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Lucas di Grassi fala sobre Allan McNish, novo diretor da Audi: "Muito qualificado" Novo diretor de corridas da Audi, Allan McNish passa a ser uma espécie de braço-direito de Mattia Binotto , chefe da equipe de Gabriel Bortoleto na Fórmula 1. O escocês por muito tempo dividiu as pistas com outro brasileiro: Lucas di Grassi , piloto da Lola na Fórmula E. Ao ge , di Grassi avaliou a nova função do escocês na equipe e apontou a experiência como maior atributo do gestor. Acesse o canal de automobilismo do ge no WhatsApp Bortoleto elogia novo diretor da Audi: "Mentalidade vitoriosa" Análise: "Prata da casa" é solução ideal para momento de Bortoleto e Audi 1 de 6
Lucas di Grassi celebra vitória pela Audi com Allan McNish, no ePrix de Zurique de 2018 — Foto: Alastair Staley/LAT Images Lucas di Grassi celebra vitória pela Audi com Allan McNish, no ePrix de Zurique de 2018 — Foto: Alastair Staley/LAT Images Di Grassi e McNish competiram pela Audi em provas de endurance, no início da década passada. Depois, quando se aposentou das pistas, o escocês passou a chefiar o brasileiro na Fórmula E também pelo time alemão. Ambos conquistaram juntos o título de construtores da categoria, na temporada 2017-18. A parceria no campeonato 100% elétrico durou até 2021, quando a Audi saiu da competição. O tempo, porém, foi suficiente para Di Grassi conhecer bem as principais qualidades de McNish. – O Allan tem ótimas características para o cargo. Ele não acabou substituindo ninguém, eu acho que é difícil comparar. Também não sei quais são as funções específicas. Qual tipo de decisão ele pode tomar ou não como diretor de corrida dentro da equipe. Isso aí não está muito especificado. Ele pode ter qualquer título, né? É difícil saber – ponderou, antes de acrescentar: – Mas o Allan é um cara muito qualificado, ele entende muito de automobilismo, de um lado geral, do que muita gente que entrou agora na Fórmula 1. O Allan está há 30, 40 anos no automobilismo, então ele sabe o que está fazendo. 2 de 6
Allan McNish e Lucas di Grassi correram em Le Mans pela Audi, em 2013 — Foto: Alastair Staley/LAT Images Allan McNish e Lucas di Grassi correram em Le Mans pela Audi, em 2013 — Foto: Alastair Staley/LAT Images McNish venceu três vezes as 24h de Le Mans e foi campeão do Mundial de Endurance, da Federação Internacional do Automobilismo (FIA WEC). Ele também correu na F1 pela Toyota, na temporada 2002. Na visão de Lucas di Grassi, tamanha diversidade de categorias é um trunfo - e o brasileiro comparou a responsabilidade do escocês à de dirigir uma equipe de futebol. – Ter passado por várias categorias e conhecer a fundo o automobilismo, isso é o mais importante. É um esporte muito específico, é difícil você pegar um cara e falar: "Agora você vai ser técnico do Flamengo"; precisa saber não só da parte de treinamento, mas de tática, de jogo, de experiência motivacional etc. Ser Racing Director (diretor de corrida) de uma equipe é a mesma coisa. – Você ser Team Principal (chefe de equipe) é um outro tipo de cargo, muito mais técnico. Precisa tomar uma decisão técnica de desenvolvimento, de budget (orçamento). A parte de Racing Director é um cargo muito mais efetivo de quem entende, quem passou por esses caminhos que o Allan passou. Vai ser muito interessante para ele, eu tenho certeza – acrescentou. 3 de 6
