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Torcedor de Carteirinha: Seu Bica coleciona histórias com o São José A série Torcedor de Carteirinha conta histórias de pessoas não apenas apaixonadas pelos clubes do Gauchão, mas que contribuem como sócios há longo tempo. Nesta e nas outras reportagens serão apresentados personagens que estão entre os associados mais antigos de cada equipe. No episódio de hoje, conheça a história de Wanderley Bica com o São José. Torcer para o São José foi, antes de tudo, um encontro de destinos, Wanderley Bica , hoje com 82 anos, escolheu o clube ainda na adolescência, quando morava em Lagoa Vermelha. Conheceu o Zequinha jovem, reconheceu-se em sua história e, ali, começou a tecer um laço que atravessaria toda uma vida. Aos 14 anos, interno em um colégio do município, dividia os dias entre os estudos e as peladas com os colegas. O futebol já pulsava forte. Foi nesse tempo que o São José começou a vencer, surpreendeu, terminou em quarto lugar. As vitórias chamaram sua atenção; as cores, seu coração. — O que me interessou foi que o São José começou a vencer e terminou em quarto lugar. Peguei paixão pelo time, pelas cores dele também. Quando eu vim para Porto Alegre, em 1964, a primeira coisa que eu fiz foi me associar no Zequinha — relembra. + Confira a tabela completa do Gauchão 1 de 3
Seu Bica acompanha o São José por todo o Brasil. — Foto: André Ávila / Agencia RBS Seu Bica acompanha o São José por todo o Brasil. — Foto: André Ávila / Agencia RBS Bancário, mudou-se para a capital e se aproximou ainda mais do clube que já era casa. Desde então, passaram-se mais de seis décadas de arquibancada, estrada, alento e esperança. — Não conseguia acompanhar tanto porque tinha que trabalhar. Mas depois que me aposentei, comecei a frequentar e viajar junto com o time. Vieram as viagens — mais de 20, de ponta a ponta do Brasil. A mais longa trouxe também a alegria mais pesada na bagagem. Em 2025, no Amapá, o São José venceu o Oratório por 3 a 1, no Zerão, pela primeira fase da Copa do Brasil. — Já fui para Belém do Pará, Paraíba, Macapá… mas essa foi a viagem mais longa que fiz. E o jogo foi muito bom. O São José saiu perdendo e conseguimos a vitória por 3 a 1 — conta. 2 de 3
Na bagagem, sempre carrega a bandeira azul e branca. — Foto: André Ávila / Agencia RBS Na bagagem, sempre carrega a bandeira azul e branca. — Foto: André Ávila / Agencia RBS Entre jogos da Série D, Copa do Brasil e Gauchão, Seu Bica coleciona histórias que só o futebol é capaz de escrever. Já foi reconhecido em aeroporto, recebeu presentes de dirigentes adversários e encontrou acolhimento até em torcidas rivais. — Em Goiatuba foi algo fora de série. Eu estava sozinho, e o presidente do clube pediu para a organizada deles me ajudar a colocar as faixas. Um carinho enorme, uma gratidão também. Foi muito especial. 3 de 3
O apoio de Seu Bica ecoa o o Passo D'Areia. — Foto: André Ávila / Agencia RBS O apoio de Seu Bica ecoa o o Passo D'Areia. — Foto: André Ávila / Agencia RBS Se fora de casa o apoio é incondicional, no Passo D’Areia ele ecoa ainda mais forte. — Quando a gente grita, por exemplo, "Zeca Virus, joga, ataca e mata", a minha voz atravessa o estádio, o gramado. Eles ouvem, vêm cumprimentar a gente, antes ou após o jogo. É algo gratificante. Hoje, Seu Bica carrega apenas um desejo — simples, teimoso e eterno, como todo torcedor de verdade: — Às vezes eu estou aqui e penso: eu não morro até o São José ser campeão do Gauchão.