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O Flamengo construiu uma vantagem confortável diante do Grêmio, abriu 3 a 0 ainda no primeiro tempo e diminuiu o ritmo na etapa final. A mudança de comportamento foi nítida, mas não deve ser motivo de preocupação para o torcedor. Além do placar favorável, Leonardo Jardim precisou administrar o desgaste físico de um elenco que vem enfrentando uma sequência exigente de partidas.
Na segunda etapa, o treinador promoveu mudanças importantes. Pedro, Samuel Lino, Arrascaeta, Carrascal e Ayrton Lucas deixaram o campo, enquanto o Flamengo passou a dar oportunidades a outros jogadores. As substituições, especialmente as de Arrascaeta e Carrascal, também tiveram relação direta com a condição física dos atletas.
Na entrevista coletiva após a partida, Jardim explicou que Carrascal e Ayrton Lucas apresentavam sobrecarga muscular e foram substituídos no intervalo. Arrascaeta, por sua vez, sentiu fadiga durante o segundo tempo. O treinador ressaltou que não se tratava de lesões, mas de sinais de desgaste que exigiam cuidado.
— Fomos sólidos na primeira parte. Na segunda parte, girei jogadores que estavam com problemas. Carrascal estava com sobrecarga no adutor, Ayrton também estava sobrecarregado. Trocamos os dois no intervalo. Depois, o Arrascaeta sentiu uma fadiga. Tivemos que gerenciar os jogadores em campo — explicou Jardim.
A decisão foi preventiva. Com o Flamengo vencendo por três gols de diferença, não fazia sentido correr o risco de perder jogadores importantes nesta reta final da temporada. Jardim lembrou que uma lesão neste momento poderia afastar um atleta por aproximadamente um mês, comprometendo o restante do ano.
O contexto ajuda a entender a queda de intensidade. O Flamengo vem de uma sequência pesada, com compromissos diante de Grêmio, Vasco, Atlético-MG e Estudiantes. Em meio à disputa pelo título brasileiro, administrar a carga física dos principais jogadores também faz parte do trabalho da comissão técnica. A equipe foi sólida na primeira etapa e, com a vantagem construída, teve condições de controlar o ritmo e preservar peças importantes.
O gol sofrido no segundo tempo não muda essa leitura. A equipe perdeu intensidade, mas o cenário da partida permitia uma administração mais cuidadosa do esforço. Não houve, pelo relato de Jardim, um problema coletivo que indique uma queda preocupante de rendimento. O treinador optou por preservar jogadores que apresentavam sinais de desgaste e colocou em campo atletas que, segundo ele, vinham trabalhando bem e poderiam manter a competitividade.
A pausa para a Data Fifa chega em um momento importante. O Flamengo só volta a campo no dia 18 de novembro e terá alguns dias para recuperar o elenco antes de encarar outra sequência decisiva. Até 2 de dezembro, o time terá pela frente Athletico, Palmeiras, Coritiba e Chapecoense, em partidas que têm peso determinante na disputa pelo título brasileiro.
Portanto, a queda de intensidade diante do Grêmio precisa ser analisada dentro do contexto. Com três gols de vantagem, uma sequência desgastante e jogadores apresentando sinais de sobrecarga, o gerenciamento físico era necessário. O Flamengo não pode abrir mão da intensidade, mas também não precisa transformar cada queda de ritmo em motivo de preocupação. Na reta final da temporada, saber dosar o elenco pode ser tão importante quanto manter o nível de atuação durante os 90 minutos.