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Só para assinantes Assine UOL Opinião Esporte Fortaleza confirma a regra: se eles fracassam, são elas que pagam a conta Milly Lacombe Colunista do UOL 30/12/2025 14h15 Deixe seu comentário Jogadoras do Fortaleza comemoram gol marcado em jogo do Campeonato Cearense Feminino Imagem: João Moura/Fortaleza Carregando player de áudio Ler resumo da notícia O Fortaleza anunciou que não terá futebol feminino em 2026. Por quê? Porque o futebol masculino caiu para a série B e a conta quem paga são elas, que foram guerreiras e conquistaram o acesso à divisão principal do Brasileiro em 2025. Tanto suor, tanta luta para receberem a notícia de que não têm mais emprego. Obrigada por tudo, mas tchau, meninas. Temos que cuidar dos meninos. Não foi com essas palavras, naturalmente. As palavras usadas pela SAF do Laion foram doces e amáveis. Sinto muito por isso, não queríamos, não é o ideal, mas faremos mesmo assim, é a planilha, é administração responsável, somos uma SAF, afinal. Uma prática que tem se tornado comum. Ricardo Kotscho Master: Moraes precisa explicar contrato da esposa Nelson de Sá China foge das guerras de 2025; EUA não dão trégua Carlos Nobre Como o seu carro pesa na crise climática Michael França Em 2026, explore a arte do bem viver O Ceará fez a mesma coisa em 2022 com requintes de crueldade: logo depois que as mulheres se sagraram campeãs da série A2. E o Furacão fez igualzinho em 2024: eles caíram, elas deixam de existir. Os homens fracassam e as mulheres pagam por isso. O Coritiba também caiu e manteve o feminino ativo, tendo sido campeão estadual em 2025. Mas, pelo visto, não é para qualquer um honrar a camisa e lutar contra o machismo - o que deveria valer mais do que uma planilha de entrada e saída. Se o objetivo é fortalecer o futebol feminino, uma boa SAF saberia como fazer sem optar pela saída mais simples e indigna. É obrigatório que times que disputem campeonatos da Conmebol tenham futebol feminino. E os que disputam a série A do Brasileiro também - desde 2019. Para 2027 a CBF pretende estender a obrigatoriedade para as séries B, C e D. Não fosse obrigatório, quase ninguém teria um time feminino. Seria preciso sempre lembrar que o amor, em qualquer nível, é uma construção. Não nascemos gostando de futebol masculino: alguém pegou a gente pela mão e nos ensinou a amar. O mesmo vale para o futebol feminino, que só existe de forma organizada e profissional, mesmo aos trancos e barrancos, há menos de 20 anos. Quando comparam o feminino ao masculino eu gosto sempre de dizer que, se querem comparar, comparem ao masculino dos anos 1920. Seria apenas justo. A pratica de fazer mulheres pagarem pelo fracasso de homens acabará no dia em que a CBF concretizar a promessa de tornar o futebol feminino obrigatório para todas as divisões. Até lá veremos esse tipo de injustiça prevalecer. Do mesmo jeito que testemunhamos times masculinos serem obrigados a jogar com portões fechados porque alguns marmanjos não souberam se comportar como adultos. Seria digno se o STDJ, tão desmoralizado em 2025, começasse a rever esse tipo de punição. Homens saíram se estapeando? Próximo jogo só mulheres e crianças podem entrar. Talvez assim todos fossem capazes de enxergar o amor que as mulheres têm por esse esporte. Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash Receba novos posts de Milly Lacombe por email Informe seu email Quero receber As mais lidas agora Gabi Guimarães é eleita a segunda melhor jogadora de vôlei do mundo em 2025 TST julga legal greve dos Correios e concede reajuste de 5,1% a empregados Lotofácil sorteia prêmio acumulado de R$ 6 milhões; confira dezenas SC: cinco cidades decretam emergência e barragens são fechadas após chuvas Até que dia pode jogar na Mega da Virada 2025? Saiba novas regras