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Rodrigo Caetano revela como foi conversa com Neymar antes da convocação para a Copa Minimizar erros, seguir normas e estabelecer processos para que a Seleção se preocupe somente com o trabalho em campo. Essa é a missão do coordenador de seleções masculinas da CBF, Rodrigo Caetano, na preparação para a Copa do Mundo . Campeão em diversos clubes, o dirigente chegou à CBF em fevereiro de 2024, em meio a um ciclo conturbado na entidade. Às vésperas da Copa, ele bateu um papo com o ge para comentar os desafios no cargo. Nesta quarta, o Brasil começa a preparação com uma rotina planejada para que os altos e baixos dos últimos anos fiquem no passado e a tranquilidade paire na caminhada pelo sonhado hexa. 🔍 Adicione o ge nas suas fontes favoritas do Google A Seleção chega com expectativa renovada desde a chegada de Carlo Ancelotti, mas pressionada pelo jejum de 24 anos sem conquistar o Mundial. 1 de 7
Rodrigo Caetano em entrevista ao ge — Foto: Cahê Mota / ge Rodrigo Caetano em entrevista ao ge — Foto: Cahê Mota / ge — Ancelotti é um cara que tem umas tiradas que te passam mensagens muito importantes pra vida. E nós temos que estar sempre abertos a aprender com quem tem muito a ensinar. Nunca se colocou num pedestal ou acima dos demais. Isso é perceptível pelos outros profissionais. Então, a gente tem essa honra, esse privilégio de conviver com um cara multicampeão, técnico multicampeão e um ser humano incrível. Veja a tabela da Copa do Mundo De contratos renovados até a Copa de 2030 , Ancelotti e Caetano chegam à Granja Comary alinhados quanto a conceitos fora de campo. Logo na chegada, os jogadores saberão limites e recomendações para evitar que o ambiente externo impacte na preparação para o Mundial: Rodrigo Caetano fala sobre a relação com o técnico Carlo Ancelotti — A gente usa o termo normas de conduta (...) A gente já teve essas conversas prévias para que tivéssemos esses cuidados, para não ficar fragilizando o nosso ambiente. Se nós tivermos um ambiente coeso, forte, fechado, acho que a gente ganha força (...) Quando você combina, você trata com transparência, tudo fica mais fácil. E não de forma impositiva, mas até de forma educacional, explicando os porquês. Durante a entrevista de pouco mais de meia hora, o dirigente comentou ainda o retorno de Neymar à Seleção após quase três anos. E detalhou o contato prévio à convocação, quatro dias antes do anúncio da lista, para alinhamento de expectativas. — No momento em que a comissão técnica e o Mister entenderam a evolução dele, tanto física como técnica, número de jogos... Era necessária uma conversa com ele. Acho que foi extremamente positiva, a mensagem que o Mister recebeu foi positiva. De o Neymar entender que, em caso de convocação, seria mais um integrante dos 26 atletas e que ia fazer de tudo para merecer minutos. Rodrigo Caetano explica decisão por despedida do Brasil no Maracanã A Seleção se apresenta nesta quarta-feira, na Granja Comary, e inicia a preparação visando ao amistoso de domingo, às 18h30 (de Brasília), diante do Panamá, no Maracanã. Será a despedida da equipe do torcedor brasileiro. A delegação embarca na próxima segunda-feira para os Estados Unidos, e encara ainda o Egito, dia 6, em Cleveland, antes da estreia na Copa, diante do Marrocos, dia 13, em Nova Jersey. A Seleção está no Grupo C, que conta ainda com Haiti e Escócia. Confira abaixo a entrevista com o diretor de seleções da CBF: Está dado o pontapé inicial para a Copa do Mundo. Quais são os principais desafios do departamento de seleções a partir de agora? — Tudo o que controlamos procuramos planejar e estudar minuciosamente, até mesmo a lista final. Lamentamos que alguns atletas que participaram do ciclo não puderam estar, mas é o desafio da comissão técnica, do Mister e de todos nós. Temos que fazer as escolhas. Como