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Manhã fria em São Paulo. No sul da capital paulista, porém, os 14º e a chuva fina não foram suficientes para impedir uma fila com dezenas de fãs. Tudo para encontrar uma atleta que vive na Europa e se destaca há uma década mundo afora. De férias no Brasil, Bruna Takahashi passou uma sexta-feira com o coração quentinho, repleto de carinho oferecido por torcedores, em troca de autógrafos, fotos, beijos e abraços. + Leia mais sobre tênis de mesa + Saiba mais sobre os Jogos Olímpicos Bruna Takahashi diz que namoro com Hugo Calderano atrai fãs: "Paixão por nós como casal" - Minha mãe me disse que muita gente teve que trocar passagem de ônibus e de avião. Fiquei sabendo aqui que uma família de trigêmeos chegou às três da manhã e dormiu dentro do carro esperando. Sério, estou me sentindo até mal - disse Bruna, em entrevista ao ge , no intervalo entre uma e outra sessão de encontro com fãs. O evento foi organizado no Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro, onde foi realizado o Campeonato Brasileiro de tênis de mesa. A presença de Bruna Takahashi, foi anunciada dias antes, nas redes sociais dela e da confederação, atraindo milhares de visualizações e também essa mudança de programação de alguns atletas. Ela, aliás, é a maior atleta da história da modalidade no país. O que explica a dezenas de raquetes, bolinhas e camisetas que assinou. Bruna Takahashi projeta dupla com Calderano em LA28: "Temos uma chance de medalha" Aos 25 anos, Bruna vive um momento iluminado. É a 23ª colocada do ranking mundial feminino e, ao lado de Hugo Calderano, a quarta colocada entre as duplas mistas. Campeã mundial cadete em 2015, a paulista caminha firme para a quarta Olimpíada da carreira. Nos Jogos Rio 2016, ela foi a mais nova da delegação brasileiro. Para os próximos, em Los Angeles 2028, ela já sonha com medalha. - Com certeza temos uma chance de medalha, mas é preciso ter o pé no chão. O título no Singapore Smash nos trouxe mais confiança e nos deixou mais preparados - afirma Bruna Takahashi. Confira, abaixo, a íntegra da entrevista para o ge . Bruna Takahashi explica gritos no ponto e bolinha a 3 metros de altura no saque ge - Bruna, quanta gente para te ver, hein... Bruna Takahashi - Sim. É muito bom ver o pessoal aqui, ainda mais que já está no final do Brasileiro e ainda tem bastante gente. Minha mãe me disse que muita gente teve que trocar passagem de ônibus e de avião. Fiquei sabendo aqui que uma família de trigêmeos chegou às três da manhã e dormiu dentro do carro esperando. Sério, estou me sentindo até mal. Você já está acostumada com isso? No exterior é normal ter esse encontro com fãs antes das competições, mas aqui no Brasil não é tão comum. E, de repente, tem uma fila enorme em uma sexta-feira de manhã, com muito frio em São Paulo. Sim, nessas condições é difícil achar tanta gente. Lá fora é um pouco mais normal, os campeonatos são maiores, com muitas pessoas. Aqui o Brasileiro também tem muita gente, mas raramente tem esse tipo de encontro. Eu fico muito feliz de ter tido essa oportunidade de vir aqui para passar um pouco do meu carinho e receber o carinho deles. 1 de 4
Hugo Calderano e Bruna Takahashi conquistam o Grand Smash de Singapura — Foto: WTT Hugo Calderano e Bruna Takahashi conquistam o Grand Smash de Singapura — Foto: WTT Você já está acostumada com a fama? Não, gente, que isso? Que fama? Eu sou humilde. Sim, mas vamos lá. Nas redes sociais já tem muitos fãs, muita gente te segue e interage. Já existem fã-clubes que repostam tudo o que você publica. Como é isso para você? Eu vejo pelo lado positivo. É muito bom ver as pessoas acompanhando meu trabalho, vendo o quanto eu me dedico, a minha história, os meus títulos e a minha carreira inteira. Repostarem isso dá ainda mais força, não só para mim, mas para o tênis de mesa. Acho que é um dos fatores mais importantes para popularizar o nosso esporte. 2 de 4
Hugo Calderano e Bruna Takahashi vão à final na etapa de Singapura — Foto: Word Table Tennis Hugo Calderano e Bruna Takahashi vão à final na etapa de Singapura — Foto: Word Table Tennis Mas existe o lado negativo também? Você precisa desviar de muito "hate" ou mensagens ruins? Sim, mas eu nunca fui de ligar muito. A pessoa não sabe nada sobre a minha vida, vai atacar por quê? Não ligo para críticas, a não ser que seja algo construtivo. Sempre lidei muito bem com isso. O que me importa é o carinho das pessoas e a energia. Se eu não gosto do comentário, eu dou "block". É mais fácil. Você já está em destaque há pelo menos dez anos, desde o Mundial Cadete de 2015. Começou a aparecer na Globo, no Faustão... Tem gente que te acompanha desde aquela época. Naquela época o esporte não era tão popular e eu não tinha tanto acesso às redes sociais. Mas dá para ver que o tênis de mesa está crescendo, assim como as redes. Você posta algo e todo mundo já fica sabendo. Tem o lado bom e o negativo, como sempre. 3 de 4
