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Futebol Por que Boca exibiu bet, e Flu e Palmeiras usaram marcas de parceiros Igor Siqueira Do UOL, no Rio de Janeiro 22/10/2026 12h00 Deixe seu comentário Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Di Lollo, jogador do Boca Juniors, comemora gol durante partida contra o Vasco, pela semifinal da Copa Sul-Americana Imagem: Jorge Rodrigues/Jorge Rodrigues/AGIF Os jogos em solo brasileiro das competições continentais nesta semana geraram um contraste no espaço mais nobre dos uniformes. Enquanto o Boca Juniors exibiu seu patrocinador master — uma casa de apostas —, Palmeiras e Fluminense precisaram cumprir a legislação em vigor no país: nada de bets. No duelo brasileiro, os dois times se enfrentaram no Nubank Parque com marcas alternativas: aplicativos de estatísticas e resultados de futebol. PVC O que explica o equilíbrio de Palmeiras x Flu no ano Alicia Klein O homem que salvou Abel e classificou o Palmeiras Carlos Affonso STF, TSE e Meta: a dupla desconfiança na eleição Junior Borneli De temperos a óculos: os negócios por trás da IA Em ambos os casos, são parceiros que pertencem ao grupo econômico das bets, mas entraram em outro ramo para assegurar a exposição nas camisas. Até porque tanto Palmeiras quanto Flu permanecem leais aos contratos que tinham antes da edição da MP (Medida Provisória) que baniu as bets . Nas camisas dos semifinalistas da Libertadores foram estampados, inclusive, nomes que remetem às casas de apostas, mas ganharam cara de trocadilho: Sportingblog e Superscore. "Se o site de estatísticas preserva o nome e a identidade visual associados à casa de apostas, o potencial de reconhecimento da marca continua presente. Do ponto de vista do marketing, o conteúdo esportivo pode manter a conexão com o torcedor mesmo sem uma oferta direta de apostas. Para o clube, isso pode ajudar a preservar receitas, mas a sustentabilidade desse modelo depende de segurança jurídica", diz Fábio Wolff, sócio-diretor da Wolff Sports e especialista em marketing esportivo. Carlos Miguel pegou pênalti contra o Fluminense e foi o herói do Palmeiras Imagem: REUTERS/Jean Carniel No caso do argentino Boca Juniors, que encarou o Vasco no Maracanã, pela Sul-Americana, o peito estufado da vitória argentina tinha Betsson. No Brasil, a marca cumpre a determinação do governo federal. Quando o antigo site é aberto, o usuário se depara com a seguinte mensagem: Continua após a publicidade "Em cumprimento à nova regulamentação (MP 1394/2026), a Betsson está temporariamente indisponível no Brasil". Mas os argentinos podem? Nos bastidores, as entidades que representam as casas de apostas entendem que há uma zona cinzenta. Até porque a MP não trata diretamente dos casos de clubes estrangeiros que venham jogar em solo brasileiro e tenham contratos em vigor com as bets. "O IBJR não pode avaliar ações realizadas por empresas individualmente, especialmente nos casos em que envolvam clubes estrangeiros e contratos estabelecidos no exterior.", disse Carlos Lima, presidente-executivo do Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR). Quem tem contrato lá fora e pisa no Brasil se agarra à premissa implícita de que as regras do governo federal só abrangem relações comerciais brasileiras. No aspecto publicitário da questão, é como se a propaganda do Boca não tivesse impacto porque a Betsson não presta serviço no Brasil. Mas nem todo mundo pensa assim: Continua após a publicidade "O que importa juridicamente é que a marca foi exibida em território brasileiro e vista pelo público brasileiro. Pela própria MP, esse tipo de exposição é considerado publicidade abusiva, o que atrai as sanções do Código de Defesa do Consumidor, sobretudo multas administrativas", diz Eduardo Carlezzo, advogado especialista em direito desportivo. "Como a MP não contempla exceções, a vedação se aplica a todos os Clubes que venham disputar partidas no território nacional. A lógica é a mesma de qualquer outra lei, ou seja, quem vem de fora deve cumprir as normas locais, sob pena de sofrer as respectivas sanções. No caso do Boca Juniors, a instituição poderá ser multada pelo descumprimento ou até mesmo impedida de disputar partidas no Brasil caso não se comprometa a ocultar o patrocínio de seu uniforme em partidas futuras", afirma Pedro Lopes, advogado que é sócio-fundador do PPLlaw, escritório jurídico, e também da Chenus Holdings, empresa de investimento no esporte. A Conmebol, pelo menos, tirou as bets das placas de publicidade estática nos estádios brasileiros, mas exibe virtualmente os patrocinadores do setor lá fora. O Boca veio, viu o cenário e venceu no Maracanã. Com bet e tudo. 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