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Análise dos Times

Santos

Principal

Motivo: Cobertura favorável ao projeto da base santista: destaca resultados positivos da gestão de Elano, elogios das famílias e protagonismo do clube

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Palavras-Chave

Entidades Principais

Santos Neymar Vila Belmiro Marcelo Teixeira CT Rei Pelé Elano

Conteúdo Original

"A Copa pelos santistas": Elano relembra 2010 e fala da expectativa por Neymar em 2026 Ídolo do Santos e com a experiência de ter desempenhado várias funções no clube, Elano tem uma missão definida no comando da base alvinegra: o resgate do DNA ofensivo do Peixe. Depois de ter sido jogador, com oito títulos com a camisa santista, auxiliar e até treinador interino do Peixe, ele é, há oito meses, o gerente das categorias de base. Em busca do protagonismo em todas as categorias, acredita que as mudanças no departamento começaram a surtir efeitos. 🔍 adicione o ge nas suas fontes favoritas do Google – Se nós jogamos há dois anos treinando defesa, ok, positivo também para o futebol. Mas o Santos é ataque, então nós vamos começar a treinar o ataque. Nós estamos batendo uma casa de 830 gols em todas as categorias – comentou Elano. Mais sobre o Santos: + Santos derruba três transfer ban; veja os detalhes 1 de 5 Elano, gerente da base do Santos, durante jogo do time sub-20 — Foto: Reinaldo Campos/ Santos F.C. Elano, gerente da base do Santos, durante jogo do time sub-20 — Foto: Reinaldo Campos/ Santos F.C. + Siga o canal ge Santos no WhatsApp! Em uma conversa de cerca de uma hora com o ge , Elano explicou como é a rotina no departamento e disse que não pretende retornar à carreira de treinador. O ex-jogador também ressaltou a preocupação com o lado humano dos atletas e das famílias, além de medidas como a proibição do uso de aparelhos celulares pelos atletas dentro do CT. ge: Você gerencia quantas pessoas? – Eu tenho cerca de 380 atletas, além de uns 100 funcionários, podemos dizer assim. Como foi o início como gerente da base do Santos? – Não vou deixar de ser ex-atleta nunca. Tudo que eu construí na vida foi através do futebol. E eu sou fruto da base. Quando eu paro (para pensar), todos os meus trabalhos como treinador foram, também, integrados com a base. Tenho inúmeros atletas jogando pelo mundo afora e pelo Brasil que foram aproveitados e tiveram as primeiras oportunidades comigo dentro dos meus trabalhos. – Sou muito amigo dos gerentes, dos supervisores, dos coordenadores. Eu me preparei também, fiz cursos, estudo, entendo, tenho a gerência da minha vida, que não é simples. É um cargo que eu pretendo continuar como carreira... Como treinador não quero, mesmo sabendo que tenho potencial. – Minha conversa com o presidente Marcelo Teixeira foi de que eu preciso de autonomia para poder gerir da minha forma. E ele me deu essa autonomia, junto com toda a galera que está aqui para me ajudar. Mas o primeiro passo é esse: eu ter autonomia para tomar as minhas decisões. Tem dado certo. Lógico, passando pela experiência do estudo, pela experiência de entender a profissão, de entender a função, a cadeira que eu exerço hoje. Eu acho que tem dado resultados bons. Estou feliz. ge: No Santos se fala muito em reestruturação. Quais foram os primeiros pontos que você julgou serem mais sensíveis, que precisavam mudar dentro da dinâmica da base? – Aqui não tem que ter nada sensível. Nós temos que tocar em tudo, falar de tudo o que acontece às claras. Para a gente arrumar um processo, nós precisamos ser transparentes e verdadeiros com tudo aquilo que a gente está vendo. É da forma que eu sou. Muitas vezes eu não sou tão bem aceito pelas coisas que eu me posiciono, mas eu preciso me posicionar. – A gente trabalha aqui, além da parte técnica e tática, a parte humana. O tempo é curto, mas tenho criado algumas palestras também sobre educação financeira, convívio, coletividade. Acho que aqui nós estamos trabalhando com formação. Consequentemente, nem tudo no futebol sai como você espera. O sub-17, por exemplo, não classificou. Mas tudo faz parte da formação. Acho que a gente tem que se organizar, que o Santos tem que ser protagonista na base