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José Roberto Fernandes se emociona com acesso da Ferroviária ao Paulistão Batizado como “voz da Ferroviária ”, o narrador José Roberto Fernandes, de 83 anos, não segurou as lágrimas ao narrar o acesso do time de Araraquara (SP) ao Paulistão de 2027 e chorou ao vivo durante a transmissão o jogo da volta da semifinal diante do Ituano, na Fonte Luminosa, casa da Locomotiva. Direto da cabine seis, como já é de tradição da equipe “Os Campeões da Bola”, criada em 1975 para rádio e que agora se concentra nas redes sociais, o locutor ficou em pé nos minutos finais do confronto e vibrou junto aos torcedores com o apito final de Matheus Delgado Candançan. A partida ficou 1 a 1 e a Ferroviária subiu por ter vencido a ida, em Itu (SP), por 1 a 0. - Estamos de volta, com lágrimas, com sentimento, com emoção. Estamos de volta por mérito, por mérito, por mérito. Parabéns a essa torcida fantástica, a quem dedicamos essa volta. É a festa da galera (...) Essa emoção que contagia todos nós. Só nós sabemos do sofrimento, de tudo aquilo que tivemos que engolir, mas estamos de volta e ninguém pode impedir isso, torcedor da Ferroviária! — José Roberto Fernandes, ao lado do comentarista Carlos Renato Segura e do repórter Marcos Chiocchini 1 de 5
Narrador José Roberto Fernandes se emociona com acesso da Ferroviária ao Paulistão — Foto: Vinicius Alves/ge Narrador José Roberto Fernandes se emociona com acesso da Ferroviária ao Paulistão — Foto: Vinicius Alves/ge + Ferroviária volta ao Paulistão após três anos com merecimento; análise + Paulistão 2027 tem último acesso definido e conhece todos os participantes Não é a primeira vez que Zé Roberto vai ás lágrimas com a Ferroviária, clube que aprendeu a amar nos anos 1970, quando chegou a Araraquara (SP). Uma das narrações mais lembradas por ele e por torcedores foi do acesso, também ao Paulistão, em 2015. O contexto era outro. Naquela época, a Ferroviária estava longe da elite estadual há duas décadas após graves crises financeiras e administrativas. Agora, o retorno ocorre após três anos na Série A2. - Eu sou meio chorão mesmo por natureza, né? Então, na verdade, a gente não conseguiu segurar. Mas tudo isso faz parte também do carinho que a torcida tem para com a minha pessoa, para com a equipe esportiva. O torcedor vem chorando, te abraça, e não há como você reagir de uma outra forma a não ser também abraçando, chorando, externando toda a sua alegria, que é verdadeira e que vem do fundo da alma, do fundo do coração – disse em entrevista ao ge durante o jogo do acesso. - Eu me senti obrigado a levantar a cabine e fazer os minutos finais em pé para tentar passar ainda mais emoção para os nossos ouvintes, para os nossos internautas. Foi um jogo difícil como se esperava, danado como se esperava, é sempre assim com a Ferroviária. Mas um acesso merecido, muito justo, e eu repito aquilo que já falei em várias ocasiões: que esse acesso da Ferroviária traga a cidade para mais perto do clube, que a diretoria da Ferroviária, que os donos da Ferroviária sigam esse mesmo caminho. Não basta apenas comemorar esse título. E quando eu falo título, eu falo acesso. Precisamos fazer mais pela Ferroviária – afirmou o narrador. Melhores momentos de Ferroviária 1 x 1 Ituano pelo segundo jogo da semifinal na Série A2 Quem é José Roberto Fernandes? Zé Roberto nasceu em Colina, na região de Barretos, em janeiro de 1943. Como a cidade era pequena, ainda não tinha rádio na década de 1960. No entanto, ele passou a usar o serviço de alto-falantes da praça principal do pequeno município para animar o futebol de fim de semana dos moradores. Em 1962, logo foi chamado para integrara a equipe da rádio PRJ-8, de Barretos, e iniciou a carreira que segue firme e forte até hoje. 2 de 5
José Roberto Fernandes, narrador de 83 anos, na Fonte Luminosa, casa da Ferroviária — Foto: Vinicius Alves/ge José Roberto Fernandes, narrador de 83 anos, na Fonte Luminosa, casa da Ferroviária — Foto: Vinicius Alves/ge De Barretos, passou pela rádio Educadora, de Uberlândia, e mudou-se para Araraquara em 1975 para formar a equipe esportiva da rádio Morada do Sol por meio do gerente Antônio Carlos de Araújo. A primeira narração foi o Sul-Americano de Basquete, disputado na cidade. - Foi muito relembrado agora, infelizmente com a morte do Oscar, que foi figura proeminente do time. Ele e o Marcel, naquela equipe juvenil de 75, o Claudio Mortari era o técnico, e depois se consagraram no basquete brasileiro e mundial. O Brasil foi campeão. Eu ia voltar para Barretos, mas o Araújo me convenceu a ficar. Minha família veio em 1977 e já se vão 51 anos que eu estou aqui em Araraquara e me orgulho muito disso – contou. José Roberto Fernandes comanda jornada esportiva no jogo do acesso da Ferroviária “Ferroviária significa tudo” A Ferroviária começou a fazer parte da vida de José Roberto Fernandes ainda em Colina, quando relatou , em texto e foto, o acesso do time ao Paulistão em 1966, na decisão contra o XV de Piracicaba, no Pacaembu. Além disso, a Locomotiva sempre fazia embates com o Barretos. Mas foi com a mudança permanente para Araraquara que a paixão pela camisa grená começou a falar mais alto. - Sinceramente, [a Ferroviária] significa tudo. Na minha vida pessoal, particular, significa muito. Tanto que é o único time que realmente tem a minha torcida. Eu não tenho segundo time. A Ferroviária é o primeiro, é o segundo, é o terceiro, é o quarto time em qualquer momento, né? - A gente sempre fez o máximo possível pela Ferroviária, e aí eu não falo só de mim, eu falo da equipe “Os Campeões da Bola”. Nós jamais abandonamos a Ferroviária, nem quando ela caiu por dois anos para a Bezinha (última divisão), que foi uma tristeza, foi um desespero, mas a gente jamais abandonou a Ferroviária – afirmou o narrador, que até já subiu para as cabines da Fonte Luminosa de maca para narrar uma partida após se machucar na semana do jogo. 3 de 5
José Roberto Fernandes, narrador de 83 anos, na Fonte Luminosa, casa da Ferroviária — Foto: Vinicius Alves/ge José Roberto Fernandes, narrador de 83 anos, na Fonte Luminosa, casa da Ferroviária — Foto: Vinicius Alves/ge Mesmo com a paixão de Zé Roberto e de todos integrantes da equipe pela Ferroviária, as críticas e o trabalho jornalístico de apuração nunca deixaram de se feitos, mesmo que isso desagrade quem comanda o clube. No ano passado, quando o time estava na Série B do Brasileiro e caiu para a Série C, passando apenas seis rodadas na zona de rebaixamento, Zé Roberto não mediu as palavras. No entanto, para ele, ficar fora da elite estadual é pior ainda. - Não é só jogar flores, você tem que tomar muito cuidado, você é um formador de opinião [...] Coisas do Campeonato Brasileiro, Série D, Série C, Série B, são fatos bem mais recentes, né? E rebaixamento de 20 anos [voltou ao Paulistão em 2015], depois a queda de novo aqui [rebaixamento no Paulistão de 2023], são coisas que ficam muito no nosso sentimento, no passado, na história da Ferroviária. Para mim é inadmissível. O rebaixamento da Ferroviária na série B, para mim, foi o mais vergonhoso da história da Ferroviária. Eu não vou mudar de opinião, não. Mas no conceito da comparação para nós a Série A2 do Paulista é muito mais humilhante, ela é muito mais desgastante e degradante pela história da Ferroviária, como foi também a história dos outros times que subiram para o Paulistão. Torcida da Ferroviária comemora acesso à Série A do Paulista “Voz da Ferroviária” Estar ao lado do clube em todos os momentos, transmitindo a emoção do torcedor pelo microfone, rendeu ao narrador o título de “voz da Ferroviária”. Por conta do acesso no Paulistão de 2015, o próprio clube o homenageou com uma placa. A frase emociona Zé Roberto até hoje: - Se os gols da Ferroviária tivessem voz ela seria a sua, José Roberto Fernandes. Muito obrigado por todos esses anos narrando as emoções grenás. - É uma responsabilidade que a gente tem que ter muito cuidado, muito aceite em relação a isso para que tudo não possa ser jogado fora. Agora, eu me orgulho muito. Nunca me senti, nunca tive essa pretensão de ser a “voz da Ferroviária”. Mas se entendem que eu possa ser, é uma missão que eu recebo com alegria, com muita honra e com muita responsabilidade também. 4 de 5
Placa recebida por José Roberto Fernandes, narrador "voz da Ferroviária" — Foto: Vinicius Alves/ge Placa recebida por José Roberto Fernandes, narrador "voz da Ferroviária" — Foto: Vinicius Alves/ge Apesar da idade avançada, José Roberto Fernandes não pensa em parar de narrar os jogos da Ferroviária. O assunto até passa pela cabeça, mas vai embora rapidinho. - Já fiz uma programação que eu furei não sei quantas vezes com relação a parar ou não parar. Mas o que eu tenho a dizer é o seguinte: sempre gratidão. Gratidão eterna a Deus. Afinal de contas eu não sou uma criança, eu tenho 83 anos de idade, 64 anos de rádio, e poder transmitir um jogo de futebol, passar ainda emoção para os nossos internautas, ouvintes, enfim, é uma graça de Deus pela qual eu agradeço sempre, permanentemente e sempre. - Agradeço à audiência, à torcida, aos amigos. Porque na verdade existe uma inter-relação muito grande minha com a torcida da Ferroviária, que faz com que eu dê um passo à frente para parar e três passos atrás para não parar. Enquanto houver essa saúde a gente está aí firme. Longe de pensar em abandonar a Ferroviária – disse emocionado. 5 de 5
José Roberto Fernandes, narrador "voz da Ferroviária" — Foto: Vinicius Alves/ge José Roberto Fernandes, narrador "voz da Ferroviária" — Foto: Vinicius Alves/ge