ele mesmo disse, nem toda lista vai ser perfeita, nem todo time vai ser perfeito, mas decisão tinha que ser tomada. — A partir de agora, é justamente ajustar a chegada dos atletas, aqueles que já poderão treinar no dia 27, aqueles que não vão estar conosco e vão se apresentar nos Estados Unidos, caso dos três que disputam a final de Champions. E aí sim, em solo americano, meio que uma contagem regressiva para a estreia, passando pelo amistoso do dia 6 contra o Egito. Mas a gente quer muito, muito, que a gente possa fazer uma boa despedida aqui e ter esse fechamento de união com o povo brasileiro aqui no Maracanã e poder levar essa energia positiva lá para os Estados Unidos. Confira imagens do CT onde a Seleção Brasileira vai treinar nos EUA O quanto esse jogo é mais importante pelo que ele pode trazer de energia para a Seleção, conexão com o torcedor, do que realmente pelo fator campo, já que serão apenas três dias de treinos? — Um dos motivos da decisão de irmos para a Granja, de fazermos esse jogo, é fazer um pouco diferente do que talvez tenha acontecido na última, por uma questão de logística. Nós entendemos que é importante nos conectarmos aqui com o povo brasileiro antes da nossa saída para os Estados Unidos. E esse jogo, ele também traz um pouquinho de semelhança em relação, principalmente, ao Haiti, que é o nosso segundo adversário. A gente sempre busca isso, né? Adversários que se assemelhem com aquilo que vai ser o nosso enfrentamento na Copa. — Mesmo a situação do Egito, versus Marrocos, no caso. Então, vai ter o campo, mas sem dúvida alguma, essa questão de uma despedida e um até breve para o povo brasileiro. Para que os jogadores, e todos nós, da delegação, possamos receber esse carinho final. Faz parte desse planejamento também. 🔍 Adicione o ge nas suas fontes favoritas do Google Carlo Ancelotti participou do Jornal Nacional após a convocação Dá pra dizer que é um momento mais importante para vocês receberem essa energia do que para o próprio torcedor? — Verdade, um momento de troca. Porque no fim do dia, o que a gente fala assim, mesmo sendo seleção brasileira, os atletas são seres humanos também. Eles têm as mesmas fragilidades, as mesmas dificuldades, são representantes do povo. O Mister foi perfeito no que ele disse, que quando ele fala com o jogador, ele fala antes com o ser humano, que, por coincidência do momento e do destino, também é jogador de futebol. — É óbvio que o torcedor tem essa questão da idolatria, e às vezes coloca os atletas como algo muito distante deles. Não, eles são seres humanos também. Então é importante que o torcedor passe, primeiro, essa confiança, esse estímulo final nesse jogo do dia 31, e que isso se mantenha, porque os jogadores assistem a televisão, têm as suas redes sociais, e eles têm um termômetro do quanto o torcedor brasileiro acredita. É importante para nós esses dias que a gente tem pela frente até o dia da estreia. 2 de 7
Rodrigo Caetano em entrevista ao ge na CBF — Foto: Cahê Mota / ge Rodrigo Caetano em entrevista ao ge na CBF — Foto: Cahê Mota / ge Você está há dois anos e meio com a Seleção, e foi um período de um ciclo conturbado e com uma mudança de rota que parece ter ao menos renovado a esperança do torcedor. Quais ensinamentos ficam desse período até a Copa? — Eu acredito muito que essa Copa do Mundo é reflexo de uma caminhada, que teve desafios, acertos, erros, mas todos aqueles caras que passaram aqui pela Seleção, eles ajudaram. Porque ou observaram atletas que foram e se tornaram importantes, ou até observaram atletas que, nesse momento, não estão conosco. Nós temos aqui por obrigação de reconhecer na parte técnica, tanto do Ramon, do Fernando Diniz e do Dorival, colaboração para esse fechamento com o Ancelotti. É muito diferente clube e seleção. A dinâmica é muito diferente. 3 de 7