em todas as categorias. Você tem centenas de garotos aqui, mas nem todos vão se transformar em jogadores de futebol. Existe a preocupação com a formação do adolescente como pessoa, como um cidadão? – Sim, nós temos que ter os melhores atletas dentro do Santos, mas também nós temos que nos preocupar em ter os melhores seres humanos. Acho que a maior vitória que podemos ter na vida é construir uma boa família e ser uma referência. É assim que eu passo para eles. Fora do campo a nossa relação tem sido muito boa. Eu cortei o celular dentro do CT. Não foi nada impositivo, mas uma conversa com todos eles, com a ajuda dos coordenadores, supervisores e dos funcionários. – Nós estamos muito distantes daquilo que imaginamos. Estamos criando o ser humano para que tenhamos os resultados e eles consigam seguir a vida deles, no Santos ou em qualquer outro lugar. Hoje temos um banco de dados, as relações de treino e jogos filmados 24 horas de toda a base. Por exemplo, nem todo mundo vai conseguir jogar no Santos, mas isso é uma coisa futura que eu já tenho desenhado para poder apresentar. Alguma coisa em relação a negócio. ge: Você falou sobre a proibição dos celulares dentro do CT. Tem surtido efeito essa mudança? – Primeiro, você faz todo um levantamento. A gestão começa por observar e depois você toma as decisões em conjunto para chegar ao denominador comum. Tudo para que eles convivam melhor aqui dentro, numa relação coletiva. É uma coisa que interfere diretamente na concentração do resultado. Humanamente e profissionalmente. Eu já tinha isso em mente, mas não consegui fazer logo quando cheguei. São coisas que já estavam dentro da escrita desde que eu cheguei na minha gestão. – São etapas que a gente vem tomando e vem dando resultado. Vemos o bom convívio. Claro que tem algumas brigas entre eles porque, quando eu tiro o telefone, essas coisas à flor da pele, de molecada, ficam todas aquelas brincadeiras. Sempre alguma coisa tem. Não só aqui, mas em qualquer lugar. Mas as famílias vêm elogiando. Acho que isso tem sido bem bacana. 2 de 5 Neymar conversa com Elano e Giovanni no CT Rei Pelé — Foto: Raul Baretta/ Santos FC Neymar conversa com Elano e Giovanni no CT Rei Pelé — Foto: Raul Baretta/ Santos FC A proibição dentro do CT pode até acabar influenciando na redução do tempo de tela desses garotos, também, dentro de casa? – Na minha gestão, tenho relatos assim. Tenho me relacionado muito com as famílias. Tenho trazido as famílias de vez em quando aqui, justament, para ter esse papo. Para transformar tudo em informação assertiva e correta da forma que está sendo feito. Fora acontecem muitas coisas, se fala muitas coisas, muitas inverdades. Eu procuro ter essa relação com as famílias e transmitir essa informação correta sobre o telefone, sobre algum problema que o menino está tendo. – Às vezes ele não está rendendo. Por que ele não está rendendo? Pergunta o que está acontecendo na casa dele. Hoje, nós temos também o problema que todo mundo tem o seu personal trainer fora do clube. Eu entendo que para uma criança, por exemplo, não tem ganho nenhum ter um personal fora do clube. Nós estamos falando de criança de 7 a 12, 13 anos. A criança precisa ser criança e já tem a sua profissão aqui. Mas são coisas para o futuro, para a gente debater, e eu procuro debater com as famílias. 3 de 5 Palestra "De Coadjuvante a Protagonista" com Elano, na Vila Belmiro, em Santos — Foto: Reinaldo Campos/ Santos F.C. Palestra "De Coadjuvante a Protagonista" com Elano, na Vila Belmiro, em Santos — Foto: Reinaldo Campos/ Santos F.C. Existe, também, a abordagem sobre redes sociais? Como o Santos também trabalha esse ponto com os jovens? – Confesso que hoje o tempo é curto e faltam dois meses para acabar o ano. Tem tudo escrito para uma sequência. Eu acho um prejuízo muito grande para o Santos regredir, de novo, em tudo o que fizemos até agora. Com a questão de rede social são coisas que estão escritas para termos um debate e vou além. Não só de jogadores, mas também de funcionários, de estafe, das comissões e do departamento esse cuidado com a rede social. Acho que tem que ter um regulamento, que também possa proteger essas situações. – Porque hoje a rede