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Dono de uma das melhores defesas ao longo da década na NBA , o Orlando Magic quer recuperar o posto após uma temporada de instabilidade. Para isso, mantiveram o elenco que conseguiu colocar em prática uma das marcações mais agressivas em toda a liga, mas mudaram o técnico para corrigir graves problemas no ataque, sem perder a preocupação com o outro lado da quadra.
E junto da chegada de Sean Sweeney ao comando, a grande pergunta para o Magic na temporada é: Paolo Banchero e Franz Wagner finalmente conseguirão jogar bem juntos ou chegou a hora de separar a dupla?
Campanha: 45 vitórias e 37 derrotas
Classificação: 8º lugar na Conferência Leste
Nos playoffs: eliminado pelo Detroit Pistons por 4 a 3 na primeira rodada; no play-in, perdeu do Philadelphia 76ers no primeiro jogo, mas ganhou do Charlotte Hornets no segundo
O que aconteceu: o Magic teve um bom início de temporada regular, principalmente no mês de novembro. Apesar das atuações abaixo da expectativa de Desmond Bane, principal reforço da temporada, Franz Wagner teve grandes atuações, e a equipe chegou a ficar em quarto lugar do Leste por algum tempo. Mas logo o alemão e Jalen Suggs se machucaram, e o desempenho do time caiu. Mesmo com o retorno de parte dos lesionados, a baixa eficiência nos dois lados da quadra deixou o time instável no início de 2026. A partir de março, porém, os resultados voltaram a aparecer, e o Magic chegou até a figurar na zona de classificação direta aos playoffs. Na última rodada, porém, caiu para o play-in. Por lá, perdeu para os 76ers no primeiro jogo, mas atropelou os Hornets no segundo. Nos playoffs, chegou a abrir 3 a 1 contra os Pistons na primeira rodada, mas Franz Wagner se machucou novamente, e Orlando levou a virada.
Escolhas de Draft: Izaiyah Nelson (ala-pivô, 51ª escolha)
Quem mais chegou: Nikola Vucevic (pivô - Boston Celtics), JD Davison (armador - Houston Rockets) e Kevin Knox (ala - sem time)
Quem foi embora: Moritz Wagner (pivô - Brooklyn Nets) e Jett Howard (ala - Dallas Mavericks)
Provável time titular: Jalen Suggs, Desmond Bane, Franz Wagner, Paolo Banchero, Wendell Carter Jr
Reservas: Anthony Black, Jevon Carter, JD Davison (armadores), Jase Richardson (ala-armador), Tristan da Silva, Jamal Cain, Noah Penda, Kevin Knox (alas), Jonathan Isaac, Colin Castleton, Izaiyah Nelson (alas-pivôs), Goga Bitadze e Nikola Vucevic (pivôs)
Técnico: Sean Sweeney
Algumas franquias ficaram marcadas nos últimos anos por viverem o “marasmo do play-in”. Longe de serem ruins para ficarem no fundo da tabela, também não conseguiam fazer frente aos times de cima. Os maiores exemplos foram Chicago Bulls, Miami Heat e Atlanta Hawks.
Mas o Magic vive algo semelhante, embora levemente mais glamouroso: até vai aos playoffs, mas sempre cai na primeira rodada. Em 2026, de maneira mais trágica, após abrir 3 a 1 contra o Detroit Pistons e derreter na reta final, especialmente no Jogo 6, quando tinha 24 pontos de vantagem no terceiro período, mas erraram 23 arremessos seguidos e tomaram a virada.
Diante da apatia na reta final da temporada, a solução encontrada pela diretoria foi trocar o comando técnico: saiu Jamahl Mosley, e chegou Sean Sweeney, ex-assistente técnico de San Antonio Spurs e Dallas Mavericks. O jovem treinador terá a dura missão de, além de mudar os ânimos da franquia, remontar uma boa defesa e, principalmente, encontrar uma solução para encaixar Paolo Banchero e Franz Wagner.
A dupla segue sem conseguir colocar em prática o potencial que suas habilidades individuais, em tese, o permitiriam juntos. Além do mais, as estatísticas indicam que o Magic joga melhor com apenas um deles em quadra, independente de qual seja o desfalque. É bem verdade que nos últimos dois anos cada um deles teve uma grave lesão, que impediu um entrosamento ideal.
