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Só para assinantes Assine UOL Reportagem Vini faz golaço, é vítima de racismo e dá a vitória ao Real em Lisboa Juca Kfouri Colunista do UOL 17/02/2026 19h03 Deixe seu comentário Vini Junior, do Real Madrid, e Gianluca Prestianni, do Benfica, em partida pela Liga dos Campeões Imagem: Eric Verhoeven/Soccrates Images/Getty Images Carregando player de áudio Ler resumo da notícia Três semanas atrás, no mesmo mítico Estádio da Luz, em Lisboa, José Mourinho estava irritado com o goleiro ucraniano do Benfica, Trubin, que fazia cera ao fim do clássico contra o Real Madrid, satisfeito com a vitória por 3 a 2 naquela que, pensava o arqueiro, seria despedida honrosa do campeoníssimo português da Champions. Para o ainda muito mais campeoníssimo clube espanhol também estava tudo bem, porque a derrota o mantinha entre os oito classificados para as oitavas de final. José Mourinho, no entanto, como Abelardo Barbosa, o Chacrinha, o pernambucano mais original apresentador da história da televisão brasileira, sabia que o show só acaba quando termina e sabia aquilo que Trubin desconhecia: um gol mais do Benfica e os lusos teriam a chance de disputar a repescagem. Juca Kfouri Vini é vítima de racismo e dá a vitória ao Real Julio Gomes Vinicius não dá descanso e não tem descanso Josias de Souza STF e Receita se engalfinham no lodo Sakamoto Agonia da CLT vai produzir mais ônibus que matam O Estádio da Luz, que também sabia, vaiou a cera e o goleiro despachou a bola. Foram dados cinco minutos de acréscimos e, no derradeiro, Mourinho mandou Trubin para área espanhola quando uma falta foi marcada na intermediária para os lusitanos. O ucraniano obedeceu e o que aconteceu nenhum frequentador do Planeta Bola desconhece: bola alçada na área e ele fez, de cabeça, o quarto gol que manteve o Benfica vivo e ainda decretou a queda do Real Madrid para a repescagem. Trubin vencia o fenomenal goleiro belga Courtois. A Luz só não apagou porque o estádio é seguro e nem tudo que é sólido desmancha no ar, por maior que seja o deslocamento da massa. Se não bastasse, quiseram os deuses dos estádios que o sorteio determinasse exatamente novos dois jogos entre os dois clubes que criaram enorme rivalidade na década dos anos 1960 e decidiram a Liga dos Campeões, em Roterdã, na Holanda. Continua após a publicidade Era o Benfica de Eusébio, Costa Pereira e Coluna contra o Madrid de Di Stéfano, Puskás e Gento. O húngaro Puskás fez 1 a 0 e 2 a 0, aos 17 e 23 minutos. O capitão José Águas e Cavém empataram, aos 25 e 34, mas Puskás fez o 3 a 2, aos 38, placar do primeiro tempo. O que parecia ser noite de festa para os compatriotas de Federico Garcia Lorca acabou fazendo a alegria dos de José Saramago. Porque Coluna empatou, aos 51, e Eusébio, o moçambicano chamado de Pelé português, fez, aos 65 e 68 minutos, os gols que garantiram o primeiro título europeu ao Benfica e o 5 a 3 impediu o hexacampeonato seguido do Real, até então único campeão da Champions. O Benfica seria bicampeão no ano seguinte, quando disputou o mundial com o Santos e perdeu por 8 a 4 no placar agregado, 3 a 2, no Maracanã, e 5 a 2, na Luz, naquele que o Rei Pelé considerava o melhor jogador de que participou na carreira. Continua após a publicidade De lá para cá o Real Madrid seguiu triunfante, o mais vitorioso do futebol mundial, e o Benfica deixou de ser protagonista, a ponto de ficar por 60 anos, até agora, sem enfrentar o Madrid pela Champions. Não se discute quem é melhor, está melhor e seguirá melhor, mas esta noite em Lisboa havia uma energia nostálgica no ar, como se cessasse tudo que a Musa antiga canta porque outro valor mais alto se alevanta. Os visitantes foram melhores no primeiro tempo, criaram ao menos cinco claras chances de gol, mas nem Mbappé nem Vini estavam com a pontaria em dia; Trubin fez uma grande defesa e outra muito boa, enquanto Courtois só teve um grande trabalho. Ao fim do primeiro tempo, o Benfica havia cometido apenas uma falta, contra cinco madridistas. Já no segundo, aos 49 minutos, Vini recebeu pela esquerda, perguntou ao blogueiro quem é que estava sem pontaria, e enfiou no ângulo de Trubin depois de se livrar do zagueiro, num GOLAÇO. Então o brasileiro comemorou sambando na bandeirinha em frente à torcida organizada benfiquista, recebeu cartão amarelo por isso, e o atacante Gianluca Prestianni foi tomar satisfações, o tempo fechou e o árbitro francês chamou o protocolo antirracista porque Vini acusou o jogador ítalo-argentino de tê-lo chamado de mono, macaco em espanhol, difícil de provar porque o cara cobriu a boca com a camisa. Continua após a publicidade O que estava histórico, leal e bonito ficou horroroso e deprimente. O jogo recomeçou depois de dez minutos de paralisação e o encanto quebrou, quem torcia pelo espetáculo passou a torcer para o jogo terminar sem violência. Eu que torcia pelo Bainfica passei a ser madridista desde criancinha. Cada vez que Vini pegava na bola as vaias eram inclementes, como se fosse ele o criminoso. Ele respondia com a bola. Mourinho pôs o ex-palmeirense Richard Rios, aos 73. Por duas vezes Vini fez Trubin trabalhar e, justiça seja feita, os benfiquistas se esforçavam em busca da reação, sem apelar. Continua após a publicidade Prestianni foi sacado aos 80 e aplaudido. Eita! Aos 84, Vini fez falta em Rios, Mourinho reclamou pela apresentação do segundo amarelo, que até cabia, e foi ele quem o recebeu. Tsk, tsk, tsk. O Real cozinhava o fim de jogo, Vini desfilava maturidade e os lusitanos corriam atrás da bola. Reportagem Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash Receba novos posts de Juca Kfouri por email Informe seu email Quero receber As mais lidas agora Virginia mostra fantasia tecnológica para estreia como rainha de bateria Sabrina Sato sensualiza em fantasia decotada na Sapucaí: 'Fazer história' Iza volta à Sapucaí com novo affair para curtir a última noite de desfiles BBB 26 - Enquete UOL: quem é o favorito a vencer após a 5ª eliminação? Sexo insano: em Carnaval passado, gozei com um gostoso no camarote