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Só para assinantes Assine UOL Reportagem Esporte Mbappé bate recordes, mas luta para superar fama de moedor de técnicos Thiago Arantes Colunista do UOL 20/01/2026 05h30 Deixe seu comentário Carregando player de áudio Ler resumo da notícia Mbappé, do Real Madrid, comemora gol em jogo contra o Levante pelo Espanhol Imagem: Javier SORIANO / AFP Os números e o desempenho em campo não deixam dúvidas: Kylian Mbappé é um dos grandes jogadores da nova geração. No futebol pós-auge de Lionel Messi e Cristiano Ronaldo, o francês emerge como grande superestrela do esporte. Desde 2018, ele chegou a duas finais de Copa do Mundo — venceu em 2018, perdeu em 2022 — e já marcou 12 gols no torneio. O número coloca o atacante, de 27 anos, em sexto lugar no ranking de artilheiros de Mundiais, ao lado de Pelé. Pelo Real Madrid, Mbappé também já vai construindo sua história: na primeira temporada, marcou 44 gols em todas as competições, um recorde para recém-chegados ao clube. Em 2025, foram 59 gols, igualando o recorde de Cristiano Ronaldo em um mesmo ano. Daniela Lima De saída, Haddad exibe paz com a consciência Juca Kfouri Copinha São Paulo: nem aqui nem na China Sakamoto Trump completa 1º ano de desmonte da democracia Julio Wiziack Ministro diz que elétricos viraram assunto de Estado Só que, para além dos recordes de gols e títulos, o camisa 10 madrilenho tem uma marca que também o coloca nos holofotes: desde 2017, ele foi comandado por oito treinadores, entre o PSG e a seleção. Nos bastidores, o que se comenta é que a personalidade do francês nem sempre ajuda os treinadores. E que, mais de uma vez, ele entrou em rota de colisão e teve participação direta na queda de um técnico. Mbappé, quando ficou fora do jogo entre PSG e Clermont Imagem: Franck Fife/AFP O 'centro de gravidade' A lista de quem já treinou Mbappé nos últimos 9 anos tem Unai Emery, Thomas Tuchel, Mauricio Pochettino, Christophe Galtier, Luis Enrique — esses no PSG —, Carlo Ancelotti, Xabi Alonso e, agora, Álvaro Arbeloa, no Real Madrid. Em maior ou menor grau, todos os treinadores de Mbappé têm seu trabalho afetado por ele. Considerado um fenômeno desde muito jovem, o francês foi subindo os degraus do futebol de forma consistente e, a cada novo nível, ganhava mais força. Continua após a publicidade Quem já conviveu em um vestiário com ele afirma que o atacante muda as relações de poder no ambiente. Ele altera o "centro de gravidade" do time, e isso ficou claro após a partir da temporada 2018-19, quando ele voltou da Rússia com o título mundial. Se em 2017-18 — na primeira temporada de PSG — Mbappé era um jovem e humilde coadjuvante para Neymar, a partir da conquista da Copa, as coisas começaram a mudar. A metamorfose é acentuada pelas declarações de Unai Emery, técnico do PSG no ano de estreia do craque francês. O espanhol sempre se referia a seu comandado como um jovem humilde, preocupado em aprender. Mbappé não gostou de ser substituído por Thomas Tuchel durante a partida do PSG contra o Montpellier Imagem: Gonzalo Fuentes/Reuters 'Liga pra mãe dele' Com Thomas Tuchel, substituto de Emery, a história foi diferente. A relação entre o alemão e Mbappé foi conflituosa e teve momentos de tensão que se tornaram públicos. Em pelo menos três ocasiões, o atacante mostrou insatisfação ao ser substituído durante os jogos. Continua após a publicidade Longe das câmeras, há uma história contada nos bastidores que exemplifica o tamanho que Mbappé passou a ter no vestiário pós-Copa. Antes de um jogo de menor relevância, pela Copa da França, o alemão comentou com o presidente do PSG, Nasser Al-Khelaifi, que pretendia deixar Mbappé no banco, para poupá-lo. O catari deu uma resposta que pegou o treinador de surpresa: "Liga pra mãe dele e avisa, ok"? Tuchel não entendeu nada. A mãe de Mbappé, Fayza Lamari, é quem gerencia a carreira do jogador. Ela é conhecida como boa negociadora e, quando tem que