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Análise dos Times

Arsenal

Principal

Motivo: O artigo destaca o trabalho de Arteta e a evolução tática do Arsenal como parte central da análise da era pós-Guardiola.

Viés da Menção (Score: 0.5)

Psg

Principal

Motivo: O PSG é apresentado como um símbolo da nova era, com ênfase na intensidade e na obra-prima de Luis Enrique.

Viés da Menção (Score: 0.5)

Motivo: O artigo usa Guardiola como um ponto de referência, analisando o futebol que surge em sua 'era pós', sem um viés direto para ou contra ele.

Viés da Menção (Score: 0.0)

Palavras-Chave

Entidades Principais

Flamengo Chelsea Pep Guardiola Real Madrid Liverpool PSG Luis Enrique Arsenal Atlético de Madrid Bayern de Munique Inter de Milão Mikel Arteta Champions League

Conteúdo Original

Há quanto tempo você acompanha futebol? Seja pouco ou muito, todos sabemos que existe um antes e um depois de Pep Guardiola. Estamos vivendo o depois, e Arsenal e Paris Saint-Germain são os símbolos da história que jamais fica estática: evolui, apresenta novas ideias e repagina conceitos antigos. O Arsenal venceu o Atlético de Madrid por 1 a 0 em Londres, em jogo duro. Já o PSG segurou o empate em 1 a 1 com o Bayern de Munique na Alemanha após um show de gols em Paris. Arsenal é azarão diante do PSG? Veja análise da final da Champions + Leia mais sobre futebol internacional no ge O crescimento das equipes se une a outros times históricos que nasceram na esteira após o domínio da filosofia de Pep Guardiola no âmbito de clubes e seleções: de forma simplista, um jogo definido pela posse de bola como forma de domínio ofensivo e até defensivo e pela organização do campo em espaços pré-determinados, com funções específicas. Arsenal e PSG, assim como times brilhantes da última década como o Liverpool de Klopp, o Real Madrid de Ancelotti e os bons momentos de Chelsea, Inter de Milão e outros, são marcados pelo uso do campo não como algo rígido ou fixo, mas pela flexibilidade total, seja no ataque ou na defesa. 1 de 6 Mikel Arteta e Luis Enrique fazem a final da Liga dos Campeões — Foto: Jean Catuffe/Getty Images Mikel Arteta e Luis Enrique fazem a final da Liga dos Campeões — Foto: Jean Catuffe/Getty Images Times mutantes em sua identidade, equipes que se organizam em torno de muitas ideias e não mais de uma só (ou de suas variações). O trabalho impressionante (e ainda sem títulos, mas consistente) de Arteta no Arsenal bebe muito do jogo das posições de Pep ao colocar Saka e Trossard como pontas bem abertos no ataque. Eles cumprem aquele velho papel de dar amplitude ao campo. Isso até a página um. O resto do time, e os dois atacantes, bagunçam posições e se movem de acordo com o espaço, com a bola e com o adversário, tudo para se ajustar ao momento. Ben White, contratação caríssima e criticada na época, joga em alto nível pela direita: defende como lateral e apoia como meia no ataque. O Arsenal é extremamente compacto quando ataca e os zagueiros jogam quase como camisas 10, a exemplo do que Léo Pereira faz bem no Flamengo, e convenhamos, virou quase regra no futebol. 2 de 6 Arsenal: ataque compacto e mobilidade para criar chances de gol — Foto: Reprodução Arsenal: ataque compacto e mobilidade para criar chances de gol — Foto: Reprodução O lance do gol que definiu a volta do Arsenal a uma final veio assim: passe de Saliba para Gyökeres infiltrar nas costas da defesa e puxar a jogada que Saka conclui. O sueco é um centroavante que cumpre o papel de nove, sabe sair da área, abre espaços e dá assistências. Dembélé, Mbappé e Haaland, todos combinam características e mudam conforme o jogo ou o adversário. Sintoma de um futebol cada vez mais diverso. 