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Só para assinantes Assine UOL Reportagem Esporte Técnico da Noruega 'estreou' antes do tempo e ajudou a vencer Brasil em 98 Julio Gomes Colunista do UOL, em Dallas (EUA) 03/07/2026 05h30 Deixe seu comentário Solbakken comanda vitória da Noruega contra Senegal na Copa do Mundo de 2026 Imagem: Richard Sellers/Allstar/Getty Images Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Stale Solbakken, atual técnico da Noruega, já ajudou a vencer a seleção brasileira, adversária no próximo domingo. O jogo de oitavas de final da Copa é tratado como o "maior da história do esporte da Noruega", um país que foi o líder no quadro de medalhas das últimas quatro edições e que tem o maior número de medalhas de ouro da história dos Jogos Olímpicos de Inverno. Mas futebol é futebol. Até este Mundial, o grande momento futebolístico da nação viking havia sido a vitória sobre o Brasil, de virada, na fase de grupos da Copa de 98. E foi neste jogo que 'começou' a carreira de Solbakken. Ele era um meio-campista, reserva daquele time, e estava no banco do que ficou na história (deles) como a "Batalha de Marselha". Em determinado momento da partida, a Noruega perdia por 1 a 0 e estava sendo eliminada da Copa. O técnico era Egil Olsen, reconhecido até hoje como o treinador mais influente e importante da história do país. Ele ia colocar em campo o rápido atacante Egil Ostenstad, que hoje cuida da parte financeira do "império Haaland". Josias de Souza Zonzo, Flávio oscila entre autofagia e a trumpfobia PVC CR7 fica na Copa atrás de seus recordes Casagrande Como parar Haaland, um atacante 'muito cruel' Sakamoto Eleitores cruciais compram versão de Michelle Mas Solbakken, o atual treinador, não se conformou com o que estava vendo. Gritou para Nils Johan Semb, então auxiliar técnico: "Precisamos de alguém para receber a bola na área!". Ele gritou para que fosse colocado em campo Jostein Flo, o irmão mais velho de Tore André Flo, que já estava em campo. Jostein Flo tinha 1,92 m, jogava pelos lados, mas também dentro da área. Costumava ser um bom escorador de bolas para quem pudesse finalizar, no que ficou conhecido na Noruega como o "Flo Pass" - ou o "passe do Flo". O auxiliar levou a mensagem para Olsen, que concordou com Solbakken. Jostein Flo nem havia aquecido, tirou o colete e foi logo a campo. A dinâmica do jogo mudou totalmente, a Noruega começou a trazer problemas para o Brasil com os grandões na área, Tore André Flo empatou o jogo e depois levou o pênalti do puxão da camisa, cometido por Júnior Baiano. Assista aos jogos da Copa ao vivo no SBT pelo UOL Play. Assine agora a partir de R$ 14,90/mês Veio a virada e o maior momento do futebol norueguês. "Foi a primeira genialidade dele como técnico", conta Trond Johannessen, jornalista do "Verdens Gang" e que cobriu aquele jogo em 98. Em uma entrevista anos depois ao mesmo jornal, o técnico Olsen confirmou a história. "O Stale foi fundamental para o que aconteceu, quando decidimos colocar o Jostein Flo em vez do Egil Ostenstad. Foi basicamente ideia dele, não minha". Aquela noite que virou até uma peça de teatro de sucesso, encenada entre 2010 e 2012: "Norge - Brasil, Ein fotballopera" (uma ópera sobre futebol). A peça tratava de uma noite interminável, em que pessoas cantaram durante toda a noite, abraçaram estranhos e se banharam nas fontes públicas do país. "Tudo era possível naquela noite", diz o resumo. Na peça, é citada em uma cena a "intervenção" de Solbakken, que acabou ajudando na virada da Noruega. Continua após a publicidade A carreira do então meio-campista acabou em 2001, quando aos 33 anos ele sofreu um ataque cardíaco em um treino do Copenhague, da Dinamarca, clube que defendia. O médico Frank Odgaard prestou os primeiros socorros, mas o coração de Solbakken parou e, quando a ambulância chegou, ele foi declarado morto. Sete minutos depois, no caminho para o hospital, ele "renasceu". Descobriu-se que um problema no coração havia causado o ataque, ele colocou um marcapasso, sobreviveu, se aposentou dos gramados e logo começou a carreira de treinador. Como técnico, ele teve duas passagens longas pelo Copenhague (2006 a 2011 e 2013 a 2020), com oito títulos dinamarqueses e quatro Copas nacionais, sendo eleito por um júri de 38 especialistas o maior técnico da história da liga da Dinamarca. Em dezembro de 2020, foi chamado para tentar levar a Noruega de volta a uma Copa do Mundo. Falhou nas tentativas para 2022 e para a Euro 2024, mas foi mantido no cargo e agora está a um jogo de colocar a seleção de seu país pela primeira vez entre as oito melhores do mundo. Reportagem Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis. 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