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Em dezembro de 2025, o Campeonato Mundial de Clubes Feminino de vôlei retornou a São Paulo após 31 anos. Cinco meses depois deste reencontro, a organização do evento esportivo voltou a ser comentada, mas não foi pelo desempenho de algum time ou atleta. Pietro Maschio, dirigente do Conegliano - time vice-campeão do torneio e no qual atua a capitã da seleção brasileira, Gabi Guimarães - criticou a organização brasileira, citando "pulgas", "relatos médicos" e "quadra vergonhosa" . Procurados pelo ge , a Federação Internacional de Voleibol (FIVB) e a Secretaria Municipal de Esportes e Lazer afirmaram que o torneio cumpriu todos os protocolos. O Conegliano, por sua vez, esclareceu que a fala "tinha como objetivo criticar as altas esferas do vôlei e não os organizadores brasileiros". A FIVB confirmou ao ge que durante as disputas nenhuma reclamação foi formalizada. Entretanto, após o término do Mundial - vencido pelo Scandicci sobre o Conegliano - a entidade recebeu uma carta oficial do clube italiano que foi analisada . Sem divulgar o teor do documento, o órgão, que regula o vôlei em todo o mundo, reiterou que a organização seguiu o protocolo previsto. - As questões levantadas na carta foram cuidadosamente analisadas em coordenação com a Comissão Médica da FIVB, e foi determinado que o evento atendeu aos padrões exigidos - garante. 1 de 2
Ginásio do Pacaembu sediou Mundial de Clubes de Vôlei feminino em 2025 — Foto: Volleyball World Ginásio do Pacaembu sediou Mundial de Clubes de Vôlei feminino em 2025 — Foto: Volleyball World A manifestação do dirigente, que atua na presidência do clube ao lado de Piero Garbellotto, aconteceu no último domingo, após o Conegliano conquistar o bronze na Champions League em confronto com o Scandicci. Mesmo com a conquista da medalha, a equipe não jogará o Mundial deste ano por não ser um dos dois finalistas. No sábado, foi derrotado pelo Vakifbank Istambul, vencedor do torneio. - Ainda bem que não estamos participando. É um fardo. Os brasileiros fizeram o que puderam, não quero culpá-los por terem que organizar em um prazo tão curto. No entanto, voltamos para casa cheios de pulgas. E há até relatos médicos. Jogamos em uma quadra vergonhosa. Quem está no topo não pode organizar algo assim - disse Maschio. + Zé Roberto explica convocação de jogadoras para seleções A e B e garante: "Todas têm chance" + Carol Solberg e Rebecca são campeãs da etapa de Brasília do Circuito Mundial + Bernardinho convoca maior pontuador da Superliga para seleção; veja lista completa + CBV anuncia mudança nas datas dos Pré-olímpicos no Rio de Janeiro; entenda Na segunda-feira, o pronunciamento gerou críticas entre brasileiros. Desde que Gabi Guimarães começou a jogar pelo time, os compatriotas da capitã da seleção brasileira passaram a nutrir certa simpatia com o Conegliano. No decorrer do próprio Mundial em São Paulo, a torcida apoiou o time. Em português, o clube divulgou um pronunciamento nas redes sociais, em que pedia desculpas. Ao ge , a equipe lamentou o que chamou de "mal-entendido" e explicou o motivo do comentário do dirigente. - Aceitamos em silêncio as críticas recebidas, mas reiteramos um conceito fundamental: a entrevista tinha como objetivo criticar as altas esferas do vôlei e não os organizadores brasileiros, que fizeram o máximo possível com o pouco tempo disponível , nem o próprio Brasil, que nos recebeu com entusiasmo e cordialidade. Pedimos desculpas mais uma vez pelo mal-entendido, confirmando nossa estima - finaliza. Conegliano, da brasileira Gabi, conquista o Mundial de Clubes de vôlei São Paulo foi sede após desistência chinesa As tratativas para que a cidade voltasse a receber as partidas - depois de sediar a competição em 1991 e 1994 - começaram cerca de dois meses antes. De acordo com o secretário adjunto de Esportes da capital, Bruno Mancini, o município foi procurado em outubro pela FIVB a partir de uma indefinição: o cancelamento de parceria entre a entidade e cidade chinesa que sediaria o evento. Ele considera "infeliz" a declaração do dirigente, além de ressaltar que a experiência foi positiva, seguiu os protocolos e há a possibilidade de a cidade ser sede novamente este ano. - Temos apenas que lamentar o preconceito e o claro discurso de mau perdedor do italiano , em um momento sensível após a derrota de seu time. (...) Foram cumpridos todos os itens do caderno de encargos da competição , que contou com maciço apoio da mídia especializada, público de voleibol, além de atletas e comissões técnicas - inclusive do próprio Conegliano, que emitiu nota se retratando pelo dirigente - que elogiaram a recepção calorosa e competente da nossa cidade e país - afirmou o secretário. Dois dias antes da decisão, entre Conegliano e Scandicci - equipe de Antropova e Skinner - o ge abordou a estrutura inferior da sede paulista, se comparada ao padrão de outras edições . A capacidade foi um dos principais pontos abordados, visto que nas edições anteriores as arenas comportavam entre oito mil e 10,4 mil torcedores, enquanto o ginásio do Pacaembu abrigou somente duas mil pessoas. Outros locais chegaram a ser analisados, mas estavam com agenda preenchida. 2 de 2
Osasco x Scandicci, pelo Mundial de Clubes — Foto: Beatriz Cesarini Osasco x Scandicci, pelo Mundial de Clubes — Foto: Beatriz Cesarini Outro aspecto citado foi a climatização. Reformado recentemente, as intervenções não contemplaram ar condicionado, o que fez os organizadores espalharem climatizadores portáteis. Em dezembro do ano passado, São Paulo registrou a maior temperatura para este mês na história, quando os termômetros apontaram 35,9ºC . Já no ano passado, havia o interesse de manter o Mundial em território paulista. Contudo, desde então, a proposta seria levar os jogos para outra arena. - A gente já está planejando manter o Mundial aqui na cidade de São Paulo no ano que vem. E aí com mais tempo de organizar um espaço maior para acolher esse grande evento com as principais jogadoras de voleibol do mundo - acrescentou o secretário municipal de Esportes e Lazer da época, Rogério Lins.