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Só para assinantes Assine UOL Opinião Esporte Filipe Luís mostra desconexão com Flamengo com fala isentona sobre Vini Jr Rodrigo Mattos Colunista do UOL 20/02/2026 13h18 Deixe seu comentário 0:00 / 0:00 Carregando player de áudio Ler resumo da notícia A noite de Filipe Luís como técnico na final da Recopa foi bem abaixo da crítica, uma de suas piores. Mas não foi sua pior atitude no jogo. Suas declarações isentonas sobre o episódio de racismo contra Vinicius Jr mostram que ele não entende a natureza do Flamengo. Nesta sexta-feira, diante da repercussão das suas declarações, o técnico soltou uma nota para condenar o racismo e apoiar Vinicius Jr. Filipe é torcedor do clube, foi jogador vitorioso pelo Rubro-Negro e agora um técnico de trajetória triunfante. Então faz sentido dizer que revela uma desconexão com a instituição? Sakamoto Medidas de Mendonça enviam recado à PF Daniela Lima Flávio usa Carnaval e bate seu recorde nas redes PVC Filipe Luís tinha que seguir Mbappé ao falar sobre Vini Juca Kfouri Os favoritos nas quartas de final do Paulistão Vejamos suas declarações. Antes do jogo, foi questionado pelo repórter sobre o episódio em que Vinicius Jr acusou Prestianni de chama-lo de macaco, durante o jogo entre Real Madrid e Benfica. Respondeu: "É um tema muito mais delicado do que pensamos. Envolve muitas coisas. Para mim é simples. O garoto tapou a bola. Não deveria tapar a boca para dizer o que deveria dizer. Isso gera todo esse rebolo (confusão). Agora é a palavra de um contra a outro. É muito delicado. Agora, se fez, tem que pagar. Repito: É a palavra de um contra outro. Não sou eu que posso julgar." Não condenar o jogador argentino sem ter imagem conclusiva até pode fazer sentido. Mas, diante das circunstâncias do caso, é incompreensível dar o mesmo peso às palavras de Vinicius Jr e Prestianni. Vini Jr apresentou uma versão clara da acusação, que foi confirmad pelos seus companheiros, principalmente Mbappé. Todas as imagens do jogo indicam que falou a verdade, só analisar a linguagem corporal, a indignação dele, a forma como Prestianni não reage ao ser chamado de racista por Mbappé. Prestianni até agora sequer deu sua versão do que falou. Simplesmente negou. Mais do que isso, Filipe nada falou sobre o problema do racismo no futebol, tratando de forma protocolar como se fosse um problema disciplinar qualquer. Continua após a publicidade Ora, o Flamengo tem a maior torcida do Brasil, certamente também é a maioria entre os pretos no país. A questão do racismo afeta e é importante para parte significativa dos rubro-negros na pele. Fora que obviamente é relevante para outra parcela que quer uma sociedade melhor. O clube tem até no estatuto uma cláusula antirracista. Além disso, Vinicius Jr é formado no clube, e um símbolo rubro-negro, ainda que jogue no Real Madrid. O próprio clube rubro-negro soltou um comunicado de apoio ao jogador. Filipe é um dos representantes mais importantes da torcida rubro-negra. Se ele não dá à luta antifascista a dimensão que merece, em um episódio emblemático, não consegue representar ninguém. A fala contrasta com a excelente entrevista do técnico do Bayern de Munique, Kompany. Se não condenou Prestianni, o treinador deu o contexto do sofrimento de pretos na Europa, de como Vinicius Jr é atacado, de como não faria sentido que apresentasse uma queixa infundada, de como Mourinho se equivocou ao atacar o brasileiro. E lembrou dos atos racistas filmados da torcida do Benfica até agora sem punição pelo clube. Depois do jogo contra o Lanús, perguntado por um repórter sobre a Argentina, no contexto do caso Vini Jr, Filipe disse que sempre foi muito bem tratado no país. E chamou o episódio de "caso isolado". A Libertadores tem mostrado que casos de racismo na Argentina não são isolados. Foram vistos de forma sequencial na arquibancada em jogos contra brasileiros, inclusive em jogos do Flamengo. Continua após a publicidade Não se trata de condenar todos os argentinos. Mas que boa parte da população tem uma questão a ser resolvida sobre racismo está claro. Filipe Luís não precisa ser um ícone da luta contra o racismo, nem condenar ninguém por antecipação. Mas é preciso ao menos, de forma clara, reconhecer e ser contra essa chaga que afeta boa parte do povo que ele representa. Isso já seria sua obrigação como cidadão. Como técnico do Flamengo, trata-se de um dever com aqueles que, além de todo o apoio, pagam seu salário. Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. 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