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Análise dos Times

Portugal

Principal

Motivo: Relato cronológico neutro dos episódios entre Ronaldo e Jesus na seleção, sem julgamento

Viés da Menção (Score: 0.0)

Motivo: Relato factual da conquista do título saudita e do projeto com Jesus, com tom levemente positivo

Viés da Menção (Score: 0.2)

Motivo: Menções factuais apenas como vice-campeão e ex-clube de Jesus, sem avaliação

Viés da Menção (Score: 0.0)

Motivo: Adversária citada de forma factual no jogo em que Ronaldo ficou no banco

Viés da Menção (Score: 0.0)

Motivo: Adversária citada apenas pelo resultado da partida, sem tom avaliativo

Viés da Menção (Score: 0.0)

Palavras-Chave

Entidades Principais

Jorge Jesus Cristiano Ronaldo Al-Nassr Copa do Mundo Al-Hilal Campeonato Saudita Portugal Espanha Noruega Nations League Damac Roberto Martinez Goncalo Ramos Pais de Gales Pedro Proenca Joao Felix Joao Palhinha Joao Neves

Conteúdo Original

Cristiano Ronaldo ajudou Jorge Jesus a chegar ao Al-Nassr, foi campeão saudita com o treinador e admitiu ter continuado na Seleção por causa dele. Dois meses após a chegada de Jesus à seleção portuguesa, o capitão deixou a concentração. Há pouco mais de um ano, Cristiano Ronaldo convidou Jorge Jesus para treinar o Al-Nassr . O técnico aceitou, admitiu que provavelmente não teria voltado à Arábia Saudita sem o telefonema do capitão e definiu a missão: ajudá-lo a conquistar o título que ainda faltava no país. Conseguiu. Ronaldo foi campeão saudita pela primeira vez , Jesus deixou o clube como havia prometido e, semanas depois, os dois se reencontraram na seleção portuguesa. A relação que parecia facilitar o trabalho com o jogador mais internacional da história de Portugal começou a mudar no segundo jogo de Jesus como técnico da seleção . Ronaldo ficou no banco contra a Noruega, aqueceu, mas não entrou. O atacante deixou o campo e foi para o vestiário sem acompanhar os companheiros no agradecimento aos torcedores. Dois dias depois, deixou um treino antes mesmo de a atividade começar. Pedro Proença antecipou a viagem à Dinamarca para acompanhar o caso. Nesta quarta-feira (30), Jesus afirmou que não havia conflito, explicou publicamente as decisões que havia tomado e reafirmou a autoridade do treinador. Jorge Jesus retorna à Arábia Saudita dois meses depois de deixar o Al Hilal e assume o Al-Nassr , com contrato de uma temporada. A influência de Cristiano Ronaldo na escolha não é escondida pelo próprio treinador: “Sem o convite dele, de certeza que não estaria lá.” A missão também fica definida no aeroporto de Lisboa: “Ronaldo ainda não ganhou na Arábia Saudita. Vou ver se o ajudo.” Sobre a relação entre os dois, Jesus antecipa: “Falamos a mesma língua, é tudo fácil.” Ronaldo responde nas redes sociais: “Bem-vindo, Mister Jorge Jesus!” Poucos dias depois de assumir o clube, Jesus faz uma das maiores manifestações públicas de admiração pelo capitão. Em entrevista à RTP, considera Ronaldo “a maior referência humana no mundo” e lamenta: “Em Portugal não sabemos valorizar o que Cristiano Ronaldo é.” O treinador destaca ainda a longevidade do atacante, então com 40 anos, e a dimensão de Ronaldo, que ultrapassa o futebol. O Al-Nassr vence o Damac por 4 a 1 na última rodada , com dois gols de Ronaldo, termina com 86 pontos, dois a mais que o Al-Hilal, e conquista o Campeonato Saudita. É o primeiro título nacional de Ronaldo desde que chegou ao país e encerra uma espera de sete anos do Al Nassr pelo campeonato. Após a partida, Jesus revela que sua saída estava prevista desde o início. Ele havia recusado um contrato de duas temporadas e recorda o que disse ao capitão quando aceitou o desafio: “Vou te ajudar a ser campeão e depois vou à minha vida.” A saída se torna oficial em 28 de maio. Portugal havia sido eliminado pela Espanha nas oitavas de final da Copa do Mundo , e Roberto Martínez deixou o cargo . Jorge Jesus é apresentado como novo técnico da seleção , e Cristiano Ronaldo se torna imediatamente um dos temas da coletiva. Jesus não deixa dúvidas: “Nunca vai ser um problema para a Seleção nem para mim.” Chama Ronaldo de “um símbolo” de Portugal, diz que é “facílimo trabalhar com ele” e usa a experiência no Al-Nassr para explicar que sabe administrar o capitão. Na temporada anterior, lembra, Ronaldo participou de 31 dos 50 jogos e foi substituído 16 vezes no campeonato sem que isso gerasse problemas. Mas também