Bortoleto não correu na China após problema com carro da Audi, antes mesmo da largada — Foto: Lars Baron/LAT Images Bortoleto não correu na China após problema com carro da Audi, antes mesmo da largada — Foto: Lars Baron/LAT Images Com o novo cargo, McNish passa a acumular funções dentro da Audi: ele também é o responsável pelo programa de jovens pilotos da equipe. E apesar do protagonismo de Bortoleto diante do público, Di Grassi crê que o trabalho de McNish terá efeito na equipe em geral e aposta que o escocês será capaz de reduzir erros dentro do time. – Ele vai agregar para a equipe. Vai tomar melhores decisões, estar em melhor condição. Vai ter boa capacidade de gerir a equipe, tem experiência. Isso, consequentemente, vai melhorar a equipe e o Bortoleto junto. Mas acho que, especificamente para o Bortoleto, não. Porque é um cara que vai estar mais em contato com os engenheiros, não direto com os pilotos. Não é uma coisa que você fala com o piloto. O diretor esportivo, até no briefing , ele vai reclamar na FIA se houve uma fechada, digamos assim, alguém fechou o Bortoleto na pista, ele vai lá e fala, no regulamento não pode fechar nesse pedaço da pista, ou dessa forma. Ele pode passar alguma experiência pra ele, que eu acho que já estava passando – analisou. Na conversa com o ge , Di Grassi também falou sobre outros assuntos, como os polêmicos motores do atual regulamento da Fórmula 1 e o futuro da carreira. Veja outros trechos da entrevista: ge: Você acha que a Audi é capaz de atingir o plano de brigar no topo do grid em cinco anos? Lucas di Grassi: É difícil saber em cinco anos se a Red Bull vai estar brigando pelo topo. É difícil saber em cinco anos se a Ferrari vai estar brigando pelo topo. É uma pergunta difícil. A Audi, se continuar com a dedicação e com o tipo de trabalho que eles têm feito, e principalmente com o investimento que tem sido feito por trás, tem total chance de estar brigando no topo. Com certeza melhor do que eles estão hoje. Como eles estão hoje, de novo, já perto dos top 10, eu acho que pode sim, a não ser que tomem uma decisão errada, que sigma uma linha muito errada. Acho que vão estar brigando, sim, por posições melhores. Difícil falar no topo, mas ali pelos top 3, top 5, acho que sem dúvida. ge: Recentemente, você classificou o motor da F1 como um retrocesso. Por qual motivo? A parte elétrica é a grande questão desse ano, parece um pouco desconjuntado... LdG: Vamos separar, para não ter confusão. O motor é o motor a combustão. O trem de força engloba o motor elétrico, a bateria, o câmbio e o diferencial. São duas coisas separadas. Não é minha opinião, o motor é um retrocesso. Se você acha que o desenvolvimento de tecnologia é algo que é um avanço, um retrocesso é quando a tecnologia volta para trás, quando o motor fica pior do ponto de vista de tecnologia do que ele esteve no passado, que é o caso atual. O motor está menos eficiente, mais simples, tiraram taxa de compressão, entre outras coisas. Essa opinião é minha, mas também é do Ricardo Penteado, que é chefe do desenvolvimento de motor (na Audi), trabalhou com motor na Fórmula 1 há 20 anos, ele acha a mesma coisa, e quem você pergunta no meio também acha isso. LdG: Agora, a parte elétrica é um avanço grande. O motor sai de poucos kW para 350 kW. Agora engloba 50% do trem de força em termos de potência total. Então, é um avanço do ponto de vista do híbrido, da parte de hibridização do powertrain . Então, o carro fica mais eficiente porque você colocou um motor mais eficiente, que é o elétrico, com mais potência e diminuiu na combustão. 4 de 6
