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Análise dos Times

Bahia

Principal

Motivo: Clube retratado como protagonista de campanha social contra a violência, com CEO citado positivamente, embora haja denúncias contra torcedores do próprio clube.

Viés da Menção (Score: 0.4)

Motivo: Mencionado apenas no contexto do assassinato de Eliza Samudio pelo goleiro Bruno, em associação negativa ao clube.

Viés da Menção (Score: -0.4)

Motivo: Citado apenas como adversário da partida que originou a campanha, sem qualquer julgamento ou tom carregado.

Viés da Menção (Score: 0.0)

Palavras-Chave

Entidades Principais

internacional flamengo bahia brasil arena fonte nova salvador bruno fifa cbf onu eliza samudio raul aguirre virginia campos michele dantas unfpa fbsp matheus diniz

Conteúdo Original

Ao fim de uma partida, as arquibancadas se esvaziam, mas um grupo de torcedoras não sai do lugar. "Hoje, ficar no estádio é mais seguro do que em casa", dizem mensagens projetadas na Arena Fonte Nova, estádio do Bahia. A ação foi promovida pelo clube, suas torcedoras e a ONU, em resposta a um relatório que registrou um aumento das denúncias de violência contra a mulher nos dias de jogos. Tanto as ameaças quanto as lesões corporais, que acontecem sobretudo em casa, aumentam mais de 25%, segundo a ONG Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), que analisou dados entre 2023 e 2025 em grandes cidades do país. O número sobe para 44% entre mulheres de 15 a 29 anos. Embora o futebol não cause a violência, a ONG destaca que este esporte pode intensificá-la quando ela já existe. Fatores como o consumo de álcool potencializam o problema. À medida que o Brasil se prepara para se tornar o primeiro país sul-americano a sediar a Copa do Mundo Feminina, em 2027, Virgínia Campos, sócia-torcedora do Bahia, pede ações para frear este flagelo. No fim de agosto, esta desenvolvedora de software, de 35 anos, participou do ato "Terceiro tempo", após uma partida entre Bahia e o Internacional, na Arena Fonte Nova, em Salvador. Eram 180 mulheres, o número da linha de emergência para denunciar agressões contra a mulher. O protesto foi gravado para lançar vídeos de uma campanha que incentiva as torcedoras a denunciarem casos. Campos não foi vítima de violência doméstica, mas diz que os problemas não acontecem apenas neste contexto. "O tempo todo somos xingadas e agredidas pelos próprios torcedores do clube", relata à AFP. "Jogam um copo de cerveja para baixar a bandeira" e "já chegou a acontecer casos de violência física", conta a torcedora, que exige que os clubes assumam seu "papel social". A violência contra a mulher é um problema generalizado no Brasil há décadas. Em 2025, foi registrado um recorde de feminicídios pelo quarto ano consecutivo, com uma média de quatro mortes por dia. E o futebol brasileiro tem sido manchado por casos dramáticos, como o assassinato, em 2010, da modelo Eliza Samudio pelo goleiro Bruno, na época titular do Flamengo. Ele foi condenado a 22 anos de prisão, mas o corpo da vítima nunca foi encontrado. Para o CEO do Bahia, Raul Aguirre, o clube tem a responsabilidade de utilizar sua visibilidade "para provocar reflexões e mobilizar a sociedade em torno de temas urgentes", para que nenhuma mulher enfrente este problema sozinha. Por sua popularidade, o esporte pode ser uma "ótima ferramenta de mudança social e de direitos humanos", analisa Michele Dantas, representante do Bahia do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), copromotor da iniciativa "Terceiro Tempo". Dantas explica que o fundo trabalha na preparação da Copa do Mundo Feminina, que será disputada de 24 de junho a 25 de julho de 2027. Por este motivo, estabelece contatos com clubes, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e a Fifa para campanhas de conscientização e desenvolve um protocolo de segurança para a mulher em estádios. Procuradas pela AFP, a Fifa e a CBF não fizeram comentários. Em março, a CBF aderiu a uma campanha lançada pelo governo contra o feminicídio. Campos pede a "naturalização" da presença das mulheres no futebol, que foi proibido por decreto para elas no Brasil de 1941 a 1979. Projetos de prevenção relacionados ao futebol ganham espaço: um aplicativo gratuito para celulares que envia alertas em casos de violência contra a mulher, o "Todas por Uma", participa de campanhas de conscientização com organizações esportivas. Ele funciona com um pequeno dispositivo que captura áudios e fotos e envia alertas e localização em tempo real para uma rede de pessoas de confiança, a fim de contatar autoridades em situações de emergência. O ponto de partida foi o Campeonato Paulista de Futebol Feminino em 2023, quando o aplicativo foi apresentado nos estádios e nas transmissões das partidas. Centenas de mulheres o instalaram e 13 casos foram gerenciados com sucesso durante estes eventos. O trabalho com o esporte continua e em agosto, 500 dispositivos do "Todas por Uma" foram entregues em Rondônia, em conjunto com a Federação de Futebol do Estado de Rondônia (FFER). "O futebol pode salvar milhares de vidas em vez de provocar uma tragédia", disse à AFP Matheus Diniz, responsável pelo desenvolvimento do aplicativo. Veja também: Todas as notícias da Gazeta Esportiva Canal da Gazeta Esportiva no YouTube Siga a Gazeta Esportiva no Instagram Participe do canal da Gazeta Esportiva no WhatsApp * AFP