Bruna Takahashi em Brasil x Coreia do Sul, oitavas de final por equipes do tênis de mesa nas Olimpíadas de Paris 2024 — Foto: REUTERS/Kim Hong-Ji Bruna Takahashi em Brasil x Coreia do Sul, oitavas de final por equipes do tênis de mesa nas Olimpíadas de Paris 2024 — Foto: REUTERS/Kim Hong-Ji O namoro com o Hugo Calderano mudou a relação com os fãs? Aumentou o número de seguidores ou de comentários negativos? O "hate" eu não senti que aumentou. Mas a gente vê a paixão que o pessoal tem por nós como casal. Isso fortalece o esporte, ter os dois juntos elevando o nível. Individualmente cada um tem seu poder, mas como casal e dupla mista, acho que dá um toque especial. Recentemente vocês conquistaram o maior título da carreira como dupla mista, mas você jogou boa parte da vida com sua irmã, a Giulia. O que é melhor ou pior: jogar com o namorado ou com a irmã? São pressões e situações diferentes. Eu nunca tive problemas com nenhum dos dois. A comunicação sempre foi o nosso forte, tanto com o Hugo quanto com a Giulia. Sabemos que cada um quer ganhar e se ajudar. Quando um não está bem, o outro está ali disposto a elevar o nível e ajudar. Quando você sente que pode confiar no parceiro, tudo ocorre da melhor forma, independentemente do resultado. 4 de 4
Bruna e Giulia Takahashi conquistam primeira medalha do Brasil nas duplas do Pan — Foto: Helena Petry/COB Bruna e Giulia Takahashi conquistam primeira medalha do Brasil nas duplas do Pan — Foto: Helena Petry/COB Vou refazer a pergunta: com quem você tem mais vontade de xingar na mesa e por que é o Hugo? (Risos) Não, que isso! Nunca senti essa vontade. Só sinto isso quando estou jogando individualmente mesmo. Nunca tive esse momento de ficar tão brava com o parceiro. Seria pior para a dupla se ficássemos assim. Nosso objetivo como profissionais é manter o controle emocional para ajudar o outro. Na hora do jogo, você nem lembra que é sua irmã ou seu namorado. Você está tão centrada na bola, especialmente em uma final de Grand Smash. Quais são os próximos passos depois de conquistar um torneio tão importante como o Smash de Singapura? Você já é a maior brasileira e sul-americana da história no ranking mundial. Onde você pensa que pode chegar, projetando as Olimpíadas de Los Angeles daqui a dois anos? A dupla mista já permite sonhar com medalha? Individualmente, eu ainda sou nova, tenho 25 anos. Tenho muito a aprender. Mesmo com um ranking alto e experiência, sinto que posso ir mais longe. Eu me dedico e trabalho muito. Pensando em Los Angeles, claro que eu gostaria de uma medalha; todos estão lá para isso. É um objetivo, mas é muito difícil. Eu sempre penso passo a passo, e foi esse pensamento que me trouxe até aqui. Sobre a dupla mista, acabamos de ganhar dos medalhistas olímpicos (Lim Jonghoon e Shin Yubin, bronze em Paris 2024). Isso gera uma expectativa e esperança maior. Com certeza temos uma chance de medalha, mas é preciso ter o pé no chão. O título no Singapore Smash nos trouxe mais confiança e nos deixou mais preparados. Promessa do tênis de mesa, Bruna Takahashi vai estar nos Jogos Olímpicos da Juventude Você diz que é novinha, mas já caminha para a sua quarta Olimpíada. Você lembra da primeira? Quem era a Bruna naquela época? Lembro muito bem. Eu era muito novinha, tinha 16 anos. Era a mais nova da delegação brasileira. Foi algo grandioso para mim, e consegui me sair bem, mesmo jogando contra a China logo na primeira rodada. Sim, mais nova do Time Brasil e jogando por equipes já contra a China, estreando em casa, nas Olimpíadas do Rio, contra uma medalhista olímpica chinesa. Tranquilo para quem tem 16 anos, não? Sim, de boa aguentar tudo aquilo (risos). Mas foi uma experiência que levei pelo lado bom. Imagina a bagagem que ganhei ali, podendo me inspirar e observar todas aquelas atletas. Consegui ficar na Vila Olímpica, em um quartinho sozinha dentro de um apartamento compartilhado. Foi bom ter tido meu espaço ali. Bruna Takahashi 3x1 Bernadette Szocs | Melhores momentos | Copa do Mundo de tênis de mesa Para encerrar, duas curiosidades. Primeiro: você joga a bolinha muito alto no saque. Por quê? Sabe que altura ela atinge? Não sei exatamente, talvez uns 3 metros. Quando a bolinha cai de uma altura maior, ela vem com mais velocidade. No impacto com a raquete, consigo colocar mais força e mais efeito. É tudo questão de treino. A única coisa que me atrapalha é a luz; se ela estiver na minha linha de visão, preciso mudar a posição do saque ou sacar mais baixo. E a última: o que você grita quando faz um ponto? É raiva, nervosismo ou para intimidar o adversário? Não significa nada específico, é só um grito pessoal para eu me soltar. É para pegar a sensação da "briga", da batalha do jogo. Cada hora sai uma coisa diferente.