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Análise dos Times

Palavras-Chave

Entidades Principais

Phoenix Suns Minnesota Timberwolves Miami Heat Orlando Magic Kon Knueppel Charlotte Hornets Miles Bridges Dennis Schroder Naz Reid Coby White Brandon Miller LaMelo Ball Hannes Steinbach Jeff Peterson Charles Lee

Conteúdo Original

Apesar de não ter ido aos playoffs, o Charlotte Hornets terminou a temporada passada em alta. Foram 44 vitórias, marca que veio graças a uma virada de chave tão impressionante quanto surpreendente no meio do caminho. No fim das contas, foi um salto e tanto em relação ao ano anterior, quando o time ganhou apenas 19 jogos. Ao invés de continuar o que estava sendo feito, a diretoria resolveu arriscar uma mudança. Assim, o armador LaMelo Ball foi enviado ao Minnesota Timberwolves, em uma troca que envolveu o ala-pivô Naz Reid, que já ganhou o prêmio de melhor reserva da NBA e que chega a Charlotte para ser titular. O vice presidente de operações, Jeff Peterson, chegou a afirmar que trocar Ball foi uma decisão difícil, mas que sentiu que era a coisa certa a se fazer para que a equipe pudesse aumentar ainda mais o poder de competitividade dentro do Leste. A temporada 2026/27 vai começar a responder se ele teve razão ou não. Campanha: 44 vitórias e 38 derrotas Classificação: 9° lugar na Conferência Leste No play-in: eliminado pelo Orlando Magic, depois de passar pelo Miami Heat no primeiro jogo O que aconteceu: os Hornets entraram em 2026 com 22 derrotas em 33 jogos disputados na temporada até então. Parecia que seria mais uma campanha apagada, que não iria a lugar nenhum, mas as coisas mudaram drasticamente no decorrer do ano. As lesões deram uma trégua, o time se acertou, e os resultados apareceram. O ataque, que já era acima da média, ficou ainda melhor. E a defesa, que era uma das cinco piores da liga até o fim de 2025, teve um salto e alcançou um padrão de elite. LaMelo Ball e Brandon Miller conseguiram se manter saudáveis, o calouro Kon Knueppel teve impacto imediato e Coby White chegou no meio do caminho para tornar o elenco ainda mais competitivo. No fim das contas, foram 44 vitórias. A recuperação impressionante levou os Hornets ao play-in, mas a derrota para o Orlando Magic na segunda partida impediu que a volta por cima fosse coroada com uma ida aos playoffs. Escolhas de Draft: Hannes Steinbach (ala-pivô, 14ª escolha) e Christian Anderson Jr. (armador, 18ª escolha) Quem mais chegou: Naz Reid (ala-pivô - Minnesota Timberwolves), Royce O’Neale (ala - Phoenix Suns), Grayson Allen (ala-armador - Phoenix Suns), Dennis Schroder (armador - Cleveland Cavaliers), Michael Ajayi (ala - sem time) e Kylan Boswell (armador - sem time) Quem foi embora: LaMelo Ball (armador - Minnesota Timberwolves), Miles Bridges (ala - Phoenix Suns), Josh Green (ala-armador - Utah Jazz), Tre Mann (armador - Washington Wizards) e Xavier Tillman (pivô - Trabzanspor/Turquia) Provável time titular: Coby White, Kon Knueppel, Brandon Miller, Naz Reid e Moussa Diabate Reservas: Dennis Schroder, Christian Anderson Jr., Kylan Boswell (armadores), Grayson Allen, Pat Connaughton, Sion James (alas-armadores), Royce O’Neale, Liam McNeeley, Michael Ajayi (ala), Grant Williams, Tidjane Salaun, Hannes Steinbach (alas-pivôs), Ryan Kalkbrenner e PJ Hall (pivô) Técnico: Charles Lee Existem duas maneiras de ver os movimentos recentes dos Hornets. Por um lado, LaMelo Ball nunca conseguiu levar o time aos playoffs nos seis anos desde que chegou à NBA. No melhor momento dos Hornets em todo esse período, apesar dos recordes nas estatísticas, o máximo que conseguiu foi parar no play-in, numa partida irreconhecível contra o Orlando Magic. Por outro, em uma franquia que não chega aos playoffs desde 2015/16, e que não vence uma série desde a longínqua temporada 2001/02, ter encontrado uma identidade com um elenco jovem e alcançado alguns dos melhores meses da história da NBA é algo para comemorar muito e servir como base para o crescimento nos próximos anos. Jeff Peterson, vice-presidente de operações da franquia, teve a primeira visão. E as mudanças não pararam em LaMelo: Miles Bridges também foi trocado, além de outras aquisições na free agency e no Draft, com duas escolhas de primeira rodada. O elenco, portanto, está bem modificado. Apesar do provável quinteto titular formado por White, Knueppel, Miller, Reid e Diabate ter quatro das maiores minutagem dos históricos meses no início de 2026, o impacto e estilo que LaMelo Ball imprimia ao time precisarão ser recriados ou substituídos entre os demais jogadores. Ele e Bridges eram peças de alto volume e de muita relevância na criação. Agora, Coby White e Brandon Miller precisarão liderar a criação do time, funções que não estão tão acostumados a fazer com tamanha frequência, especialmente Miller. Para ajudar nessa questão, Dennis Schroder chegou para ser um sexto