defender os interesses do filho, não mede esforços. Mesmo que tenha que bater de frente com dirigentes e movimentar as estruturas do poder. Tuchel acabou demitido no fim de 2020, depois de levar o PSG à sua primeira final de Champions League, na bolha de Lisboa em plena pandemia. O alemão foi para o Chelsea e, seis meses depois, o time londrino conquistou o título europeu. Mauricio Pochettino abraça Mbappé após a vitória do PSG sobre o Brest Imagem: Xavier Laine/Getty Images A polêmica do pivô Os dois treinadores seguintes — Mauricio Pochettino e Christophe Galtier — também sofreram com as movimentações de Mbappé nos bastidores. Continua após a publicidade O argentino foi alvo de reclamações após substituições e era visto pelo francês como um aliado da "ala sul-americana" do elenco, então liderada por Neymar e, posteriormente, Messi. Foi em busca de um treinador que deixasse o vestiário mais francês que o PSG trocou Pochettino por Christophe Galtier. Mas as polêmicas continuaram: mais de uma vez, Mbappé reclamou de jogar de costas para o gol, tendo que fazer pivôs e tabelas, em vez de correr pela ponta, como gostava de fazer. Galtier durou apenas uma temporada. Luis Enrique e Mbappé em jogo do PSG contra o Clermount pelo Campeonato Francês Imagem: Jean Catuffe/Getty Images Nem Michael Jordan ajudou Foi com Luis Enrique que Mbappé, finalmente, perdeu sua primeira queda-de-braço. O treinador espanhol chegou ao PSG com carta branca para mexer no elenco: de cara, dispensou Neymar e Marco Verratti. Continua após a publicidade Durante sua primeira temporada, o comandante tentou mudar a cabeça de seu principal astro. Até Michael Jordan entrou na jogada. "Você não gosta do Jordan? Jordan pegava todos os seus companheiros pelos ovos e começava a defender como um filho da p...". A ideia de desafiar Mbappé a se dedicar mais pelo coletivo não foi suficiente para levar o PSG ao título daquela temporada. Com a transferência do astro para o Real Madrid, Luis Enrique lançou outra frase famosa: "Acho que o time vai melhorar. O fato de ter um jogador que se movia para onde ele queria criava situações de jogo que eu não conseguia controlar. Agora, vou controlar todas." A temporada 2024-25, a primeira de Mbappé no Real Madrid e a primeira do PSG após a saída dele, acabou com os franceses conquistando sua primeira Champions League. Xabi Alonso, técnico do Real Madrid, durante jogo contra o Manchester City Imagem: REUTERS/Susana Vera O conflito com Xabi Alonso Depois de chegar ao Real Madrid e passar sem polêmicas pela gestão de Carlo Ancelotti, Mbappé também mantinha uma relação cordial com Xabi Alonso, o substituto do italiano no clube da capital espanhola. Continua após a publicidade Só que, na premiação da Supercopa, após derrota por 3 a 2 para o Barcelona, um conflito escancarou a falta de comando do treinador basco sobre o elenco. Ainda em campo, depois de ver seus jogadores receberem as medalhas de prata pelo vice-campeonato na Arábia Saudita, Xabi Alonso tentou organizar um corredor para receber os jogadores do rival. Fazer o "pasillo" — como dizem em espanhol — é uma tradição no país. Enquanto Xabi gesticulava para seus jogadores, tentando chamá-los para perto do pódio, os atletas não se moviam. Quando o treinador chamou Mbappé, a coisa piorou: o francês não apenas descumpriu a indicação quanto chamou os colegas para irem ao vestiário. O gesto foi seguido por Vini Jr., e os jogadores foram atrás da dupla, dando as costas para o treinador. Ali, Xabi percebeu que havia perdido o comando. Nesta terça-feira, Mbappé volta a campo pelo Real Madrid contra o Monaco, às 17h (horário de Brasília). Diante do time que o revelou, o francês terá de mostrar que não é apenas um destruidor de recordes. Ele terá a missão de liderar uma equipe que precisa de bons resultados, sim; mas, sobretudo de paz. Reportagem Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis. 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