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Futebol De deportado a creator: como ex-jogador do Bahia virou youtuber na Suíça Gabriela Chabatura Do UOL, em São Paulo 12/04/2026 05h30 Deixe seu comentário Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Max, ex-jogador da base do Bahia, vive na Suíça há 25 anos Imagem: Reprodução/ Instagram Imagina quase desistir do futebol, ir parar na Suíça, ser deportado e virar youtuber de viagem. O roteiro parece de filme, mas isso tudo aconteceu com o brasileiro Maxvaldo de Jesus Lisboa. Com passagem pelas categorias de base do Bahia, o ex-jogador se tornou influencer e, agora, compartilha dicas e curiosidades sobre o estilo de vida nas geladas temperaturas dos Alpes europeus na Internet. Ao lado da esposa Pâmela, Max resolveu criar o canal "Pâmela e Max na Suíça" e, em um ano, chegou à marca de mais de 62 mil inscritos. A ideia surgiu depois de receber um criador de conteúdo brasileiro em casa, em Rorbas. Eu sempre fui muito reservado. Nunca gostei de me mostrar para além do futebol. Mas sempre gostei de acompanhar [os conteúdos]. Um dia, encontrei o canal Aventuras de Guto e me identifiquei bastante. Vi que ele faria um mochilão pela Europa e, pelo Instagram, o convidei para passar aqui em casa, e ele aceitou. Ricardo Kotscho Se Lula desistir de eleição, quem entra no seu lugar? Michelle Prazeres Iniciativas para vida offline ganham força Milly Lacombe Arthur Elias terá problema ao montar seleção feminina Diogo Cortiz IA entra na lógica da corrida nuclear, mas faltam regras No dia em que fui encontrá-lo no aeroporto, ele começou a gravar e me achou muito extrovertido. Falou que eu precisava abrir um canal. A partir dali, o pessoal começou a pedir. Criamos e, logo de cara, apareceram 20 mil inscritos sem vídeo nenhum. No primeiro, contamos a nossa história e, em dois dias, bateu 45 mil visualizações e 30 mil inscritos. Max, ex-jogador e youtuber de viagem e lifestyle O projeto extrapolou os limites da rede. Os números cresceram, e Max conseguiu viabilizar um encontro presencial em São Paulo e se surpreendeu com o reconhecimento que jamais recebera com o futebol. Eu não tinha nem dimensão. Minha intenção era contar um pouquinho da história do país, mas quando fui para o Brasil e, em duas horas, marquei um encontro em um shopping em São Paulo, 45 pessoas apareceram. Isso não é normal. Eu não quero perder essa química. Com o canal, eu busco passar o que é morar fora do nosso país e entender que somos ricos e não sabemos. 0:00 / 0:00 Prisão e deportação Há 25 anos na Suíça, Max correu o risco de nunca mais poder pisar no país. Ele foi preso, permaneceu quatro dias detido na delegacia e, posteriormente, deportado para o Brasil por causa do visto vencido. Continua após a publicidade "Eu me lesionei muito por causa do frio, aconteceram várias coisas. Naquele período, estava há seis meses no país e poderia ficar apenas mais três, aí resolvi arriscar e ficar ilegal. Mas a polícia fez o controle e descobriu. Me levaram para a cadeia, conversaram comigo e fui deportado. Fiquei preso quatro dias. Nunca tinha passado por isso". Max conseguiu regularizar a situação no país depois de cumprir o tempo de quatro anos de proibição de reentrada. Hoje, ele possui a permissão C, que autoriza a residência permanente para estrangeiros, e domina com fluidez os idiomas: alemão, italiano, espanhol e francês. Jogador e o que mais precisar... Além de se adaptar a uma nova cultura, o brasileiro conciliou a carreira no futebol com um segundo trabalho para complementar a renda. Foi pintor quando ainda era atleta e, atualmente, é funcionário da G.BOPP, uma fabricante de tecidos metálicos para diversos setores industriais, entre eles, tecnologia ambiental e aeroespacial. A Suíça, apesar de ser considerada um dos melhores do mundo, possui também um dos custos de vida mais elevados do planeta. "Quando eu parei de jogar futebol, me deparei sem trabalho e a dúvida: vou trabalhar com quê? Mandei um currículo para uma empresa, mas não sabia muito bem o que era o trabalho. Eles mexiam com uma espécie de tecido de metal, e esse metal é usado para criar um sensor para medir a temperatura do avião. Era uma vaga para a parte da produção de uma fábrica. Entrei e, depois, pedi um curso para ter uma posição melhor para lidar com a parte da manutenção dessas peças. E já são 13 anos nesse trabalho". Continua após a publicidade Nem tudo são flores Apesar da beleza natural, desenvolvimento e segurança da Suíça, Max passou por alguns perrengues para conseguir se adaptar à nova cultura. Sobretudo, no relacionamento mais distante com os moradores locais. "No ambiente do futebol, a adaptação foi muito boa porque o brasileiro é muito bem recebido. Mas as pessoas são muito frias. Se você pergunta algo, eles vão só te responder pontualmente e acabou. Morei por cinco anos num prédio e não conhecia nenhum dos meus vizinhos. Ninguém vai sair e perguntar se você precisa de alguma coisa". "No primeiro mês, a minha vontade era voltar. Mas eu tinha feito uma promessa que não retornaria ao Brasil com uma mão na frente e outra atrás. O futebol me ajudou muito, e algumas pessoas foram muitas boas, me ajudaram, deram força para continuar. A Suíça é um país em que você precisa estar forte psicologicamente, porque o nível de suicídio é grande. Então, no início foi muito complicado". Historicamente, a Suíça tem uma das taxas de suicídio mais altas da Europa Ocidental, especialmente entre idosos. Mas, nas últimas décadas, os casos diminuíram - embora a taxa de suicídios assistidos tenham aumentado. Max recebeu o convite para jogar na Suíça quando disputava uma partida de futebol amador com o Anápolis, após se recuperar de lesão no joelho direito. Despediu-se do Brasil e, durante o período no país, rodou por seis clubes: Sport Club Young Fellows Juventus, FC Seefeld Zürich, FC Blue Stars Zürich, FC Glattbrugg, Zurich City SC e FC Oerlikon. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash As mais lidas agora Chaiany se surpreende com fama após BBB: 'Melhor que dinheiro' Parcial UOL: Diferença aumenta e Boneco pode ser eliminado no 15º Paredão Número recorde de húngaros vai às urnas em eleição que pode tirar Orbán e abalar Rússia Jordana e Marciele se beijam em festa do BBB 26 Brasil tem recorde de voos, mas judicialização trava setor, diz Iata