam nas resenhas, me dão apoio dentro e fora de campo. Eu me sinto abraçado", afirmou Bruninho. Sonia e Bruninho moram em um condomínio em frente ao estádio Nilton Santos. Outros jogadores da base e suas famílias também, o que facilita os deslocamentos para os treinos e jogos. Bruninho Samúdio Imagem: Divulgação A promessa de não comer melancia Sonia não só assiste aos jogos, mas também virou figura intensa na arquibancada. Diz ela que só começou a xingar após passar a frequentar estádios. Bruninho, na maioria das vezes, não percebe quem está gritando. Sonia não liga. Não baixa o ritmo ao lado de outros parentes de jogadores do Botafogo. Ela viajou também para acompanhar a seleção sub-15 no Sul-Americano da categoria. Depois de convocações neste ano para o Torneio 2 de Julho, na Bahia, e um período de preparação no Tocantins, Bruninho foi titular do time treinado por Guilherme Dalla Déa. O goleiro foi crucial na campanha, inclusive na final contra a Argentina. O título veio nos pênaltis, com uma defesa de Bruninho. Onde estava Sonia? No banheiro do estádio, rezando. "É muito nervosismo, não dá", diz ela, aos risos. Com essa fé toda, ganhou até um terço da mulher de Miranda, ex-zagueiro do São Paulo e da seleção, cujo filho também estava na equipe. O título em solo paraguaio rendeu uma medalha para Bruninho e uma promessa de Sonia: um ano sem comer melancia. "Eu me emocionei, porque lembrei da minha filha e era um sonho que ela projetava para o filho. Chorei, imaginando que as duas pessoas que fizeram a diferença na vida dele poderiam estar e não estão. Isso me causa uma certa dor", disse Sonia, referindo-se também ao falecido marido, Hernane. Botafogo contrata Bruninho Samudio Imagem: Henrique Lima / BFR Como é o goleiro Bruninho O jovem se transforma em campo. A timidez perde espaço. Ele é descrito por quem acompanha seu desenvolvimento como um jogador de muita personalidade. "Sou um pouco maluco, todo goleiro tem que ser. Gosto de me impor dentro e fora de campo. Sou um goleiro técnico também embaixo das traves", conta. Mas ele já sabe que a posição é traiçoeira: "O mais difícil é ficar ligado os 90 minutos. Vai errar, vai acertar. Eu tenho umas três falhas claras no ano. Se [goleiro do] profissional erra, que dirá do sub-15". Um dos lances que admite ter dado mole foi um gol do Flamengo. O adversário bateu de fora da área e parecia que queria cruzar. Bruninho estava meio adiantado, deixou a bola passar por cima, ela bateu na trave e entrou. Bruninho Samudio, goleiro da base do Botafogo Imagem: Paulo Henrique Lima/UOL Fora de campo A vida de jogador se mistura com a de adolescente. Já começou a namorar e também quase fechou o braço esquerdo com tatuagens. Um dos desenhos é o rosto de Jesus, embora não seja tão religioso. Bruninho disse que achou bonito. A imagem que está no pescoço foi para testar. Fez com um companheiro de time e escolheu a palavra "predestinado". Não tem nada a ver com Gabigol, que tem tatuagem similar. A notoriedade quase inevitável faz com que Bruninho tenha mais de 430 mil seguidores no Instagram. "Eu deixo para o meu agente cuidar. Às vezes olho um ou outro comentário. A maioria dos meus seguidores dá bastante apoio. Alguns outros não falam coisas positivas, mas não ligo", explicou. Bruninho já tem alguns contratos, além do salário. Tem uma parceira que fornece as luvas e fechou com a Puma para ganhar roupas e chuteiras. Ele evita o deslumbramento. "Quero dar meu máximo, cuidar da alimentação para não dar mole. Tem muito jogador que já pegou seleção na sub-15 e não conseguiu vingar no resto. Eu tenho que me cobrar, porque é o que eu quero da minha vida", afirmou Bruninho. Fora de campo, outro papel é carregar o legado pessoal. A avó já o levou para visitar garotos em favelas no Rio e também foi a eventos sobre luta contra o feminicídio e outras formas de violência. "Tem depoimento de mulheres que foram vítimas de violência doméstica, tem familiares. Assim como tem os meninos vítimas dos feminicídios também. Isso tem que ser visto e mostrado para os adolescentes desde pequenos. Espero que esse trabalho que a gente faz, de formiguinha, uma mão segurando a outra, um dia possa mudar esse filme que temos hoje. É terrível você ver mulheres diariamente sendo mortas e espancadas covardemente. Gostaria que o Judiciário e o poder político pudessem olhar e fizessem algo mais pesado, mais efetivo", diz a mãe de Eliza Samudio. Comunicar erro Deixe seu comentário Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. Mais 226 225 224 223 222 221 Mostrar mais