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Opinião Esporte Financiamento com regras: autorregulação à serviço do futebol brasileiro Andrei Kampff Colunista do UOL 06/02/2026 07h51 Deixe seu comentário Carregando player de áudio Ler resumo da notícia A notícia de que a CBF financiará a Série B em 2026 trouxe com ela uma cláusula que marca um divisor de águas histórico: o suporte financeiro agora tem preço, e ele se chama responsabilidade. Ao condicionar o repasse de verbas ao cumprimento estrito das novas regras de Fair Play, a entidade ataca frontalmente a cultura do "ganha de graça", tão enraizada no futebol brasileiro. É a autorregulação, finalmente, a serviço da sobrevivência do jogo. Não se trata de um debate teórico. Tenho participado de diversos eventos recentemente e insistido no mesmo ponto: a autorregulação é o único caminho capaz de proteger a autonomia esportiva. No Brasil, acostumamo-nos a ver clubes operando em um vácuo de responsabilidade, esperando que o Estado ou as federações resolvam seus rombos financeiros. A nova postura da CBF altera essa lógica. Se o esporte quer o bônus do financiamento, precisa entregar o compromisso da gestão. Desde sempre escrevo que a autorregulação não é apenas desejável, mas estratégica. Ela funciona como blindagem contra interferências externas. A intervenção do Estado é sempre uma força sensível - e muitas vezes indevida - por ignorar as particularidades do ecossistema esportivo. Ainda assim, torna-se inevitável quando as entidades se omitem. A autorregulação é o sistema jurídico privado do esporte . Thais Bilenky Lula iguala Alckmin a Alencar como vice José Fucs Por que o PT não assinou CPIs do INSS e do Master? Juca Kfouri O Flamengo e a chantagem contra tributação de clubes Marco Antonio Sabino O Supremo Tribunal das heranças e das fazendas Autorregulação, vale dizer, não é ausência de controle. É justamente o oposto. Trata-se da criação, pelo próprio sistema esportivo, de regras claras, mecanismos de fiscalização e sanções efetivas, capazes de corrigir desvios antes que eles se tornem crises institucionais. Quando funciona, preserva a autonomia do esporte e reduz a necessidade de interferências externas — muitas vezes tardias, genéricas ou desconectadas da realidade do jogo. O esporte global oferece exemplos relevantes nesse caminho. Ligas que adotaram controles financeiros rigorosos, sistemas de licenciamento de clubes e critérios objetivos de sustentabilidade conseguiram reduzir insolvências, proteger competições e dar previsibilidade ao mercado. Não são modelos perfeitos, mas demonstram que a responsabilidade não sufoca o esporte — ao contrário, cria condições para que ele cresça de forma estável e crível. No Brasil... Ao impor as regras do novo Fair Play como condição para o fomento, a CBF retira esse pretexto. Demonstra que o futebol pode - melhor, deve - ser adulto o suficiente para criar seus próprios mecanismos de controle. O mundo já tem alguns bons exemplos para se olhar, pensar e adequar. A medida anunciada vai nessa linha, não se trata apenas de dinheiro no caixa dos clubes da Série B, mas de uma mudança de mentalidade. A autonomia, garantida pela Constituição, não é um salvo-conduto para o caos. É, antes de tudo, o direito de ser livre sob regras que nós mesmos escolhemos cumprir. Se o futebol brasileiro quer ser respeitado como indústria, precisa entender que a liberdade termina onde a irresponsabilidade começa. Nos siga nas redes sociais: @leiemcampo Continua após a publicidade Este conteúdo tem o patrocínio do Rei do Pitaco. Seja um rei, seja o Rei do Pitaco. Acesse: www.reidopitaco.com.br . Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash Receba novos posts de Lei em Campo por email Informe seu email Quero receber As mais lidas agora Cinco ministros do STF aparecem como sócios de 11 empresas; saiba quais Carga mortal: fenômeno que transforma minério em líquido afunda navio Jovem acusado de matar Orelha não pode ser internado, dizem especialistas PM é preso suspeito de estuprar mulher por dívida de R$ 800 e roubá-la IPVA zerado: quem tem direito à isenção e como pedir o benefício