homem confiável, ao mesmo tempo que tira a pressão do calouro Christian Anderson que, além da inexperiência, tem um estilo de jogo muito menos explosivo, focado nos arremesso médios e longos, sem tanta força física como outros da posição. Nos arremessos do perímetro, Ainda, os Hornets adicionaram John Bryant à comissão técnica, que passou os últimos anos no Chicago Bulls, onde trabalhou junto de Coby White. Todo esse preâmbulo leva a uma ausência de conclusão talvez um pouco óbvia: é praticamente impossível saber como a equipe será e o quão otimistas, ou pessimistas podemos ser. É claro, os Hornets quase certamente serão um time menos encantador e caótico que o do início de 2026, além de dificilmente chegarem a uma campanha acima dos 50%. A lesão na coxa de Kon Knueppel, que o tirou de toda a pré-temporada e talvez das primeiras semanas, também desanima o impacto inicial que Charlotte pode causar. Mas talento existe. Juventude, disposição e parte de um elenco histórico, também. Além disso, com as mudanças, o time tem uma das menores folhas salariais em toda a liga, com muito espaço para atrair algum jogador mais gabaritado em breve. Caberá à comissão e direção provarem que fizeram a aposta certa após tomarem um grande risco com as mudanças recentes. "Estou animado para ver o que será desta temporada. É uma oportunidade diferente. Estou em uma situação única, e uma das razões pelas quais quis permanecer aqui em Charlotte foi por entender que essa situação vai me tornar um jogador melhor. Sabia que teria um grande desafio pela frente, mas se quisesse me tornar o jogador que tanto desejo me tornar e que sonho em virar, teria que aceitar esse desafio. Por isso quis voltar. Tinha consciência de que estaria em um papel diferente dentro do time, sob mais holofotes, com mais responsabilidades sobre meus ombros. E acho que estou preparado para isso a essa altura da minha carreira sob os aspectos de maturidade, mentalidade, condição física, emocional e espiritual. Então estou muito animado para o que vem por aí." A declaração é de Coby White, que acertou uma renovação de contrato com os Hornets antes da temporada e que deverá assumir um papel maior na equipe agora, depois da troca que mandou LaMelo Ball para Minnesota. Se os Hornets são uma incógnita no quanto ao estilo de jogo e mudanças na criação de jogadas, ao menos não há muitas dúvidas quanto a qualidade do garrafão da equipe. Afinal, Naz Reid, Moussa Diabate, Ryan Kalkbrenner e Hannes Steinbach são nomes tão confiáveis quanto promissores para o futuro do time. É claro, a maneira como serão utilizados ainda será decidida e estabilizada ao longo do ano, mas os nomes são animadores. As características são variadas, e as combinações também. Naz Reid é o nome mais experiente na liga e também o mais versátil. Pode jogar tanto sozinho quanto ao lado de outro pivô. Em alguns momentos pelos Timberwolves, jogou até ao lado de outros dois pivôs simultaneamente, dividindo quadra com Randle e Gobert com sucesso. É uma ameaça no perímetro, com bom aproveitamento nos arremessos longos, mas também com capacidade de bater para dentro com a bola, e até de servir como passador na cabeça do garrafão. Se a comparação com Jokic, Sabonis e Sengun pode parecer muito dura, algo mais parecido com o que Karl-Anthony Towns fez nos playoffs pelos Knicks pode ser mais adequado - e animador. Steinbach, por outro lado, é o mais cru. Também costuma jogar ao lado de outro pivô, foi ótimo reboteiro nos anos iniciais da carreira na Alemanha e deve funcionar na NBA, embora precise de um tempo de adaptação. Já Diabate e Kalkbrenner, ambos jovens, disputam um espaço no garrafão, tal qual na última temporada. Moussa foi peça fundamental na grande defesa esquematizada por Charles Lee, com muita energia e explosão em quadra. Kalbrenner, com 2,16m e mais de 110kg, é um pouco mais fixo, mas ainda móvel para o tamanho, sendo um protetor de aro mais consistente, embora não se dê tão bem quando precisa marcar mais longe. De qualquer maneira, o treinador Charles Lee terá uma boa dor de cabeça ao imaginar o quinteto dos Hornets, que tende a ter uma minutagem bem equilibrada entre os quatro grandes, adaptando-se ao que os adversários exigem, ou a quem estiver mais quente em cada jogo. Embora tenham praticado um basquete de encher os olhos em 2026, os Hornets tinham uma grande fragilidade: ou venciam as partidas por 20, 30, 35 pontos, ou perdiam. O desempenho no clutch time foi o quarto pior em toda a liga: apenas 35% das vitórias quando a partida chegava em equilíbrio nos minutos finais. Ao longo da temporada, tiveram o terceiro melhor aproveitamento nos chutes para três pontos: 37%. No clutch time , caiu para apenas 23%. Nestes momentos, quase sempre em jogo de meia quadra com as defesas adversárias bem postadas, os Hornets não conseguiam colocar em prática seu plano de jogo. As tomadas de