Ainda assim, o sentimento é de última chance para a dupla. Ambos estão de contrato garantido por várias temporadas, então não há pressão por renovação, mas sim por desempenho. A aposta da diretoria é justamente contar com ambos saudáveis, diante de um novo técnico, para azeitar a engrenagem.
Isso porque o elenco é praticamente o mesmo. JD Davison, Kevin Knox, e até mesmo Vucevic, muito identificado com a franquia, mas já nos últimos momentos da carreira, não alteram o patamar do time. Tampouco as saídas, uma vez que Mo Wagner, irmão de Franz, já foi muito importante, mas terminou a temporada passada praticamente sem jogar.
Cabe, então, a Sweeney e comissão técnica retomar a boa defesa, encontrar um estilo ofensivo e, principalmente, um novo ambiente para Orlando encontrar um caminho com seus astros e, quem sabe, vencer uma série de playoffs pela primeira vez desde 2009/10.
"Minha principal meta nesta temporada, além de vencer a Conferência Leste, é dominar a quadra em todas as partidas. É preciso ser agressivo no ataque e encarar cada um dos jogos com a mesma mentalidade, com o mesmo nível de intensidade e foco. Acho que o ano passado teve altos e baixos. Então acho que agora a chave é manter essa consistência."
Foi isso o que o ala Paolo Banchero falou ao ser perguntado sobre os planos para a temporada.
Após três temporadas consecutivas parando na primeira rodada dos playoffs, o Magic trocou o treinador Jamahl Mosley por Sean Sweeney. Aos 42 anos, ele terá a primeira chance como treinador principal, após uma larga experiência como assistente. Membro de comissões desde 2013, quando tinha apenas 29 anos, chegou às Finais em 2024, com os Mavs, e em 2026, com os Spurs.
Reverenciado por ajudar a montar grandes defesas, precisará fazer Orlando voltar a ser um dos destaques no quesito, posto que a franquia perdeu na última temporada. Além disso, terá a difícil missão de finalmente encontrar um encaixe para Paolo Banchero e Franz Wagner, ou, ao menos, escolher com qual dos dois deseja ficar.
Para isso, ele precisa de maior estabilidade no departamento médico da organização. Afinal, por conta das lesões, o trio Banchero-Wagner-Bane jogou apenas 24 partidas juntos na temporada regular, além de quatro nos playoffs. Se adicionarmos Jalen Suggs à análise, o número cai para apenas 11 jogos com todos em quadra.
De qualquer maneira, Sweeney é a grande novidade da equipe, que perdeu a identidade ofensiva construída nos anos anteriores e segue com dificuldades para desenvolver um bom ataque.
O pior cenário possível para o Magic, dentre os que não envolvem lesões, é manter as coisas como estão. Já é hora da franquia conseguir, ao menos, descobrir um norte com Paolo Banchero e Franz Wagner. Caso contrário, escolher com qual vai ficar. E por mais que o preterido saia eventualmente em baixa e não gere tantos ativos, no mínimo Orlando irá se livrar de um espaço enorme na folha salarial, que permitiria ir atrás de outros nomes na free agency.
Mas manter o ataque emperrado, com Banchero e Wagner, em tese, ocupando o mesmo espaço no time, e com os números mostrando que a equipe rende melhor apenas com um dos dois, seria parar no tempo. O que talvez seja uma das situações mais temidas na liga.
Por mais que lesões tenham atrapalhado o caminho do Magic, seja com a dupla, seja com Jalen Suggs ou Desmond Bane, se o quarteto estiver em quadra por tempo o suficiente na temporada, sem que o desempenho melhore, será hora de Orlando fazer mudanças.
Primeira escolha do Draft de 2022 e All-Star logo no segundo ano de carreira, Paolo Banchero ainda é a peça na qual o Orlando Magic mais deposita esperanças de vir a liderar um time capaz de brigar pelo topo do Leste.
