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Cláudio Portella sobre rodagem do elenco: "O Flamengo tem dois times no mesmo nível" Diretor de futebol do Flamengo , José Boto deu entrevista ao "Mengocast" da FlamengoTV, canal oficial do clube no YouTube, e explicou a decisão de ter trocado Filipe Luís por Leonardo Jardim. Segundo o dirigente, pesou o fato de o técnico português não ser "agarrado a um modelo de jogo" e saber se adaptar melhor aos jogadores que tem nas mãos: + Lino se vê mais favorecido por posicionamento com Jardim e vive momento "feliz e forte" no Fla — Um dos motivos maiores foi ser um treinador que... Existem treinadores muito agarrados ao seu modelo de jogo. Há outros que eu chamo mais "camaleônicos". São mais camaleões, adaptam-se mais aos jogadores que tem, sabem tirar partido dos jogadores que tem. E nós achamos que precisávamos de um treinador desses. E o Leonardo é sem dúvida um treinador que consegue isso. Isso não é nenhuma crítica porque há muitos treinadores bons que são assim. Eu trabalhei com alguns, por exemplo o Roberto De Zerbi, que está agora no Tottenham, que é muito agarrado ao seu modelo de jogo e tudo tem que ser feito em função de seu modelo. E há outros mais adaptáveis, mais flexíveis — afirmou Boto, atribuindo a Jardim o crescimento de Pedro, por exemplo: — E o fato de termos trazido um treinador que se adapta mais do que impõe um modelo de jogo com certeza teve uma influência muito positiva no Pedro, que para determinados modelos de jogo tem algumas limitações. Mas aquilo que um treinador também tem que fazer é saber aproveitar as boas características dos jogadores. E é isso que o Leonardo está a fazer com o Pedro. 1 de 2
José Boto e Leonardo Jardim, do Flamengo — Foto: Adriano Fontes/Flamengo José Boto e Leonardo Jardim, do Flamengo — Foto: Adriano Fontes/Flamengo ✅Clique aqui para seguir o novo canal ge Flamengo no WhatsApp Sobre a próxima janela de transferências depois da Copa do Mundo, Boto disse que ainda não sentou com Jardim para discutir contratações e afirmou que o elenco do Flamengo atingiu um patamar de ser difícil de se reforçar, atribuindo qualidade ao fator financeiro: — Estamos ainda em uma fase com o novo treinador avaliando as necessidades. Contratar jogador sem que o treinador queira ou saiba é uma estupidez, é jogar dinheiro fora. O treinador tem que querer aquele perfil de jogador, e estamos ainda em uma fase em que ele está analisando o elenco. Uma característica muito boa é que ele acha sempre que consegue recuperar alguns jogadores. Há dois meses, para mim era claro que tínhamos que buscar esta posição ou outra, com ele já não é tão claro, porque ele quer recuperar jogadores. É óbvio que há uma ou duas posições que sabemos que teremos que buscar, mas estamos nesta fase em que ele está analisando. O Flamengo chega a um nível que não é fácil reforçar o elenco, porque o nível é tão alto que para trazer igual ou mais alto é preciso muito dinheiro. Por outro lado, Boto revelou ter vontade de voltar a fazer contratações de scout no Flamengo e abriu brecha para buscar um ou dois jogadores desconhecidos com potencial para aposta. O primeiro reforço que o dirigente contratou no clube foi com esse perfil: o atacante Juninho, que estava no Qarabag, do Azerbaijão. Mas ele não se firmou e já foi vendido ao Pumas, do México. No meio do ano passado, o diretor chegou a fechar um acordo para buscar o irlandês Mikey Johnston, do West Bromwich, da Segunda Divisão da Inglaterra, mas o presidente Bap desistiu do negócio. 2 de 2
Juninho está indo bem no Pumas, do México — Foto: Manuel Velasquez/Getty Images Juninho está indo bem no Pumas, do México — Foto: Manuel Velasquez/Getty Images — Ele (Jardim) é mais aberto a isso, então podemos buscar um ou dois jogadores de scouting, que sejam apostas. Mas não podemos fazer apostas para o futuro sem ter o presente assegurado. (...) O Flamengo tem uma dimensão enorme que é difícil alguém deixar esse tipo de legado num clube em que a obrigação é ganhar domingo sim, domingo sim. É mais fácil isto em clubes que têm menos exigência. Agora, gostaria, antes de sair daqui, de trazer um ou dois jogadores menos conhecidos e que eles pudessem depois virar estrelas do clube, coisa que eu fiz sempre em todos os outros clubes onde passei. Quando fomos buscar o Di Maria com 18 anos, ninguém sabia quem era, ou o David Luiz, a lista é muito grande. O Benfica também tinha essa obrigação de vencer, mas é diferente. Portugal está muito habituado a ter que viver do scouting porque isso é uma fonte de receita para o clube. — Mas eu percebo que num clube como o Flamengo , em que a obrigação é ganharmos tudo o que participamos, é difícil fazer esse tipo de movimentos que necessitam de paciência. O Di Maria chegou ao Benfica no meu primeiro ano lá, 2006/2007, e só começou a jogar passados três anos, com o Jorge Jesus. Foi um jogador que custou 9 milhões de euros, o que não é pouco para a época, mas há uma sensibilização maior que é preciso ter paciência com esse tipo de apostas. Há umas que dão retorno logo. Eu lembro, por exemplo, de termos ido buscar o Marković, um sérvio que jogava no Partizan, com 18 anos, e no primeiro ano dele com Jesus foi vendido. Nós pagamos 5 milhões e foi vendido por 25 para o Liverpool. Outros demoraram mais tempo, como o próprio David Luiz. Portugal está acostumado a isso até como forma de sustento dos clubes, já a necessidade do Flamengo é ganhar, ganhar, ganhar. 🗞️ Leia mais notícias do Flamengo 🎧 Ouça o podcast ge Flamengo Assista: tudo sobre o Flamengo no ge, na Globo e no sportv 50 vídeos