Conteúdo Original
O treinador do Palmeiras , Abel Ferreira , concedeu entrevista coletiva após a vitória por 1 a 0 sobre o Vasco , neste domingo (1º), pela ida da semifinal da Copa do Brasil , e, como de costume, falou sobre diversos temas e envolveu outros clubes, como Flamengo e Cruzeiro , em seus longos desabafos.
O primeiro "citado" foi o Fla através de seu treinador, Leonardo Jardim , que recentemente voltou a reclamar do uso de gramados sintéticos no futebol brasileiro.
Abel disse que também prefere os campos naturais, mas reclamou dos poucos terrenos de qualidade disponíveis no Brasileirão e voltou a detonar a Vila Belmiro, já muito criticada depois do recente empate com o Santos .
"O meu conterrâneo Leonardo Jardim , de quem gosto muito, disse que prefere bons gramados do que sintéticos. Eu também prefiro. E que recuperar de sintéticos custa mais... E recuperar os jogadores naquele campo que enfrentamos o Santos? É mais fácil correr na areia, em buracos, ou pelo menos num tapete aqui que é direitinho?", questionou.
"É mais fácil recuperar em gramados top , concordo. Se for top para todos, concordo. Agora, a qualidade de 80% dos gramados que temos, prefiro jogar no sintético, com pelo menos três dias de recuperação, e que depois das Datas Fifa não haja jogos", acrescentou.
Posteriormente, Abel falou sobre Pedro Lourenço , proprietário da SAF do Cruzeiro, para explicar a diferença de planejamentos financeiros entre as equipes.
De acordo com o português, o Palmeiras não tem "dono" e precisa "fazer ginástica" para manter suas contas em dia, inclusive vendendo atletas importantes como o meia-atacante Allan , negociado com o Manchester City nesta temporada.
"Eu tenho que ser sincero: desde que eu cheguei ao Palmeiras, eu nunca estiver tão bem com a minha equipe, brigando em todas as competições. É o que eu tenho a te dizer. Eu, como treinador, nos seis anos que estou aqui, nunca cheguei a essa altura ainda disputando tudo. Nós vamos ter que lutar por elas, não há como, e usar todos os recursos que temos", argumentou.
"Já disse que, em função da grande venda do Allan, ficamos com menos recursos. Não é mentira. Falei a dificuldade que é, no momento que a venda ocorreu, buscar reforços no Campeonato Brasileiro, porque a própria lei não deixa o Palmeiras buscar reforços no mercado interno. E vou dizer mais: mais do que proibir estrangeiros, que não gosto, é fazer o que acontecia quando eu estava na Grécia e treinava o PAOK, que é obrigar a ter jogadores brasileiros jovens no time", acrescentou.
"Se nós queremos dar oportunidade, tem que fazer o contrário... Não é proibir, mas sim usar uma medida positiva para mostrar o que queremos para o futuro das Seleções Brasileiras. É por X jogadores de X anos têm que estar na ficha do jogo. Mas isso é só uma opinião minha", observou.
"(Disputar tudos os títulso sem poupar) É a responsabilidade de quem gere um clube como o Palmeiras. Isso é uma Sociedade Esportiva, não tem um dono. Não é como o Cruzeiro, o Palmeiras não tem um dono. Se o dono tem R$ 500, mete R$ 500, se tem R$ 2 milhões, mete R$ 2 milhões, se tem R$ 3 bilhões, mete R$ 3 bilhões. Aqui, a gente tem que fazer ginástica", comparou.
"É entender que há contas que temos que pagar e, dentro de um universo, apresentar resultados esportivos, financeiros e manter a equipe competitiva. É isso que me faz adorar estar no Palmeiras: que faço parte do processo. Às vezes, é preciso tomar decisões difíceis. Vamos ficar com o Allan ou vender o Allan por uma ótima proposta? Vamos substituir o Allan por quem? Por ninguém, porque é preciso de 40 milhões de euros", citou.
"O treinador arranja sempre uma solução. Isso é o que mais me orgulha: com mais ou menos opções, a gente procura soluções. Os moleques estão prontinhos só esperando o Abel chamar. Nós sabemos que eles têm muita qualidade, mas sabemos também que eles precisam de tempo para crescer. E aí eu faço uma pergunta: os torcedores do Palmeiras vão dar esse tempo para eles crescerem? Se nós não fizemos quatro ou cinco gols, a imprensa brasileira vai me dar esse tempo? Quantos jogadores foram formados aqui na base chamados pela Seleção Brasileira? Qual a equipe que mais contribuiu para a Seleção nos últimos anos? Qual a equipe que mais aposta em jogadores jovens e contrata jovens, como foi com o Giay? Qual a equipe que mais faz isso? Às vezes, é isso que temos que falar, e sou eu que tenho que falar", ressaltou.
"Só me cobram os resultados esportivos, mas, se olharmos para o processo, e eu já disse isso, esse é o modelo a seguir para os que tiverem coragem e para os que tiverem um Anderson Barros , como eu tenho, e uma Leila Pereira , como eu tenho. Porque ganhando ou perdendo, eles sabem que esse é o caminho. E mesmo vendendo o Allan, esse é o melhor elenco que já tive no Palmeiras, mesmo vendendo nossos melhrores jogadores todos os anos, continuamos a ser competitivos todos os anos", exaltou.
"É só isso que posso prometer. Ano passado fomos a três finais, esse ano estamos trabalhando por mais. Quando cheguei aqui, não prometi títulos, mas sim trabalho, competência, valorização do futebol brasileiro e do Palmeiras. E sempre que quiserem me ouvir, não criticar, mas sim desafiar, para fazer aquilo que está bem ser ainda melhor", finalizou.
Remo (C) - 05/11, 19h30 (de Brasília) - Brasileirão
Vasco (F) - 08/11, 17h (de Brasília) - Copa do Brasil
Cruzeiro (F) - 18/11, 20h30 (de Brasília) - Brasileirão