Conteúdo Original
Esporte Futebol Áudio revela pressão a diretores do São Paulo por carros de luxo Pedro Lopes e Gabriel Sá Colunista do UOL e colaboração para o UOL 23/12/2025 12h05 Deixe seu comentário Carregando player de áudio Ler resumo da notícia Julio Casares, presidente do São Paulo, no jogo contra o Palmeiras, pelo Paulistão Imagem: Victor Monteiro/Ag. Estado A parceria entre o São Paulo Futebol Clube e a concessionária Osten Group ganhou destaque após a revelação da íntegra da ligação telefônica de 44 minutos entre a intermediária Rita de Cassia Adriana Prado e os diretores Douglas Schwartzmann e Mara Casares. Segundo trecho obtido pela reportagem do UOL , Rita pressionou dirigentes do clube para receber um veículo no contexto do acordo que envolvia a cessão de um camarote no Morumbis em troca de carros para uso profissional de diretores. "E como ficou o caso da Osten, Douglas? Que todo mundo recebeu o carro e eu não recebi?", questiona a intermediária em ligação. Parte da conversa foi revelada pelo portal ge e se tornou o pivô do escândalo dos camarotes que atingiu a atual gestão são-paulina. Na sequência do diálogo, a pressão é rebatida pelos dirigentes. "Eu não recebi o carro, por exemplo, eu não recebi nada", afirma Mara Casares. Douglas, por sua vez, responde: "Pera um pouquinho, quem recebeu o carro da Osten foi o São Paulo Futebol Clube". Adriana insiste: "Tudo bem, mas eu fiz o intermédio de tudo". O dirigente então eleva o tom e nega qualquer responsabilidade pessoal: "Mas de quem você tem que cobrar? De quem você tá cobrando? O que você quer que eu faça? [?] Você quer que o São Paulo te ceda o carro? [?] Quem fez a operação foi você, quem apresentou a Osten pro São Paulo foi você. Quem tinha combinado de te dar um carro na minha frente foi aquela tal de Erika (se referindo a Erika Amigo, ex-diretora de marketing e de experiência do cliente na Osten)". Alexandre Borges Havaianas: paranoia de um lado e elitismo de outro Josias de Souza Se Viviane não fosse sua mulher, Moraes pediria PF Carlos Nobre Brasil se aproxima do colapso ambiental Joyce Pascowitch A estranha solidão dos bilionários: vidas sem paz? Ligação foi pivô de escândalo no São Paulo A conversa telefônica expôs bastidores de um suposto esquema de exploração irregular do Camarote 3A do Estádio do Morumbis. No diálogo, os interlocutores tratam da utilização comercial do espaço de maneira clandestina, além de revelarem pressões para que Rita retirasse uma ação criminal que poderia expor a exploração ilegal do camarote. A divulgação do conteúdo provocou forte repercussão política no São Paulo e culminou no pedido de afastamento de Douglas Schwartzmann do cargo de diretor-adjunto das categorias de base e de Mara Casares das funções de diretora feminina, cultural e de eventos, além de seu afastamento do Conselho Deliberativo do clube. O que foi o acordo entre Osten e São Paulo? O São Paulo Futebol Clube firmou, entre abril e dezembro de 2025, um acordo comercial com a Osten Group, concessionária da BMW que atua na capital paulista, que previa a cessão de um camarote no estádio do Morumbis em troca da disponibilização de veículos para dirigentes do clube. De acordo com os termos do acordo, a Osten disponibilizou 12 veículos ao São Paulo, sendo sete blindados e cinco sem blindagem. Entre os blindados, constavam um BMW X5 50 XLINE 2025, avaliado em R$ 746.241,00, e seis unidades do BMW IX1 20 XLINE 2025, com valor unitário de R$ 366.740,00. Já os cinco veículos sem blindagem eram modelos BYD King GS 2025, avaliados em R$ 193.798,00 cada. Os usuários autorizados a utilizar os automóveis deveriam ser formalmente designados e aprovados pelo presidente do clube, Julio Casares, conforme previsto no ajuste firmado entre as partes. Segundo apuração da reportagem, Julio Casares foi o responsável direto pela distribuição dos 12 veículos dentro da estrutura do clube. Quatro carros foram designados para a presidência, dois para o departamento social, um para o setor financeiro, três para o futebol e dois para a área administrativa. A destinação dos automóveis ocorreu internamente, sem divulgação pública dos nomes dos dirigentes contemplados. Continua após a publicidade Além da cessão dos veículos, o contrato previa uma série de contrapartidas de exposição de marca à concessionária. A Osten teve direito ao uso de um camarote corporativo no Morumbis, com capacidade para 31 ingressos por partida, além de propriedades de marketing como placas publicitárias no CT da Barra Funda, exposição da marca em jogos no estádio, ações institucionais, day-use do CFA de Cotia e outras ativações comerciais vinculadas às estruturas do clube. Intermediária quis carro Na íntegra da conversa telefônica, Rita de Cassia Adriana Prado, envolvida no escândalo do camarote no São Paulo, menciona diretamente