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Em 1999, Fla e Flu fizeram um jogaço pelo troféu São Sebastião Flamengo e Fluminense tiveram vários jogadores em comum na história e compartilharam interesses em jogadores, disputando contratações em alguns momentos. O centroavante Pedro é cria da base tricolor. O lateral-esquerdo Ayrton Lucas também passou por Xerém. Renê, lateral do Flu, já vestiu rubro-negro. São muitos os exemplos, mas você sabia que os rivais cariocas já tentaram contratar o gênio holandês Johan Cruyff? + Flamengo diminui número de atletas na base, admite abrir mão de títulos e foca em criar talentos Cruyff foi uma das figuras mais relevantes da história do futebol porque transformou o jogo tanto dentro quanto fora de campo. Como jogador, foi o grande símbolo do "Futebol Total". Unindo técnica, inteligência tática e mobilidade, ele levou o Ajax e a seleção holandesa a novo patamar nos anos 1970. Como treinador, sua influência foi ainda mais profunda: no Barcelona, implantou uma filosofia baseada em posse de bola, jogo ofensivo e formação de jogadores que moldou gerações e serve de base para o estilo do clube até hoje. Mais do que títulos, Cruyff deixou um legado de ideias que redefiniram a forma de pensar e jogar futebol no mundo. + Canobbio mira títulos no Fluminense e se anima: "No Uruguai, quando falam de clássico, falam de Fla-Flu" O holandês não chegou a ser disputado por Flamengo e Fluminense , mas entrou na mira dos dois clubes em momentos diferentes no século passado. Os rivais cariocas se enfrentam neste domingo, às 18h, pela quarta rodada do Campeonato Carioca, no Maracanã. Cruyff no Brasil a convite do Fluminense Em 1976, o craque do Barcelona visitou o Brasil pela primeira vez a convite do Fluminense , que foi um dos patrocinadores da viagem. Carrasco da seleção brasileira na Copa de 1974, Cruyff veio ao país do futebol para dois amistosos, um em São Paulo e outro no Rio de Janeiro. O holandês jogou por um combinado de atletas estrangeiros contra um combinado de jogadores de times cariocas e paulistas. Por trás do convite, o Fluminense tinha outra intenção: convencer Cruyff a vestir a camisa tricolor na temporada seguinte, ao lado de Rivellino, na busca pelo tricampeonato Carioca. O clube tricolor deixou o astro à vontade e fez com que ele se conectasse ao Rio em uma viagem divertida. Em abril do ano seguinte, o contrato do jogador com o Barcelona terminaria, e o Flu estaria a postos para recebê-lo. Francisco Horta, presidente do clube na época, foi quem articulou o plano. 1 de 3
Ex-presidente do Fluminense Francisco Horta mirou contratação de Cruyff — Foto: Arquivo O Globo Ex-presidente do Fluminense Francisco Horta mirou contratação de Cruyff — Foto: Arquivo O Globo Um ano antes, o Fluminense foi jogar um torneio em Paris, e Horta viu Cruyff jogar pelo PSG in loco. O meia-atacante tinha sido emprestado pelo Barcelona por dois jogos para o clube francês, recém-fundado. Ali, o presidente tricolor alimentou a esperança de que também poderia ter o craque. As conversas pela vinda ao Brasil começaram naquele momento. — Sou um profissional do futebol e é dele que eu vivo. Se receber uma proposta que compense minha saída da Europa, onde além de jogar tenho inúmeros negócios e acertos publicitários, não terei a menor dúvida em vir para o Brasil — disse Cruyff depois de desembarcar no Galeão. 2 de 3
Cruyff veio ao Brasil em 1976 a convite do Fluminense — Foto: Arquivo O Globo Cruyff veio ao Brasil em 1976 a convite do Fluminense — Foto: Arquivo O Globo O primeiro amistoso entre “Brasileiros x Estrangeiros” foi disputado no Morumbi e terminou empatado por 1 a 1, com gols de Cruyff e Toninho. Três dias depois, no Maracanã, o combinado brasileiro venceu por 2 a 1, com gols de Rodrigues Neto e Ziza — o argentino Doval descontou para os estrangeiros. Cruyff deixou o país no mesmo dia e não voltou no ano seguinte para defender o Fluminense . Flamengo busca um "substituto" para Zico Na década seguinte, uma das mais vencedoras da história do Flamengo , o clube mirou a contratação de Johan Cruyff para o time de Zico e companhia. No fim de 1980, o então presidente Márcio Braga planejava contratar um craque para manter o público rubro-negro motivado. Isso porque Galinho e outros jogadores, como Júnior, desfalcariam o Fla várias vezes para servir a Seleção. 3 de 3
Cruyff foi o destaque da Copa do Mundo de 1974 — Foto: Werner Baum/picture alliance via Getty Images Cruyff foi o destaque da Copa do Mundo de 1974 — Foto: Werner Baum/picture alliance via Getty Images Aos 33 anos, Cruyff entrou na mira do Flamengo quando estava no Washington Diplomats, dos Estados Unidos. Márcio Braga queria contratá-lo para defender o clube carioca em 1981. O presidente havia combinado uma conversa por telefone com o jogador. Ele estava disposto a ouvir, mas não muito animado com a ideia de jogar no Brasil. Na visita ao país anos antes, a mídia havia publicado que a esposa do holandês não teria curtido o Rio de Janeiro. — Ele pediu uma quantia muito acima do que podemos pagar. Mas também não ficou acertado o tempo de contrato — declarou o então vice-presidente do futebol do Flamengo , Eduardo Motta, ao Jornal do Brasil em outubro de 2020. A conversa não se concretizou, e Cruyff decidiu voltar à Europa em 1981 para defender o Levante, da segunda divisão da Espanha. Sem o craque holandês, o Flamengo voou e foi campeão da Libertadores e do mundo com o time comandado por Zico, o craque brasileiro cria da base do Fla.