estabelece uma fronteira entre os dois: Ronaldo decide o futuro da carreira; as decisões esportivas pertencem ao treinador. Na primeira lista de Jesus, 25 jogadores são convocados, e Ronaldo, então com 233 partidas pela seleção e 146 gols, continua entre os escolhidos . A explicação do treinador antecipa muito do que aconteceria nove dias depois. “O Cris é um jogador como todos os outros, se tem rendimento joga, se não tem rendimento não joga.” Jesus reconhece um status diferente pela carreira e pelas cinco Bolas de Ouro, mas acrescenta: “Isso conta para as minhas decisões? Não conta nada, zero.” Ele também diz que não sentiu necessidade de conversar previamente com Ronaldo: “Ele conhece as minhas ideias e eu conheço as dele.” Os convocados se apresentam na Cidade do Futebol para a primeira concentração de Jorge Jesus. O primeiro trabalho é de recuperação, na academia. Portugal se prepara para quatro jogos da Nations League em um curto período , calendário que Jesus usará depois para justificar o controle físico dos jogadores mais utilizados. É a imagem do entendimento. Técnico e capitão sentam-se juntos na coletiva de imprensa de antevisão ao jogo contra o País de Gales, realizada durante o Portugal Football Summit. Ronaldo revela que considerou deixar a Seleção depois da Copa do Mundo. “Sim, considerei”, admite. Mas conversou com Pedro Proença e Jorge Jesus: “Eles contam comigo. Eu ainda acredito que posso ajudar a Seleção Nacional.” Sobre o treinador, não poupa elogios: “Foi uma escolha perfeita.” E aceita publicamente a hierarquia definida por Jesus cinco dias antes. “Como disse o mister, e concordo com ele, os estatutos não contam para nada.” Em outra resposta, vai ainda mais longe: está disponível para “entrar, sair, não jogar”. E deixa uma frase que ganharia outro significado sete dias depois: “Quando não quiserem contar comigo, sou o primeiro a agarrar na mala e vou embora.” Jesus confirma Ronaldo como titular diante do País de Gales e volta a falar sobre a dimensão do capitão, mas ressalva que o status não lhe garante uma vaga em campo. “Se vai jogar amanhã 90 minutos, o jogo é que dita.” Questionado sobre João Palhinha, Jesus explicita, porém, que nem todos os jogadores têm o mesmo status dentro da Seleção. “O estatuto é diferente. Ele tem estatuto, posso dizer, o outro não tem, não digo”, afirma, em referência a Ronaldo. No primeiro jogo de Jorge Jesus, Portugal vence o País de Gales por 1 a 0 , em Alvalade, com um gol de João Félix. Ronaldo começa ao lado do antigo companheiro do Al-Nassr. O atacante perde uma oportunidade no início do segundo tempo, ainda coloca a bola na rede em posição irregular e é substituído por Gonçalo Ramos a cerca de 25 minutos do fim. Jesus explica a decisão sem rodeios: precisava de “um jogador fresquinho para pressionar a saída de bola”. Ronaldo não demonstra publicamente desagrado e escreve nas redes sociais: “Primeiro passo dado. Vamos, Portugal!” Na véspera do jogo contra a Noruega , Jesus é questionado sobre o desempenho do capitão diante de Gales. “Pode fazer melhor, como é óbvio”, responde. Ele explica que avaliará o jogador no treino e lembra que, aos 41 anos, Ronaldo não pode ser administrado da mesma forma que João Neves, de 22. Mas deixa uma garantia: se Ronaldo não começar como titular, entrará. “Uma coisa eu sei, se não for a primeira escolha, vai entrar no jogo.” A declaração ganharia peso na história dois dias depois. Ronaldo começa no banco em Oslo. Jesus justifica a decisão antes da partida: o capitão havia jogado quase 70 minutos três dias antes, e ele não queria escalá-lo desde o início em dois jogos tão próximos. Gonçalo Ramos ocupa a vaga no ataque. Portugal vence a Noruega por 2 a 1 . Ronaldo aquece durante o segundo tempo, mas não entra. Depois do jogo, Jesus revela que havia pensado em utilizá-lo por cerca de meia hora e que chegou a conversar com o atacante sobre essa possibilidade, mas mudou de ideia conforme a partida avançou. “O jogo não estava a pedir”, explica. Gonçalo Ramos havia marcado, e o técnico optou por mantê-lo em campo. É a primeira vez desde junho de 2008 que Ronaldo fica no banco durante toda uma partida oficial de Portugal. No apito final, o capitão entra rapidamente no vestiário e não acompanha os companheiros no agradecimento aos torcedores portugueses presentes em Oslo. Jesus diz inicialmente que não viu o gesto. Quando é informado sobre o que aconteceu, responde: “Tenho de falar com ele, como é óbvio.” Ronaldo não comenta a decisão do treinador. Nas redes sociais, limita-se a compartilhar a publicação da Seleção sobre a vitória e escreve apenas: “VAMOS!” No primeiro treino em Malmo, já com Portugal se preparando para a viagem à Dinamarca, Ronaldo participa no gramado do grupo de reservas que atuaram e dos jogadores que não entraram em campo em Oslo. As imagens mostram o capitão sorridente. Publicamente, o episódio da noite anterior parece não ter passado disso. A situação volta a mudar no dia seguinte. Ronaldo chega ao Eleda Stadion e ainda pisa no gramado cerca de meia hora antes do início da atividade, mas não participa do treino. Ele conversa brevemente com Jorge Jesus e deixa o local enquanto os companheiros trabalham. O jogador retorna ao hotel para realizar um trabalho específico na academia . A versão oficial da Federação é que a academia do estádio não tinha um “equipamento específico” de que Ronaldo precisava. Nenhuma lesão é comunicada. João Félix também trabalha na academia, mas permanece nas instalações do Malmo. Depois do treino, o capitão da Seleção, enigmático, publica no Instagram uma fotografia sua com a legenda: “PT ❤️”. Um post compartilhado por Cristiano Ronaldo (@cristiano) A informação é de que a primeira conversa entre Ronaldo e Jesus não resolveu o desentendimento, embora posteriormente tenha sido divulgado que uma nova conversa no hotel permitiu chegar a um entendimento. Enquanto isso, Pedro Proença altera sua agenda. Em vez de seguir para os Açores, onde deveria assistir ao jogo da seleção sub-21, viaja para Copenhague para acompanhar pessoalmente a situação. Antes do último treino para o jogo contra a Dinamarca, Jorge Jesus se apresenta aos jornalistas e tenta encerrar o assunto. Ele começa avisando que não quer uma coletiva dedicada ao capitão: “Não tenho um jogador. Tenho 23.” Depois, revela um dado até então desconhecido. Segundo Jesus, havia combinado previamente com Ronaldo que o atacante não seria titular — e, no plano inicial, não jogaria — nem contra a Noruega nem contra a Dinamarca, devido à sequência de partidas. O treinador também explica que Ronaldo normalmente não treina nos dois primeiros dias após uma partida. Sobre Oslo, admite que alterou esse plano durante o próprio jogo. Disse a Ronaldo que poderia precisar dele por 20 ou 30 minutos e mandou o atacante aquecer. Jesus reconhece que o erro foi ter enviado Ronaldo para o aquecimento cedo demais. Mas a decisão final continuou sendo sua: “Nunca nenhum jogador vai mudar as minhas ideias. Nem ele nem ninguém no futebol. Nem nenhum presidente. Nunca, zero.” Jesus também admite a insatisfação do capitão. “Não há nenhum que fique contente por aquecer e não entrar. Quanto mais o Cris.” Mas rejeita uma ruptura: “Não há caso nenhum entre mim e ele.” E estabelece novamente a regra: “O estatuto não dá direitos que os jogadores sejam diferenciados.” Sobre a ausência do treino de terça-feira (29), é taxativo: “Ele não se recusou a treinar.” E garante que Ronaldo participará da atividade naquela tarde. “Hoje vai treinar.” Quando questionado sobre a escalação contra a Dinamarca, confirma, porém, a permanência de Gonçalo Ramos : “Se tudo acontecer normalmente, é o Gonçalo que vai jogar.” Jesus confirma ainda uma reunião com Proença e Ronaldo, mas rejeita a ideia de que o presidente tenha viajado para apagar um incêndio: “Ele não veio resolver nada porque não havia nada para resolver.” A garantia de Jesus dura poucos minutos. Enquanto os demais jogadores se preparam para o treino no Parken, Ronaldo deixa o estádio em uma van da Federação Portuguesa de Futebol. Ele não participa da atividade. A Federação Portuguesa de Futebol confirma a ausênci a, sem apresentar naquele momento uma explicação pública. Quase imediatamente, o avião particular de Ronaldo, que estava em Madri, se prepara para decolar rumo a Copenhague . Horas depois, Ronaldo explica a decisão no Instagram. Diz que ela foi tomada “após a conferência de imprensa do Selecionador Nacional” e depois de uma conversa com Pedro Proença. “Tomei a decisão de deixar o estágio da Seleção Nacional”, escreve. E deixa uma frase que abre uma incógnita sobre 23 anos de carreira internacional: “A seu tempo, direi a verdade a todos os portugueses sobre as razões que motivaram a minha saída da equipa nacional.” Ele termina desejando “boa sorte a Portugal” e aos companheiros, “sem exceção”.