a parceria com a Osten Group em diálogo com os diretores Douglas Schwartzmann e Mara Casares. No áudio, Adriana demonstra insatisfação por não ter recebido um veículo e questiona Douglas: "E como ficou o caso da Osten, Douglas? Que todo mundo recebeu o carro e eu não recebi?". Procurada pela reportagem do UOL , a Osten confirmou que Adriana atuou como intermediária no início das conversas, mas negou de forma categórica qualquer acordo para fornecimento de veículo à empresária. Em nota oficial, a concessionária afirma que a participação de Adriana se restringiu a uma apresentação inicial entre as partes, sem qualquer tipo de promessa ou compromisso posterior. "No que se refere às negociações do contrato e à alegação da Sra. Rita de Cassia Adriana Prado de que faria jus ao recebimento de um veículo em razão de sua suposta atuação nas negociações, a Osten esclarece que a referida senhora participou exclusivamente do primeiro encontro entre representantes da Osten e do São Paulo Futebol Clube, no primeiro trimestre de 2025, limitando-se à apresentação inicial entre as partes. Em nenhum momento houve promessa, compromisso, vínculo contratual ou qualquer alinhamento, formal ou informal, entre a Osten Group e a Sra. Rita de Cassia Adriana Prado em decorrência desta parceria", diz o comunicado. O São Paulo, por sua vez, afirma que "ela (Adriana) e o Sr. Douglas Schwartzmann apenas colocaram o clube em contato com a Osten". Concessionária nega participação de Douglas Continua após a publicidade Ainda na gravação vazada, Douglas Schwartzmann rebate as cobranças feitas por Adriana e nega ter qualquer poder de decisão sobre a cessão de veículos. No diálogo, o dirigente admite ter participado de reuniões com representantes da concessionária, mas afirma que sua atuação foi limitada e sem ingerência direta no acordo. "Eu não tenho poder nenhum de mandar alguém dar o carro. Eu só vi aquele pessoal três vezes na minha vida; uma vez por Zoom com vocês, duas vezes lá no Morumbis nas reuniões e nunca mais. Essa Erika eu nunca mais vi na vida. Ela combinou uma coisa com vocês e eu cobrei ela. Ela mandou eu não me meter. Eu falei que você tava porque eu acreditei nas pessoas que você trouxe. Aquele Adriano eu falei uma vez com ele, e a Erika eu falei três vezes. Eu nunca tive relação nenhuma com eles", afirma Douglas no áudio. Em contato com a reportagem, a Osten Group afirma que Douglas Schwartzmann não participou das negociações formais do contrato. "Quanto à participação do Sr. Douglas Schwartzmann, a Osten reitera que todas as tratativas, negociações e definições relacionadas ao contrato de patrocínio ocorreram diretamente entre as áreas de Marketing da Osten e do São Paulo Futebol Clube, sem a participação do referido senhor", informou a empresa. O São Paulo, por sua vez, responde que Douglas foi quem apresentou a empresa ao clube. "Ele não ganhou um veículo, mas, por ser diretor da base, fez uso do carro que estava no departamento de futebol", afirmou o clube em resposta ao UOL . São Paulo alugou carro extra para Crespo Além dos 12 carros previstos em contrato, o São Paulo optou por alugar mais um veículo para uso do técnico Hernán Crespo, que chegou ao clube para sua segunda passagem no mês de junho. Continua após a publicidade Em nota enviada à reportagem, o clube afirma que "preferiu deixar o carro de maneira exclusiva para Hernán Crespo e, por isso, apartado do restante dos veículos que estavam na permuta". Osten encerrou contrato Com pouco mais de seis meses de duração, a parceria entre São Paulo e Osten Group foi encerrada antes do prazo inicialmente previsto. Segundo a concessionária, a decisão foi motivada pelo não atingimento dos resultados esperados em termos de exposição de marca e retorno institucional. Em nota, a Osten informou que comunicou oficialmente o clube sobre o encerramento do contrato no início de novembro. "Esclarecemos também que, diante do não atingimento dos resultados esperados em relação à exposição, a Osten decidiu pelo encerramento do contrato de patrocínio, tendo formalmente comunicado o clube em 3 de novembro de 2025, com a devolução dos veículos estabelecida no prazo contratual de 30 (trinta) dias", concluiu a empresa. O São Paulo, por sua vez, afirma que cumpriu sua parte no acordo de parceria e entende que em nenhum momento deixou de entregar as contrapartidas pré-estabelecidas Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash As mais lidas agora Internacional descarta Flamengo e encaminha venda de Vitão ao Cruzeiro PF apreende R$ 800 mil com sócia de empresa fornecedora de hospitais em GO Perto de fechar com Lodi, Atlético-MG recebe oferta do Fluminense por Arana Lyon anuncia chegada do brasileiro Endrick: 'Natal no dia 23 de dezembro' Sem filhos nem celular: o que Moraes determinou na internação de Bolsonaro