Lucas Silvestre, Carlo Ancelotti, Rodrigo Caetano e Dorival Júnior — Foto: Rafael Ribeiro / CBF Lucas Silvestre, Carlo Ancelotti, Rodrigo Caetano e Dorival Júnior — Foto: Rafael Ribeiro / CBF — Se num clube você tem a condição de ajustar rotas conforme vai se desenvolvendo uma temporada, aqui não. Aqui o nosso trabalho todo é pré-data Fifa ou pré-competição. É planejar tudo, meio que minuto a minuto, de tudo aquilo que pode e deve ocorrer numa competição, nos jogos da data Fifa. Porque você não tem a capacidade de fazer ajustes. Então, assim, modifica muito a nossa dinâmica e eu, obviamente, nesses dois anos aprendi isso. — E a nossa parte aqui, na retaguarda, é muito de dar essa sustentação, esse apoio e esse cuidado para a comissão técnica. E aí tem um pouco da visão que eu percebo de ser extremamente transparente com os atletas, em tudo aquilo que a gente entende que é a melhor forma de conduzir. Eu acredito muito nessa relação de que, falando a verdade, você tem a oportunidade de poder cobrar. Eu não vou mudar, seja na seleção ou seja em clube, essa minha forma de atuar. Com Neymar, Ancelotti anuncia convocados para a Copa do Mundo Você falou em minimizar erros. Quais foram os principais cuidados prévios ao início desta preparação que fazem com que você chegue com a convicção de que o Brasil vai lutar forte pelo hexa? — Fora do campo, nós planejamos tudo para que tivesse apenas, e talvez o mais importante, que é o imponderável do jogo, de sermos superiores aos nossos adversários, temos mais competência para vencê-los. Fora de campo a gente está atento a tudo, desde o que falamos sobre as mudanças de regra, a questão da tecnologia que vai ser cada vez mais implementada para acelerar o jogo também, possibilidades ali da pausa de hidratação que, sem dúvida alguma, tem também um acréscimo de uma informação técnica e tática naquele momento, o que o Mister falou também de algumas simulações que também tragam essa questão do controle emocional para os atletas, do que já viveram e do que pode ser vivido. Ancelotti explica convocação de Neymar e fala sobre titularidade: "Quem merece, vai jogar" — Então, assim, uma série de situações simuladas para que no momento da execução ela ocorra bem. E, principalmente, eu sei que às vezes não tem a melhor das interpretações, mas a privacidade, a qual a gente não vai negociar, de termos ali o nosso hotel privado somente para a delegação, um acesso muito controlado. Todo mundo fala que é um sacrifício de 40 dias. Não, isso é um baita de um orgulho. Você não pode, no período em que você está longe da sua família e isso aqui, qualificar isso como sacrifício. Tenho certeza absoluta que qualquer jogador gostaria de estar entre os 26, qualquer gestor gostaria de estar no meu lugar para esse período. Você falou em mudanças de regras que a Fifa implementou, mas e as regras da Seleção para este período? Há uma espécie de cartilha? Quais as limitações que ficaram definidas para este período de concentração? — A gente usa o termo normas de conduta. Tem muita gente que tem uma visão de que eles não interagem entre eles, e não é bem assim. Eles interagem sim, eles têm os seus momentos de reuniões, de brincadeiras, enfim, o momento do treinamento, o momento realmente daquela seriedade. Isso é o que eu posso te afirmar durante o período em que aqui estou, né? Agora, claro, vamos passar por 40 dias, né? E 40 dias de um convívio, então nós temos que zelar pela privacidade, mas ao mesmo tempo que não seja aquele regime de quartel, não é isso. — Quando a gente fala em privacidade, é justamente descanso, alimentação, sono, aquilo que um atleta exige, né? A vida de um atleta exige. É nesse sentido, mas... Nós temos algumas ideias para que nos momentos vagos, de descanso, a gente possa estar interagindo, eles próprios, para que cada vez mais esses zelos estejam fortalecidos entre comissão técnica, funcionários e atletas. A gente acredita