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Rafael Guanaes relembra vida como jogador de futebol e sua construção como treinador Antes de virar o melhor técnico do Brasileirão, Rafael Guanaes calçou as chuteiras e se aventurou nos gramados e nas quadras. O treinador do Mirassol teve uma carreira curta como jogador, mas foi o suficiente para colecionar aleatoriedades e experiências pra lá de diversas. ✅ Clique aqui e siga o canal do ge Mirassol no WhatsApp Os primeiros chutes foram na escolinha de um dos maiores jogadores da história do futebol brasileiro: Roberto Rivellino, craque da lendária seleção tricampeã da Copa do Mundo de 1970. Em entrevista ao ge , Guanaes relembrou os tempos de jovem atleta. – Minha primeira experiência jogando futebol foi na escolinha do Rivellino. Morava em São Paulo, no Brooklyn, e jogava bola na rua. Depois joguei na escolinha e nas categorias de base. Comecei no Nacional Atlético Clube, em São Paulo. Nessas idas e vindas jogando em São Paulo, eu trabalhava em determinados períodos e jogava em outros – contou. Perguntado se a sua versão de jogador teria lugar no elenco do Mirassol de 2025, Guanaes bancou o "sincerão". – Sinceramente, não jogaria no Mirassol, não. De jeito nenhum (risos). 1 de 4
Rafael Guanaes em jogo entre Mirassol e Palmeiras no Brasileirão — Foto: Pedro Zacchi Rafael Guanaes em jogo entre Mirassol e Palmeiras no Brasileirão — Foto: Pedro Zacchi Veja também + Mirassol compra o meia Gabriel Pires, da Portuguesa + Sensações amarelas: Mirassol e Bodø/Glimt trocam incentivos + Paulinho recusa proposta do Cerro Porteño Guanaes no Palmeiras e nos EUA Antes de ir para a base do Nacional, o adolescente Rafael Guanaes teve uma experiência no futsal do Palmeiras. Dentre os companheiros estava o meia Taddei, que atuou no time profissional do Verdão, além de quase 300 partidas pela Roma. – Joguei futsal no Palmeiras e no colégio, mas não cheguei a ir para o campo. Foi uma experiência muito legal. Eu era juvenil, com uns 15 para 16 anos. Jogava no Palestra, vesti a camisa do Palmeiras por pouco tempo, mas foi marcante. Joguei com o Taddei, que depois foi para a Roma. Anos depois, Guanaes decidiu se mudar para os Estados Unidos para fazer faculdade e, é claro, jogar futebol. – Próximo do sub-20, fui para os Estados Unidos fazer faculdade e jogar no futebol universitário norte-americano. Eu era meio-campista e gostava muito de jogar. Quando fui, já era um jogador mais “anárquico” e imposicionável. Lá comecei a ter mais entendimento sobre funções e posições. Tinha um treinador inglês, mais rígido em relação aos aspectos táticos. Lembro de um gol de bicicleta que fiz nos Estados Unidos. Não tem vídeo, então não consigo comprovar, mas foi um golaço. 2 de 4
Rafael Guanaes jogou futebol universitário nos Estados Unidos — Foto: Arquivo pessoal Rafael Guanaes jogou futebol universitário nos Estados Unidos — Foto: Arquivo pessoal – Foi um período de muito amadurecimento. Morar fora de casa, se organizar sozinho, aprender uma nova língua e estar em contato com o meio acadêmico foi algo muito diferente da realidade do Brasil. Era uma faculdade pequena, Campbell University. Essa experiência trouxe muita lição, em relação à língua, mas também à importância do treinamento e do conhecimento que adquiri. Sempre que buscamos conhecimento e aplicamos, é muito válido. Essa vivência me trouxe base em educação física, mas principalmente em aspectos maturacionais – completou. Em entrevista ao Abre Aspas do ge , em dezembro, Rafael Guanaes também deu mais detalhes sobre a tentativa de ser jogador de futebol. — Eu sempre fui apaixonado pelo futebol. Desde pequeno, jogando, passando pelos clubes, indo a estádio, assistindo a jogos. Tive a oportunidade de ir aos EUA para jogar e estudar. Lá percebi a importância do treinamento. Convivi com pessoas de várias nacionalidades; meu treinador era inglês. Isso me aguçou muito sobre preparação. — Voltei para tentar jogar a Copa São Paulo. Fiquei nesse “pinga aqui, pinga ali”. Até que desisti: “Não vou mexer com futebol. Preciso dar uma direção para a minha vida.” Fiz vestibular para Engenharia Civil. Meu pai tinha uma empresa de tratamento de água. Pensei: “A