3 de 6 Lance do gol: zagueiro que dá passe ao atacante e campo que parece ter 30 metros — Foto: Reprodução Lance do gol: zagueiro que dá passe ao atacante e campo que parece ter 30 metros — Foto: Reprodução O PSG combina tudo o que o Arsenal tem com uma marcação por pressão que faz pensar: "como eles não se cansam?". Poucas vezes nos últimos anos vimos um time tão sufocante e energético, a ponto de passar 90 minutos subindo marcação no Bayern de Munique, na Alemanha! Não existe moleza: todos sobem, sufocam, pressionam. Foi assim que a Inter de Milão caiu na armadilha e tantos outros times foram maltratados pelo finalista de tudo o que disputou na temporada. 4 de 6 A marcação sufocante e constante do PSG é de impressionar qualquer um — Foto: Reprodução A marcação sufocante e constante do PSG é de impressionar qualquer um — Foto: Reprodução É a obra-prima de Luis Enrique. Aqui, um adendo: veja o documentário do treinador em streaming. É uma aula de gestão de tempo, de pessoas e mostra que a energia de Luis é realmente verdadeira. Com a bola, o PSG usa muito do jogo de Guardiola, mas com o pé pisado no acelerador. O lance do gol é um bom exemplo: saída de três, o time todo espalhado nos espaços como manda o manual. Até Khvicha Kvaratskhelia buscar a bola lá atrás, tocar rápido e sair com metade do campo livre para cruzar e fazer a assistência. 5 de 6 Meia, volante, atacante... o ponto de desequilíbrio do PSG — Foto: Reprodução Meia, volante, atacante... o ponto de desequilíbrio do PSG — Foto: Reprodução Antes de mais nada, esse texto não está falando que Guardiola está vivendo um ocaso na carreira. Nada disso. Ele continua no topo e evoluiu seus dogmas : já venceu um Campeonato Inglês com Ederson dando chutão para Gabriel Jesus fazer casquinha, já teve De Bruyne fazendo mil coisas em campo, já montou e remontou seu time. O verdadeiro recado é que a resposta gerada para superar Pep (e tudo o que ele representa) é uma realidade. Se antes todo mundo buscava minimizar o caos com uma ideia muito bem definida ou dois jogadores bem abertos como válvulas de escape, bem, tudo isso continua hoje. Mas não há mais a busca pelo controle. Os melhores times do momento são marcados por um forte equilíbrio mental para buscar imposição em todos os momentos. É um futebol regido pela imposição, não pelo controle. Pelo ataque, não pelo domínio da posse. 6 de 6 Mikel Arteta e Pep Guardiola se encontram antes de Manchester City x Arsenal na Premier League — Foto: David Price/Arsenal FC via Getty Images Mikel Arteta e Pep Guardiola se encontram antes de Manchester City x Arsenal na Premier League — Foto: David Price/Arsenal FC via Getty Images Voltemos à pergunta inicial: há quanto tempo você acompanha futebol? Você pode ser da turma que tem como referência Zico e o Flamengo da década de 1980 ou o Telê de São Paulo. Pode ter idolatrado o Brasil de 2006 e Ronaldinho ( "com mais tempo no auge, ele seria o melhor da história" , quem nunca?). Pode ter brigado para jogar com Messi ou Cristiano Ronaldo no videogame. Ou pode ter começado agora e aprendido a temer Ancelotti e o Real Madrid. Seja lá sua idade, geração ou referências, o que vemos agora comprova o que Karl Marx disse sobre qualquer fenômeno humano: a história é cíclica. Cada geração encontra uma resposta para a geração anterior. Essa resposta passa a ser dominante e gera novos dilemas para o futuro. E tudo se repete novamente, como tragédia ou como farsa. Pois o presente é o da resposta, em campo e no jogo, à influência de Pep. Como é bom gostar de futebol, aqui e agora. E certamente no futuro.