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Só para assinantes Assine UOL Opinião Esporte Senado convida Lula a radicalizar, e Lula faria bem se aceitasse Milly Lacombe Colunista do UOL 30/04/2026 13h01 Deixe seu comentário Jorge Messias em sabatina na CCJ do Senado Imagem: Andressa Anholete/Agência Senado Resumo Uma rejeição para a história. O veto que o Senado impôs a Jorge Messias é uma das derrotas política mais vergonhosas da carreira de Lula. As eleições que Lula perdeu não entram na chave da vergonha porque, nos três casos, a vergonha estava do outro lado. Lula perdeu eleições das quais saiu maior a cada derrota. Depois, foi eleito e reeleito e escreveu seu nome como o melhor presidente que o Brasil já teve. Mas o cenário político mudou muito desde 2014 e talvez Lula tenha deixado de perceber que não estamos mais no espaço das conciliações simplesmente porque o lado de lá hoje se chama fascismo. Como conciliar com o fascismo? Lula parece acreditar que ainda existe espaço para fazer a gestão das crises que vivemos. A derrota de Messias deve ter indicado ao presidente que esse espaço não existe mais. Tudo o que temos é extrema-direita e a possibilidade de radicalizarmos para a esquerda. Se Lula não aproveitar a bizarra circunstância criada pelo Senado para virar à esquerda então, de fato, pouca chance ele terá de se reeleger no final do ano. O nome de Jorge Messias para o STF era, sob o ponto de vista da democracia e do progressismo, uma aberração. Basta dizer que era o ministro bolsonarista André Mendonça quem mais parecia animado com a indicação. Ou bastava que escutássemos as respostas dadas por Messias aos senadores. Por que exatamente um presidente que diz estar ao lado do povo faria a indicação de alguém como Messias depois de já ter indicado Zanin? Ricardo Kotscho Lula sofre pior derrota de sua vida política Sakamoto Congresso reforça que tem bandido de estimação Josias de Souza Alcolumbre e centrão soldam elo anti-Lula Alicia Klein Robinho: novos advogados, mesma arrogância Hora de dar muitos passos para a esquerda e colocar uma agenda radical nas ruas. Escutar o que dizem as feministas, o que diz a classe trabalhadora (incluídas mulheres e trabalho realizado dentro dos lares). Hora de apontar e nomear o fascismo onde ele emerge e de se colocar em aberta rota de colisão com ele. Escolher o nome de uma mulher negra progressista para a vaga do STF e deixar que o senado faça com ela o teatro da sabatina. Colocar a vergonha onde ela deve estar: na articulação de forças entre senadores mais preocupados com eles mesmos do que com essa nação. Desenhar um STF menos masculinista. Se colocar abertamente ao lado daquelas que terão a capacidade de reelegê-lo. Engajar politicamente e de forma apaixonada a população. Engajar mulheres de todas as idades. Engajar quem ainda acredita em um Brasil menos injusto e sem oligarquias. Lula perdeu contato com aquelas e aqueles que construíram sua vitória em 2022. A imagem da caminhada rampa acima com uma multiplicidade de pessoas que compõem o Brasil envelheceu mal. A boa notícia é que dar passos para a esquerda pode resgatá-las mais uma vez. Ficar parado nesse vazio de um centro putrefato é o caminho mais curto para a derrota no fim do ano. Não há mais espaço para articulação com extremistas. Se é para perder, que a derrota venha colocando em pauta reivindicações do campo da esquerda real e não de uma esquerda fictícia que atende pelo nome de centro e se acha capaz de fazer a gestão do caos. Não há gestão possível para o caos que o fim do capitalismo criou. Gerir o caos é dar as mãos ao fascismo. Será que a derrota que Messias impôs a Lula deixou isso claro ou precisaremos de outras para finalmente enxergar? Infelizmente não há mais tempo para aprendermos. É agora ou nunca. Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash Receba novos posts de Milly Lacombe por email Informe seu email Quero receber As mais lidas agora Mesmo contra, Leila assina acordo de R$ 150 milhões da Libra com o Flamengo Congresso reforça que tem bandido de estimação ao cortar penas de golpistas Prefeitura barra plano do Nubank para mudança na arena do Palmeiras Poliana Rocha sobre crises entre filhos de Leonardo: 'Problema não é meu' Mustaine volta ao país antes de fim do Megadeth: 'Não posso tocar mais'