decisão não foram boas, acabando muitas vezes em um arremesso ruim. LaMelo, particularmente, não desempenhos regulares nestes momentos, o que pode ter contribuído para a decisão de trocá-lo. Coby White, por outro lado, foi um dos heróis do primeiro jogo do play-in, deixando uma ótima última impressão. É bem verdade que a equipe era muito jovem. Knueppel era calouro, Miller apenas na terceira temporada, Diabate e Kalkbrenner também recém-chegados à liga. Apenas Ball e Bridges eram mais experientes. Agora, estão fora. O time precisará ter mais maturidade e tranquilidade nesses momentos para conseguir subir da maneira desejada na tabela, o que também passa por um trabalho específico de Charles Lee e toda a comissão dos Hornets para melhorar o desempenho em jogos equilibrados. Com a saída de LaMelo Ball, Brandon Miller se tornou o jogador, dentre as principais peças do elenco, com mais tempo de casa. Foram três temporadas de altos e baixos para o ala, mas 2025/26 foi a mais estável: após perder as primeiras semanas até o início de novembro, disputou 65 jogos, com médias de 20,2 pontos (38% do perímetro), 4,9 rebotes, 3,3 assistências e 1 roubo em 30 minutos. Mas praticamente todo esse tempo ele teve uma instabilidade no ombro. O desfalque no início da temporada, inclusive, foi por conta de uma luxação. Assim, após a eliminação no play-in, Miller realizou uma cirurgia para corrigir o problema e está plenamente recuperado para a temporada 2026/27. Sem LaMelo, terá ainda mais responsabilidades com a bola na mão, dividindo a organização do time com Coby White e, em menor escala, com Knueppel. Só que ele nunca teve um grande destaque na função e pode ter dificuldades, ao menos no início. Ainda assim, os motivos para os torcedores ficarem empolgados com o desempenho do ala são maiores que os temores. Aos 24 anos, Miller irá para sua quarta temporada como profissional, a última do atual contrato. Grandes atuações, portanto, ganham uma motivação extra para garantir a maior renovação possível. Os Hornets não poderiam ter pedido muito mais de um calouro do que Kon Knueppel entregou na temporada passada. O ala-armador causou impacto imediato. Foram 18,5 pontos, 5,3 rebotes e 3,4 assistências em cerca de 31 minutos por partida, além de um excelente aproveitamento de 42,5% nas bolas de três. Como se não bastasse, foi o líder da NBA em acertos na temporada regular, com 273. O rendimento o colocou em segundo lugar na corrida pelo prêmio de melhor novato, atrás apenas de Cooper Flagg, do Dallas Mavericks. Mais do que isso: mostrou aos Hornets um jogador pronto para contribuir e que teve muito valor na arrancada da equipe ao longo do campeonato. Dá para se dizer com alguma tranquilidade que a marca de 44 vitórias não teria sido alcançada se o novato não tivesse ido tão bem. Diante de um primeiro ano tão bem sucedido, vale a pena prestar atenção especial nos próximos passos de uma carreira tão promissora. Vai saber o que mais pode vir por aí. Mas é importante também citar por aqui um outro jogador que deverá ter um papel crucial para o nível de competitividade dos Hornets daqui para frente: Coby White. O armador chegou a Charlotte em fevereiro e foi usado a partir do banco de reservas em todas as 21 partidas que disputou com o novo time. Suas médias neste período foram de 15,6 pontos, 3,0 assistências e 3,0 rebotes em pouco menos de 20 minutos de ação por jogo, além de um aproveitamento de 39% nas bolas de três. Foi uma boa produção, que deixou uma impressão positiva no comando da franquia. Tanto é que ele renovou o contrato com os Hornets por mais três temporadas. Só que agora as coisas vão mudar consideravelmente para White. Sem LaMelo Ball, será ele o armador titular. Os minutos e a responsabilidade pelo sucesso do time vão aumentar. A forma como ele responderá a esse desafio será crucial para as pretensões dos Hornets. 3,5 (médio para alto) - Os Hornets já foram um dos times mais legais de se ver na temporada passada, principalmente da metade para frente, na arrancada que quase culminou em vaga nos playoffs. É verdade que LaMelo Ball era um grande fator no grau elevado de entretenimento, por isso essa nota não é maior agora. Ainda assim, é de se esperar que os Hornets continuem competitivos e façam jogos divertidos de se ver com o elenco desta temporada, independentemente do adversário do outro lado. No cenário mais otimista: os Hornets seguem em um nível de competitividade semelhante ao da segunda metade da última temporada, superam a marca das 45 vitórias, avançam direto aos playoffs e podem até vencer a primeira rodada. No cenário mais pessimista: um ou dois passos atrás em relação à campanha do último ano, culminando em uma campanha com mais derrotas do que vitórias e que não leva os Hornets nem ao play-in. Clique no escudo para ler. Será publicada uma análise por dia até 19/10, véspera da estreia da NBA.