empresa está indo bem, vou estudar para ajudar meu pai. Mas pensa num homem agoniado no escritório, durou muito pouco. A participação do meu pai foi fundamental. Surgiu uma situação nova fora de campo: parceria com clubes, pensar formação de jogador. Ele me perguntou se isso não me daria novamente vontade de estar no futebol — completou Guanaes. De jogador mediano a técnico sensação Rafael Guanaes revela que o começo como aspirante a jogador de futebol foi motivado pelo amor ao esporte. Ele reconhece, porém, que não teve um plano de carreira para construir uma trajetória dentro das quatro linhas. – Eu não tinha muito sonho (como jogador de futebol). Eu queria jogar bola. Sempre fui apaixonado por futebol. Não tive um planejamento de carreira, mas queria estar envolvido com o jogo de alguma forma. Jogava amador, depois fui para a base. Não tive sucesso, mas tive bons jogos, sim. Eu não era nível Série A, mas, se tivesse focado mais na carreira, poderia estar jogando em uma Série C ou Série B, vivendo do futebol, pelo menos. — Quando parei (de jogar futebol), foi pela frustração de não ter sequência como jogador. Muitos passam por isso: disputam um campeonato estadual, e na metade do ano o clube não tem competição, e isso desemprega muita gente. É uma realidade quase semiprofissional. A nossa realidade hoje, de Mirassol, Série A, é vivida por 4%. A imensa maioria precisa optar por outras profissões ou se aposentar mais cedo para preparar a carreira fora do campo. Comigo foi com 28, 29 anos, como acontece com muitos. 3 de 4
Rafael Guanaes vibra em vitória do Mirassol no Brasileirão — Foto: Pedro Zacchi Rafael Guanaes vibra em vitória do Mirassol no Brasileirão — Foto: Pedro Zacchi O emergente treinador do Leão destaca que a curta jornada dentro dos gramados foi bastante importante para a carreira de técnico. – Meu caminho acabou sendo perfeito, porque comecei no tempo certo e me preparei para viver o que vivo hoje como treinador. O meu negócio dentro do campo é estar liderando. Meu pai sempre disse que percebia em mim essa veia de liderança forte desde pequeno. Tudo que aconteceu dentro de campo me trouxe repertório para o que hoje consigo passar aos jogadores. – A vida como treinador veio de repente. Mas sempre estive muito envolvido com o futebol, de uma forma ou de outra. Sempre tive ligação com o campo, com o vestiário, assistindo a muitos jogos, principalmente de base. Como profissional, acompanhei alguns jogos e clubes, e isso foi me capacitando para o papel de liderança fora do campo. É claro que você precisa continuar criando repertório e buscando conhecimento sempre — não pode parar nunca. Se parar, fica para trás – finalizou. Trajetória como técnico Aos 44 anos, Rafael Guanaes está no ponto alto da sua carreira. O melhor técnico do Brasileirão 2025 foi muito além da meta de permanência do Mirassol, na primeira Série A da história do clube e dele próprio. Inspirado pela neurociência e até pelo jogo Football Manager , Guanaes começou a carreira de técnico no Joseense, em 2010. Depois, passou por União São João, São Carlos, Monte Azul, Votuporanguense, Sampaio Corrêa, Tombense e Novorizontino. Também comandou o sub-23 do Athletico Paranaense e foi auxiliar de Paulo Pezzolano no Cruzeiro, em 2022. Depois, assumiu o Operário-PR e teve um de seus grandes trabalhos. Conseguiu o acesso na Série C do Brasileiro e fez uma excelente Série B em 2024 pelo Fantasma. 4 de 4
Rafael Guanaes comandou o Operário-PR em 2023 e 2024 — Foto: André Jonsson/ OFEC Rafael Guanaes comandou o Operário-PR em 2023 e 2024 — Foto: André Jonsson/ OFEC Rafael Guanaes foi contratado pelo Atlético-GO para a temporada 2025, mas foi demitido após apenas 13 jogos. Sorte dele e do Mirassol. O novato na Série A chegou para substituir Eduardo Barroca e é o comandante da histórica jornada do time amarelo e verde da pequena cidade de 65 mil moradores na elite do Brasileirão. O Leão terminou na quarta posição com 67 pontos e garantiu a vaga direta na fase de grupos da Libertadores. Uma coisa, pelo menos, é certa: o adolescente Rafael Guanaes, do futsal do Palmeiras e da escolinha do Rivellino, estaria muito orgulhoso dos feitos conquistados pelo técnico do Mirassol.