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Torcida do Paraná Clube lota Vila Capanema para apoiar SAF Série D em 2028, novo Centro de Treinamentos e reconstrução da base, que no passado revelou nomes como Ricardinho, Thiago Neves e Lúcio Flávio, são alguns dos objetivos da SAF do Paraná Clube, anunciada na última sexta-feira. Em entrevista exclusiva ao ge, Pedro Weber , CEO da NextPlay, empresa que vai administrar o Tricolor, deu mais detalhes do projeto, destacou a SAF do Coritiba como modelo de gestão financeira e afirmou que quer evitar uma "pegada John Textor" na administração. ✅ Clique aqui e siga o canal do ge PR no WhatsApp Grupo de investidores fundado no Rio de Janeiro, que tem o carioca Weber como CEO, a NextPlay terá 90% das ações do clube paranaense e uma obrigação mínima de investir R$ 212 milhões em 10 anos. No entanto, ela terá o controle da SAF quando o processo da venda for finalizado — o que deve levar cerca de seis meses, de acordo com a previsão do Tricolor. — A Nextplay é uma sociedade minha e de um grupo do Rio de Janeiro, são pessoas investidoras no mercado financeiro, que receberam aportes de bancos, inclusive a Genial Investimentos, que faz parte desta composição. São pessoas do mercado financeiro, investidores qualificados, que estão voltados especificamente para este projeto — explicou Pedro Weber ao ge. Enquanto isso, NextPlay e associação vivem um momento de transição, e a empresa já atua no Paraná para definir os profissionais que serão responsáveis pelo futebol do clube. — Ainda existem alguns pontos complexos, mas a gente já começou o projeto e está trabalhando em paralelo com a associação, assumindo o desafio. A gente está fazendo um orçamento conjunto. Claro que as obras, as grandes intervenções, vão ficar para depois do fechamento — disse. — Mas para agora, [queremos] ser competitivos na Segunda Divisão, ter o principal orçamento para buscar o acesso, e já se adaptar ao que a gente imagina de gestão — completou. O próximo passo, assim que a juíza da Recuperação Judicial, Mariana Gusso, aprovar o plano de pagamento da RJ protocolado pelos credores, é anunciar o CEO do clube, que vai ficar responsável pela administração direta do dia a dia Tricolor, e que já está definido. O clube espera fazer isso na primeira semana de janeiro. Depois, a ideia é anunciar o diretor de futebol e o técnico. O Paraná ainda estuda nomes para a direção e tem pressa para definir, já que a Divisão de Acesso do Campeonato Paranaense foi adiantada e começa no dia 28 de fevereiro. 1 de 4
CEO da NextPlay, Pedro Weber, em entrevista ao ge — Foto: Paulo Kreling/RPC CEO da NextPlay, Pedro Weber, em entrevista ao ge — Foto: Paulo Kreling/RPC Como fica o orçamento para 2026? Weber explicou que, como a NextPlay ainda não está no controle do clube, ainda não existe o compromisso de investir R$ 10 milhões - valor anual previsto no contrato da venda nos anos em que o Paraná estiver sem divisão nacional. Ele detalha que associação e NextPlay fizeram um orçamento de tiro curto, de seis meses, para compreender o período em que o Tricolor vai disputar a Divisão de Acesso 2026. — A gente está construindo, até pelo calendário, uma transição, onde já coloca um executivo liderando esta pasta [futebol], monta um orçamento conjunto na temporada 2026 com a associação e ataca principalmente a Segunda Divisão. O principal objetivo do ano é ter esse acesso — destacou. — A gente fez um orçamento de seis meses, até o final da competição [Divisão de Acesso]. Não tem nenhum orçamento anual. Estamos em uma tática de guerrilha, fazendo de acordro com a necessidade. Focando muito na competição do Estadual e na recuperação da iniciação da base — explicou. A partir do fechamento da venda — o closing — aí sim, segundo Weber, a NextPlay terá a obrigação de investir no mínimo R$ 10 milhões por ano nas anos temporadas em que o clube estiver sem divisão nacional. — Aí já vai ser um compromisso de acordo de acionista, com um mínimo de orçamento. Mas isso sempre é um piso. Pegando a minha experiência, até no próprio América-RN, a gente sempre batia e passava do piso. Então esse é só um compromisso que está atendendo as necessidades que a associação enxerga para ter uma boa temporada — completou. 2 de 4
