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Só para assinantes Assine UOL Reportagem Santos: Elano barra celular na base e vê joia com talento natural de Neymar Bruno Lima Colunista do UOL 01/10/2026 05h30 Deixe seu comentário 0:00 / 0:00 Siga o UOL Esporte no Com o seu nome marcado na história do Santos como jogador, Elano está há seis meses diante de uma nova responsabilidade na carreira: gerenciar as categorias de base do clube, um dos principais xodós da torcida. Em entrevista exclusiva ao UOL , o agora dirigente conta como tem sido a experiência e as mudanças que têm executado no departamento. Entre as ações, ele proibiu o uso de telefones celulares dentro do CT, tem orientado os garotos e seus familiares sobre as consequências da exposição excessiva nas redes sociais e, entre outros temas, disse que Kauan Basile tem o "talento natural" de Robinho, Diego e Neymar na infância. UOL: Qual avaliação você faz destes seus seis primeiros meses à frente das categorias de base do Santos? Elano: Assumir a gerência geral da base do Santos em um momento tão delicado é um grande desafio. No entanto, a minha história, o relacionamento, a proximidade com todos e o conhecimento do clube me facilitaram bastante. Isso me ajudou a conduzir as coisas do jeito que imagino e me sinto preparado. Trabalhamos evoluções táticas, técnicas e de formação, além da parte humana e de jogos. Tem sido um início bem trabalhoso, mas muito prazeroso ao ver o crescimento dos meninos com correções individuais e coletivas. Você participa diretamente dessas correções táticas e de posicionamento no dia a dia? Na minha chegada, fizemos uma apresentação para todas as comissões técnicas resgatando o que é o Santos e ouvindo o que cada profissional entendia sobre o clube. Definimos como defendemos, como atacamos e resgatamos o DNA histórico do Santos. Nas categorias de base, já somamos 740 gols nesse período. Eu participo de todas as reuniões e debates, até de pré e pós-jogos para fazer essas correções. Tatiana Farah A última cartada de Lula contra Flávio Sakamoto Post de Nikolas sobre Lula é campanha suja Josias de Souza Flávio ensaia perguntas para o púlpito vazio de Lula Matheus Pichonelli Candidatos nanicos adotam discurso de time rebaixado Elano entende que as redes sociais podem atrapalhar na formação dos jovens atletas Imagem: Reinaldo Campos/ Santos F.C. Há uma mudança comportamental grande entre a sua época como jogador de base e os meninos de hoje? A regra é clara: no CT, por exemplo, nós cortamos o uso de celular. Entrou no CT não pode usar celular. Sempre tem um espertinho que tenta nos driblar, mas é proibido. Antigamente, a gente morava em alojamento com 50 pessoas e o foco era jogar. Hoje, há uma cultura de querer postar qualquer drible ou gol de pênalti para parecer um atleta de excelência. É isso que tem sido passado para os meninos e tenho feito o inverso. Aviso aos atletas e às famílias: quando a fase é boa, a rede social é ótima; quando há um erro ou um pênalti perdido, a cobrança vem em dobro e eles não estão preparados mentalmente para essa pressão. A orientação é construir a carreira dentro de campo, não na internet. Como funciona essa restrição do telefone no dia a dia do CT? Aqui no clube, o convívio é diário. No almoço, no jantar ou no café da concentração, se tiver celular, não há diálogo. A partir do momento em que o atleta entra no vestiário, na concentração ou no CT, precisa haver descontração, alegria da convivência. Digo para eles: 'Entrou no CT, procure deixar os problemas lá fora'. Não dá para ficar no telefone faltando dois minutos para entrar em campo. Por isso, entrou no CT o celular fica guardado. O objetivo é mantê-los 100% focados no que o clube precisa e nas informações do jogo, deixando a cabeça livre para entregarem o resultado, que é primeiro passo para a formação individual deles e, consequentemente, para o coletivo. Ainda não está 100% como imagino, mas já demos passos positivos. Em partidas recentes, o Santos chegou a ter cerca de 40% dos relacionados vindos da base. Existe uma meta interna de