muito nisso. Isso é um mantra do Mister também, do bom ambiente. Por onde ele passou, ele conseguiu, e eu acho que por onde passei, procurei também construir isso. Quando você fala em privacidade, é impossível não pensar em redes sociais. Muitos jogadores já falaram o quanto isso já atrapalhou até mesmo na questão da saúde mental. Há alguma recomendação sobre isso? — Que a nosso ambiente interno, dentro das nossas possibilidades, seja preservado. Porque, além de tudo isso, determinadas informações que às vezes você passa subliminarmente, você, querendo ou não, está informando muitas vezes o seu próprio adversário, de coisas assim, às vezes abastecendo de algum tipo de informação que deve ser privada. Esses códigos existem para isso. — Nós aqui vamos desenvolver essa relação também ao longo desse período, para que eles tenham um entendimento dos cuidados que precisamos ter. A gente já começou isso antes. A gente já teve essas conversas prévias para que tivéssemos todos esses cuidados, para não ficar fragilizando o nosso ambiente. E, se nós tivermos um ambiente coeso, forte, fechado, acho que a gente ganha força. E os acessos de familiares? Já foi definido como serão essas questões durante a Copa do Mundo? Foi debatido com os jogadores? — Tudo planejado. Previamente alinhado. Claro que sempre você tem uma flexibilidade de uma situação ou outra, mas previamente já foi passada para eles a programação, já foi passada a programação de toda a nossa primeira fase, até o último jogo lá contra a Escócia e Miami. E também nos momentos de convivência com seus familiares. Isso faz parte. — É tanto tempo junto e também até é bom dar essa oxigenada também. Quando você combina, você trata com transparência, tudo fica mais fácil. E não de forma impositiva, mas até de forma educacional, explicando os porquês. E eles, obviamente, vão ter o tempo de convívio com os familiares também. A gente acredita que isso também é um treino importante. Você criou uma relação muito próxima com o Ancelotti neste ano, ele já te elogiou publicamente e vocês tiveram as renovações anunciadas quase que simultaneamente. O que você pode falar deste um ano de trabalho juntos? — Não tenho nenhuma dúvida de que foi talvez um dos maiores presentes que o futebol me deu. É claro, eu tenho muito orgulho de estar na Seleção hoje, no cargo que ocupo, da confiança que tenho de toda a CBF. Mas, ter a oportunidade de trabalhar com um profissional do nível do Ancelotti e ter, principalmente, o privilégio de conhecer o cidadão Carlo, essa é uma oportunidade para poucos. Seus familiares, os amigos mais próximos. E acaba que você vai confundindo, porque a nossa relação se inicia como profissional e hoje já transcendeu isso. 4 de 7
Carlo Ancelotti e Rodrigo Caetano na Granja Comary — Foto: Rafael Ribeiro / CBF Carlo Ancelotti e Rodrigo Caetano na Granja Comary — Foto: Rafael Ribeiro / CBF — E foi uma coisa muito orgânica, natural. Tenho absoluta certeza de que ele confia muito no nosso trabalho, de toda a nossa equipe, mas na questão pessoal também. E aprendo com ele tanta coisa do futebol, mas muito mais coisas fora, pela vivência dele, pela experiência. É um cara que tem umas tiradas que te passam mensagens muito importantes pra vida. E nós temos que estar sempre abertos a aprender com quem tem muito a te ensinar. Nunca se colocou num pedestal, nunca se colocou acima dos demais. Isso é perceptível pelos outros profissionais. — A gente tem essa honra, esse privilégio de conviver com um cara multicampeão, técnico multicampeão, mas um ser humano incrível. Também aproveito para parabenizar toda a CBF, por também ter estendido o vínculo dele por mais quatro anos. O futebol brasileiro tem muito a ganhar com isso. E ao final do ciclo lá de 2030, tenho certeza de que a gente vai olhar pra trás e vai ver que ele deixou um grande legado como profissional e como