social fala muito, tem uma força muito grande. Acho que está sendo tudo feito da melhor forma nesse momento. Nós temos um projeto em construção. Por exemplo, eu quero poder muito me relacionar com o pessoal do portuário, pessoal de rede hoteleira, prefeituras. Por quê? Porque muitas das famílias que a gente traz, nós podemos, às vezes, até empregá-las em alguma função dentro da cidade para que eles tenham uma renda familiar. Existem casos de atletas que não permanecem na base dos clubes justamente por conta da questão de emprego dos pais? — Acontecem muitas situações assim. Muitos atletas você consegue trazer através da família. Quando a família tem um emprego, às vezes, você consegue fazer as captações mesmo sem o financeiro. Então são cases de trabalho dentro de uma gestão que fazem uma diferença familiar e para o clube. É muito legal isso. O menino consegue ficar tranquilo porque a família está trabalhando. + Clique aqui e saiba tudo sobre o Santos O presidente Marcelo Teixeira já falou sobre adiantar processos, que os garotos possam subir categorias. Por exemplo, o jogador de 18 anos já começar a conviver com o profissional. Esse processo tem sido feito? — Vou tentar resumir para responder de uma maneira clara e da forma que está sendo feita. A reunião com as comissões, a determinação da fórmula e o modelo de treinamento para alcançar os objetivos principais, que é a ofensividade do Santos, que é o DNA. Você tem uma discussão semanal com os treinadores e comissão para treinar e ver se está fazendo aquilo que foi combinado. A gente leva isso para as comissões e padroniza a forma de jogo para consigamos fazer, através disso, a facilidade do menor jogar no maior. Porque ele consegue entender que a informação do 14 é a mesma do 15, a do 15 é a mesma do 16, a do 16 é a mesma do 17 e assim sucessivamente. – Por exemplo, o Isaac, que é o menino do sub-15 que tem ido para a Seleção. Ele estreou no último jogo do Campeonato Brasileiro Sub-17. E alguns deles já têm treinado no sub-20. Então, muitas vezes a gente não coloca no jogo, mas tem colocado no treino. O Thiago, o goleiro, o Arthur Paraná, o zagueiro canhoto, treinou no sub-20. Assim a gente tem feito com frequência também no sub-17. Assim a gente tem feito com o sub-11 também no sub-12. Nós temos um jogador do sub-12 que está jogando no sub-13 como titular. A gente faz isso, e é preciso fazer isso, só que precisamos ter um padrão para que ele tenha as mesmas informações. Para que cada treinador tenha a sua forma, mas não pode ter as informações diferentes. Joga da mesma forma. Eu acho que isso tem ajudado muito nessa formação. Em outros períodos, o Santos tinha um trabalho na base de desenvolver os jogadores em duas ou três funções nas categorias menores. Essa linha segue? — Eu entendo que o jogador tem que ter uma característica. Tem que fazer mais que uma função. Mas será que todo jogador consegue fazer mais que uma função? Primeiro, na minha forma de gerir, preciso colocar o jogador na sua posição. Por exemplo, eu não vejo o Santos tendo um 10 que é o meia, de extremo. O Santos é extremidade, drible e velocidade. – O extremo é bola no pé e vem para troca de bola. Eu posso colocar ele pra dentro e um lateral que passe. Só que, quando eu tenho um contra-ataque, eu não tenho uma extremidade de velocidade. Eu preciso entender o modelo que eu quero jogar. Dá para ter as duas coisas. Mas, no meu trabalho, na minha gerência, eu tenho trabalhado com cada jogador na sua função. Todo clube tem uma categoria que acaba se destacando mais, que é a "menina dos olhos". Hoje, você vê qual categoria que tem um grupo mais pronto? — Eu acho que o Santos tem bons atletas em todas as categorias. Mas vamos juntar duas aí, que é a geração 2010 e 2011. São duas gerações que vão se juntar. Que é o intermediário ali, que é o 16, que já está jogando o Campeonato Paulista Sub-17. E o sub-15 aí, que é um time que vem já tendo um bom desempenho e já joga junto há muito tempo. Tem grande projeção desses meninos novamente estarem formando, podemos dizer, os Meninos da Vila aí na frente. Em relação ao destaque, você falou que tem bons jogadores. Muito se fala em relação ao Kauan Basile, por