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Só para assinantes Assine UOL Opinião Esporte Conflito com o Irã aumenta tensão pré-Copa do Mundo nos EUA Mauro Cezar Pereira Colunista do UOL 01/03/2026 12h41 Deixe seu comentário Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Donald Trump, presidente dos EUA, e Gianni Infantino, presidente da Fifa, durante sorteio da Copa do Mundo de 2026 Imagem: BRENDAN SMIALOWSKI/AFP Não é preciso ser um analista geopolítico para saber que o conflito entre o Irã e Estados Unidos/Israel torna mais tenso o clima pré-Copa do Mundo. O certame será disputado nos três países da América do Norte (Canadá e México, além do solo americano) entre 11 de junho e 19 de julho. O receio com relação à possibilidade de ataques retaliatórios durante o Mundial nada mais seria do que natural reação humana. Acentuada após a morte do líder supremo da república islâmica, Ali Khamenei, em ataques dos Estados Unidos e Israel, sábado. Neste domingo o Irã anunciou como líder supremo interino Alireza Arafi. Caberá a ele comandar o processo de substituição de Khamenei. Contudo, a possibilidade de assumir um sucessor linha-dura pode acentuar riscos e medo de que a violência chegue de alguma maneira à Copa. Josias de Souza Exibição de força no Irã expõe fraqueza de Trump Alicia Klein Palmeiras chega à final para evitar replay de zebra Juca Kfouri Ganso ensina como se bate pênaltis e classifica o Flu Mauro Cezar Conflito com Irã aumenta tensão pré-Copa nos EUA Milhares se reuniram na Praça Imam Khomeini, em Isfahan, para homenagear o líder morto, uma das lideranças da Revolução Islâmica de 1979. Isso não significa, evidentemente, que toda a população apoie o regime, pelo contrário. Com o interino ou o sucessor, qual será a decisão do Irã sobre o Mundial? Principalmente se o sucessor do líder assassinado for mais radical, alinhado à Guarda Revolucionária? O futebol é usado de várias maneiras no jogo geopolítico, inclusive para chamar a atenção do mundo. O que farão? O Irã se classificou e caiu no Grupo G, tendo como adversários Bélgica, Egito e Nova Zelândia. Importante: as suas três partidas da fase de grupos estão agendadas para a Costa Oeste dos Estados Unidos, duas em Los Angeles e uma em Seattle. Presidente da Federação Iraniana de Futebol, Mehdi Taj disse à TV estatal iraniana que é "improvável" a participação da seleção no certame após os ataques americanos. Deixar o torneio seria visto como protesto político/militar, um inédito boicote na história das Copas. A Fifa teria de substituir o Irã pelo vice da repescagem asiática, por exemplo. Ajustes em tabela, logística e ingressos causariam problemas, mesmo que contornáveis. Contudo, as 11 cidades americanas que serão sedes da competição receberão a maioria dos jogos. E o clima de guerra dificilmente será ignorado nesse contexto. Por mais que Fifa e autoridades americanas estejam atentas, seria natural o medo de ataques retaliatórios e atos de terrorismo. Detalhe: a maior população muçulmana, de origem iraniana, ou não, está justamente na Califórnia, que a priori receberá a seleção de origem persa. Continua após a publicidade Sem falar na grande possibilidade de protestos que podem se tornar palco de violência, tanto pró-Irã quanto anti-Irã. Eles já aconteceram na Copa do Mundo de 2022, no Catar, onde mulheres iranianas reivindicaram direitos. O secretário-geral Mattias Grafstro assegurar que a Fifa está em "monitoramento constante" e prioriza uma Copa "segura com todos participando" não pode ser entendido como garantia de segurança absoluta, evidentemente. Absolutamente ninguém controla a situação. Há outras questões que podem impactar o Mundial. Um exemplo? O conflito evolve países do Golfo. Kuwait, Catar e Emirados Árabes Unidos e Jordânia já relataram interceptações de mísseis iranianos. Todos têm presença militar americana, por sinal. O Estreito de Ormuz foi bloqueado e se esses problemas persistirem, efeitos colaterais serão quase inevitáveis, como interrupção ou cancelamento de voos entre Oriente Médio e América do Norte, ou problemas no fornecimento de energia. Já um aumento dos preços de combustíveis encareceria viagens de torcedores e complicaria a logística da entidade. Dizem que futebol e política não se misturam. No contexto atual, tal afirmação soa tão descabida que a ignorância de quem a repetir causaria vergonha alheia. Procurada pelo blog, a Fifa não respondeu. Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. 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