cidadão. Por conhecer tanto assim até mesmo fora do ambiente da CBF, como você pode definir o Carlo por trás do Mister Ancelotti? — É um cara muito simples, de tudo. Gosta muito de falar sobre comida. Diz ele que faz um carbonara especial. Isso ele ainda não cumpriu a promessa de cozinhar para a gente. Mas temos tempo pela frente. É muito aberto ao diálogo. Sempre tem um papo bom, um ensinamento, uma tranquilidade. Em momentos de tensão, ele consegue realmente dar esse equilíbrio. E no dia a dia, ele ama a praia, ama o Rio de Janeiro, ama os restaurantes do Rio. Porém, ele é um cara muito disciplinado também. — Quando nós temos os nossos compromissos profissionais, tanto de observação, de viagem, isso aqui ele é muito disciplinado na questão de horário, na questão de cumprir. Ele entende o que ele representa, o que ele já conquistou, mas ele tem muito respeito pela instituição, pela seleção brasileira, para o povo brasileiro. Ele respeita demais os compromissos, que não são só profissionais, pessoais assumidos com o nosso país. 5 de 7
Carlo Ancelotti e Rodrigo Caetano em treino da seleção brasileira — Foto: Rafael Ribeiro / CBF Carlo Ancelotti e Rodrigo Caetano em treino da seleção brasileira — Foto: Rafael Ribeiro / CBF — Eu acho que ele deixa muito claro isso em todas as suas manifestações. Ele é isso. Eu não fiz essa pergunta a ele, mas, se eu fosse perguntar se ele tivesse a opção de escolher outro país que não fosse a Itália para ter nascido, eu acho que, sem dúvida alguma, ele teria escolhido o Brasil. Essa relação facilita um diálogo mais franco em uma relação na qual, no organograma, você é chefe dele? — Primeiro que eu não me coloco dessa forma, absolutamente, nem antes quando foi com o Dorival, nem tampouco com o Ancelotti. Eu me coloco ao lado, sendo um dos pares, e em todas as nossas discussões nós inserimos todos os profissionais. Mas é óbvio que em decisões importantes nós dois, digamos assim, que fazemos o último ajuste fino. Pela confiança, pela relação que já temos, já construímos, então que no fim acaba convergindo para isso. E eu tenho a tranquilidade, do mesmo jeito que ele tem comigo, óbvio, de poder manifestar a minha opinião. — Decisões técnicas sempre serão dele a última palavra, mas acabo não me eximindo da responsabilidade que tenho de manifestar a minha opinião, principalmente em questões sensíveis. E ele da mesma forma. Nós não fazemos nada, nenhuma tomada de decisão sem consultá-lo também. Então, funciona bem, porque mesmo dentro do departamento, tendo um cargo assim tão importante, não me coloco acima de ninguém, muito menos dele. Temos uma ótima sintonia por causa disso. Não se colocar acima, que nem poderia e nem tem essa pretensão de um treinador dos mais vencedores do mundo. Falando do campo, quais são as projeções feitas por vocês para a Copa do Mundo? Qual é a análise feita diante das possibilidades de cruzamentos e enfrentamentos? — Nós temos ali o nosso caminho sugerido, o nosso prognóstico, mas nós vamos fazer passo a passo, jogo a jogo, até porque em tese o nosso primeiro jogo é o mais difícil. Em tese. A estreia por si só já tem aquele componente emocional. Entendemos que, se vencermos o Marrocos, temos um caminho pavimentado para quem sabe ser o primeiro do grupo. O que depois nos leva a Houston. Nosso plano A é definido em cima de sermos o primeiro do grupo. 6 de 7