Paraná Clube anunciou SAF no aniversário de 36 anos — Foto: Paulo Kreling/RPC Paraná Clube anunciou SAF no aniversário de 36 anos — Foto: Paulo Kreling/RPC CEO citou SAF do Coritiba e John Textor Pedro Weber destacou que uma condução financeira sóbria é o principal objetivo da SAF do Paraná Clube. — Eu acho que o mercado brasileiro ainda está se adaptando nesta questão [da SAF]. Alguns investidores chegaram numa volúpia de promessas e acabaram se endividando mais do que criando um plano de sustentabilidade de médio a longo prazo. Eu acho que a NextPlay é mais uma pegada de um crescimento orgânico — opinou. Perguntado sobre quais SAFs do Brasil servem de modelo para o projeto tricolor, o economista afirmou que quer evitar o estilo de gestão de John Textor, dono da SAF do Botafogo. Ele também destacou que vê a Treecorp, do Coritiba, com bons olhos em relação à gestão financeira. — A gente está resolvendo a solução da dívida e não vindo para criar mais endividamento. Eu vejo a Treecorp com uma rigidez e uma condução mais sóbria neste sentido no Brasil — destacou. — Acho que é mais nessa pegada do mercado financeiro, do que uma pegada de John Textor — destacou. Primeiro ciclo da SAF quer Série D em 2028 O planejamento montado pela SAF do Paraná Clube prevê participação na Copa do Brasil e na Série D a partir de 2028. O investimento previsto para a temporada na Quarta Divisão nacional é de R$ 21,9 milhões. — A gente fez essa modelagem de um ciclo de um ano. Estamos montando todo o racional do futebol agora até o Estadual de 2027. Então o planejamento agora é o Estadual [Segunda Divisão] 2026, Taça Paraná e Estadual 2027 — disse. Rebaixado do Estadual nesta temporada logo após voltar à elite paranaense, o Paraná Clube inicia a Divisão de Acesso no fim de fevereiro de 2026. A competição terá 10 equipes e ao final duas sobem. A está prevista para o dia 10 de junho. — Ter êxito neste ano é super importante para em 2028 a gente estar jogando o Estadual, a Copa do Brasil e a Série D. Fizemos este microciclo e o foco agora de toda a construção de executivo, treinador e elenco vai ser para esse período de um ano. A gente fez este corte e está montando o orçamento em cima disso — emendou. Projeto para novo CT já está sendo desenhado Uma das previsões contratuais da SAF do Paraná Clube é transformar a Vila Olímpica no novo CT do clube. Para isso, o clube terá um orçamento previsto de R$ 10 milhões em três anos. De acordo com Weber, o desenho do projeto já está sendo feito por um escritório de arquitetura em Curitiba e deve ser apresentado ainda no início de 2026. — A gente já tem um desenho, temos um escritório de arquitetura aqui em Curiitba desenvolvendo. Acho que em janeiro [o projeto] já vai estar pronto e a gente vai poder mostrar. Mas a ideia hoje é fazer o Boqueirão, a Vila Olímpica como nossa casa no dia a dia do trabalho — revelou. — A gente vai começar a deixar todo o projeto de arquitetura da Vila Olimpíca pronto para quanto tiver esse fechamento. Estamos imaginando meio do ano, vai caminhar junto com o Estadual. Acabando o Estadual, a gente vai ter que migrar e começar uma obra, andando junto com a operação, ou tentar alguma outra solução — explicou. Uma vez finalizado o projeto, as obras só vão começar depois da conclusão da SAF. Enquanto o clube ainda não tem a NextPlay no controle, seguirá usando o Ninho da Gralha. Com o fim da transição, ainda não há definição de onde os atletas poderão treinar. — Nesta transição, a gente vai continuar usando o Ninho da Gralha. O Carlos [Werner] autorizou a gente, cedeu o espaço, sabendo que teria essa necessidade de transição, até porque a operação pode demorar uns seis meses para fechar — disse. 3 de 4
Base do Paraná Clube na Vila Olímpica — Foto: Divulgação/ PRC Base do Paraná Clube na Vila Olímpica — Foto: Divulgação/ PRC E a Vila Capanema? Para o estádio do Paraná Clube, o compromisso de investimento é de R$ 60 milhões. Ainda não há um projeto definido para a reforma. A ideia, neste primeiro momento, segundo Weber, é buscar um parceiro para conseguir gerar receita com o estádio. — A Vila Capanema a gente está buscando e está bem próximo de trazer esse parceiro para a gente montar um racional de médio a longo prazo e a ente está tratando esse contrato como super relevante no projeto, porque vai gerar essa vantagem comparativa — disse. — A gente está trabalhando muito forte em buscar parceiros para a Vila Capanema para ela ser um gerador de receitas e uma vantagem comparativa para o Paraná nos próximos anos — completou. 30 anos da passagem de Vanderlei Luxemburgo pelo Paraná Clube Os pilares da SAF em 10 anos De acordo com Weber, a SAF do Paraná Clube trabalha com quatro pilares: Competitividade no profissional, que compreende o orçamento mínimo por divisão Recuperação de uma base formadora Rigidez orçamentária Geração de receitas com Vila Olímpica e Vila Capanema A partir de agora, o Paraná Clube aguarda a homologgação do plano de pagamento da RJ, após o recesso do Judiciário, para poder apresentar os profissionais envolvidos na gestão do futebol e formar o elenco da Divisão de Acesso de 2026. O Tricolor estreia na competição no dia 28 ou 29 de fevereiro diante do Prudentópolis. 4 de 4
Vila Capanema — Foto: José Tramontin/Arquivo/Athletico Vila Capanema — Foto: José Tramontin/Arquivo/Athletico Mais notícias do esporte paranaense no ge.globo/pr