exemplo. Acaba sendo ali um chamariz muito utilizado até em ações comerciais. Você citou o Isaac... — O Kauan tem um registro muito novo já. A sua figura inconfundível. E ele é um menino de qualidade. Eu gosto muito do Kauan. É assim como o Isaac. E temos outros aqui dentro. Eu acho que tudo isso é mérito do Kauan. E eu falo para o Kauan, falo para o Isaac, falo para todos. O meu grande objetivo aqui é transformar tudo isso em coletividade. E, consequentemente, o talento individual se transforma naturalmente. Eu acredito muito num esporte, principalmente falando de futebol, coletivo. Desta forma, os astros vão se tornar cada vez melhores. E assim é o que eu procuro passar para eles. Sobre a integração com o profissional. Como é a conversa, por exemplo, com o Cuca? Tem outros profissionais como o Vinícius Marques, o César Sampaio, o Léo. Como tem sido? — A gente tem uma boa relação. Isso é tranquilo. Não temos uma relação tão próxima pessoalmente devido a toda a correria que vivemos. Por exemplo, eu aqui tenho 400 meninos e viajo para caramba, com toda a correria de regularização, de reunião, de treinamento, de viagem, jogos fora, em Santos. E assim também é o profissional. Mas temos um grupo onde conversamos muito. Nós temos lá no profissional, por semana, de 10 a 12 atletas treinando, de diferentes categorias. Acho que isso é positivo para o Santos. Cada vez mais quando tiver jogador lá, eu estou feliz. 4 de 5 Elano, gerente da base do Santos, e o técnico Cuca durante jogo do time sub-20 — Foto: Reinaldo Campos/ Santos F.C. Elano, gerente da base do Santos, e o técnico Cuca durante jogo do time sub-20 — Foto: Reinaldo Campos/ Santos F.C. Como você enxerga a relação formação x títulos? Claro que há uma valorização no processo de formação do atleta, e o título acaba sendo uma consequência? — É planejar. São seis meses de trabalho. O planejamento é estruturar, organizar, determinar como queremos seguir com os profissionais, e também com o modelo de jogo que o Santos pede. Não o que o Elano pede, é o que o Santos é. Esse é o primeiro passo. E eu acredito muito em rendimento, em produtividade. É você ter o volume daquilo que nós combinamos. Vai trabalhar sobre a formação, que é o ponto principal da base. Mas, se você tem o rendimento, você tem uma boa formação, você tem um bom trabalho. Entendemos isso e a informação precisa ser dessa forma para os atletas. Formando bons atletas você vai estar brigando para conquistar. Você, mais do que ninguém aqui dentro, tem essa bagagem. O time de 2002, talvez, seja o maior exemplo. Não só por você, mas Paulo Almeida, André Luis, Alex, Robinho, Diego... — Sim, sim. Tinha o Douglas, o Wellington, outros meninos que eram da base. O Santos sempre foi isso. Sem falar o jogo, né? Era uma leveza, a Vila era uma leveza. O alçapão para a gente, a nossa casa. Eu acho que o Santos vem resgatando isso. Lógico que, depois da Série B, é uma reconstrução. E a base é um grande alicerce para o Santos. 🎧 Ouça o podcast ge Santos🎧 Em relação à captação de atletas? Como tem sido o processo no Santos ? — Nós fizemos uma parceria com o pessoal do Camp, em Cubatão. Eles vão ceder o campo para fazermos uma captação aberta que tem mais de 600 inscrições já feitas. Tem um campo ao lado, que eu também vou tentar para o futuro, para usarmos com essas avaliações. Um campo oficial, um campo sintético, um campo de grama. O pessoal de Cubatão tem sido parceiro. Temos feito um projeto social dentro do Meninos da Vila, com mais de 50 projetos de toda a Baixada Santista, de várias idades. Nós estamos trazendo um campeonato de projetos. Isso é uma forma de captação. Hoje nós temos o Carlão, que eu trouxe. O Carlão é um cara com uma bagagem de Cruzeiro, Palmeiras, Vitória. Um cara que rodou muito o Brasil, no Nordeste, principalmente. Como está a expectativa em relação ao possível novo CT para a base, em São Vicente? — Feliz para caramba. Eu acho que o Santos precisa. É o momento que não dá mais para adiar. Para o Santos passar de patamar, o nível do que eu acho que sempre mereceu ter, é ter o CT pronto. E eu brinco: "Deixa esse aqui para a gente, deixa o Rei Pelé para a gente". A localização eu acho que é fantástica. Mas, tendo