Conteúdo Original
Atlético-MG 0 x 4 Flamengo | Melhores momentos | 13ª rodada | Brasileirão 2026 Que me perdoem os amigos atleticanos, mas me vejo obrigado a dizer que, mesmo longe do Maracanã, o Flamengo contou com uma espécie de fator local para chegar à sétima vitória seguida sob o comando de Leonardo Jardim (a quarta pelo Brasileiro). Não apenas porque a Arena MRV tem sido terreno hospitaleiro aos rubro-negros desde que foi inaugurada, em 2023 (são quatro vitórias e um empate), mas também pelo momento vivido pelo Atlético-MG: clube e time parecem prestes a entrar em combustão. Ontem, por exemplo, Hulk foi retirado da relação do jogo na última hora , devido a interesse do Fluminense. Na verdade, Hulk acabou sendo poupado de um severo constrangimento. Nos 4 a 0 impostos sem piedade, ficou evidente, sobretudo, a distância abissal entre as equipes -- seria como comparar um violino com uma chave de fenda. O cartão de visitas não poderia ser mais explícito: na primeira investida flamenguista, um gol protocolar de Pedro, após belíssima construção coletiva. Tirando o ímpeto atleticano, que resultou em duas boas chances, inclusive com bola no travessão, o Flamengo fez praticamente o que quis em solo mineiro -- especialmente Plata, que disparou em zigue-zague para marcar um golaço, emblemático desta nova fase que vive o atacante sob o comando do técnico português. 1 de 1
Plata comemora gol pelo Flamengo contra o Atlético-MG — Foto: Gilvan de Souza/Flamengo Plata comemora gol pelo Flamengo contra o Atlético-MG — Foto: Gilvan de Souza/Flamengo Antes da descida ao vestiário, ainda deu tempo de Arrascaeta usar seu 1,74m de pura cátedra uruguaia para marcar o terceiro, de cabeça, como se fosse Gaúcho subindo na área em 1992. Antes disso, a torcida rubro-negra já havia soltado o zombeteiro grito de "Eu acredito", pura galhofa com o histórico mantra atleticano. E tudo que sucedeu após a volta do intervalo, mesmo que duas bolas tenham parado na trave de Rossi, poderia ter se tratado de uma espécie de cotidiana formalidade em vermelho e preto, como um "boa tarde" dentro do elevador de trabalho, não fosse por mais um gol de Pedro, soberano na pequena área, o habitat natural dos centroavantes. Com Leonardo Jardim, o Flamengo chegou a 11 vitórias em 13 jogos, com quatro resultados positivos seguidos no Brasileiro. Está seis pontos atrás do líder Palmeiras, mas com um jogo a menos (e com os dois confrontos diretos ainda pela frente). E o mais desesperador, para adversários de todas as procedências, em todas as competições, é que as vitórias acontecem de forma simultânea à evolução da equipe, cada dia refletindo de forma mais promissora as concepções do seu técnico. Arrascaeta comemora vitória do Flamengo sobre o Atlético-MG: "Grande jogo" A partir da chegada de Jardim, o time flamenguista incorporou alternativas à sua forma de atuar. Além da pressão ofensiva, empurrando o adversário para o seu campo, agora é comum observar, em determinados momentos, o time optando por se resguardar para investir nas transições em velocidade. Como um ciclone varrendo o gramado, mostra uma rapidez atordoante nas construções ofensivas, com poucos toques necessários para agredir a área adversária -- ontem, a equipe teve 49% de posse de bola. A estratégia exige um esforço hercúleo de jogadores como Gonzalo Plata e Samuel Lino, mas não perde a intensidade devido ao invejável leque de opções que podem emergir do banco de reservas -- Bruno Henrique, Luiz Araújo, Cebolinha. Após um começo de temporada turbulento, o Flamengo se restabeleceu e, na noite de domingo, saiu de Belo Horizonte deixando o Atlético-MG com a consistência de um guardanapo molhado: demolido pela superioridade rubro-negra e soterrado por suas próprias avalanches. Mais do que o placar elástico, o passeio pelas Alterosas evidenciou que o time da Gávea voltou a praticar o futebol mais refinado do Brasil -- e, em pleno fim de abril, talvez tenha enfim tomado fôlego rumo a uma temporada com potencial para ser, novamente, histórica. Leonardo Jardim diz estar feliz com produção ofensiva do Flamengo