Imagem do CT onde a Seleção vai treinar nos EUA — Foto: Reprodução Imagem do CT onde a Seleção vai treinar nos EUA — Foto: Reprodução — Porque em caso de chegarmos até uma final de Copa do Mundo, significa que dos oito jogos nós só teremos quatro viagens, porque Filadélfia e depois mais dois jogos, um deles a final em Nova Jersey. Com isso, nós teremos quatro apenas deslocamentos aéreos. É o que tínhamos que fazer, como eu te disse. Não é por falta de planejamento que nós não vamos ter a nossa caminhada até a final. É porque, do outro lado, pode ser que tenha adversários superiores, merecedores de um outro resultado. Queria que você falasse um pouco da tomada de decisão pela convocação do Neymar. Sabemos que na quinta-feira anterior à divulgação da lista houve um contato. Como foi essa ligação e o quanto foi salutar para o retorno dele? — É claro que o Neymar tem o tamanho que ele conquistou. No momento em que a comissão técnica e o Mister entenderam a evolução dele, tanto física como técnica, número de jogos, enfim, era necessária uma conversa com ele. Não foi passada a certeza da convocação, porque isso não fizemos e não faríamos com nenhum outro, mas dessa possibilidade de convocá-lo para a Copa do Mundo e os motivos que levaram a comissão técnica para considerar isso. — Acho que esse foi o primeiro ponto, valorizar essa recuperação dele, valorizar realmente o esforço que ele está fazendo, porque, como o Mister sempre disse, tecnicamente ele não precisava ser testado. E a conversa foi excelente, nós entendemos que ela era necessária justamente para projetar, em caso de convocação, como as coisas iam acontecer. "Problema do quê?", Neymar responde jornalista em zona mista do Santos — O Neymar foi super receptivo, o que não é surpresa alguma para mim. Acho que foi extremamente positiva, a mensagem que o Mister recebeu também foi positiva. De o Neymar entender que, em caso de convocação, ele seria mais um integrante daqueles 26 atletas e que ia fazer de tudo para merecer minutos, para merecer oportunidade, para merecer jogar. Como é da natureza de um atleta de alto nível, como é o caso dele. Qual foi a reação dele quando atendeu e falou com vocês diante de toda expectativa até dele por essa chamada? — Eu avisei antes que queríamos falar com ele, de pronto ele atendeu. Ele é realmente um cara de alto astral, está sempre de cara boa. Eu não tive ainda o privilégio de estar no dia a dia com ele, mas a mensagem, a impressão que temos nós é justamente essa que muitos que o conhecem têm, de que ele é um cara de alto astral o tempo todo. É muito querido entre todos, porque a vida do Neymar foi sempre dentro do campo jogando, ele foi muito precoce em tudo. Cahê Mota traz bastidores de ligação por vídeo que Carlo Ancelotti fez com Neymar — Se eu puder te contar, eu estava começando a minha carreira como gestor lá na base do Grêmio e fui em um torneio interior de São Paulo, assisti a uma competição que era sub-15 e o Neymar jogava com 13 anos. Você imagina, numa idade essa, na qual um ano faz uma diferença enorme, ele jogava na equipe do Santos com dois anos a menos. E tudo para ele foi muito precoce. Eu acho que essa meta que ele tinha de ir para uma Copa do Mundo, sua quarta Copa do Mundo, ser um dos recordistas de muitos números, eu acho que é um entendimento importante no auge da maturidade dele agora, na idade em que ele se encontra, de dizer: "Poxa, eu sou um privilegiado e vou viver isso". Para encerrar, como vocês lidam com o jejum de 24 anos? É algo que vocês trabalham internamente ou que fica do lado de fora por não ser algo que pertença a vocês, ao trabalho de vocês? — Olha, não conversamos a respeito disso. Há outras situações que trabalhamos na parte motivacional, coesão do grupo. Esse histórico não controlamos. Não gostaríamos que a Seleção tivesse esse hiato, mas se fosse fácil... E olha que somos quem mais ganhou e ganhamos cinco. Copa é um torneio para o qual você se prepara muito tempo e encara oito jogos. Em alguns minutos tudo muda. É muito melhor para termos possibilidade de sucesso colocarmos energia em detalhes que realmente podem escrever a nossa história do que trazer um peso ainda maior. Esse assunto não é pauta entre nós. 7 de 7
Programação da seleção brasileira até a Copa do Mundo — Foto: Infoesporte Programação da seleção brasileira até a Copa do Mundo — Foto: Infoesporte