um CT do jeito que o presidente está encabeçando, e tem a projeção de sair, eu acho que tem que sair. Porque é bom para o profissional, bom para a base, bom para o futsal. Todos tem a ganhar. É o momento que precisa ser feito. Você começou no Santos como um 11, um pouco avançado. Tinham os volantes, com o Paulo Almeida e o Renato, você e o Diego. Depois, você volta no Santos em uma função de 8, já com outra característica. O Santos, hoje, tem o Gabriel Bontempo, que é um jogador que começa na base como segundo volante. Atualmente, joga com o Cuca até um pouco mais avançado. Como você tem visto o Bontempo? Ele, de alguma forma, tem um pouco também da sua característica? — Eu fui um cara que, desde o Guarani, fui muito adaptável aos sistemas. Eu sempre fui um cara muito essencial ali para o treinador. Eu tinha uma característica e eu conseguia fazer outras funções. Então, dentro do jogo, havia as alterações, e eu mudava de função e conseguia entregar. Eu fui campeão brasileiro jogando de extremo em 2002 e fui campeão brasileiro de 10 em 2004, depois que o Diego foi vendido. Então, para mim, era uma coisa que eu gostava. Muitas das vezes eu joguei de lateral-direito. Dentro do mesmo jogo, eu já fui lateral-esquerdo. Então, eu me sinto bem, eu gostava, eu me sentia bem com isso. O Bontempo, por exemplo, é um menino que tem as mesmas características. Eu acho que ele precisa, para ele ainda elevar o seu nível que eu acho possível, é finalizar mais, fazer mais gols. Conversando com pessoas ligadas ao futebol de base, nós ouvimos que hoje há uma preocupação muito grande com a parte física, mais do que a técnica. Como o Santos trata esse ponto? — Eu entendo que o futebol moderno pede uma intensidade absurda. Mas o primeiro quesito que determinamos é a relação com a bola. Precisa ter uma boa relação com a bola. E analisamos o perfil por posição. Lógico, você precisa de um cara, às vezes, um zagueiro mais alto. O outro pode ser um pouco menor e mais rápido, que é uma característica do clube. Nós estamos falando de formação. Aí nós vamos falar de uma questão de mercado futuro. Nós não precisamos ter um time mais alto, nós podemos ter um time mais baixo, desde que a gente tenha a bola. Porque eu vejo o time da Espanha. Nem todo mundo é alto. Eles vencem 80% ou 90% das partidas que jogam. – Eu entendo que a característica do Santos é bem uma característica espanhola, de Barcelona, de Manchester City, de ter a bola, de jogadores de qualidade. Eu entendo que o futebol mudou, mas a forma de se jogar eu acho que cada um tem a sua essência, e o Santos tem a dele. E eu procuro respeitar, principalmente, a essência ética do clube. 5 de 5 Neymar conversa com Elano e Giovanni durante treino do Santos no CT Rei Pelé — Foto: Raul Baretta/ Santos FC Neymar conversa com Elano e Giovanni durante treino do Santos no CT Rei Pelé — Foto: Raul Baretta/ Santos FC O Santos passará por eleição no fim do ano. Como você encara essa situação? Ela interfere dentro do trabalho? – Eu tenho uma relação com o Marcelo desde 2000, quando eu cheguei. Ele que me trouxe para o Santos. Conheci o pai, o Milton. O Marcelinho eu vi, peguei no colo. Eu tenho uma relação e uma gratidão por ele gigantesca. Eu sempre falei isso para ele: eu quero trabalhar por mérito e por conseguir fazer aquilo que eu acredito. Eu tenho um amor e um respeito gigantesco. O Santos me deu tudo. Então, eu não posso ser ingrato ao ponto de falar que eu não tenho uma ligação e uma amizade com o Marcelo. É um momento de eleição, é delicado, mas eu procuro não participar. – Eu procuro fazer o meu trabalho. Da forma que eu estou fazendo, eu acho que eu já estou ajudando. Acho que, da forma que eu faço, eu já estou ajudando, que é poder sanar todos os problemas que existiam. E hoje nós temos aqui. Para entrar tem horário marcado. Isso não é apenas uma empresa que precisa ser gerida com regras, e a gente precisa ter um bom convívio aqui dentro. Mas, se tratando de lado político, assim, o Marcelo sabe que eu tenho um grande respeito e gratidão por ele, e eu faço o melhor sempre para o Santos. E é assim que eu vou continuar fazendo. + Assista tudo do Santos na Globo, sportv, ge e ge tv 50 vídeos