atletas formados no clube compondo o elenco profissional? Não temos uma meta percentual engessada. Acredito que o Santos tem potencial para ter uma equipe composta majoritariamente por jogadores formados em casa. Essa mescla de jovens com atletas experientes é o que sempre deu certo na história do clube. Não é algo simples, mas o Santos talvez seja o único clube do mundo que, com um planejamento, consegue ter um time titular formado na base. Torcemos para organizar a casa, especialmente com resultados no profissional, para conseguirmos colocar cada vez mais meninos em campo. O futebol brasileiro tem pecado na formação em alguma posição específica? Acredito que alguns treinadores de base se preocupam demais com o resultado pessoal e preferem jogar por uma bola. É claro que todo time precisa ser organizado e cada clube tem seu modelo de jogo e conceito. No entanto, se você não encoraja os jogadores - independentemente da divisão ou da camisa -, você deixa de formar o atleta por completo. Quando o técnico se preocupa apenas em defender e decidir em um lance, o tempo passa e o garoto não se desenvolve, correndo o risco de perder a carreira. Podem dizer que é fácil eu falar isso por estar no Santos, mas quando fui treinador da Inter de Limeira, meu time jogava de forma ofensiva. Na base, independentemente da expressão do clube, presidentes, gestores e treinadores precisam determinar que suas equipes joguem de forma propositiva. Os times têm que se enfrentar de peito aberto, sem focar tanto no placar. A exceção é o sub-20, onde há o componente do rebaixamento e exige um cuidado maior. Nas outras categorias, precisamos propor o jogo. Só assim vamos formar laterais, pontas e meias com as características do futebol brasileiro para abastecer a seleção. O Kauan Basile gera uma expectativa em Santos parecida com a que acompanhou nomes como Diego, Robinho e Neymar na infância. Ele é realmente diferenciado? Continua após a publicidade Kauan Basile é a principal promessa das categorias de base do Santos na atualidade Imagem: Reinaldo Campos/ Santos F.C. Com certeza! Ele tem esse talento natural, assim como tinham o Robinho, o Diego e o Neymar. Isso é dele. Tenho conversado bastante com a família, especialmente com o pai, de quem sou muito próximo. Tanto que hoje o Kauan já treina no sub-15 e joga no sub-14. Já estamos fazendo essa transição porque a mudança do sub-14 para o sub-15 exige bastante do atleta. Do sub-15 para cima o nível muda: são mais duelos, exige mais força e o jogo fica mais intenso para um garoto que ainda tem 14 anos. Acredito que ele tem tudo para evoluir da mesma forma que esses grandes atletas evoluíram. O talento natural ele tem, mas agora depende muito da maturidade dele em ter a humildade de entender que precisará passar por processos e evoluir em outros aspectos. Como gestor da base, procuro sempre passar a realidade do que ele enfrentará no futuro. Ele tem entendido muito bem, é um menino com uma consciência bacana, respeitoso e que trata todos muito bem no clube. O Gabriel Bontempo tem se destacado no Santos e estreou na seleção brasileira. Você conversou com ele sobre esse momento? Não consegui conversar com ele depois da convocação por causa da correria por aqui e também porque ele estava viajando. Mas sempre digo que ele é muito talentoso e se adapta facilmente às exigências do jogo. Eu costumo brincar com ele: 'Chuta mais pro gol, cara!'. Ele finaliza muito bem com as duas pernas e, quanto mais gols fizer, mais alto será o nível dele. Reportagem Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Publicidade Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash Receba novos posts de Bruno Lima por email Informe seu email Quero receber As mais lidas agora Flaco López comemora primeiro gol pela Argentina: 'Presente da vida' Mendonça muda voto e libera post de Tabet sobre Nossa Senhora Estátua da Pedra da Feiticeira é destruída pelo fogo no litoral de SP Mexicano morre após pular sobre capô para impedir fuga de suspeitos no Rio Prêmio da Lotomania acumula e sobe para R$ 7,5 milhões; confira dezenas