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De jogador a torcedor fanático, Hélio Renner vive o Avenida todos os dias: "Tenho paixão" A série Torcedor de Carteirinha conta histórias de pessoas não apenas apaixonadas pelos clubes do Gauchão, mas que contribuem como sócios há longo tempo. Nesta e nas outras reportagens serão apresentados personagens que estão entre os associados mais antigos de cada equipe. No episódio de hoje, o destaque é Hélio Renner, torcedor do Avenida há quase 80 anos. Toda a história do Avenida passou diante dos olhos de Hélio Renner. Clube que entrou para jogar e ficou para torcer. Quase oito décadas depois do primeiro encontro, ele segue atento a tudo o que acontece no Estádio dos Eucaliptos. Faz questão de mostrar a sua cadeira, na parte mais alta da arquibancada. + Confira a tabela completa do Gauchão O corpo franzino parece frágil, mas tem força suficiente para subir até o topo. Em certos momentos cambaleia para trás. Logo retoma a escalada, num embalo da mão firme agarrada no corrimão. Em sua cadeira, toma um copo de água para recuperar o ar. Fôlego não lhe faltava na época de lateral. Aos 93 anos, o porte físico carrega a leveza do jogador de 1947. Um defensor voluntarioso, incansável na correria do jogo, uma formiguinha a serviço do coletivo. – Éramos uma rapaziada nova. Queríamos uma oportunidade que o Santa Cruz não nos daria, que era um clube mais tradicional. Aquela questão do desafio. Todo o jovem tem essa vontade de ser desafiado, vencer o desafio. Tudo isso apesar do meu pai ser conselheiro do Santa Cruz, e meu tio era presidente do Santa Cruz. Vestiu a camisa alviverde como profissional entre 1951 e 1952. Se em tempos atuais a vida de um jogador do Interior passa longe do glamour, sete décadas atrás era dura como tronco de eucalipto. O dinheiro era minguado. Em busca de ocupação mais rentável, deixou a cidade. 1 de 2
Hélio Renner tem dedicado sua vida ao Avenida de Santa Cruz. — Foto: Jeff Botega / Agencia RBS Hélio Renner tem dedicado sua vida ao Avenida de Santa Cruz. — Foto: Jeff Botega / Agencia RBS Fora das quatro linhas, prosperou. Em Porto Alegre, um fio de 150 km o prendia ao Avenida. A relação com o clube não era financeira. Era um amador na acepção da palavra, aquele que ama. Na Capital virou representante do clube. – Fui o primeiro Cônsul do Avenida em Porto Alegre junto à Federação. Era encarregado de encaminhar contratos de jogadores e técnicos – explica. A vida profissional prosperou fora das quatro linhas. A relação com o Avenida também. A cada partida nos Eucaliptos, aquele fio era puxado. Lá estava Hélio nas arquibancadas, pronto para mais uma peleia. Muitas vezes viajou acompanhado, na ida ou na volta. Como quando um pacote de juvenis do Inter desembarcou no clube. – Viajava com prazer. Foram 10 jogadores juvenis do Internacional. Veio o Flecha, o Caio. Bons jogadores. Alguns moravam em Porto Alegre. No retorno, eu levava eles junto comigo. Retornou para casa no fim dos anos 1990, após se aposentar. Dedicou-se a espalhar o Avenida pela família. Um filho e um neto sentam ao seu lado cada vez que o time entra em campo. E se tem jogo do Avenida, tem Hélio no seu lugar cativo. 2 de 2
Hélio Renner espalhou seu amor ao clube para a família. — Foto: Jeff Botega / Agencia RBS Hélio Renner espalhou seu amor ao clube para a família. — Foto: Jeff Botega / Agencia RBS Seu bisneto, neto de outro filho, exige um esforço hercúleo. Prefere a raquete à bola e, por ora, pouco se interessa pelo Nida. O que não arrefece o seu esforço pela conversão. Conselheiro mais antigo do clube, vive o mesmo entusiasmo da primeira vez no Estádio dos Eucaliptos. – Tenho a mesma sensação que tive quando iniciei a participação no Avenida. Tenho paixão pelo Avenida. Pela camisa do Avenida, pela torcida do Avenida. É inato em mim. Encerrada a entrevista sob o sol do meio-dia, Hélio se apoia para se levantar e iniciar a descida da arquibancada. – Hoje é fácil, difícil é em dia de jogo que tem de desviar das pessoas. Em quase 80 anos nos Eucaliptos, subir e descer as arquibancadas nunca pesou. O peso sempre foi estar longe. Neste mês de fevereiro, o foco é torcer para que seu time do coração saia do quadrangular do rebaixamento garantido na Série A em 2027.