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André Barbieri treina antes da estreia nas Paralimpíadas de Inverno de Milão-Cortina Para André Barbieri, descer a montanha em uma prancha é um prazer que não tem preço. Apaixonado pelo surfe desde jovem, o brasileiro se reencontrou no snowboard. Justamente o esporte que lhe tirou a perna esquerda em 2011 devolveu a felicidade de deslizar em pé, ainda que com o uso de prótese. Aos 44 anos, o atleta entrará em ação nas Paralimpíadas de Inverno de Milão-Cortina nesta sexta-feira (13), na disputa do banked slalom, a partir de 5h (de Brasília), com transmissão do sportv2 . A estreia nos Jogos estava prevista para a semana passada, mas Barbieri sofreu um acidente durante treino e ficou fora da prova de snowboard cross . Ele já está totalmente recuperado do susto e pronto para se aventurar na neve outra vez. - Eu realmente sou apaixonado pelo snowboard, porque agora eu surfo de joelhos. Não uso uma prótese pra surfar, mas no snowboard eu consigo estar de pé em uma prancha de novo. Isso me traz um prazer que não tem preço. Se eu tivesse 15, 20 anos, e você me falasse que aos 40 eu estaria participando das Paralimpíadas, sabe? É uma história inacreditável, um conto de fadas. O quanto de coisas boas que já trouxe essa tragédia... Hoje eu não vejo como tragédia. + Nevasca em Cortina D'Ampezzo antecipa provas de brasileiros no snowboard + Cristian Ribera conquista prata histórica para o Brasil nas Paralimpíadas de Inverno + Vítima de Chernobyl leva seu 3º ouro em Milão-Cortina e chega à 22ª medalha da carreira 1 de 2
André Barbieri treina antes da estreia nas Paralimpíadas de Inverno de Milão-Cortina — Foto: Dario Belingheri/Getty Images André Barbieri treina antes da estreia nas Paralimpíadas de Inverno de Milão-Cortina — Foto: Dario Belingheri/Getty Images Barbieri celebra um renascimento a cada 11 de março. Ele viajava com o irmão para um fim de semana na neve. O snowboard era apenas o hobby de inverno. A paixão pelo esporte começou com o surfe e motivou André a sair do interior do Rio Grande do Sul para viver mais perto das ondas, na Califórnia. Naquele 11 de março de 2011, um acidente marcou a vida do brasileiro. - Eu estava na frente do meu irmão e peguei uma placa de gelo. Perdi o controle e fui reto numa cerca de madeira. Quebrei o fêmur. Arrebentei a artéria femoral, que é o que mata muita gente, por exemplo, num ataque de tubarão. Todo meu sangue que estava descendo para a perna não voltava. Ali começou uma batalha para salvar minha vida. Cinco cirurgias mais tarde, cinco dias mais tarde, a gente teve que amputar minha perna acima do joelho. É óbvio que é triste, ninguém quer perder uma perna, mas saiu barato essa brincadeira sendo que eu poderia ter morrido. 2 de 2
André Barbieri durante participação nas Paralimpíadas de Inverno de Pequim 2022 — Foto: Divulgação/CPB André Barbieri durante participação nas Paralimpíadas de Inverno de Pequim 2022 — Foto: Divulgação/CPB O atleta ainda celebra um outro nascimento em 11 de março. Exatamente 10 anos depois do acidente, veio ao mundo a filha caçula, Maile. Àquela altura, Barbieri já tinha se adaptado à nova vida, reaprendido a andar com prótese, tentado sem sucesso uma vaga no triatlo das Paralimpíadas do Rio 2016 e migrado para o snowboard paralímpico após sua classe ficar fora dos Jogos de Tóquio. O reencontro com a neve inicialmente trouxe tensão para a família. - Logo que eu amputei, a coisa que eu mais queria fazer era voltar para a água e surfar. Isso eu queria fazer antes de pensar em caminhar, eu queria surfar já. O snowboard, ninguém nunca falava nada, minha esposa não falava, meus pais não falavam, mas eu sentia uma tensão no ar. Toda vez que eu ia para a montanha era tenso, e eu entendo isso, ainda mais hoje como pai. Mas expliquei para eles que realmente é uma coisa que não preciso fingir, eu realmente amo. E eles veem isso, veem o quanto eu me divirto. + Brasil é 34º país a ganhar medalhas em Olimpíadas e Paralimpíadas de Inverno e Verão; veja lista + Confira mais notícias relacionadas às Paralimpíadas de Inverno A diversão na neve levou Barbieri às Paralimpíadas de Pequim. Em 2022, ele acabou na 13ª posição nas duas provas da classe LL1 (para pessoas com amputações de perna acima do joelho ou com comprometimento físico-motor similar): o snowboard cross e o banked slalom. Em Cortina d'Ampezzo, vai em busca de um top-10. - Vou representar o Brasil nas Paralimpíadas, no maior evento esportivo do mundo, sabe? Eu estou super feliz, honrado e ansioso, né!? Estou tentando ficar calmo, mas às vezes não é bem assim. No banked slalom, prova que Barbieri disputará em Milão-Cortina, os atletas farão duas descidas individuais, e a classificação será definida pelo menor tempo de cada competidor. Há curvas, relevos e depressões ao longo do percurso. As primeiras baterias começarão às 5h desta sexta, e as descidas finais terão início às 7h (horários de Brasília).