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Análise dos Times

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Paralimpíadas de Inverno Malu Mendes Campeonato Mundial de Surfe Adaptado ISA World Surfing Games Paulo Kid

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Primeiro título mundial de Malu Mendes veio em 2020 Aos 33 anos, a tricampeã mundial de surfe paralímpico Malu Mendes vive um daqueles recomeços que ajudam a explicar por que o esporte vai além de resultado. Depois de enfrentar uma grave crise de depressão ao longo de 2025 e ficar afastada do mar por oito meses, a atleta voltou a competir em 2026. No retorno, já mostrou que segue entre as melhores do mundo: ficou com o segundo lugar na etapa de abertura do Campeonato Mundial de Surfe Adaptado, em Byron Bay, na Austrália. Em paralelo, ainda inicia uma carreira no snowboard, de olho em uma possível participação nas Paralimpíadas de Inverno. Moradora do Guarujá, no litoral paulista, Malu construiu uma trajetória marcada por descobertas tardias. Apesar de sempre ter sentido que havia algo diferente, ela só recebeu o diagnóstico de paralisia cerebral aos 26 anos. A confirmação, longe de ser um obstáculo, ajudou a atleta a ressignificar a própria história. — Eu acho que a minha deficiência não é uma coisa ruim. É uma característica. Tem a pessoa que é loira, a que é negra, a que é morena, de olho azul… e tem a pessoa com deficiência. As pessoas têm que parar de ver a deficiência como algo ruim. Conseguimos fazer tudo que os outros fazem. Pode ser diferente, mas fazemos também - diz Malu, em entrevista ao ge . + WSL: Gabriel Medina reencontra algoz das Olimpíadas e avança às quartas em Margaret River + Luana Silva vence australiana e vai às quartas de final em Margaret River + WSL 2026: veja o ranking do Circuito Mundial de Surfe 1 de 4 Malu Mendes no Campeonato Mundial de Surfe Adaptado, em Byron Bay — Foto: Reprodução/Malu Mendes Malu Mendes no Campeonato Mundial de Surfe Adaptado, em Byron Bay — Foto: Reprodução/Malu Mendes Filha do ex-surfista profissional e hoje técnico Paulo Kid, Malu cresceu com o esporte dentro de casa. Foi o pai quem a incentivou a entrar no mar ainda criança, construindo uma relação que ultrapassa o esporte. — Acho que, se não fosse ele, eu não estaria onde estou. Quando penso em fazer algo na vida, ligo para o meu pai — conta a atleta. Antes de se encontrar nas ondas, Malu ainda passou pelo atletismo. Mas foi mesmo no surfe que descobriu sua maior paixão e também seu lado mais competitivo. Em 2020, na Califórnia, conquistou o primeiro título mundial ao vencer o ISA World Surfing Games, principal campeonato internacional da modalidade. 2 de 4 Malu Mendes - primeiro título mundial no ISA World Surfing Games — Foto: Reprodução/Malu Mendes Malu Mendes - primeiro título mundial no ISA World Surfing Games — Foto: Reprodução/Malu Mendes O caminho, no entanto, não foi linear. Diagnosticada com depressão em 2017, Malu viveu no ano passado o momento mais difícil da carreira. A crise intensa fez com que ela se afastasse completamente do surfe adaptado e até do mar. — No ano passado, eu tive uma crise muito forte mesmo, horrível. Foram oito meses em crise, e eu achava que tinha acabado tudo ali, que não ia surfar mais. Eu tinha medo de colocar a cabeça dentro d’água, de mergulhar — comenta a atleta. A volta em 2026 veio acompanhada de redescobertas. Mais do que competir, Malu reencontrou o prazer de estar no circuito. — Estou muito animada, me apaixonando de novo pelo surfe e pelas competições. O campeonato deste ano serviu pra mostrar que o que eu mais amo é surfar, competir e viajar pelo mundo. Eu tinha perdido isso, mas sei que é o que me faz feliz — afirma Malu. + Brasileiro perde prata conquistada nas Paralimpíadas de Paris + Veja mais notícias relacionadas a esportes paralímpicos 3 de 4 Malu Mendes renasce no esporte: “Eu achei que não ia surfar mais” — Foto: Reprodução/Malu Mendes Malu Mendes renasce no esporte: “Eu achei que não ia surfar mais” — Foto: Reprodução/Malu Mendes Se o surfe sempre foi casa, a neve começou a abrir outros caminhos. Em 2025, Malu teve o primeiro contato com o snowboard paralímpico, quase por acaso, a partir da indicação de um amigo. O que começou como um teste rapidamente se transformou em algo maior: uma nova paixão e, ao mesmo tempo, uma oportunidade concreta de ampliar horizontes no esporte. O início no surfe, porém, teve empecilhos. Após um período de testes no Brasil e a chance de viajar para a Europa, ela foi considerada inelegível em uma avaliação médica na Holanda, o que impediu a atleta de competir. Em vez de desistir, voltou, se preparou, refez exames e, em 2026, conseguiu a liberação para participar de campeonatos. Mesmo ainda se adaptando ao novo universo, Malu já fala com entusiasmo sobre o snowboard. Dividida entre o mar e a montanha, ela não esconde o sentimento: está apaixonada pelas duas modalidades. — Eu voltei com tudo no surfe e estou muito animada para as competições, mas estou muito feliz com o snowboard também. Tudo é novidade, muito divertido - celebra Malu. Mais do que isso, a atleta enxerga no snowboard uma porta importante para o futuro. Diferente do surfe, que ainda luta por espaço no programa paralímpico, a modalidade já faz parte dos Jogos de Inverno, o que abre um caminho mais concreto rumo ao sonho de disputar uma edição de Paralimpíadas. 4 de 4 Malu Mendes no Parasnowboard — Foto: Reprodução/Malu Mendes Malu Mendes no Parasnowboard — Foto: Reprodução/Malu Mendes Fora das competições, Malu ainda encontra tempo para velejar no Guarujá, andar de skate e dar palestras, nas quais compartilha a própria trajetória. Dentro do esporte, no entanto, o foco é claro: evoluir e ocupar cada vez mais espaço. — Acho que tem muito o que melhorar, (o esporte paralímpico) deve ficar mais profissional. Nós temos que ser atletas de alto rendimento, e as empresas precisam olhar para isso — aponta a atleta. Seja nas ondas ou, agora, nas montanhas, Malu Mendes segue em movimento — reconstruindo caminhos, ampliando horizontes e mostrando que, às vezes, recomeçar pode levar ainda mais longe.