A exemplo do que tem acontecido desde que chegou à NBA, o ala foi o principal definidor de jogadas e o maior cestinha do time na temporada passada, com 22,2 pontos por partida, o que representa uma queda em relação ao ano anterior. Teve ainda médias de 8,4 rebotes (recorde pessoal até o momento) e 5,2 assistências por jogo.
O passo atrás na pontuação pode ser explicado em parte com a chegada de Desmond Bane. Até porque o volume de arremessos no geral também diminuiu um pouco, mas o aproveitamento não caiu. Pelo contrário: até teve uma discreta melhora, de 45,2% para 45,9%.
O fato disso ter acontecido ao passo em que o volume de finalizações perto da cesta aumentou pode ser encarado como animador. Os mais esperançosos podem até imaginar que simboliza o começo de uma evolução de Banchero na seleção de arremessos. Será interessante acompanhar se isso vai realmente se consolidar daqui para frente.
Mas a bola de três pontos continua sendo uma preocupação. Não só por ele passar longe de ser um especialista nisso, mas também porque o time como um todo vai muito mal em comparação ao resto da liga. Essa dificuldade compromete bastante o espaçamento ofensivo, algo que, claro, atrapalha bastante a vida de quem assume a missão de tentar fazer as coisas acontecerem.
Parceiro de Paolo Banchero há várias temporadas, Franz Wagner segue não sendo a dupla ideal do ítalo-americano. Na NBA desde 2020, viu o companheiro chegar no ano seguinte, vencendo o prêmio de Calouro do Ano. Com a dupla, o futuro do Magic parecia promissor, mas nunca conseguiu desabrochar de verdade.
Nas duas últimas temporadas, lesões de ambos os lados fizeram com que estivessem em quadra ao mesmo poucas vezes. E quando isso aconteceu, o time jogou pior. Assim, a temporada 2026/27 será crucial para a diretoria do Orlando Magic decidir qual o rumo da dupla.
A seu favor, Franz Wagner tem a capacidade de pontuar de todos os pontos da quadra sem muita dificuldade, com maior familiaridade arremessando do perímetro (34%) que Banchero, por exemplo. Por driblar menos, também comete menos erros que o ala-pivô. Mas tudo isso, claro, considerando que o duo vai se separar, o que ainda não aconteceu. Para o Magic, o melhor resultado ainda é vê-los dividindo a quadra com eficiência.
Em meio a esse imbróglio, quem tem se destacado é Anthony Black. Draftado na 6ª posição em 2023, não teve muitas chances logo de cara na NBA. Mas na última temporada, sua terceira como profissional, teve o grande salto da carreira: 15 pontos, 3,8 pontos, 3,7 assistências e 1,4 roubo de média, além da melhor enterrada da temporada, quando cravou em meio a quatro defensores contra o Orlando Magic, em janeiro.
Com Jalen Suggs e Franz Wagner com dificuldades para se manterem saudáveis, Black teve muitas oportunidades, inclusive como titular. Nestes jogos, a pontuação subiu para 16 por partida, com 38% de aproveitamento nos tiros de três pontos. No alto dos seus 2,01m, pode marcar mais posições que seus colegas armadores geralmente conseguem, e pode se consolidar como um sexto homem de elite em seu quarto ano na liga, aos 24 anos.
2 (baixo) - O Magic tem sido um time de defesa muito forte e ataque enroscado nos últimos anos. É bem verdade que tem conseguido competir pelos playoffs do Leste assim, venceu mais do que perdeu, mas não foi muito bonito de se ver. E como a avaliação aqui é sobre encantamento, a nota é baixa.
No cenário mais otimista: sem grandes lesões, o Magic volta a se posicionar como uma defesa de elite na liga, o ataque apresenta alguma evolução em termos de espaçamento e tomadas de decisão, e aí o time melhora ao ponto de se classificar para os playoffs com mando de quadra, com boa chance de alcançar a segunda rodada.
No cenário mais pessimista: Paolo Banchero e Franz Wagner provam de uma vez por todas ao resto do mundo que funcionam melhor quando não estão juntos, a defesa até continua acima da média, mas não o bastante para evitar que o número de derrotas aumente em relação ao ano anterior. Essa queda, aliada ao crescimento de outros concorrentes do Leste, leva o Magic a ficar fora até do play-in.
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