Gestão de energia tem sido maior reclamação dos pilotos da F1 2026 — Foto: Clive Mason/Getty Images Gestão de energia tem sido maior reclamação dos pilotos da F1 2026 — Foto: Clive Mason/Getty Images LdG: Se está descompassado, o adjetivo que você usou, claramente não. É um sistema supereficiente, superdesenvolvido, supercomplexo, diminuiu em quase 50% o uso de combustível da época que eu corria. A gente tinha um tanque de combustível de 150 kg, agora o tanque está 100 kg e o carro está mais rápido. Então, é um avanço tecnológico brutal do powertrain , do trem de força inteiro, do que era no passado para agora. ge: A Fórmula E vai estrear o GEN4, carro da nova geração. Você acha que ele muda o patamar da categoria? LdG: Sem dúvida, é um carro 10 segundos mais rápido, com 850 cavalos, feito para ter performance também. Não é feito para ser elétrico, vai estar bem próximo ali do Fórmula 2, se não estiver mais rápido, e a tendência é cada vez ficar mais rápido. A tendência é ficar cada vez mais rápido até o momento que passe a Fórmula 1 em potência completa. Então, eu acho que o GEN4 é um passo bem grande nessa direção. Falta ainda? Está igual ao Fórmula 1? Não está. Mas é um passo. O Fórmula E atual está em um nível de velocidade, em termos de velocidade e tempo de volta, perto do Fórmula 3. Lucas di Grassi fala sobre reta final da carreira e pensa em cargo de chefia ge: Você está com 41 anos de idade. Vai dar uma de Fernando Alonso, correr até os 50? E pensa em ser chefe de equipe um dia? LdG: Não quero correr até os 50. Inclusive, na minha cabeça eu não ia correr nem até os 40, então eu já estou fazendo hora extra como piloto no automobilismo. Não que eu não goste, eu estou gostando, obviamente, me divirto na Fórmula E, mas em algum momento vai ter que ser tomada essa decisão. Sem dúvida, eu prefiro agregar mais valor num cargo executivo dentro de uma equipe do que voltar para o Brasil para correr, ou ir correr de GT, ou ir correr de Stock Car. Não é esse o meu futuro. Eu prefiro muito mais um cargo na FIA, por exemplo, no futuro. Faz muito mais sentido para o que eu gosto e consigo melhorar. LdG: Agora, quando eu vou tomar a decisão, deve ser nas próximas semanas. Devo sentar com a equipe e conversar para ver exatamente qual é o nosso programa com o carro, qual é o nosso programa de futuro com a própria Lola, para poder tomar essa decisão com mais assertividade. Mas não vai demorar muito tempo, por mais que eu possa ficar mais um ou dois anos no máximo. Se eu parar amanhã também, eu já estou bem tranquilo, porque eu já fiz muita coisa no automobilismo. Ter saído de Itu, no interior de São Paulo, para fazer o que a gente fez até agora... estou mais do que satisfeito. Primeiro, estar em um pedaço só, isso aí já é uma vantagem (risos). E segundo, ter corrido de Fórmula 1, de Le Mans, Fórmula E, Stock Car, GT. 5 de 6
Lucas di Grassi foi piloto da estreante Virgin na F1 2010 — Foto: Vladimir Rys/Bongarts/Getty Images Lucas di Grassi foi piloto da estreante Virgin na F1 2010 — Foto: Vladimir Rys/Bongarts/Getty Images ge: Prefere ser chefe na Fórmula E? LdG: O que faria muito mais sentido seria na Fórmula E, porque como eu comecei a categoria, eu estou desde o dia zero, eu estou há 14 anos lá. Eu acho que onde eu agregaria mais valor seria na Fórmula E, mas eu não descarto fazer igual ao meu companheiro, o Jérôme d'Ambrosio, que correu comigo e agora é Deputy Team Principal (chefe de equipe adjunto) do (Fred) Vasseur na Ferrari. Eu acho que dentro do automobilismo, poderia agregar em vários lugares, mas acho que o natural, talvez para a transição, seria ficar na Fórmula E. Eu acho que é onde eu tenho o maior conhecimento, é onde eu poderia agregar mais. 6 de 6
Infos e horários GP de Miami de F1 — Foto: Infoesporte Infos e horários GP de Miami de F1 — Foto: Infoesporte